Dormi com o Herdeiro no Meu Aniversário de Casamento

Dormi com o Herdeiro no Meu Aniversário de Casamento

By:  Luna ValençaUpdated just now
Language: Portuguese
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Toda Santa Aurora sabia que Henrique Ferraz sempre colocava a melhor amiga, a quem tratava como irmã, acima da própria esposa, Cecília Almeida. No casamento, Henrique abandonou Cecília para resgatar a amiga sequestrada. No aniversário de Cecília, viajou com a amiga. E, no aniversário de casamento, deixou a esposa para comemorar o aniversário da outra. Sempre que precisava escolher entre as duas, Henrique não hesitava. Cecília nunca era a escolhida. Ela continuava lhe dando chances, esperando que um dia ele percebesse quem deveria estar ao seu lado. Esse dia nunca chegou. No fim, ela ainda perdeu o bebê por causa da amiga dele. Devastada na cama do hospital, Cecília viu Henrique pagar a fiança da mulher e defendê-la sem hesitar. — Ceci, ela não fez por mal. Para mim, é como uma irmã. Foi só uma brincadeira. Uma brincadeira? Cecília riu. Se Henrique a tratava com indiferença, ela pagaria na mesma moeda. No aniversário de casamento, Cecília vestiu um longo vestido de alças e bateu à porta do herdeiro mais poderoso de Santa Aurora. — Sr. Montenegro, quer passar a noite comigo? Uma noite de prazer. Uma troca simples, em que cada um conseguiria exatamente aquilo de que precisava. Pelo menos era nisso que Cecília acreditava. O que jamais imaginou foi que Dante Montenegro começaria, pouco a pouco, a avançar para além dos limites daquela negociação, decidido a conquistar um lugar definitivo na vida dela. — Sr. Montenegro, eu sou divorciada. Dante ergueu uma sobrancelha. — E daí? Sem uma experiência ruim para comparar, como você vai descobrir o quanto eu sou melhor? Anos depois, Cecília finalmente entenderia que, quando se ama alguém de verdade, somos capazes de arrancar o próprio coração do peito e colocá-lo nas mãos dessa pessoa. A essa altura, porém, quem estava ao lado dela era Dante, seu novo marido e um dos homens mais poderosos de Santa Aurora. Consumido pelo arrependimento, Henrique se ajoelhou diante de Cecília e implorou por perdão. Mas já era tarde demais.

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Chapter 1

Capítulo 1

Cecília Almeida estava caída no chão, encolhida de dor. A sensação era de uma lâmina revolvendo seu ventre por dentro, rasgando-a sem piedade.

Sangue vivo escorria entre suas pernas e já empapava a barra do vestido.

Com as mãos trêmulas, ela conseguiu alcançar o celular e ligou para o marido, Henrique Ferraz.

O telefone chamou por tanto tempo que Cecília começou a achar que ele não atenderia.

Quando a ligação finalmente foi completada, sua voz saiu num fio.

— Rique...

— Estou num compromisso de trabalho! Seja o que for, a gente conversa quando eu voltar!

Do outro lado da linha, a algazarra era ensurdecedora. Risadas, música, gente bebendo, cantando e gritando ao fundo.

Cecília respirou fundo, lutando para falar apesar da dor.

— Rique, eu caí da escada. Minha barriga está doendo muito...

Henrique a interrompeu antes que ela pudesse terminar.

— Cecília, você não se cansa disso? Qual é a graça de fazer sempre a mesma coisa? Eu já falei que estou fora por causa de um compromisso. Não estou fazendo nada pelas suas costas!

Uma fisgada mais forte arrancou um gemido baixo de Cecília.

— É verdade... Eu estou sangrando.

Do outro lado, Henrique se calou por alguns segundos.

Parecia prestes a responder quando a voz de Isadora Vasconcelos surgiu ao fundo.

— Rique, o que você está fazendo aí? Anda logo! Está todo mundo esperando por você!

Os olhos de Cecília arderam.

— Você está com a Isadora?

Isadora era amiga de infância de Henrique. Os dois haviam crescido juntos, e ela vivia dizendo que era "um dos caras", quase como um irmão para ele.

Viviam abraçados, de braços dados, próximos demais. Faziam coisas que, para qualquer pessoa de fora, ultrapassavam havia muito tempo os limites de uma simples amizade.

