LOGINELA
A notificação do celular iluminada meu quarto mais uma vez, já passa das 10 da manhã, porem como o blackout das minha janelas é maravilhoso continuo no escuro confortável do meu quarto só procrastinando perdida em pensamentos antes de iniciar meu dia. Pelo visto o resto do planeta não concorda comigo, mesmo no silencioso o celular não para de brilhar a cada mensagem ou chamada ignorada.
Confiro quem é o persistente que mesmo ignorado continua tentando.
Três chamadas perdidas e várias mensagens da minha assistente, algumas até do dia anterior, fora as outras que já não atendo a muito tempo. Carla parece bem desesperada, ignorando todo os textos anteriores pressiono pra ouvir sua última mensagem de voz.
- Dra. Por favor, preciso de sua confirmação.
Minha preguiça, de tentar entender do que está falando, me manda ligar logo e cortar a gordura dessa conversa.
- Dra. Amorim...- me atende no segundo toque.
- Confirmação do que Carla?
- O grupo Evans ligou informando que ocorreu um erro no agendamento da nossa reunião, a secretária fez confusão ao agendar o horário do meio dia para nossa reunião e pede que troquemos o horário. – responde apressada.
- Não entendi o drama, é só trocar, você sabe organizar minha agenda muito bem sem precisar da minha confirmação para isso.
- É que...ela sugeriu redirecionar para amanhã, só que...pede que levemos em consideração ou será demitida pelo erro – seu tom é cauteloso e percebo que há mais nisso. Essa chamada mal começou e já sinto uma imensa vontade de desligar na cara da pobre Carla.
- Fala logo. - digo impaciente.
- Seria um jantar no Lusitanos por...
- Não – corto irritada. - não me interessa quem será demitida, a resposta é não! Ofereça outro dia.
- Ok, entendi, mas... se for assim temos um problema.
“Sempre tem”
- Acontece que o CEO da Evans viajará na madrugada do mesmo dia e ficara fora por oito dias.
“é muito tempo!”
- É muito tempo doutora, pode ser fatal para o contrato se esperarmos por sua volta!
“CARALHO”
Suspiro ao telefone sabendo que ela está certa, meu lado competitivo sabe que em oito dias qualquer firma empenhada pode me atravessar e minha opção é jantar com um desconhecido barrigudo e presunçoso...
- Dra... – busca por minha resposta, ela me conhece muito bem somos alinhadas no trabalho, ela sabe tanto quanto eu que esse tempo perdido pode ser fatal.
Não que minha firma padeça sem esse cliente, mas...
Eu até poderia transferir essa reponsabilidade para ela, confio em sua competência, mas a captação de cliente é uma das poucas coisas que me recuso a delegar é também o que mantem meu nome em voga no meio empresarial.
Apesar de querer muito não posso ficar de todo invisível.
- Remarco para outro dia então?
- Não – dou a resposta que ela quer ouvir, percebo quando solta o ar que estava preso nos pulmões – Pode confirmar o jantar...pelo menos é em um dos restaurante que gosto.
- E a coitada da secretária não perde o emprego. – brinca.
“que se foda e secretária”
- Mais alguma?
- Era só isso, vou atualizar sua agenda com os dados para a reunião, e sincronizar com a do Renato, até mais. – desliga aliviada.
8
Um jantar... reviro meus olhos em lamentação, porque tinha que ser um jantar?
Minha apresentação já estava toda esquematizada em minha cabeça, mas em um restaurante vou ter que reformula-la. Sinto minha pele arrepiar só de pensar em ter que usar; vestido, salto e sorrisos para conquistar algum velho babão que sempre entende tudo errado nesses jantares.
“Bom pelo menos essa porra deve contar como uma tentativa né Analu?”,
Minha terapeuta vai ficar feliz em saber, enquanto me consolo com esse pensamento a tela do meu celular acende novamente é uma ligação da Ariel.
Sua visita de ontem foi muito estranha, contrariando o que eu esperava ela sequer tocou no nome do noivo. O que eu comemorei internamente claro, mas isso não foi normal. Penso que agora quer desabafar de verdade, essa possibilidade até levanta meu astral! Será que teremos um pé na bunda para comemorar?
