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A Noiva do Rei Lobo
A Noiva do Rei Lobo
ผู้แต่ง: Dany Custodio

CAPÍTULO 1 - A Noiva do Rei

ผู้เขียน: Dany Custodio
last update วันที่เผยแพร่: 2026-08-30 06:17:42

AURORA

Eu deveria estar chorando.

Era o que esperavam de uma noiva.

Minha mãe havia chorado quando se casou. Minha avó também. Minha irmã mais velha precisara refazer a maquiagem três vezes antes de conseguir atravessar as portas que a levariam ao próprio casamento.

Eu, porém, estava diante do espelho havia tempo demais, olhando para uma mulher vestida de branco que se parecia comigo e, ao mesmo tempo, não parecia.

O vestido era bonito. Irritantemente bonito.

O tecido claro acompanhava meu corpo antes de cair em uma saia longa, trabalhada com bordados delicados que haviam levado semanas para serem terminados. Meus cabelos castanhos estavam presos apenas o suficiente para acomodar o véu, deixando parte dos cachos cair pelas minhas costas.

Tudo havia sido preparado para que eu parecesse uma noiva.

Faltava apenas que eu me sentisse como uma.

— Não faça isso.

Encontrei os olhos de minha mãe pelo reflexo.

Helena estava alguns passos atrás de mim. Havia passado a manhã inteira ocupando as mãos: ajeitando uma dobra que não precisava ser ajeitada, verificando meus cabelos, conferindo flores, chamando criadas que não precisavam ser chamadas.

Agora, porém, estava imóvel.

— Fazer o quê?

— Pensar em fugir.

Quase sorri.

— Eu não estava pensando em fugir.

Ela ergueu uma sobrancelha.

Suspirei.

— Não seriamente.

— Aurora.

— Eu disse que não era seriamente.

Dessa vez, um pequeno sorriso apareceu em seus lábios, mas desapareceu depressa.

Nós duas sabíamos que eu não iria.

Não porque não quisesse.

Havia imaginado a estrada mais de uma vez nas últimas semanas. Um cavalo, poucas roupas, dinheiro suficiente para atravessar a fronteira. Talvez um nome diferente em algum lugar onde ninguém conhecesse Valença, Draven ou os acordos feitos por homens sentados diante de mapas.

Mas fantasias eram fáceis quando não carregavam consequências.

Se eu recusasse aquele casamento, não seria apenas uma filha desobedecendo ao pai.

A aliança entre nossos territórios já era frágil. Antigas feridas haviam sido cobertas, não curadas. O casamento deveria transformar um acordo escrito em algo mais difícil de romper.

E, se falhasse...

Eu conhecia a palavra que todos evitavam pronunciar diante de mim.

Guerra.

Abaixei os olhos para o buquê entre minhas mãos.

— Você ainda pode desistir — minha mãe disse.

Olhei para ela pelo espelho.

Dessa vez, não havia qualquer sorriso.

— Posso?

Helena demorou um pouco para responder.

Foi resposta suficiente.

Virei-me para ela.

— Então não diga isso.

A dor atravessou seu rosto.

Imediatamente me arrependi do tom, mas não das palavras.

Minha mãe se aproximou.

— Eu só queria que você tivesse tido uma escolha.

— Eu também.

Ela segurou minhas mãos.

Por alguns segundos, fomos apenas nós duas naquele quarto. Não uma futura rainha e a mulher que a preparava para uma aliança. Apenas mãe e filha.

— Não deixe que tirem tudo de você — ela murmurou.

Franzi a testa.

— O que quer dizer?

— Seu nome vai mudar. Sua casa vai mudar. Haverá pessoas lhe dizendo como uma rainha deve falar, sentar, sorrir e até respirar. — Os dedos dela apertaram os meus. — Escute quando precisar. Aprenda o que for necessário. Mas continue sendo você.

Engoli o nó que surgiu na garganta.

Talvez eu fosse chorar, afinal.

— Vou tentar.

— Não. — Ela tocou meu rosto. — Faça.

Soltei uma pequena risada.

— Agora sei de onde herdei isso.

— Certamente não foi de seu pai.

Dessa vez, nós duas sorrimos.

Durou pouco.

Helena pegou o véu.

Quando o tecido caiu sobre meus cabelos e depois diante do meu rosto, o mundo perdeu um pouco da cor. Eu conseguia enxergar através dele, mas tudo parecia distante, suavizado pela camada branca entre mim e o restante da vida.

Toquei a renda com a ponta dos dedos.

— Ele realmente não poderá me ver?

— Não até depois dos votos.

Uma antiga tradição Lycan.

Eu havia aprendido muitas delas nas últimas semanas. Mais do que gostaria.

— E eu também não poderei vê-lo.

— Não.

Maravilhoso.

Eu me casaria primeiro.

Descobriria o rosto de meu marido depois.

— Talvez seja melhor — murmurei.

— Aurora...

— Se ele tiver três olhos, pelo menos já será tarde demais para correr.

Minha mãe tentou não rir.

Falhou.

— Por favor, não diga isso perto do sacerdote.

— Não prometo nada.

Uma batida soou à porta.

O sorriso dela desapareceu.

O meu também.

Era hora.


As portas se abriram e o murmúrio do grande salão diminuiu até se transformar em silêncio.

Por um instante, não consegui me mover.

Havia gente demais.

