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ELA
Ao abrir os olhos encaro o teto branco do meu quarto, o suspiro que sai de mim é por prever a merda de dia que me espera. É início de mais uma semana e só de pensar nisso sinto a aflição ganhar vida no meu corpo, ter que sair da cama se tornou minha tortura diária.
Essa sensação me acompanha com frequência, me faz evitar pessoas e me esquivar do trabalho presencial sempre que posso. As seções de terapia fazem eco em minha mente
“...não deixe o medo e a angustia se transformarem em fobia...”
“...são só pessoas...”
“... você está segura...”
Mas a verdade é que hoje eu já perdi a batalha, vou trabalhar de casa novamente!
Sou advogada e meu escritório já tem uma reputação consolidada. Aqui em Nova York, eu atuo na área empresarial, representando alguns dos grandes empresários da cidade, meu nome é forte no mercado, batalhei muito para alcançar esse know-how. Já no Brasil minha atuação é outra, sendo filha de uma brasileira com um estadunidense, tenho dupla nacionalidade.
Minha mãe morreu quando nasci e meu pai não era só apaixonado por ela, ele também amava o Brasil e proporcionou a meu irmão e mim vivenciarmos as duas culturas, assim dentre tantas coisas, desfruto do privilégio de poder exercer a profissão que amo nos dois países.
Não é que não sinta mais prazer em meu trabalho, só não me sinto mais confortável com a socialização que ele impõe, construir diálogos, exibir sorrisos, em fim...lidar com gente em geral, seja cliente ou funcionário, não me agrada mais. Essa minha falta de motivação não é enjoo do meu trabalho muito pelo contrário, gosto do que faço e procuro sempre o fazer com excelência, minha carreira é a única coisa certa que tenho no momento. Enquanto tudo em minha vida parece destruído meu escritório segue firme, imponente e faturando milhares de dólares como deve ser.
Tenho consciência do meu status, não parti do zero, nasci em berço de ouro. Eu e meu irmão somos herdeiros de uma das maiores fortunas do país, conheço bem meus privilégios e sei que meus primeiros clientes foram conquistados graças ao poder do meu sobrenome, apesar de meu escritório carregar apenas o sobrenome da minha mãe, todos sabem que sou filha do rei das armas. Esses clientes chegaram facilmente, mas mantê-los e multiplica-los foi resultado da minha competência e dedicação.
Tenho orgulho do caminho que trilhei na construção da minha carreira, apesar do meu histórico familiar o título de princesinha encostada nunca carreguei. Optei por criar meu próprio legado no mundo jurídico, deixando a cargo de meu irmão a responsabilidade de assumir o controle da família Miller Amorim.
Ao lembrar dele paro de divagar, olho pro relógio na minha mesa de cabaceira, só pra constatar que ainda é cedo, seis horas. Como não vou conseguir dormir novamente me levanto e sigo para o banheiro dando início ao meu dia, a flor ainda não chegou então vou trabalhar um pouco antes do café.
...
Vinte minutos depois saio do meu quarto vestida de maneira casual, hoje só terei uma reunião por videoconferência as dezesseis horas, enquanto isso responderei aos e-mail mais urgentes. Preciso preparar meu estado de espirito, porque hoje Ariel vem almoçar comigo, sem dúvida nenhuma sei que vai me atualizar sobre seu namoro com o canalha do Dr. Felix, e provavelmente terei de controlar minha cara e a imensa vontade que sempre sinto de mandar mata-lo.
Eu, Cecilia Miller Amorim, preciso admitir que as aventurar amorosas de Ariel e Mark, estão arrancando de mim o pior, Em todos os meus anos de vida e amizade com a peixinho essa é a primeira vez que essa vontade avassaladora de matar um dos seus namorados me consome. Todos os meus alertas de perigo estão acionados em relação a esse Mark, mas minha ingênua e carente melhor amiga, esta cega e totalmente iludida por ele, e o pior é que essa merda de namoro virou noivado.
Ainda é difícil segurar o ódio que me dominou desde o momento em que ele, para ser perdoado por uma das inúmeras merdas, a pediu em casamento em público a pressionando e deixando sem escolha.
Manipulação pura.
“Deus, por favor não permita que essa união se concretize”
Conheço minha personalidade dominante, mas tento me controlar com relação a ela, tudo que me cabe fazer para ajudar sem atropelar seu direito de escolha eu já fiz, sempre que posso a alerto sobre os sinais que ele mesmo dá. É extremamente difícil furar a bolha do amor ideal, e aquele pequeno canalha sabe direitinho qual roteiro deve seguir para ser o príncipe encantado dela, por tanto agora só me resta rezar.
O pior é que nem é amor, eu sei que não é, da parte dele é óbvio que não, já a dela é uma mistura de traumas e carência, e só espero que ela perceba isso a tempo.
