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UMA NOITE COM ELE

Author: Angel Summer
last update publish date: 2026-09-13 09:42:55

CARLA MORELOS

Caminhei pelo longo corredor a passos lentos. A casa, à meia-noite, soa diferente: já não há risadas nem pratos, apenas botas de guardas e rádios discretos. Amanhã —a palavra ficou flutuando— seria a parte que sempre odeio e sempre aceito: sair do vidro e pisar no concreto. Eu ficaria nos nós, dando apoio; mas Damián não. Damián Medicci não fica. Ele vai para o campo.

Senti o coração apertar com um incômodo leve e obstinado. Ele é aço. E, mesmo assim…

Entrei no meu quarto, deixei
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    JOSH MEDICCIAcordei cedo, com o braço ainda me doendo um pouco por causa do ferimento, mas não o suficiente para me fazer ficar parado. A Marie já tinha me ameaçado me amarrar na cama se eu me levantasse de novo, então me esgueirei com cuidado. Tudo o que eu precisava era de uma atadura limpa, nada mais. O Paolo tinha me dito ontem à noite que o Damian tinha um kit de primeirossocorros no quarto dele, muito mais completo do que o da enfermaria, então decidi ir direto para lá.Caminhei pelo corredor descalço, tentando não fazer barulho, como se fosse um ladrão na minha própria casa. A mansão estava calma, só se ouviam algumas vozes distantes dos guardas trocando de turno e o tic-tac do relógio do hall. Tudo parecia normal. Inofensivo.Até que abri a porta do Damian.No começo, meu cérebro não processou o que estava vendo. Só vi movimento, pele, e as costas marcadas do meu irmão mais velho, tencionando-se como quando ele treina. Depois ouvi o som. Aquele som. E meu mundo colapsou.— Da

  • A Obsessão de Bastien   FORA DAQUI!!!

    DAMIÁN MEDICCIO amanhecer entrava no quarto com uma claridade pálida, um cinza suave que ia se transformando em dourado à medida que o sol subia pela janela. Eu estava acordado havia alguns minutos, mas não tinha me mexido. Carla estava enroscada contra meu peito, sua respiração tranquila sobre minha clavícula, e o calor de seu corpo nu se encaixando no meu como se tivesse sido moldado para isso.Passei muitas noites da minha vida em meio a barracas, abrigos improvisados, porões úmidos ou quartéis sem janelas. A guerra sempre me ensinou que o descanso é um luxo, que dormir pode custar caro. Mas nenhuma daquelas noites havia me dado essa calma. Dormir com ela grudada em mim era outra coisa. Era como se o mundo deixasse de exigir sangue por algumas horas e me permitisse lembrar que sou homem, não apenas soldado. E quando ela abriu os olhos, ainda sonolentos, soube que o dia podia começar… embora eu desejasse que nunca começasse.—Bom dia, minha hacker —murmurei, apertando-a com mais fo

  • A Obsessão de Bastien    UMA NOITE COM ELE

    CARLA MORELOSCaminhei pelo longo corredor a passos lentos. A casa, à meia-noite, soa diferente: já não há risadas nem pratos, apenas botas de guardas e rádios discretos. Amanhã —a palavra ficou flutuando— seria a parte que sempre odeio e sempre aceito: sair do vidro e pisar no concreto. Eu ficaria nos nós, dando apoio; mas Damián não. Damián Medicci não fica. Ele vai para o campo.Senti o coração apertar com um incômodo leve e obstinado. Ele é aço. E, mesmo assim…Entrei no meu quarto, deixei o notebook sobre a escrivaninha e fui para o chuveiro. A água quente na nuca me devolveu pequenas cenas do dia como se fossem legendas: os olhos de Bastien quando disse “extermínio”, o movimento do queixo de Lucca assentindo, a voz de Oliver ao dizer “zero”. Fechei os olhos e surgiu outra imagem, uma que é mais perigosa para mim do que todas as outras juntas: as costas de Damián enquanto se afastava, aquele jeito de caminhar sem nunca olhar para trás, por mais que eu peça mentalmente que ele faç

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    CARLA MORELOSA sala de sistemas parecia uma capela de vidro àquela hora: cinco monitores grandes respirando luz fria, o zumbido dos ventiladores, os relógios digitais marcando 23:59:45. O mundo lá fora era negro e silencioso; aqui dentro, cada tecla era uma batida do coração. Noah à minha esquerda, luvas pretas, olhar cirúrgico; Paolo à minha direita, confortável como se estivesse no balcão do seu bar preferido, mas com vinte sessões SSH abertas; ShadowFox mais adiante, aquele meio sorriso que só aparece quando está prestes a quebrar a coluna vertebral de um sistema; Tiffany com seus anéis de prata e o pescoço relaxado, como se escutar pacotes de rede fosse música. Eu, no centro, com o cronômetro colado à tela e os dedos prontos. O cabelo preso no alto. A mente limpa.Atrás, a três passos, os quatro: Lucien, Silvano, Bastien e Lucca, braços cruzados, ombro a ombro, observando-nos como se observa um esquadrão antes de abrir a porta. Não disseram “boa sorte”. Não era necessário. A pres

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    BASTIEN DE FILIPPICaminhávamos pelo corredor principal, Lucca e eu, com aquele passo que se instala quando já não estamos prendendo a respiração. Não era pressa; era pulso. Pela primeira vez em sete dias, sentia o peito aberto. O mármore do chão devolvia um brilho limpo e, entre uma janela e outra, a luz da manhã ia lavando nossos rostos como se soubesse o segredo: que acabávamos de recuperar o oxigênio.—Sete dias —disse, mais para saborear do que para contar—. Sete dias sem minha Kitty e juro que estive a ponto de perder a cabeça.Lucca soltou uma risada baixa, daquelas que só conhece quem dorme ao seu lado.—Assim que vi Ara no hall, voltei a respirar —admitiu—. Ouviu o que ela me disse? “Não sou de porcelana”. E ela tem razão… mas para mim sempre será.—Kate me disse a mesma coisa com outras palavras —respondi, sorrindo—. Que se eu achava que ela ficaria tranquila na América, eu estava mais louco do que nunca. Ela também tem razão. Kate nunca me obedeceu, fui ingênuo ao pensar qu

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    MARIE MORETTITer mamãe na cozinha era como acender a lareira no inverno: tudo mudava. O cheiro de café e torradas já era bom, mas com sua risada e seu jeito de falar sobre tudo… parecia diferente, mais completo.Eu continuava dando bronca em Josh por ter se levantado, mas ela o defendia com aquela voz doce que, na verdade, não deixava espaço para discussão. E lá estava ele, com seu sorriso tranquilo, como se não soubesse que eu tinha dito para não sair da cama.Mordi a língua para não sorrir. Não ia demonstrar fraqueza, se havia alguém no mundo capaz de me fazer calar com um olhar, essa pessoa era minha mãe. Não sei que poder aqueles olhos azuis tinham, mas bastava um olhar dela e papai corria, Lucien obedecia, e eu ficava calada.Estávamos conversando quando as risadas suaves foram interrompidas pelo som de passos. Meus tios entraram na cozinha. O cabelo dela estava molhado, assim como o dele, e ninguém precisava dizer nada para sabermos o que tinham estado fazendo… e que provavelme

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