تسجيل الدخول— Claro que não... — Salvatore fechou os olhos verdes por um instante. — Enrico é persistente...
— Então você sabe que Enrico vai continuar... — Franz balançou a cabeça, divertido. — Seu avô é impossível... — Sei... — Salvatore brincou com uma caneta. — E isso é o que mais me irrita — E talvez já esteja procurando alguém... — Franz confirmou. — O que é pior... — É justamente isso que me preocupa... — Salvatore se assustava ao pensar naquilo. — Tenho medo de chegar algum dia em casa e Enrico me apresentar uma estranha como noiva... Salvatore passou os dedos sobre a superfície da mesa enquanto pensava. Não gostava da ideia de mulheres sendo procuradas por sua família sem que tivesse demonstrado qualquer interesse em se casar. Mais do que isso, não gostava da possibilidade de uma mulher acabar envolvida em uma situação que não havia escolhido. — Eu não quero que uma mulher seja colocada diante de mim como se fosse uma obrigação... — Salvatore se incomodava ainda mais com aquela possibilidade. — Não quero que minha família procure alguém, analise sua família, veja se é adequada para os Rinaldi e depois espere que eu aceite tudo porque decidiram que seria bom para mim... — Você está preocupado com a possibilidade de sua família transformar isso em um acordo? — Franz olhou para o amigo diretamente. — No nosso meio, a maioria dos casamentos é assim... — Não sei até onde os dois pretendem ir... Mas conheço Enrico... — Salvatore tamborilou as pontas das unhas na mesa. — Se encontrar alguém que considere adequada, vai tentar fazer com que eu pelo menos conheça essa pessoa... — Mas existe alguma possibilidade de você mudar de ideia? — Franz observou-o atentamente antes de fazer outra pergunta. — Nunca pensou em se apaixonar de novo? Salvatore ficou em silêncio por alguns segundos. Aquela era uma pergunta que já havia feito a si mesmo muitas vezes durante os últimos anos, embora nunca tivesse sentido necessidade de responder em voz alta. Pensou em Beatrice, na vida que haviam compartilhado e em tudo o que aconteceu depois de sua morte. Pensou nos três filhos que tiveram. Não sentia que estava vivendo preso às suas lembranças. Havia continuado sua vida, trabalhado, assumido responsabilidades e construído uma rotina completamente diferente. O que não havia acontecido era o desejo de ter outra esposa. — Não sei o que vai acontecer daqui a dez ou vinte anos... Ninguém sabe... — Salvatore parecia triste. — Mas sei o que quero agora... E agora eu não quero me casar... — Nem sequer pensa em conhecer alguém? — Franz insistiu no assunto, tentando fazer o amigo repensar... — Pode ser algo bom, porque você vive uma solidão muito grande... — Conhecer alguém não é o problema... Eu conheço mulheres... Me divirto com muitas sem compromisso... — Salvatore explicou. — Converso com pessoas... Tenho uma vida social quando quero... O que eu não quero é transformar isso em um casamento apenas porque minha família decidiu que já passou tempo suficiente... — Então não é sobre Beatrice... — Franz assentiu lentamente. — É sobre outra coisa... — Não... — Salvatore ergueu os olhos verdes. — Nunca foi... — Você não está evitando outro casamento porque ainda espera que Beatrice volte... — Franz compreendeu. — Você tem essa noção... — Eu sei que Beatrice morreu há dez anos... Sei disso melhor do que qualquer pessoa... — Salvatore disse com tristeza. — Não estou esperando por Beatrice e não vivo todos esses anos pensando que ninguém poderá ocupar seu lugar... Simplesmente não sinto necessidade de colocar outra mulher na minha vida dessa maneira... — Beatrice foi minha esposa... Fez parte da minha vida e sempre será uma lembrança importante para mim... — Salvatore fez uma pausa antes de continuar. — Mas isso não significa que eu esteja procurando alguém para substituí-la agora... E, sinceramente, não quero que nenhuma mulher seja colocada nessa posição... — Talvez seu avô Enrico esteja tentando cuidar de você da maneira que sabe... — Franz permaneceu calado por alguns instantes, respeitando o tom sério de Salvatore. — Pense um pouco nisso... — Eu sei disso... — Salvatore amava o avô Enrico apesar de tudo. — Sei muito bem disso... — Então talvez seja por isso que Enrico não entende quando você diz que não quer... — Franz teve pena do amigo. — Você casou muito novo com alguém que amou muito... — Pode ser... — Salvatore respirou