Nem deu tempo de eu abrir a boca, ela já foi logo gritando na minha orelha.
- Acabei de falar como a flor, por que tá dormindo até essa hora?
- Não estou dormindo!
- Então levanta, temos um problema.
“sempre tem”
Respondo já saindo do quarto indo direto para a cozinha encontrar minha florzinha fofoqueira.
- Jura? Tinha necessidade disso Rose? - coloco o telefone no viva voz e o largo na bancada.
- Você ainda nem tomou café da manhã, fiquei preocupada – responde sorrindo.
- Se batesse na porta saberia que estou acordada e bem...não estava dormindo, só queria pensar um pouco no silencio do meu quarto, mas vocês duas fazem muito barulho e atrapalham a minha evolução espiritual. – penso que devo acrescentar Carla nesse barulho também.
- Carla também estava desesperada a sua procura. – Rose avisa.
Abro a geladeira sem procurar por nada em especifico, seguindo minha mania de abrir a geladeira toda vez que chego na cozinha. Só que ao fazer isso percebi que está faltando alguns alimentos que gosto, fruta principalmente, só encontro um suco de laranja industrializado que por sinal eu odeio.
- Já resolvi com ela. – respondo ao me sentar na bancada.
Sou cinquenta por cento brasileira por parte de mãe, e essa metade grita dentro de mim querendo uma frutinha, fora que ceder ao jantar provocou em mim uma vontade de ir para a cozinha, uma massa talvez.
- Vocês duas precisam parar de me pajear, estou bem só um pouco triste sinto falta deles, mas estou bem...sentir saudade é normal não é!?
- Depois que o promotor ligou você está mais quieta que o normal. – flor não deixa escapar nada nessa porra...
- O que o Alexandre queria Ceci..
- Flor, precisamos ir ao mercado. Não tem nada aqui – corto evitando a pergunta da minha amiga.
- É percebi e ia te falar sobre isso hoje.
- Posso fazer compras com vocês? E por que o promotor ligou? – minha amiga insistente se oferece animada do outro lado da linha.
Falamos os dois juntos, olho em sua direção e ele entende minha confusão.- Cara eu estou com raiva! Eu sou compreensível mas ela quer me fazer de otário. Também acho que o cara pode ser casado, posso até ter fé em gente mentirosa, mas depois que vejo suas cores não vou ser o idiota por muito tempo, não espero mais nada de bom vindo dela, quando entendi seu caráter fiquei com raiva, queria me vingar...Cara eu estava na seca a quatro meses, ela me lendo em banho-maria como segunda opção enquanto esperava outra mulher se foder para o ‘felizes pra sempre’ dela dar certo. Teve a cara de pau de me fazer de plano B quando as coisas não foram como planejou. Ela é má! Transa por ai enquanto eu fico só na punheta, até que merece passar um veneno mesmo!- Então o que você vai fazer? – é minha vez de perguntar enquanto confiro a mensagem que acabou de chegar no meu celular.- Não tenho mais certeza...primeiro pensei em comer e depois descartar, depois decidi enrolar o quanto pude para ver ela fr
- Eu sou o chefe se eu não quiser ir eu não vou, e você? – respondo mimado questionando Keny. Até onde sei pegou dois dias de folga para passar com namorada fantasma dele.- Eu tenho dois dias de folga e nada pra fazer então vou ficar por aqui e colocando nossas series em dia, O que acha Sosso?- Cara, você não ia viajar com a Emma? – pergunta, contudo já tenho uma ideia do que aconteceu. Meu amigo anda bem empolgado por uma advogada, mas ela é muito escorregadia parece não querer assumir nada sério com ele. Até pensei que agora iriam engrenar com essa viajem para conhecer a família dela, mas pelo visto me enganei.- Ela não está bem nesses últimos dias, então achou melhor adiar. – responde meio sem jeito se afastando da Sol.- O que aconteceu com a advogada? – pergunta Solange segurando seu rosto com as duas mão.- Ela tem trabalhado de mais está estressada só isso. – responde evasivo tentando fugir do assunto.Ela sempre trabalha de mais, tudo é mais importante que estar com ele. Se