Nobres, representantes das duas famílias, oficiais, membros da corte. Rostos conhecidos misturados a tantos outros que eu jamais vira. Flores claras acompanhavam o corredor, velas ardiam em suportes altos e a luz da manhã atravessava as grandes janelas, refletindo no piso de pedra.

Todos haviam vindo assistir à paz ser selada.

Na forma de uma mulher de branco.

Respirei fundo.

Então comecei a caminhar.

Um passo.

Depois outro.

O som de meus passos parecia alto demais.

Não olhei para os convidados.

Olhei para ele.

O homem diante do altar.

Meu futuro marido estava de costas para mim.

Mesmo à distância, era impossível não notar sua presença. Era alto, de ombros largos, vestido quase inteiramente de preto. Havia prata discreta nos detalhes da roupa e uma coroa escura sobre os cabelos.

Kael Draven.

O Rei Lycan.

Eu conhecia histórias sobre ele.

Todos conheciam.

Algumas falavam de um rei justo. Outras, de um guerreiro impiedoso. Havia quem pronunciasse seu nome com respeito e quem baixasse a voz antes de fazê-lo.

Nenhuma daquelas histórias me dizia como seria dividir uma mesa com ele.

Ou um quarto.

Ou uma vida.

Quanto mais eu me aproximava, mais consciente ficava de minha própria respiração.

Ele ainda não havia se virado.

Quando finalmente parei ao seu lado, senti primeiro o calor de sua presença.

Depois o silêncio.

Kael moveu ligeiramente a cabeça em minha direção.

Não o suficiente para que eu visse seu rosto através do véu.

Não dissemos nada.

O sacerdote começou.

Ouvi meu nome.

Ouvi o dele.

Ouvi palavras sobre dever, união, linhagens e paz.

Respondi quando precisava responder.

Respirei quando me lembrava de fazê-lo.

Até que chegou a pergunta que transformaria tudo o que existira antes dela em passado.

— Aurora Valença, aceita tomar Kael Draven como seu legítimo esposo?

Meus dedos apertaram o buquê.

Eu poderia dizer não.

Tecnicamente.

Uma palavra.

Uma única palavra e talvez todo aquele salão mergulhasse no caos.

Pensei em minha mãe.

Em Valença.

Nas famílias que jamais saberiam quem começara a guerra, apenas quem não voltara dela.

E pensei em mim.

Na promessa que havia feito diante do espelho.

Podiam mudar minha casa.

Não levariam tudo.

Ergui o queixo.

— Aceito.

Minha voz não tremeu.

O sacerdote voltou-se para Kael.

— E você, Kael Draven, aceita tomar Aurora Valença como sua legítima esposa?

Silêncio.

Um segundo.

Talvez dois.

Meu estômago se contraiu.

Então ouvi sua voz pela primeira vez.

Grave. Baixa. Controlada.

— Aceito.

Não sabia por que aquela única palavra fez um arrepio percorrer meus braços.

O sacerdote prosseguiu, mas quase não ouvi.

Marido.

Eu tinha um marido.

E ainda não sabia seu rosto.

— Diante das leis do reino e das antigas tradições Lycan, declaro-os marido e mulher.

O ar pareceu ficar mais pesado.

O sacerdote ergueu uma das mãos.

— E, pelo costume de sua linhagem, o rei pode agora contemplar o rosto de sua rainha.

Meu coração bateu uma vez, forte demais.

Kael se virou para mim.

Completamente.

Pela primeira vez, fiquei diante dele sem nada além de uma fina camada de tecido nos separando.

Ele levantou a mão.

Seus dedos alcançaram a borda do véu junto ao meu rosto.

Houve uma pequena pausa.

Como se esperasse.

Não recuei.

Então ele ergueu o tecido.

O véu deslizou sobre meu rosto, deixando o ar frio tocar minha pele.

Por algum motivo, mantive os olhos baixos.

Vi primeiro o preto de suas roupas. Os detalhes escuros e prateados. A linha de seus ombros.

Ridículo.

Eu já havia me casado com aquele homem.

Olhar para ele deveria ser a parte fácil.

Respirei fundo e ergui o rosto.

Kael era mais jovem do que algumas histórias me haviam feito imaginar.

E mais bonito do que eu gostaria.

Cabelos escuros e curtos, traços fortes, mandíbula marcada. Havia algo severo nele mesmo em completo silêncio, como se o controle não fosse apenas um hábito, mas parte de sua própria natureza.

Então encontrei seus olhos.

E alguma coisa aconteceu.

Não comigo.

Com ele.

A mão que ainda segurava meu véu ficou imóvel.

A expressão de Kael mudou.

Foi mínimo.

Tão pequeno que talvez ninguém naquele salão tivesse percebido.

Mas eu estava perto o suficiente.

Vi.

A frieza desapareceu de seus olhos por um instante.

Surpresa.

Depois alguma coisa mais profunda.

Alguma coisa que eu não soube reconhecer.

Kael me encarou.

Não como um homem examinando pela primeira vez o rosto da mulher com quem acabara de se casar.

Como se procurasse alguma coisa nele.

Meu coração acelerou.

— Minha rainha... — murmurou.

As palavras saíram baixas, quase para ele mesmo.

Franzi levemente a testa.

Seus olhos continuaram presos aos meus.

Especialmente aos meus olhos.

E naquele primeiro instante diante do homem que agora era meu marido, tive uma sensação impossível de ignorar.

Kael Draven estava olhando para mim como se eu não fosse uma desconhecida.

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