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CAPÍTULO 141 - AS PRIMEIRAS FLORES

last update Date de publication: 2026-09-30 07:18:48

AURORA

A primavera chegou oficialmente três dias depois.

Dessa vez, com papel.

— “Início do período de plantio nas terras baixas, liberação das estradas do norte para carroças leves, revisão dos estoques de inverno e autorização para retomada integral das feiras semanais.”

Baixei o documento.

— Que maneira triste de anunciar a primavera.

Marcus ergueu os olhos.

— É um relatório.

— Exatamente.

Kael continuou lendo o documento que tinha diante de si.

— O que esperava?

— Flores.

— Num relatório?

—
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  • A Noiva do Rei Lobo   CAPÍTULO 146 - DEPOIS DAS FLORES

    AURORAQuando deixamos a praça, Elara tinha perdido uma flor do vestido, Cassian estava sem uma das meias e Kael ainda carregava pétalas nos cabelos.Considerei um sucesso absoluto.O sol já havia desaparecido atrás dos telhados havia algum tempo. As lanternas que passamos semanas planejando estavam acesas sobre a praça e pelas ruas próximas, pequenas luzes douradas balançando sob as fitas coloridas. A música continuava atrás de nós, menos intensa do que durante a tarde, mas ainda suficientemente viva para alcançar a carroça enquanto nos afastávamos.Virei para olhar uma última vez. Não dava para ver tudo. Apenas pedaços de uma celebração inesquecível. As luzes, as barracas, pessoas ainda dançando e celebrando, a fonte quase desaparecida sob a montanha de flores. Meu peito se encheu outra vez.Kael percebeu. Ele estava sentado diante de mim, Cassian adormecido contra o peito dele.— Não chore de novo — avisou.— Eu não estou chorando — murmurei.— Está pensando em chorar.— Isso nem e

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    AURORALevamos menos de três minutos para perder Elara.Não de verdade.Eu precisava deixar isso claro.Ela estava a menos de dez passos de nós, perfeitamente visível, cercada por quatro guardas que fingiam com admirável competência não estar cercando uma criança de vestido rosa.Ainda assim, eu havia soltado sua mão por tempo suficiente para cumprimentar uma mulher e, quando voltei a olhar, minha filha estava diante da barraca dos brinquedos de madeira.— Kael.— Eu vi.— Ela—— Eu vi, Aurora.Elara segurava um pequeno cavalo.O artesão estava agachado diante dela enquanto o menino que eu vira atrás da barraca observava com um sorriso tímido.— Valo — Elara declarou.Parei.Kael virou lentamente o rosto para mim.— Não.— Não diga nada.— Eu não disse.— Seu rosto disse.— Meu rosto é assim.Tomas, que vinha alguns passos atrás com Matteo, ouviu.Naturalmente.— Valo?Fechei os olhos.— Não comece.— Isso está ficando hereditário.— Tomas.— Só observei.Elara nos viu.Ergueu o brinq

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    AURORAElara não queria ficar parada.Esse foi o primeiro problema do Festival das Primeiras Flores.Não as carroças.Não os comerciantes.Não os guardas.Não as dezenas de decisões que haviam ocupado as últimas semanas.Minha filha.— Elara.Ela girou.A saia rosa abriu ao redor das pernas pequenas e depois caiu novamente, fazendo as flores bordadas desaparecerem por um instante entre as pregas.— Bonita!— Muito bonita. Agora venha aqui.Ela correu para o outro lado do quarto.Suspirei.O vestido havia sido ideia de Clara.Naturalmente.Eu pedira apenas alguma coisa confortável, bonita e adequada para uma criança que passaria boa parte do dia correndo. Clara interpretara isso como uma missão pessoal e aparecera no palácio dois dias antes com o vestido pronto.O tecido era rosa, num tom suave sem ser pálido, com uma saia leve que terminava pouco abaixo dos joelhos. Pequenas flores coloridas haviam sido bordadas à mão ao longo da barra e subiam em grupos menores pelo corpete: amarelas

  • A Noiva do Rei Lobo   CAPÍTULO 143 - NA VÉSPERA

    AURORANa véspera do Festival das Primeiras Flores, acordei com marteladas.Não uma.Muitas.Abri os olhos devagar, ainda presa naquele espaço morno entre o sono e a consciência, e fiquei alguns segundos tentando entender por que alguém parecia determinado a desmontar o palácio antes do nascer completo do sol.Outra sequência de batidas ecoou lá fora.Ao meu lado, Kael nem se mexeu.— Estão construindo uma casa dentro do nosso quarto? — murmurei.— Não.A voz veio abafada pelo travesseiro.— Tem certeza?— Sim.— Como?— Porque mandei que começassem a montar as últimas estruturas na praça antes do movimento das carroças.Abri os olhos por inteiro.— Que horas são?— Cedo.— Isso não é uma hora.— É a única informação que tenho.Virei o rosto.Kael continuava deitado de bruços, os cabelos escuros espalhados de qualquer jeito sobre a testa, uma das mãos ocupando metade do meu travesseiro. Havia algo profundamente injusto no fato de o homem responsável pelas marteladas conseguir ignorá-l

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    AURORAA segunda flor apareceu na manhã seguinte.A terceira antes do meio-dia.Quando atravessei a praça dois dias depois, já havia nove.Eu contei.Não de propósito, embora Kael certamente dissesse o contrário se soubesse.Algumas estavam presas aos postes com pedaços de barbante. Outras haviam sido encaixadas nas frestas da pedra ao redor da fonte. Uma mulher colocara pequenos ramos brancos na janela da padaria, e alguém amarrara uma fita verde na placa da rua que levava ao mercado.Nada combinava.Era isso que tornava tudo bonito.As flores não haviam sido escolhidas por jardineiros do palácio nem organizadas segundo cor, tamanho ou espécie. Algumas já começavam a murchar. Uma era tão pequena que quase desaparecia entre as pedras. Havia margaridas, ramos que eu não sabia nomear e até uma flor roxa de caule comprido que parecia ter sido arrancada da beira de alguma estrada.Parei diante da fonte.A menina da primeira flor não estava ali.A flor amarela continuava presa ao poste.Um

  • A Noiva do Rei Lobo   CAPÍTULO 141 - AS PRIMEIRAS FLORES

    AURORAA primavera chegou oficialmente três dias depois.Dessa vez, com papel.— “Início do período de plantio nas terras baixas, liberação das estradas do norte para carroças leves, revisão dos estoques de inverno e autorização para retomada integral das feiras semanais.”Baixei o documento.— Que maneira triste de anunciar a primavera.Marcus ergueu os olhos.— É um relatório.— Exatamente.Kael continuou lendo o documento que tinha diante de si.— O que esperava?— Flores.— Num relatório?— Talvez.Marcus me olhou.— Posso desenhar uma no próximo.— Obrigada.— Não incentive — Kael murmurou.Estávamos havia quase uma hora na sala do conselho.O sol atravessava as janelas altas com uma força que eu não via havia meses. Um dos criados abrira duas delas, e o ar entrava fresco, trazendo cheiro de terra molhada e o som distante de martelos vindo do pátio.O palácio inteiro parecia acordar.Até Kael.Embora ele provavelmente negasse.Havia mapas sobre a mesa, relatórios das estradas, nú

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