Ele me aperta mais contra o seu peito e consigo sentir seu coração acelerado tanto quanto o meu, com uma mão em minha cintura a outra sobe pelas minha costas num carinho que é sensual na mesma medida que me conforta, ficamos assim, abraçados em silencio por não sei quanto tempo. A falta que senti de um abraço assim faz meus olhos arderem e sei que se continuar em seus braços, em pouco tempo estarei chorando feito uma menininha boba. Antes mesmo de tentar me afastar a voz fina do atendendo interrompe nosso momento.- Seu carro Senhora. – colada a ele sinto seu corpo enrijecer e logo relaxar novamente, ele levanta a cabeça e encosta sua testa na minha solta um suspiro conformado.- Vou deixa-la ir por enquanto, só porque sei que a verei de novo. – depois de me soltar, ele abre a porta do carro para mim, posiciona a mão de maneira protetora para evitar qualquer hipótese de eu ser muito doida e bata com a minha cabeça na porta, por dentro reviro os olhos apesar de achar fofo, eu também nã
Veio dirigindo? – demonstra preocupação ao olhar para minha taça de vinho vazia.- Não estou alterada pelo vinho, é preciso mais que duas taças para isso, não precisa se preocupar comigo.- Tem certeza, se quiser eu mesmo posso te levar – reviro meus olhos sem segurar o sorrindo.- Você bebeu mais que eu. – falo brincando mais rápido do que penso. Ele abre um sorriso tão lindo que ilumina seu olhar e eu engulo saliva e friccionando minhas coxas pela enésima vez só essa noite na tentativa de alivias a pressão.- Verdade, te acompanho até o carro então – concorda divertido.Após ele pagar a conta, pego minha bolsa e meu casaco e seguimos para a entrada ando a sua frente sentindo seu olhar cravado na minha nuca, enquanto esperamos o atendente trazer meu carro, ele se aproxima e meu corpo enrijece sei que tenho que me afastar mas não consigo. Para a um palmo de distância e enclina o rosto em direção ao meu ouvido perguntando num tom rouco e baixo que só eu escuto.- Vai realmente fingir
- Dra. Amorim, é um prazer finalmente...encontrá-la!Sua pausa antes de escolher a palavra com esse aperto demorado, deixa claro para mim que hoje não terei como escapar. Não sei o que fazer, meu corpo se acende e sua voz fez com que os pelos do meu corpo arrepiassem. Tento disfarçar o quanto sua presença me afeta forçando minha mente a trabalhar, ignoro meu tremor, limpo a garganta e me concentro no detalhes. Enquanto eu pareço uma mariposa caminhando para luz, ele não parece nada nervoso, isso me dá a certeza de que esse encontro não foi obra do acaso. Sua postura confiante e inalterada passa a imagem de um Ceo cumprindo um protocolo...meus deus eu estou ferrada.Mal consigo acompanhar a quantidade de pensamentos disparados em minha mente, pareço um computador cheio de abas abertas sem nenhuma direção. Será que estou pensando demais e ele sequer se lembra de mim. Agora sou um amontoado de dúvidas e hormônios enquanto ele está na minha frente com cara de quem não se importa.“É isso,
Trancado em minha sala consegui relaxar mais, trabalhei mais focado, principalmente depois que recebi uma informação importante de onde ela passou a tarde. Assim que finalizei o expediente recolhi minhas coisas e parti direto para minha casa.E agora, quarenta minutos depois já estou seguindo rumo a um dos restaurantes favoritas da Cecilia, essa é uma das muitas coisas que sei sobre ela e que descobri através das inúmeras investigações feitas pela equipe que mantenho cuidando exclusivamente da segurança dela. Apesar dela não sair muito, para manter minha sanidade, preciso garantir que esteja segura, tomara que quando chegar a hora de contar sobre isso, ela não me ache a porra de um maluco e chame a polícia pra mim.Ao parar em um farol me olho mais uma vez no espelho do quebra sol, meu cabelo ficou ótimo gostei do corte agora estou como a um anos atrás. Minha mente voa para a última vez que estive tão perto dela sentindo seu cheiro, nunca tinha sentido algo do tipo, uma conexão tão fo
ELEFinalizo o treino faço uma reverencia ao meu adversário e saio do tatame suado, esgotado, mas com a uma certa leveza na alma. Vou direto para o vestiário tomar um banho, preciso me manter focado, hoje não posso deixar a ansiedade me dominar por isso comecei o dia pegando pesado no jiujutsu.“Vai dar tudo certo... tem que dar”Estou entoando esta porra desde que acordei.Esse caralho de positividade vai ter me ajudar hoje.Depois de um banho revigorante e já totalmente alinhado saio do elevador e dou de cara com minha secretaria inconveniente, jogando charme e sorrindo vindo em minha direção, e pelo seu entusiasmos eu sou a porra do sol agora.- Bom dia, Sr. Evans. – assim que me cumprimenta sinto uma repulsa quando vejo o tamanho do seu decote e o quanto seu vestido é justo.- Discrição é só acessório não é mesmo senhorita Ramos.- O quê? – me olha confusa.- Nada, prepara um café para mim e traga junto com os relatórios que o marketing deixou aqui.Sigo para minha sala, paro em p
Já são quase oito da noite quando chego em casa sozinha, era para minha tarde ser leve, mas depois de um almoço difícil e uma consulta complicada com o medido deixando claro a urgência, sem tempo para mercado segui para minha sessão de terapia, pelo menos minha terapeuta pegou mais leve nas expectativas de uma simples reunião, tudo que quero é um banho.- Alexa ligar Spotify... - dou o comando já seguindo em direção ao banheiro, preciso de um banho para me recuperar.Enquanto a água cai sobre o meu corpo How Could na Angel Break My Heart da Toni Braxton é a trilha sonora do meu banho e minha mente viaja de novo pra lugares que não deve. E um certo anjo safado, loiro de olhos verdes aparece respirando forte no meu pescoço de novo.Desligo o chuveiro saiu do boxe me secando, dou uma conferida no celular ainda nua e lá está novamente uma chamada perdida o prefixo é do Brasil, ignoro a chamada e isso só reforça meus motivos para impedir minhas lembranças de me levarem para aquele dia.Olh







