LOGINEstá quase na hora do almoço, estou concentrado em uma planilha de evolução, quando escuto a porta abrir sorrateiramente, seu perfume doce e irritante invade meu escritório antes mesmo dela chegar perto de minha mesa, minha secretária tem o poder de destruir meu humor, que já não estava lá grande coisa.
- Vou repetir mais uma vez senhorita Ramos, mas aviso que paciência está se esgotando - digo sem nem ao menos levantar o olhar em sua direção, seus dias então contados não suporto mais essa invasão.
- Você não tem autorização para entrar aqui sem bater antes e aguardar permissão. Faz parte da competência de um bom funcionário escutar e seguir a ordem dada por seus superiores. É o mínimo, se a senhorita não consegue cumprir com o mínimo terei que substitui-la. – sei que sou rude, mas com ela não há opção, qualquer vestígio de gentileza ou condescendência sempre gera falsas esperanças.
Ela não é a primeira funcionaria a se iludir com a minha aparência, mas com certeza é a mais irritante, nem a postura profissional consegue manter. Pensei que essas ilusões fossem se desfazer com o passar do tempo, como sempre acontece, mas pelo visto me enganei.
- Perdão só quero perguntar; o que você quer para o almoço. – diz com a voz manhosa e como se fosse minha namorada.
Fico enjoado por ouvir esse excesso de intimidade forçada esse comportamento invasivo dela está passando dos limites e me esgotando, fica tentando despertar pena e parecer frágil. Um jogo de sedução fraco e fantasioso!
Keny tem razão, ela realmente parece um personagem ruim de Dorama, em três meses trabalhando aqui conseguiu o meu total desprezo.
- Você? – questionar seu modo de se referir a mim virou rotina nesses três meses, pensa que com a insistência vou permitir suas investidas.
- Desculpe, o que quer para o almoço, Senhor? – reformula.
- Não quero nada, preciso que cuide de outra coisa para mim...agora presta bem atenção ao que quero que faça.
Confirma sentando-se a minha frente, olhar para ela me cansa.
É uma garota até bonita, porem seus modos calculados não me agradam em nada. Consigo ver, pelos olhares brilhantes que me lança, que não está aqui pelo trabalho e também não é amor, sua ambição é maior, descobri que sua indicação veio de um dos meus parceiros de negócios e já circulam fofocas pelos corredores sobre nosso envolvimento, um envolvimento que só acontece na cabeça dela.
Até a Solange vem me questionado, preocupada sobre eu me envolver com uma funcionária, coisa que me policio ao máximo para nunca acontecer. De onde essa maluca tirou a coragem de se meter na minha casa.
“preciso resolver isso logo, esse perfume é realmente insuportável...”
- Primeiro ligue para Amorim Advogados Associados, invente uma desculpa qualquer... não melhor; diga que errou ao agendar nossa reunião e peça que remarque para um jantar as 18 horas no Lusitanos.
- Segundo você vai ligar para o Lusitanos e reservar minha mesa de costume, o jantar é para dois. E em terceiro quero que libere minha agenda dessa tarde e encaixe um horário com meu barbeiro.
Ela me olha com cara feia, ofendia não consegue receber uma ordem sem me questionar, duvidar ou dificultar. Talvez pedir que marque esse jantar seja um erro, não confio que vá cumprir o que pedi.
- Mas eu não errei, foi agendado corretamente! – se defende ofendida - E por que precisa ser em um restaurante e ainda por cima num jantar?
- Não importa quem errou, eu decidi que você errou então você errou entendeu, só faça o que você é paga para fazer, que é obedecer. – respondo sem controlar minha irritação. Detesto ser autoritário, mas com ela essa é a única linguagem que posso usar, a gentileza só fará com que se sinta mais especial e leve essas suas fantasias para outro patamar.
- Só acho Senhor, que um jantar para dois passa a impressão errada, afinal ela é um mulher solteira e pelo que sei avessa a exposição pública.
“Mais que porra é essa?”
- E eu acho que não lhe perguntei nada, apenas faça como mandei. – tiro o telefone do gancho e lhe entrego – E faça aqui na minha frente, seu emprego depende disso, por tanto dê o seu melhor senhorita Bennet.
Me olhando assustada ainda tenta choramingar – Mas...mas se a assistente dela não aceitar remarcar...
- Você chora, só que não aqui lá no RH...
