FAZER LOGIN2 anos depois
«Eu sei... Não consigo agora. Já estou na estrada a caminho da minha terra natal. Percebes como é. Preciso de dar ao pai um relatório completo de como as coisas estão a correr com a empresa.» A voz do Theo era baixa e firme enquanto segurava o telemóvel no ouvido, os olhos fixos na autoestrada que se estendia à nossa frente.
O polegar batia um ritmo quieto no volante, um pequeno sinal de que ele estava a tentar terminar a chamada mas não queria par
No momento em que entrei no escritório, a habitual calma do meu espaço de trabalho deu lugar a uma azáfama. A minha secretária já me esperava junto à secretária com uma pilha espessa de pastas e formulários, empurrando-mos para as mãos enquanto enumerava rapidamente prazos urgentes e aprovações pendentes. Com tanto trabalho a acumular-se logo de início, esqueci-me por completo de fazer a chamada que tinha planeado a Elyysa. Cada assinatura e cada revisão exigiam toda a minha atenção enquanto me acomodava na cadeira e mergulhava na papelada.Já estava à secretária há quase uma hora, a caneta a deslizar firmemente pelas páginas e o ecrã do computador a brilhar com folhas de cálculo, quando a porta do meu gabinete se abriu de súbito, sem qualquer aviso.Era a Tiffany, os ombros ligeiramente tensos enquanto entrava. Tinha encontrado o caminho até ali pouco depois de ambos chegarmos ao trabalho.— Olá, tens um minuto? — saudou-me, com um sorriso hesitan
POV do Theo:Aquela noite, a chamada frenética da Tiffany estilhaçou a intimidade quieta do meu encontro com a Elyssa. A voz dela, engasgada de lágrimas e medo cru depois de um encontro com o ex, puxou de imediato a minha preocupação. Sem pensar duas vezes, deixei a Elyssa rapidamente e corri para o bar onde a Tiffany estava.Encontrei-a encolhida num canto junto ao balcão do bar, as lágrimas a escorrerem pelo rosto, enquanto algumas mulheres, que presumia estarem a oferecer conforto, a rodeavam. Dois agentes da polícia estavam por perto, tendo respondido ao incidente.No momento em que os olhos dela encontraram os meus, ela saltou do lugar, a precipitar-se para os meus braços, os soluços a ecoarem contra o peito.«O que aconteceu?», perguntei, a voz carregada de preocupação ao reparar no canto partido do lábio e na marca vermelha furiosa na face direita, um testemunho cruel de uma bofetada.«Estava só a sair com as amigas, e ele a
Sei exactamente o que vi naquele dia e nada vai alguma vez mudar a verdade disso. Ele traiu-me, e não consigo obrigar-me a aceitá-lo, não importa o quanto tente fazer sentido disso.Nem sequer se ele disser que só foi influenciado, só tentado. O facto permanece, ele desejou-a, beijou-a de volta, e isso significa que me traiu. Todas as vezes que penso nisso, parece que estou a afundar-me num mar de facas.Saber que eu não era suficiente para ele, que ele me podia olhar e dizer que me amava, depois virar-se e querer outra pessoa, dói mais do que qualquer coisa no mundo. É como se o chão sob os pés se tivesse desmoronado, a deixar-me sem nada a que me agarrar.Confiei nele com tudo o que tinha. Mesmo quando o ciúme me roía sobre a Tiffany, mesmo quando as dúvidas se infiltravam como sombras, empurrei-as para baixo e forcei-me a acreditar nas palavras dele.Agarrei-me apertada a cada promessa que ele fez, a cada «amo-te» que sussurrou. Naquela n
Observei-o congelar por completo, o rosto a ficar sem cor. O choque invadiu-o primeiro, seguido de uma onda de dor crua que lhe atravessou os olhos no instante em que as minhas palavras o atingiram.— Q-Que queres dizer? — balbuciou ele, as mãos a tremer ligeiramente.— B-Bebé, eu sei que me estraguei. Não devia ter deixado as coisas chegar tão perto com a Tiffany. E o que viste… não significou nada. — Inclinou-se para a frente e agarrou-me a mão com suavidade, mas eu puxei-a para trás tão depressa que ele recuou de sobressalto.— Acabei. Está tudo acabado entre nós — disse eu, a voz firme apesar do aperto doloroso no peito.— Por favor, bebé. Cometi um erro. Deixei-me levar, deixei-me tentar só por um segundo. Mas foi só aquele momento estúpido.A verdade da confissão dele atingiu-me como um soco no estômago. Ouvi-lo dizer em voz alta que me tinha traído, que se tinha deixado influenciar por ela, fez com que lágrimas frescas me queim
Estava a caminho do abrigo de espera fora da universidade para chamar um táxi quando um carro familiar parou mesmo à minha frente. Era o do Theo.Ele saltou antes de o motor ter sequer parado por completo, a caminhar a passos largos até onde eu estava. Fixei-o com um olhar tão afiado e frio como gelo. Cada grama da minha raiva ardia nos olhos.Como ousa aparecer aqui assim? Pensei com amargura.Tinha passado semanas a desejar que ele me fosse buscar à escola como costumava, mas ultimamente só o conseguia fazer de vez em quando. Dizia sempre que estava demasiado ocupado. Agora aqui estava ele. Vinha buscar-me só porque sabia que eu estava furiosa com ele. Típico. Só parecia fazer as coisas certas quando já tinha feito alguma coisa errada.Mas desta vez, disse a mim mesma com firmeza, não ia deixar os gestos dele amolecerem-me.«Vamos lá, bebé. Entra no carro», disse ele. A voz era tão gentil e quente como sempre tinha sido quando tenta
Quando o elevador chegou ao rés do chão, as portas voaram abertas e eu saí a correr. Dirigi-me a toda a velocidade para a saída do prédio. Os pés voavam. Sabia que ele estaria logo atrás de mim, e não aguentava enfrentá-lo nem um segundo mais.Lá fora, avistei um táxi a deixar um passageiro. Avancei e saltei para dentro sem hesitação.Enquanto batia a porta, batidas altas bateram no para-brisas. O Theo estava lá, as mãos a agarrarem o vidro enquanto tentava puxar a porta aberta.«Elyssa, espera! Por favor sai para podermos falar!», implorou ele, a voz a quebrar.Através de lágrimas embaciadas, olhei para ele e gritei: «Não há mais nada para falarmos!»«Senhor, por favor conduza agora», implorei ao motorista, a voz a partir-se.Ele deve ter visto a dor no meu rosto. Acenou em silêncio, ligou o motor e partiu. Observei pela janela de trás enquanto o Theo corria atrás de nós, a figura a ficar cada vez mais pequena até desaparecer