profundamente. — Mas cuidar de mim também significa respeitar minhas decisões... — Tenho quarenta e um anos... Não sou um garoto que precisa que alguém escolha meu futuro... — Salvatore pegou uma caneta e começou a girá-la entre os dedos. — Sei exatamente o que quero para minha vida e, neste momento, quero continuar trabalhando, cuidar da família e dos negócios... Não preciso de uma esposa para que minha vida tenha sentido... — Você sabe que Enrico provavelmente vai considerar isso apenas mais um obstáculo, não sabe? — Franz sorriu discretamente. — Que vai comentar outras vezes? — Sei... — Salvatore falou. — E já deixei claro... — E mesmo assim pretende enfrentá-lo? — Franz tinha certeza da persistência de Enrico. — Vai passar raiva... — Quantas vezes forem necessárias... — Salvatore confirmou. — Estou disposto a isso... Salvatore abriu um dos documentos que ainda precisava revisar e voltou os olhos verdes para as páginas. — Se Enrico aparecer amanhã dizendo que encontrou uma mulher perfeita para mim, vou agradecer pela preocupação e dizer que não estou interessado... Se aparecer na próxima semana com outra, farei a mesma coisa... — Salvatore estava decidido a manter sua palavra. — Pode procurar quantas quiser... Eu não vou aceitar um casamento que não quero... — E se alguma dessas mulheres realmente despertar seu interesse? — Franz lançou a pergunta. — Não pensou nisso? — Então será diferente... — Salvatore levantou os olhos verdes novamente. — Se algum dia eu conhecer uma mulher por vontade própria e sentir que quero construir alguma coisa, ninguém precisará me convencer... — Então acho que você já tem sua resposta... — Franz assentiu. — Não é isso? — Eu tenho... — Salvatore parecia firme. — Já sei como dizer... — E qual é? — Franz encarou o amigo. — O que pretende dizer? — O mesmo de sempre... — Salvatore recostou-se na cadeira, olhando para Franz com absoluta convicção. — Que não quero outra esposa... A frase permaneceu no escritório por alguns segundos. Depois, Franz se levantou e caminhou até a porta. Antes de sair, porém, olhou para Salvatore uma última vez. — Boa sorte com seu avô Enrico... — Franz desejou para Salvatore. — Preciso ir agora... Falamos amanhã... — Vou precisar... — Salvatore soltou um pequeno suspiro. — E muita... Assim que a porta se fechou, Salvatore voltou a olhar para os documentos sobre a mesa. Por mais que Enrico insistisse, por mais que Giacomo tentasse encontrar argumentos e por mais mulheres que seu avô pudesse considerar adequadas para a família Rinaldi, Salvatore continuaria tomando a própria decisão. Não sabia quanto tempo aquela discussão duraria, mas tinha certeza de uma coisa, não permitiria que outras pessoas escolhessem por si mesmo algo tão importante quanto a pessoa com quem deveria dividir sua vida.Depois do almoço com Isabella, Salvatore retornou à mansão no início da tarde. A refeição havia sido agradável e, apesar de não ter acontecido nada extraordinário, ele havia gostado da companhia da amiga. Durante o caminho de volta, chegou a pensar que fazia algum tempo que não tinha uma conversa tão tranquila, sem que alguém tentasse conduzi-lo para assuntos que preferia evitar.Ao entrar na mansão, encontrou Nonno na sala. Enrico estava sentado em uma das poltronas, lendo algumas páginas de um jornal, mas levantou os olhos azuis assim que percebeu a chegada do neto.Nonno já sabia do almoço. Isabella havia contado a ele que faria o convite, e o velho Rinaldi acompanhara a situação com atenção desde o momento em que soubera que os dois sairiam juntos. Não pretendia pressionar Salvatore quando ele voltasse. Sabia que qualquer insistência poderia fazê-lo se fechar imediatamente. Por isso, limitou-se a esperar.Salvatore tirou o paletó e o deixou sobre uma poltrona próxima antes de se a
Desde cedo, Franz sabia que Isabella havia convidado Salvatore para almoçar. A informação havia chegado até ele antes mesmo de os dois deixarem a empresa. Como era amigo próximo de Salvatore e também fazia parte do círculo de confiança da família, não havia nada de estranho em saber que os dois sairiam juntos. Ainda assim, desde que soubera do almoço, Franz não conseguira evitar que a notícia ocupasse alguns espaços de seus pensamentos.Ele tentou convencer a si mesmo de que não havia motivo para aquilo. Isabella e Salvatore eram amigos. Era perfeitamente normal que saíssem para almoçar. Além disso, Franz conhecia Salvatore o suficiente para saber que ele não faria nada que ultrapassasse os limites de uma amizade se não sentisse vontade de fazê-lo.Mesmo assim, a ideia de Isabella passando algumas horas sozinha com Salvatore havia despertado nele uma sensação que ainda não conseguia definir completamente. Não era exatamente ciúme. Ou, pelo menos, Franz preferia não chamar daquele jeit