Ele me aperta mais contra o seu peito e consigo sentir seu coração acelerado tanto quanto o meu, com uma mão em minha cintura a outra sobe pelas minha costas num carinho que é sensual na mesma medida que me conforta, ficamos assim, abraçados em silencio por não sei quanto tempo. A falta que senti de um abraço assim faz meus olhos arderem e sei que se continuar em seus braços, em pouco tempo estarei chorando feito uma menininha boba. Antes mesmo de tentar me afastar a voz fina do atendendo interrompe nosso momento.- Seu carro Senhora. – colada a ele sinto seu corpo enrijecer e logo relaxar novamente, ele levanta a cabeça e encosta sua testa na minha solta um suspiro conformado.- Vou deixa-la ir por enquanto, só porque sei que a verei de novo. – depois de me soltar, ele abre a porta do carro para mim, posiciona a mão de maneira protetora para evitar qualquer hipótese de eu ser muito doida e bata com a minha cabeça na porta, por dentro reviro os olhos apesar de achar fofo, eu também nã
Veio dirigindo? – demonstra preocupação ao olhar para minha taça de vinho vazia.- Não estou alterada pelo vinho, é preciso mais que duas taças para isso, não precisa se preocupar comigo.- Tem certeza, se quiser eu mesmo posso te levar – reviro meus olhos sem segurar o sorrindo.- Você bebeu mais que eu. – falo brincando mais rápido do que penso. Ele abre um sorriso tão lindo que ilumina seu olhar e eu engulo saliva e friccionando minhas coxas pela enésima vez só essa noite na tentativa de alivias a pressão.- Verdade, te acompanho até o carro então – concorda divertido.Após ele pagar a conta, pego minha bolsa e meu casaco e seguimos para a entrada ando a sua frente sentindo seu olhar cravado na minha nuca, enquanto esperamos o atendente trazer meu carro, ele se aproxima e meu corpo enrijece sei que tenho que me afastar mas não consigo. Para a um palmo de distância e enclina o rosto em direção ao meu ouvido perguntando num tom rouco e baixo que só eu escuto.- Vai realmente fingir
- Dra. Amorim, é um prazer finalmente...encontrá-la!Sua pausa antes de escolher a palavra com esse aperto demorado, deixa claro para mim que hoje não terei como escapar. Não sei o que fazer, meu corpo se acende e sua voz fez com que os pelos do meu corpo arrepiassem. Tento disfarçar o quanto sua presença me afeta forçando minha mente a trabalhar, ignoro meu tremor, limpo a garganta e me concentro no detalhes. Enquanto eu pareço uma mariposa caminhando para luz, ele não parece nada nervoso, isso me dá a certeza de que esse encontro não foi obra do acaso. Sua postura confiante e inalterada passa a imagem de um Ceo cumprindo um protocolo...meus deus eu estou ferrada.Mal consigo acompanhar a quantidade de pensamentos disparados em minha mente, pareço um computador cheio de abas abertas sem nenhuma direção. Será que estou pensando demais e ele sequer se lembra de mim. Agora sou um amontoado de dúvidas e hormônios enquanto ele está na minha frente com cara de quem não se importa.“É isso,
Trancado em minha sala consegui relaxar mais, trabalhei mais focado, principalmente depois que recebi uma informação importante de onde ela passou a tarde. Assim que finalizei o expediente recolhi minhas coisas e parti direto para minha casa.E agora, quarenta minutos depois já estou seguindo rumo a um dos restaurantes favoritas da Cecilia, essa é uma das muitas coisas que sei sobre ela e que descobri através das inúmeras investigações feitas pela equipe que mantenho cuidando exclusivamente da segurança dela. Apesar dela não sair muito, para manter minha sanidade, preciso garantir que esteja segura, tomara que quando chegar a hora de contar sobre isso, ela não me ache a porra de um maluco e chame a polícia pra mim.Ao parar em um farol me olho mais uma vez no espelho do quebra sol, meu cabelo ficou ótimo gostei do corte agora estou como a um anos atrás. Minha mente voa para a última vez que estive tão perto dela sentindo seu cheiro, nunca tinha sentido algo do tipo, uma conexão tão fo
ELEFinalizo o treino faço uma reverencia ao meu adversário e saio do tatame suado, esgotado, mas com a uma certa leveza na alma. Vou direto para o vestiário tomar um banho, preciso me manter focado, hoje não posso deixar a ansiedade me dominar por isso comecei o dia pegando pesado no jiujutsu.“Vai dar tudo certo... tem que dar”Estou entoando esta porra desde que acordei.Esse caralho de positividade vai ter me ajudar hoje.Depois de um banho revigorante e já totalmente alinhado saio do elevador e dou de cara com minha secretaria inconveniente, jogando charme e sorrindo vindo em minha direção, e pelo seu entusiasmos eu sou a porra do sol agora.- Bom dia, Sr. Evans. – assim que me cumprimenta sinto uma repulsa quando vejo o tamanho do seu decote e o quanto seu vestido é justo.- Discrição é só acessório não é mesmo senhorita Ramos.- O quê? – me olha confusa.- Nada, prepara um café para mim e traga junto com os relatórios que o marketing deixou aqui.Sigo para minha sala, paro em p
Já são quase oito da noite quando chego em casa sozinha, era para minha tarde ser leve, mas depois de um almoço difícil e uma consulta complicada com o medido deixando claro a urgência, sem tempo para mercado segui para minha sessão de terapia, pelo menos minha terapeuta pegou mais leve nas expectativas de uma simples reunião, tudo que quero é um banho.- Alexa ligar Spotify... - dou o comando já seguindo em direção ao banheiro, preciso de um banho para me recuperar.Enquanto a água cai sobre o meu corpo How Could na Angel Break My Heart da Toni Braxton é a trilha sonora do meu banho e minha mente viaja de novo pra lugares que não deve. E um certo anjo safado, loiro de olhos verdes aparece respirando forte no meu pescoço de novo.Desligo o chuveiro saiu do boxe me secando, dou uma conferida no celular ainda nua e lá está novamente uma chamada perdida o prefixo é do Brasil, ignoro a chamada e isso só reforça meus motivos para impedir minhas lembranças de me levarem para aquele dia.Olh







