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A Noiva Prisioneira do Sheik
A Noiva Prisioneira do Sheik
Penulis: Lanny Domiciano

Capítulo 1: Convite às Areias

Penulis: Lanny Domiciano
last update Tanggal publikasi: 2025-09-02 09:10:11

Maria Clara

Tinha acabado de pedir demissão no meu antigo trabalho de secretária executiva. 

Não estava recompensando trabalhar mais de 12 horas na frente do computador para ganhar um salário que nem dava para pagar um aluguel, uma luz, o gás e muito menos colocado ainda dentro de casa, sendo que eu amo beber café e se o café está mais de R$ 40 e mesmo assim quando estava em casa era para descansar, quer dizer, tentar por que o meu chefe me ligava na minha folga que precisa de mim e depois ia me recompensar.

Otária acreditava nas mentiras. Teve um dia que decidir que não aguento mais e o idiota do meu chefe pelo o que ele paga gente da minha raça não ia encontrar. O filho da puta disse “raça”. Subiu um ódio, mandei o dedo do meio e mandei ele pro inferno, depois fui pro RH pedir as contas.

Tive que voltar para casa da minha mãe cheia de vergonha porque por telefone falava que estava no melhor trabalho e eu estava muito bem, só que na verdade estava mentindo para ela. Estava no emprego que não é da minha área assistente de diretoria sênior.

Que o desgraçado do meu chefe ainda tinha dito que a vaga já estava preenchida só que descobri pelas fofocas entre os meus colegas que na verdade ele não ia contratar uma negra para esse cargo que não pegaria bem para empresa então contratou um homem branco para fazer isso, por esse motivo que não estava mais aguentando trabalhar lá ficava mais trabalhando na empresa do que cuidando da minha saúde e descansando em casa eu nem tinha tempo como para visitar a minha mãe que ralou muito para eu fazer uma faculdade e ainda de nível superior para eu fazer isso com ela não era justo. 

Faz três meses que estou aqui com a minha mãe ela trabalhando como diarista para colocar comida dentro de casa e eu aqui desempregada, com profissão que escolhi e não consigo trabalho não pela experiência mas pela minha cor e ainda por cima meu chefe queimou o meu currículo em outras empresas de grande porte aqui em São Paulo achei que não tinha mais solução mais nada até que vi essa proposta de um trabalho em Dubai que um shake estava oferecendo uma amiga da minha mãe que trabalha como faxineira numa dessas empresas desse jeito que tem aqui em São Paulo falou dessa vaga.

Logo que soube do trabalho imediatamente preparei meu currículo e mandei para o e-mail não nem demorou , em menos de uma semana que eu recebi a resposta da vaga, a entrevista foi por vídeo. Claro que no começo achei estranho, mas fiz assim mesmo. Falei com uma mulher que se chamava Samira que fez as perguntas lá sobre o meu currículo e que gostou, mas notei que quase não olhou para mim, não sei porque, mas falou que depois ia retornar com a resposta.

Em dois dias, isso mesmo, mandou a resposta o Sheik Ahmed não sei o que, é difícil falar isso. Que ele gostou do meu currículo e falou para vir para Dubai para trabalhar, que era para preparar a mala, o passaporte e que o visto ele ia resolver. Contei para minha mãe que ficou feliz por essa conquista, mas também ficou triste por está indo longe. Expliquei que é uma grande oportunidade, assim mostro para o babaca e racista do meu chefe. Vai ser ótimo.

No meu quarto, um arrepio percorreu minha espinha antes mesmo de fechar a mala. Dobrava minhas camisas de seda, tão modestas comparadas aos ternos que vira nas vitrines da Al-Rashid Holdings, e uma mistura de euforia e pavor tomava conta de mim. Pela primeira vez, viajaria para fora do Brasil por conta própria, sem a segurança da minha família em São Paulo. Apenas meu passaporte recém-adquirido e a promessa de um salário que poderia mudar meu destino para sempre.

Um bilhete só de ida para um mundo que eu mal ousava sonhar. A vertigem de aceitar isso percorreu meu corpo como um tremor. Mas era de felicidade. É um sonho esse lugar e trabalhar lá, vai ser um máximo

— Você vai mesmo? — perguntou Valéria, minha amiga de faculdade, quando liguei para compartilhar a notícia.

— Eu… não sei — respondi, segurando a voz para não traí-la em tremores. — Tudo aconteceu muito rápido. Mas é agora ou nunca.

Ela suspirou do outro lado da linha.

— Você merece, Clara. Só quero ver você feliz.

Aquela benção simples me estremeceu. Fechei o notebook e passei a noite inteira pensando em como seria atravessar o deserto, adentrar num palácio de vidro e aço, servir ao homem mais poderoso do Oriente Médio. No dia seguinte, acordei cedo, tomei café preto e compareci ao escritório para fechar os últimos detalhes.

No saguão iluminado pela luz branca dos refletores, a recepcionista sorriu de forma ensaiada.

— Senhora Santos, a diretora de RH vai acompanhá-la até a sala de conferências.

— Obrigada — respondi, ainda segurando a pasta com o contrato.

O luxo sutil preenchia a sala: poltronas de couro marrom-escuro, uma mesa de madeira clara e, ao fundo, a janela revelava o céu azul-claro de Dubai. Ao tocar a caneta fina que minha supervisora me entregava, o frio do metal me transportou para as areias do deserto, que sabia estarem além do prédio.

— Bem-vinda à Al-Rashid Holdings, Maria Clara — disse ela, com voz neutra. — Por favor, assine aqui.

Minhas palavras falharam por um momento. Coloquei a assinatura com um traço hesitante, como se cada letra zarpasse para um mundo novo. Após o “clique” do carimbo eletrônico, recebi o bilhete de embarque e o endereço do meu novo apartamento numa das ilhas artificiais. Senti o coração martelar e uma pontada de saudade apertar minha garganta.

O corredor seguinte foi um túnel de portas fechadas e corredores silenciosos. Foi só quando toquei o botão do elevador que percebi: a contagem regressiva começara. Cada segundo ali me levava mais longe de tudo o que conhecia.

No aeroporto, à espera do voo da meia-noite, entreguei minha mochila pesada a um funcionário. Observava a fila de passageiros através do vidro, enquanto os fones de ouvido tentavam abafar o silêncio que me engolia. A voz embargada do meu irmão, Walter, na última ligação, dizendo que a mãe sentiria minha falta, ainda ressoava em mim como um soco no estômago.

Subi na aeronave sob as luzes frias do embarque. O corredor estreito exibia poltronas de couro bege, prometendo um breve refúgio antes do choque cultural. Quando me sentei, a comissária passou com o carrinho de boas-vindas e ofereceu suco de romã e tâmaras. Um gesto exótico e elegante, que me fez antecipar o que me aguardava.

— Senhorita Santos, bem-vinda a bordo — disse ela, inclinando levemente a cabeça.

A aeronave decolou suavemente, mas, para mim, foi como um salto no escuro. Enquanto o avião subia, olhei para o alto-falante, de onde a lista de procedimentos de segurança ressoava em inglês e árabe. Fechei os olhos e respirei fundo, como se cada inspiração pudesse me preparar para o que estava por vir.

Do outro lado do mundo, não era mais apenas Maria Clara, a jovem secretária executiva de uma empresa de advocacia do centro de São Paulo. Eu me tornava assistente de diretoria sênior de um Império de Vidro e Areia. A máscara de mulher confiante estava pronta, mas meu coração ainda latejava em cadência acelerada, sem saber se aquele convite às areias seria minha salvação… 

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