Mas, para os dois, tudo era perfeitamente normal.

Henrique nem respondeu à pergunta. Cecília apenas o ouviu dizer a Isadora:

— A Cecília caiu da escada. Preciso voltar para ver como ela está. Vocês podem continuar sem mim.

Isadora soltou um muxoxo de desdém.

— Mulher cheia de frescura dá trabalho mesmo! Ela só caiu da escada. Para que você vai voltar? Vai adiantar o quê?

Um ruído abafado veio pela ligação. No instante seguinte, Isadora já falava diretamente ao telefone.

— Cecília, o Rique está aqui bebendo com a gente! Ele não é médico. Voltar para casa não vai resolver nada. Eu chamo uma ambulância para você, tá?

E desligou antes que Cecília pudesse dizer qualquer coisa.

Cecília tentou ligar outra vez.

Dessa vez, porém, uma gravação informou que a linha estava ocupada e que a chamada não poderia ser completada.

As lágrimas escorreram silenciosamente pelo canto de seus olhos.

Três anos de casamento.

Durante todo aquele tempo, sempre que Henrique precisava escolher entre ela e Isadora, a resposta era a mesma.

Isadora.

Sempre Isadora.

No próprio dia do casamento, Henrique abandonara Cecília para resgatar Isadora, que havia sido sequestrada.

No aniversário de Cecília, ele estava escalando uma montanha com Isadora.

No aniversário de casamento, preferira comemorar o aniversário de Isadora.

E aqueles eram apenas alguns dos muitos episódios. Cecília já havia perdido a conta de quantas vezes aquilo acontecera.

Ela tinha sido uma idiota.

Uma completa idiota.

Sabia muito bem que Henrique mantinha ao lado uma mulher íntima demais, protegida pelo conveniente rótulo de "melhor amiga", alguém que se escondia atrás daquela história de ser "um dos caras" sempre que cruzava qualquer limite.

Mesmo assim, Cecília se jogara de cabeça naquela relação.

Casara-se com Henrique sem hesitar.

Seu ventre doía.

Mas nada parecia doer tanto quanto o que havia dentro do peito.

Era uma dor surda, insistente, como se algo a cortasse devagar, golpe após golpe.

Ao se lembrar do bebê, Cecília obrigou-se a afastar Henrique dos pensamentos.

Precisava pedir ajuda.

Pegou o celular e tentou discar o número da emergência, mas uma cólica ainda mais violenta atravessou seu corpo.

Mais sangue quente escorreu entre suas pernas.

Ela mal conseguiu tocar no primeiro número.

Sua visão se fechou.

E Cecília perdeu os sentidos.

Não soube dizer quanto tempo ficou inconsciente.

Em algum momento, no meio daquela névoa, ouviu ao longe a sirene de uma ambulância. Depois, tudo se misturou ao cheiro forte de antisséptico.

Uma voz irritada chegou até ela.

— Aquele desgraçado é um lixo! Você nesse estado, e ele continua lá com aquela falsa "parceira" dele!

A mesma voz prosseguiu, tomada de revolta.

— Eu já tinha te avisado que homem assim não serve para casar, mas você nunca quis me ouvir. Agora olha só... Você perdeu o bebê, e ele nem sequer apareceu aqui.

Apesar do tom de bronca, havia muito mais dor e indignação do que reprovação naquelas palavras.

"Perdi o bebê?"

Os olhos de Cecília se abriram devagar.

Ainda desorientada, ela levou a mão ao ventre.

Plano.

Vazio.

Ela nem tivera a chance de ouvir o coraçãozinho do bebê.

E ele já havia ido embora...

Valentina Moreira, que permanecera ao lado da cama durante todo aquele tempo, percebeu que Cecília despertara. Inspirou fundo, segurou a mão dela com força e falou com a voz embargada:

— Graças a Deus, você finalmente acordou! Você tem ideia de que ficou inconsciente por um dia e uma noite inteiros? Se a Amanda não tivesse voltado mais cedo naquele dia, eu nem quero pensar no que poderia ter acontecido.

Cecília virou o rosto para ela e umedeceu os lábios ressecados.

Sua voz saiu rouca, quase sem força.

— E o meu bebê?

Valentina ficou imóvel.

Por um instante, não soube o que dizer.

— Você ainda é muito jovem, Ceci. Só tem vinte e três anos. Vai poder ter outros filhos no futuro.

