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A Noiva Vendida Ao Mafioso
A Noiva Vendida Ao Mafioso
Autor: Amanda Luna DeCarvalho

Capítulo 01 — Uma Proposta Inesperada — Parte 01

last update Fecha de publicación: 2026-09-25 03:02:47

A noite havia caído sobre Berlim quando Salvatore Rinaldi deixou seu escritório particular e seguiu pelo corredor da mansão. Durante quase três horas, permanecera diante de uma pilha de documentos relacionados a uma parte dos negócios da família que estava na sua responsabilidade. Aos quarenta e um anos, já estava acostumado com o peso do sobrenome Rinaldi e com tudo o que vinha junto. Nascera dentro de uma família mafiosa e aprendera desde muito jovem que não havia espaço para ingenuidade naquele mundo. Sabia negociar, sabia reconhecer uma ameaça e, principalmente, sabia que a confiança precisava ser conquistada. Por isso, embora tivesse homens trabalhando nas suas ordens, fazia questão de acompanhar pessoalmente os assuntos mais importantes.

Ao passar diante do escritório de seu pai Giacomo, entretanto, diminuiu o passo ao ouvir vozes. A porta estava parcialmente aberta, e Salvatore reconheceu imediatamente a voz grave de seu avô, Enrico. A presença do homem naquela hora significava que a conversa provavelmente envolvia algum assunto importante da família. Salvatore pensou em continuar andando, mas então ouviu seu próprio nome e parou discretamente próximo à porta, sem intenção de interromper a conversa.

— Salvatore já passou dos quarenta e está viúvo há dez anos, Giacomo... Não estou dizendo que precise esquecer Beatrice, porque sei muito bem o quanto significou... — Enrico pronunciou. — Estou dizendo que dez anos são tempo suficiente para que considere a possibilidade de reconstruir a própria vida...

Giacomo permaneceu alguns segundos em silêncio antes de responder. Seu tom era mais baixo e cuidadoso, como se estivesse tentando evitar uma discussão com Enrico.

— Eu sei o que você está dizendo, pai, mas também conhece Salvatore... Depois da morte de Beatrice, nunca demonstrou interesse em outra mulher... — Giacomo respondeu. — Além disso, se concentrou nos negócios e assumiu responsabilidades que antes não eram suas... Hoje, cuida de uma parte importante dos interesses da família e não parece considerar que esteja faltando alguma coisa em sua vida...

— É justamente isso que me preocupa... — retrucou Enrico. — Salvatore se enterrou no trabalho... Não passa uma semana sem que esteja envolvido em alguma negociação, algum problema ou alguma decisão relacionada aos negócios... Um homem não pode viver apenas para a família e para o trabalho...

Salvatore cruzou os braços enquanto permanecia no corredor. A conversa começava a incomodá-lo, sobretudo porque ambos falavam como se conhecessem melhor aquilo de que precisava. Não considerava que tivesse se enterrado no trabalho. Simplesmente fazia o que precisava ser feito. Depois da morte de Beatrice, assumir mais responsabilidades havia sido uma escolha natural. Havia coisas que precisavam continuar funcionando, e jamais permitiria que a família sofresse porque estava enfrentando o próprio luto.

— Você quer que eu faça o quê? — perguntou Giacomo. — Que diga que está na hora de encontrar outra esposa?

— Quero que converse com Salvatore sobre isso... Não precisa se casar imediatamente, mas precisa pelo menos considerar a possibilidade... — Enrico disse. — Um homem não deveria permanecer sozinho pelo resto da vida apenas porque perdeu a esposa há dez anos...

A menção a Beatrice fez Salvatore baixar os olhos verdes por alguns instantes. Dez anos haviam passado desde que perdera-a de forma trágica, mas ainda conseguia se lembrar de detalhes que o tempo não conseguira apagar. O jeito como Beatrice sorria quando estava feliz, a maneira como costumava implicar quando trabalhava demais e até pequenas coisas que, na época, pareciam insignificantes. Não sentia que estivesse vivendo preso ao passado. Apenas não havia encontrado motivo para procurar outra pessoa. Dentro do escritório, Giacomo voltou a falar.

— Você sabe que Salvatore poderia ficar irritado se descobrir que estamos discutindo sua vida sem que esteja presente... — Giacomo falou. — Mas precisamos dar um jeito nisso mesmo...

— Eu sei... — respondeu Enrico com tranquilidade. — Mas você também sabe que, se perguntarmos diretamente, Salvatore provavelmente vai dizer não antes mesmo de ouvir o que temos a dizer...

— E o que exatamente temos a dizer? — Giacomo quis saber. — Alguma coisa em específico?

Enrico fez uma pequena pausa antes de responder.

— Que a família está pensando no futuro... Salvatore ocupa uma posição importante entre os Rinaldi e, goste ou não, sua vida pessoal também acaba tendo consequências para a família... — Enrico pigarreou. — Não estou dizendo que devemos obrigá-lo a nada... Estou dizendo que podemos começar a procurar uma mulher adequada e, quando chegar o momento, apresentá-la...

