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Capítulo 181: Reconhecer

Author: Helenmaria
last update publish date: 2026-09-30 18:00:27

Vestia um vestido midi envolvente de pescoço-halter em carmesim profundo e sabia que chamaria a atenção no momento em que entrasse. O tecido abraçava-me nos sítios certos, elegante mas ousado, enquanto as costas completamente abertas acrescentavam o suficiente de atração para o tornar inesquecível sem cruzar para o excesso. O cabelo estava apanhado num coque baixo e elegante, cada fio no sítio, a complementar o brilho suave da maquilhagem leve e a declaração ousada do batom verm

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    Vestia um vestido midi envolvente de pescoço-halter em carmesim profundo e sabia que chamaria a atenção no momento em que entrasse. O tecido abraçava-me nos sítios certos, elegante mas ousado, enquanto as costas completamente abertas acrescentavam o suficiente de atração para o tornar inesquecível sem cruzar para o excesso. O cabelo estava apanhado num coque baixo e elegante, cada fio no sítio, a complementar o brilho suave da maquilhagem leve e a declaração ousada do batom vermelho.Não é que eu estivesse a tentar gabar-me, mas estava consciente de como parecia. Sabia o tipo de impressão que podia deixar. O tipo que fazia as pessoas olharem duas vezes, mesmo quando não pretendiam. Não exagerava nada. Não precisava. Simplesmente certifiquei-me de parecer polida, confiante e composta.Esta noite, ia a caminho do Secret Garden Bistro, um dos sítios de alta cozinha mais refinados e íntimos da cidade. Era o lugar escolhido para o meu encontro às cegas, aquele

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    «Aquele tipo é um mulherengo. Não é alguém em quem se possa confiar», respondeu ele de imediato.«Já teve inúmeras namoradas. Brinca com elas e depois deita-as fora.»Quase ri. Vindo da parte dele, a ironia era quase excessiva.«Não é ele teu amigo?», perguntei, a voz carregada de cepticismo. «Porque é que parece que o estás a difamar?»«Não saias com ele», disse o Theo, o tom firme, quase urgente. «Ele só te vai magoar. Vai fazer-te chorar. Estou a dizer-te, ele não é sério em nada.»Havia algo na sua voz que soava genuíno e preocupado, mas recusei deixar que isso me afectasse.«Não acredito em ti», disse, olhando-o directamente nos olhos. «Estás só a tentar fazê-lo parecer mau. E nem sequer me estou a comprometer com nada. Vou apenas encontrá-lo, conhecê-lo. Não é como se estivesse a aceitar ser namorada dele de imediato.» Fiz uma pausa e acrescentei com mais firmeza: «E além disso, o que te interessa? Porque te importas tant

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    «Bem», começou a mamã, claramente a desfrutar o tópico, «encontrei a Sandra e a mãe dela no supermercado no outro dia. Disse-me que já está noiva do namorado francês. E o Andrei também está prestes a casar-se. Por isso o teu tio Greg e eu começámos a perguntar-nos porque é que ainda nem sequer tens namorado.»«Exactamente», acrescentou o tio Greg. «Já estás na idade certa. Não achas?»«Não tenho pressa, tio. Acontecerá quando acontecer.» Forcei um pequeno sorriso.«Com a tua beleza, recuso-me a acreditar que não tens pretendentes», continuou ele. «E na Suíça? Não conheceste ninguém lá?»«Conheci», admiti. «Mas estava focada nos estudos, por isso não lhes prestei atenção.»Conseguia sentir outra vez. O olhar do Theo. Mesmo sem olhar para ele, sabia que ele me estava a observar.«É por isso que o teu tio Greg e eu estamos a pensar apresentar-te a alguém», disse a mamã, os olhos a iluminarem-se. «O que achas?»O garfo quase

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    Era o fim de semana e a mamã, à sua maneira doce e familiar, tinha-me pedido para ir a casa para a mansão. A voz ao telefone carregava aquele apelo gentil que eu nunca conseguia recusar. Por isso, claro, cedi. Decidi ir naquela sexta-feira, logo depois do trabalho.Não queria atrasar mais nem inventar outra desculpa. Quando saí do escritório e apanhei o autocarro, o céu já tinha escurecido. A noite tinha-se instalado plenamente quando cheguei à mansão. Eram cerca das 19h30 quando cheguei.A casa estava viva à sua maneira habitual, quente e quieta. As empregadas já estavam a preparar o jantar, a moverem-se eficientemente pelos corredores. O tilintar suave dos pratos e o aroma ténue da comida acolheram-me no momento em que entrei.Caminhei para a sala de estar, a esperar a cena habitual. E depois o meu mundo inclinou-se. A mamã estava lá, sentada confortavelmente, a conversar com o tio Greg. Isso sozinho não era surpreendente, mas no momento em que o

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    Porque é que ele sequer se importa de qualquer forma?«Realmente tenho de ir a algum sítio. E além disso, não quero incomodar-te», respondi, a manter o tom tão formal quanto conseguia.«Estás só a inventar desculpas. Só admite que me estás a evitar. Achas que eu não reparei? As reuniões que saltas sempre que eu estou lá. A forma como manténs a distância.» Não havia como confundir a raiva na voz agora.«Não sei do que estás a falar», disse eu, a forçar a voz a manter-se calma mesmo enquanto os nervos se apertavam.«Mentirosa. Nem sequer és subtil nisso.» A voz baixou, mais quieta mas mais pesada. «E achas que eu não sei que não tens estado a voltar ao teu antigo apartamento? Perguntei à auxiliar de limpeza. Disse que não estás lá há duas semanas. Agora diz-me que não me estás a evitar.» As palavras atingiram mais forte do que eu esperava.Não compreendia porque é que ele estava a agir assim, porque é que soava como se eu lhe devesse um

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