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Capítulo 02 — Tudo Começa A Pesar — Parte 02

last update تاريخ النشر: 2026-09-25 03:08:57

Salvatore permaneceu em seu escritório por mais alguns minutos depois de terminar os documentos que tinha sobre a mesa. Embora tivesse conseguido manter a atenção nos negócios durante boa parte da manhã, não conseguia evitar que os acontecimentos do café da manhã voltassem à sua mente. Enrico havia deixado bastante claro que não pretendia desistir de encontrar uma mulher para sua pessoa, e Giacomo, embora não demonstrasse a mesma insistência do pai, também não parecia disposto a impedir completamente aquela ideia. Salvatore sabia que aquilo ainda dar-lhe-ia trabalho, principalmente porque conhecia bem a personalidade do avô. Enrico podia esperar alguns dias, algumas semanas ou até meses, mas dificilmente esqueceria o assunto.

Foi por isso que, depois de verificar algumas mensagens e concluir uma negociação que estava pendente, Salvatore pegou o celular e ligou para um amigo de longa data, que estava de folga da empresa naquele dia. Era uma das poucas pessoas com quem conseguia conversar sem precisar medir cada palavra ou pensar nas consequências de tudo o que dizia. Alguns minutos depois, o homem apareceu no escritório, pois, mesmo estando de folga naquele dia, havia decidido atender ao chamado do amigo, fechando a porta atrás de si antes de caminhar até a poltrona diante da mesa. Era Franz Vogel, que conhecia desde criança.

— Você me chamou? — Franz perguntou. — Aconteceu alguma coisa?

— Sente-se... Não aconteceu nada relacionado aos negócios... — Salvatore indicou a poltrona com um gesto. — É justamente por isso que resolvi falar com você...

Franz se acomodou e observou Salvatore com atenção. Conhecia-o havia tempo suficiente para perceber quando alguma coisa estava incomodando-o, mesmo que não demonstrasse abertamente. Salvatore era um homem acostumado a controlar as próprias emoções e dificilmente procurava alguém apenas para conversar sobre problemas pessoais.

— Então deve ser algo importante... — Franz afirmou. — Você não costuma interromper seu trabalho para falar sobre coisas pessoais...

Salvatore apoiou os braços sobre a mesa e ficou alguns segundos em silêncio antes de responder.

— Meu avô Enrico decidiu que eu preciso me casar novamente... — Salvatore suspirou. — Já devem estar procurando até uma noiva para mim...

Franz ficou olhando para Salvatore por alguns segundos, aparentemente surpreso com a declaração.

— Novamente? — Franz se admirou. — Ainda essa insistência?

— Sim... — Salvatore esclareceu. — Novamente...

— E você está pensando nisso? — Franz perguntou. — Está cogitando a possibilidade?

— Não... — Salvatore ergueu os olhos verdes para Franz. — Definitivamente não...

A resposta foi tão firme que não deixou espaço para qualquer dúvida. Franz recostou-se na poltrona, cruzando os braços enquanto analisava a expressão séria de Salvatore.

— Então imagino que o problema não seja você querer se casar... — Franz comentou. — O problema é seu avô Enrico querer escolher uma esposa para você...

— Exatamente... Enrico decidiu que dez anos são suficientes desde a morte de Beatrice e que está na hora de eu reconstruir minha vida ao lado de outra mulher... — Salvatore mexeu na caneta. — Meu avô e meu pai passaram boa parte da manhã tentando me convencer de que não haveria problema em conhecer algumas mulheres...

Salvatore soltou um suspiro e levantou-se da cadeira. Caminhou até a janela, olhando para o movimento das ruas de Berlim enquanto continuava falando.

— Os dois dizem que eu não preciso me casar imediatamente... Querem apenas que eu conheça alguém, converse, veja se existe alguma possibilidade... — Salvatore comentou. — Para ambos, parece uma coisa simples... Como se escolher uma mulher para dividir a vida fosse o mesmo que escolher alguém para trabalhar em uma empresa...

— E você explicou que não pensa dessa maneira? — Franz questionou. — Que não pretende aceitar isso?

— Expliquei... — Salvatore disse. — Disse aos dois que minha vida pessoal é uma decisão minha e que, se algum dia eu decidir me casar novamente, serei eu quem tomará essa decisão...

— Seu avô Enrico aceitou? — Franz permaneceu em silêncio por alguns instantes, antes de perguntar. — Ou continua teimando?

— Você realmente acha que Enrico aceitaria? — Salvatore soltou uma risada curta. — É teimoso como uma mula de carga...

— Não... — Franz coçou o queixo. — Pensando bem, não...

— Enrico nunca aceita quando alguém simplesmente diz não... Enrico passou a vida inteira enfrentando situações difíceis... Lutou em uma guerra intensa na Calábria, conseguiu sobreviver a coisas que poderiam ter destruído nossa família e depois veio para a Alemanha... Construiu tudo o que temos hoje com determinação... — Salvatore sabia muito bem de tudo aquilo que estava contando. — O problema é que continua acreditando que pode resolver qualquer coisa insistindo o suficiente...

— E agora resolveu aplicar essa mesma estratégia ao seu casamento... — Franz acenou com as mãos. — Vai ser uma batalha difícil...

— Parece exatamente isso... — Salvatore suspirou. — Ou até pior...

Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. Salvatore voltou para sua mesa, mas não se sentou imediatamente. Passou a mão pelos cabelos loiros e olhou para os documentos que havia deixado separados antes de começar aquela conversa.

— Hoje de manhã, Enrico chegou ao ponto de perguntar se eu poderia simplesmente pensar na possibilidade... — Salvatore ajeitou a gola do colarinho para disfarçar o nervosismo. — Eu não sei mais o que fazer...

— E você disse que pensaria? — Franz quis saber. — Que haveria chance?

— Disse... — Salvatore brincou com o botão da camisa. — Mas não dei esperança...

— Você mudou de ideia? — Franz arqueou uma sobrancelha. — Ou não?

— Não... — Salvatore garantiu. — Não existe chance disso...

— Então por que disse isso? — Franz não entendeu. — Enrico vai pensar outra coisa...

— Porque eu queria encerrar aquela conversa... — Salvatore finalmente se sentou e apoiou as costas na cadeira. — Se continuasse discutindo, provavelmente ficaríamos ali durante horas... Então disse que pensaria apenas para que os dois parassem de insistir...

— E seu avô Enrico acreditou? — Franz meneou a cabeça. — Tem certeza?

— Enrico perguntou se aquilo era um sim e se podia ter esperanças... — Salvatore amargurou um sorriso duro. — Tudo o que digo pode se virar contra mim agora...

— Não acredito... — Franz riu. — Você está numa sinuca de bico...

— Pois é... — Salvatore baixou o olhar esverdeado. — Eu também não...

— E o que você respondeu? — Franz estava curioso. — Você está encrencado...

— Que não era um sim... — Salvatore explicou. — Como te disse minutos antes, afirmei claramente que aquilo era apenas uma forma educada de encerrar a conversa...

— Será que nada faz Enrico desistir? — Franz entendia o amigo. — Nada mesmo?

Salvatore olhou para o amigo com uma expressão que deixava a resposta óbvia. Enrico achava que mandava nas pessoas.

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