O restaurante escolhido por Isabella ficava em uma região tranquila de Berlim e era conhecido por oferecer um ambiente elegante, mas sem a formalidade excessiva de alguns estabelecimentos frequentados pela família Rinaldi. Havia mesas bem distribuídas pelo salão, iluminação suave e música baixa, criando uma atmosfera adequada para uma refeição tranquila.Quando chegaram, foram conduzidos até uma mesa mais reservada. Salvatore tirou o paletó e acomodou-se diante de Isabella, enquanto ela se sentava do outro lado. Por alguns instantes, os dois apenas observaram o movimento discreto do restaurante.Isabella percebeu que estava muito mais tranquila agora. O nervosismo que sentira antes de fazer o convite havia desaparecido. Diante de Salvatore, tudo parecia novamente natural, como sempre fora entre os dois.O garçom entregou os cardápios, e ambos começaram a escolher o que comeriam. Não demorou para que a conversa surgisse espontaneamente. Salvatore escolheu um risoto e Isabella escolheu
Naquela manhã, Isabella chegou à empresa de Salvatore com uma ideia que havia decidido colocar em prática depois de pensar bastante. Desde que sua família começara a insistir para que ela se aproximasse dele, muitas coisas haviam acontecido. Jantares, encontros familiares, a presença constante de Chiara e Franz e, principalmente, os problemas causados por Roxanne haviam deixado os últimos dias muito mais movimentados do que o normal.Mesmo assim, Isabella não queria transformar sua relação com Salvatore em algo artificial. Eles já eram amigos havia bastante tempo, e justamente por isso ela acreditava que qualquer aproximação deveria acontecer de maneira natural. Não queria aparecer diante dele tentando representar uma mulher diferente daquela que sempre havia sido. Se precisava se aproximar, faria isso sendo ela mesma. O convite para o almoço parecia uma maneira simples de fazer isso.Ela atravessou os corredores da empresa pensando em como Salvatore receberia a ideia. Não havia motiv
Naquela tarde, Chiara continuou observando Franz de maneira discreta. Depois de tudo o que havia percebido desde a manhã, já não conseguia considerar seu comportamento apenas uma coincidência. Ele procurava Isabella com os olhos azuis sempre que ela entrava em algum cômodo e parecia encontrar alguma razão para permanecer perto dela.Ainda assim, Chiara não pretendia interferir. Conhecia Isabella o suficiente para saber que a amiga precisava descobrir seus próprios sentimentos sem que alguém tentasse conduzi-la. Além disso, Franz também parecia estar começando a compreender o que sentia, e talvez precisasse de tempo para organizar os próprios pensamentos.Chiara encontrou Isabella mais tarde em uma das salas da mansão. A amiga estava sentada próxima à janela, concentrada em algumas anotações. O ambiente estava tranquilo, e por alguns minutos Chiara preferiu não tocar no assunto.Sentou-se ao lado dela e começou a conversar sobre coisas simples. Isabella parecia mais tranquila depois do
Na manhã seguinte, a Mansão Rinaldi estava mais tranquila do que nos últimos dias. Depois de toda a confusão envolvendo Roxanne, a família parecia precisar de um pouco de paz. Não havia discussões, ameaças ou situações inesperadas naquele momento, e cada pessoa seguia sua rotina dentro da grande residência.Franz, entretanto, não conseguia aproveitar aquela tranquilidade da mesma maneira. Desde que havia acordado, seus pensamentos voltavam constantemente para Isabella. Lembrava-se da maneira como ela havia enfrentado Roxanne, da preocupação que sentira ao vê-la sendo ameaçada e, principalmente, do momento em que seus olhos permaneceram presos nela dentro da sala de Salvatore.Agora, sozinho, começava a perceber que talvez o problema não fosse apenas o que acontecera naquele dia. Havia algum tempo que Isabella chamava sua atenção de uma maneira diferente. Ele apenas não havia dado importância suficiente aos próprios sentimentos.Franz sempre fora próximo da família Rinaldi e conhecia I