Salvatore descruzou os braços. Aquilo já ultrapassava o limite do que estava disposto a aceitar. Uma coisa era seu avô Enrico acreditar que deveria se casar novamente. Outra, completamente diferente, era a ideia de que poderiam começar a procurar uma mulher para colocá-la como se estivesse escolhendo alguém para ocupar uma função dentro da família.

— Não sei se isso é uma boa ideia... — disse Giacomo. — Salvatore não vai gostar de saber que estamos procurando uma esposa...

— Salvatore não precisa gostar da ideia de imediato... Precisa apenas ouvir o que temos a dizer... — Enrico explicou. — Depois, poderá tomar a própria decisão...

— Você realmente acha que Salvatore vai aceitar? — Giacomo levantou uma sobrancelha. — Meu filho é bem orgulhoso...

— Não sei... — Enrico comentou. — Mas também não pretendo ficar sentado esperando que meu neto passe os próximos vinte anos sozinho porque ninguém teve coragem de conversar...

Salvatore respirou lentamente e se afastou da porta. Não queria ouvir mais. Já havia escutado o suficiente para saber que aquela conversa não terminaria naquela noite. Seu avô estava decidido, e conhecia Enrico o bastante para saber que dificilmente desistiria de algo depois de colocá-lo na cabeça. Ainda estava a poucos passos do escritório quando ouviu a porta se abrir.

— Salvatore... — Giacomo pediu. — Podemos conversar?

Salvatore parou e se virou. Giacomo estava adiante, com uma expressão que deixava claro que já havia percebido que o filho escutara a conversa. Salvatore não tentou inventar uma desculpa. Aproximou-se alguns passos e manteve o olhar firme sobre o pai Giacomo.

— Há quanto tempo você está aí? — perguntou Giacomo. — Muito?

— Tempo suficiente para entender que vocês estavam falando sobre mim... — Salvatore encarou Giacomo, claramente irritado. — Estão satisfeitos por tentarem decidir minha vida sem permissão?

Giacomo suspirou e olhou rapidamente para dentro do escritório, onde Enrico continuava sentado.

— Eu preferia ter conversado com você primeiro... — Giacomo deixou claro. — Não deveria ser assim...

— Então converse agora... — Salvatore bufou. — Tente explicar o inexplicável...

O pai Giacomo se aproximou e apoiou uma das mãos no batente da porta.

— Seu avô Enrico acredita que está na hora de você pensar em se casar novamente... Eu sei que talvez não seja o tipo de assunto que você queira ouvir, principalmente depois de tudo o que aconteceu com Beatrice, mas ninguém está tentando apagar o que viveram... — Giacomo gesticulou. — Acreditamos que você passou tempo demais sozinho e que talvez devesse permitir que outra pessoa fizesse parte da sua vida...

Salvatore permaneceu calado por alguns segundos. Depois, balançou a cabeça.

— Eu não preciso de uma esposa para cuidar de mim, pai... E também não preciso que a família encontre uma mulher considerada adequada para os Rinaldi... — Salvatore esclareceu. — Eu sei muito bem como minha vida funciona e estou satisfeito...

— Ninguém está dizendo que precisa de alguém para cuidar de você... — Giacomo elucidou. — Estamos planejando outra coisa...

— Estão dizendo que eu preciso me casar... — Salvatore não gostou daquilo. — Para mim, a diferença é pequena...

— Você realmente não considera essa possibilidade? — Giacomo encarou o filho. — Tem certeza?

Salvatore olhou para o interior do escritório e depois voltou a encarar o pai Giacomo.

— Não... Pelo menos não agora... — Salvatore deu um ultimato. — E não quero que vocês comecem a procurar mulheres pelas minhas costas... Se algum dia eu decidir me casar novamente, essa decisão será minha...

Giacomo assentiu devagar, percebendo que insistir naquele momento não faria o filho mudar de opinião.

— Está bem... — Giacomo respirou fundo. — Vou conversar com seu avô Enrico...

— Espero que converse mesmo... — Salvatore queria finalizar o assunto. — Espero que isso se encerre aqui...

Salvatore deu um passo para trás, pronto para seguir pelo corredor, mas Giacomo ainda chamou-o antes.

— Salvatore... — precisava comentar. — Uma última coisa...

Salvatore se virou novamente. Os olhos verdes chispavam de frustração pelo que estavam fazendo.

— Você sabe que ninguém está tentando substituir Beatrice, não sabe? — Giacomo não queria desentendimentos. — Espero que entenda...

A expressão de Salvatore suavizou apenas um pouco.

— Eu sei... — foi a vez de Salvatore suspirar. — Mas também sei que dez anos não significam que eu tenha esquecido minha esposa Beatrice...

Sem esperar resposta, Salvatore seguiu em direção ao próprio quarto. Atrás, Giacomo permaneceu parado no corredor, enquanto Enrico continuava dentro do escritório. Os dois homens trocaram um olhar silencioso. Nenhum havia conseguido convencer Salvatore naquela noite. Mas Enrico Rinaldi ainda acreditava que o neto Salvatore precisava se casar novamente.

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