Cecília não chorou.

Não gritou.

Não fez escândalo.

Ficou apenas deitada, olhando para o nada.

O bebê que carregava havia desaparecido, e com ele parecia ter ido embora uma parte dela.

A dor era tão profunda que nem as lágrimas conseguiam acompanhar.

Elas se acumulavam em seus olhos, mas não caíam.

A quietude de Cecília começou a assustar Valentina.

— Ceci, eu sei que está doendo. Se quiser chorar, chora. Não guarda tudo aí dentro. O médico disse que você precisa colocar para fora o que está sentindo, senão isso também vai acabar fazendo mal para o seu corpo.

Cecília permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Então perguntou, numa calma que deixou Valentina ainda mais inquieta:

— Onde está o Henrique?

Bastou ouvir aquele nome para a raiva voltar a subir pelo peito de Valentina.

Mas, diante do estado da amiga, ela engoliu tudo o que realmente queria dizer.

— Eu... Eu liguei para ele, mas não consegui falar. Deve estar ocupado. O médico disse que você precisa descansar agora, então não fica pensando nisso, está bem?

Valentina tentou manter a voz tranquila, com medo de piorar ainda mais o estado de Cecília.

Um sorriso sem humor surgiu nos lábios dela.

"Ocupado?"

Claro.

Provavelmente ocupado demais fazendo companhia a Isadora.

Antes, bastaria saber que Henrique a havia deixado de lado mais uma vez para que Cecília explodisse de raiva.

Agora, porém, sentia apenas cansaço.

Durante três anos, ela discutira, brigara, chorara e fizera escândalo por causa de Isadora.

Não tinha sobrado energia para mais nada.

— Val, onde está meu celular?

Foi quando a lembrança da queda voltou com força.

A poça de óleo.

Cecília sempre prezara pela tranquilidade e mantinha apenas uma empregada em casa. Justamente naquele dia, Amanda estava de folga.

Coincidência demais.

E aquele óleo não tinha surgido ali sozinho.

Valentina pegou o aparelho e entregou a ela, ainda preocupada.

— O médico disse que, durante a recuperação, você não deve ficar muito tempo mexendo no celular. Faz mal para os olhos.

Cecília mal pareceu ouvir.

Abriu as gravações das câmeras de segurança.

E encontrou o que procurava.

Isadora.

O local exato da queda ficava fora do alcance das câmeras, por isso o acidente não havia sido registrado.

Mas havia outra coisa.

Naquele dia, a única pessoa que entrara na casa fora Isadora.

Nas imagens, ela chegava com a naturalidade de quem se considerava dona do lugar. Destrancava a porta usando a própria digital, entrava sem qualquer hesitação e, algum tempo depois, saía carregando uma mala.

Os dedos de Cecília se apertaram em torno do celular.

— Val, chama a polícia.

A voz saiu baixa, mas firme.

— Quero denunciar a Isadora por tentativa de homicídio.

Valentina arregalou os olhos.

— Foi a Isadora que fez você cair da escada?

Cecília apertou o celular com tanta força que os nós dos dedos perderam a cor.

Não havia mais hesitação em sua expressão.

Só uma decisão fria e absoluta.

— Foi ela. Chama a polícia para mim.

Fez uma pausa.

— Eu quero justiça pelo meu filho.

O rosto de Valentina endureceu na mesma hora.

— Vou ligar agora mesmo! Aquela falsa amiga vive se esfregando no Henrique e usando essa história de amizade para passar de todos os limites. Eu já não suportava isso fazia tempo. Mas agora ela teve coragem de fazer uma coisa dessas com você?

Valentina pegou o celular.

— Ela vai pagar pelo que fez.

A polícia chegou ao hospital pouco depois.

Cecília entregou as gravações das câmeras de segurança e pediu que Valentina acompanhasse os policiais até sua casa para ajudar na coleta de provas.

A investigação avançou rápido.

Em menos de meio dia, Isadora foi localizada e presa.

E só depois da prisão dela Henrique finalmente apareceu no hospital.

Ele estivera desaparecido havia um dia e uma noite inteiros.

Não telefonara.

Não mandara uma única mensagem.

Nem sequer perguntara se Cecília estava viva.

Assim que entrou no quarto, foi direto ao ponto:

— Cecília, foi você que chamou a polícia e mandou prender a Isa?

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