LOGINDisse a mim mesma que tinha de me focar nos objetivos, no futuro, na vida que uma vez sonhei construir. Lembrei-me da rapariga que eu costumava ser, a agarrar-se a esperanças impossíveis. Graduar-me de uma boa universidade com louvor, superar as nossas dificuldades, tornar-me alguém.
Naquela altura, não tinha nada senão determinação e sonhos. Mal tínhamos o suficiente, e talvez fosse isso que me alimentava. Mas em al
Depois, um dia, a Lily disse-me qualquer coisa que eu não esperava ao telefone. Disse que o Theo tinha ido vê-la. Perguntou por mim, sobre a minha decisão, sobre Zurique, sobre onde eu estava. Disse que ele pedia a minha morada.Mas eu já tinha deixado claro às amigas que, não importa o que ele dissesse, não importa como pedisse, elas não lhe deviam dizer nada sobre mim. E confiei nelas. Elas estavam tão zangadas com ele como eu, talvez até mais.Elas não me traíram. Não sei se ele alguma vez veio à Suíça. Não sei se alguma vez tentou encontrar-me para além disso. Tudo o que sei é que nunca nos vimos outra vez. Talvez o universo me estivesse a proteger.Talvez me estivesse a forçar a largar.Mas se essa era a intenção, falhou. Porque não importa o quão longe eu fugisse, n&atild
Disse a mim mesma que tinha de me focar nos objetivos, no futuro, na vida que uma vez sonhei construir. Lembrei-me da rapariga que eu costumava ser, a agarrar-se a esperanças impossíveis. Graduar-me de uma boa universidade com louvor, superar as nossas dificuldades, tornar-me alguém.Naquela altura, não tinha nada senão determinação e sonhos. Mal tínhamos o suficiente, e talvez fosse isso que me alimentava. Mas em algum ponto do caminho, perdi aquele fogo.Quando a nossa vida se tornou mais fácil porque a mãe se casou com o tio Greg, as coisas finalmente estabilizaram e deixei-me ficar confortável. A promessa do tio Greg de um futuro seguro tornou-se a minha rede de segurança, e sem me aperceber, afrouxei o aperto nos sonhos que uma vez significaram tudo para mim.E o Theo... Ele não partiu só o meu coração. Estilhaçou algo mais pr
Depois de 2 AnosPOV da Elyssa:A bordo do avião, as lágrimas picam-me os olhos por razões que não consigo nomear bem. Tudo o que sei é que estou a ir para casa. O anúncio ecoa pela cabine, firme e distante, a informar-nos de que o voo está prestes a descolar.Fico sentada ali, mal a ouvi-lo, perdida no peso de tudo o que me trouxe de volta a este momento. Dois anos. Passaram dois anos desde que me afastei de tudo e escolhi a Suíça, escolhi tornar-me estudante de intercâmbio na Universidade de Zurique.E ainda assim, ainda parece irreal.Quem diria que seria eu a finalmente dizer que sim a aquela oferta? Às vezes parece que só aconteceu ontem, como se ainda estivesse de pé naquele mesmo momento, a olhar para um futuro de que tinha demasiado medo de agarrar.Lembro-me tão claramente. A oportunidade tinha sido minha durante tanto tempo, a esperar pacientemente, como se soubesse que eu acabaria por voltar a ela
«O que queres que eu faça? Não queres falar comigo, e estás a evitar-me. Esta é a única forma que conheço de te falar», implorei, a voz crua de desespero.Aproximei-me, a mão a estender-se, a anseiar por unir o abismo que se tinha aberto entre nós. Mas ela recuou, a encolher-se, a retirar-se para a beira mais distante da cama como se o meu toque fosse veneno.Uma dor aguda, mais fria do que qualquer gelo, atravessou o coração. Ver ela a evitar-me, ver ela estremecer com o meu toque... Era agonizante. Outrora, ela estava sempre ao alcance, o calor dela um conforto constante, os abraços o meu santuário. Agora, sentia-se a milhões de quilómetros de distância, um fantasma da intimidade que uma vez partilháramos. Deus, o quanto sentia a falta dela. Os beijos, a pressão suave do corpo dela contra o meu. Porra, sinto tanto a falta dela.«Sobre o que mais queres que falemos? Não me tornei claro? Já não quero isto. Acabámos, Theo, por isso pára com isto.» A
O fim de semana chegou, e com ele, um fragmento de esperança desesperada. O pai mencionou casualmente enquanto eu o tinha ao telefone que a Elyssa tinha vindo a casa para a mansão na sexta-feira à noite. O meu coração, que tinha sido um nó apertado de anseio durante semanas, disparou. Corri contra a luz a morrer do sábado; a longa viagem até à mansão parecia sem fim, cada quilómetro uma oração silenciosa.Tinham passado quase um mês desde que o silêncio gelado dela se tornara a minha companhia constante. Um mês desde que o conforto doce da presença dela fora substituído por uma dor roedora. O número antigo dela era um beco sem saída. Ter-me-ia bloqueado, mudado? Não sabia, e o não saber era um tormento. Mas o que realmente torcia a faca era o facto de ela nem sequer regressar ao próprio apartamento. Estava a esconder-se, indubitavelmente com amigas, e o pensamento de que a mãe dela e o meu pai podiam estar alheios à dor dela, à nossa dor, era um peso esmagador.
«Sabes?», soltei, as palavras a escaparem antes de as poder parar.«Vi o quão freneticamente a perseguiste quando ela nos viu a beijar. Também notei há muito tempo que ela parece irritada comigo sempre que nos vê juntos. É ela a namorada de que falas?», perguntou ela suavemente, a voz ainda carregada de lágrimas.Um silêncio súbito e sufocante encheu a divisão. Não queria confirmar, mesmo que o meu silêncio fosse uma afirmação gritante. Parte de mim temia que a notícia chegasse ao meu pai, não por mim, mas pela Elyssa. Ela ficaria magoada, profundamente, e podia criar uma fissura irreparável com a mãe dela. Era a última coisa que eu queria. Precisava que ela estivesse pronta quando o nosso segredo inevitavelmente viesse à luz.«Mas vocês são meio-irmãos, não são? A vossa relação não é permitida!», as palavras dela atingiram-me como um golpe físico, a acender uma faísca furiosa dentro de mim. Lancei-lhe um olhar afiado e penetrante. Quem era ela par