Solange era a filha do jardineiro da casa dos meus avós paternos e sempre acompanhava o pai no cuidado do jardim ela tinha quase a mesma idade dos meus pais. Como precisava trabalhar, logo assumiu a função de babá sempre me tratou melhor que qualquer um. Ela e meu pai foram os que cuidaram de mim, porem logo meu pai também seguiu para a faculdade e nos meus primeiro anos de vida eu só tive a Solange,6 que com o tempo virou meu Sol e quando Keny entrou em nossas vidas ela passou a cuidar de nós como se fossemos seus filhos.Ela é uma mulher naturalmente bonita, simples não gosta de se produzir nem gasta quase nada com cosméticos, os anos foram gentis com ela e mesmo com sua aversão aos procedimentos estéticos dá de dez a zero nas ex esposas do meu pai. Não sei porque o coroa não a assume logo e acaba com essa novela deles. Desde criança vejo a relação ambígua deles, meu pai casou três vezes, mas a relação dos dois parece ser a coisa mais sólida que existe em sua vida mesmo que nunca te
Ele me aperta mais contra o seu peito e consigo sentir seu coração acelerado tanto quanto o meu, com uma mão em minha cintura a outra sobe pelas minha costas num carinho que é sensual na mesma medida que me conforta, ficamos assim, abraçados em silencio por não sei quanto tempo. A falta que senti de um abraço assim faz meus olhos arderem e sei que se continuar em seus braços, em pouco tempo estarei chorando feito uma menininha boba. Antes mesmo de tentar me afastar a voz fina do atendendo interrompe nosso momento.- Seu carro Senhora. – colada a ele sinto seu corpo enrijecer e logo relaxar novamente, ele levanta a cabeça e encosta sua testa na minha solta um suspiro conformado.- Vou deixa-la ir por enquanto, só porque sei que a verei de novo. – depois de me soltar, ele abre a porta do carro para mim, posiciona a mão de maneira protetora para evitar qualquer hipótese de eu ser muito doida e bata com a minha cabeça na porta, por dentro reviro os olhos apesar de achar fofo, eu também nã
Veio dirigindo? – demonstra preocupação ao olhar para minha taça de vinho vazia.- Não estou alterada pelo vinho, é preciso mais que duas taças para isso, não precisa se preocupar comigo.- Tem certeza, se quiser eu mesmo posso te levar – reviro meus olhos sem segurar o sorrindo.- Você bebeu mais que eu. – falo brincando mais rápido do que penso. Ele abre um sorriso tão lindo que ilumina seu olhar e eu engulo saliva e friccionando minhas coxas pela enésima vez só essa noite na tentativa de alivias a pressão.- Verdade, te acompanho até o carro então – concorda divertido.Após ele pagar a conta, pego minha bolsa e meu casaco e seguimos para a entrada ando a sua frente sentindo seu olhar cravado na minha nuca, enquanto esperamos o atendente trazer meu carro, ele se aproxima e meu corpo enrijece sei que tenho que me afastar mas não consigo. Para a um palmo de distância e enclina o rosto em direção ao meu ouvido perguntando num tom rouco e baixo que só eu escuto.- Vai realmente fingir
- Dra. Amorim, é um prazer finalmente...encontrá-la!Sua pausa antes de escolher a palavra com esse aperto demorado, deixa claro para mim que hoje não terei como escapar. Não sei o que fazer, meu corpo se acende e sua voz fez com que os pelos do meu corpo arrepiassem. Tento disfarçar o quanto sua presença me afeta forçando minha mente a trabalhar, ignoro meu tremor, limpo a garganta e me concentro no detalhes. Enquanto eu pareço uma mariposa caminhando para luz, ele não parece nada nervoso, isso me dá a certeza de que esse encontro não foi obra do acaso. Sua postura confiante e inalterada passa a imagem de um Ceo cumprindo um protocolo...meus deus eu estou ferrada.Mal consigo acompanhar a quantidade de pensamentos disparados em minha mente, pareço um computador cheio de abas abertas sem nenhuma direção. Será que estou pensando demais e ele sequer se lembra de mim. Agora sou um amontoado de dúvidas e hormônios enquanto ele está na minha frente com cara de quem não se importa.“É isso,







