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Capítulo 2

Penulis: Bacalhau
Eu nem me dei ao trabalho de lançar um olhar para ela, apenas disse a Pedro, que já estava com o rosto pálido de raiva:

— Meu advogado chega em meia hora. Fale com ele. — Em seguida, sem voltar a encará-lo, me virei e puxei a mala que já estava pronta no canto há muito tempo.

Um Rolls-Royce completamente preto estava estacionado em silêncio lá embaixo.

O mordomo Rafael abriu a porta do carro pessoalmente e fez uma reverência.

— Srta. Letícia, seja bem-vinda de volta para casa.

Assenti levemente, entreguei a mala para ele e entrei no veículo. A porta se fechou.

Vi Pedro e o grupo de amigos dele grudados na janela como um bando de idiotas, com os rostos praticamente colados no vidro.

A expressão de Pedro mudou de incredulidade para confusão e, por fim, para pânico.

Como se quisesse se fortalecer diante dos outros e sustentar seu ridículo "orgulho", Pedro gritou para os amigos:

— É encenação! Com certeza esse carro é alugado! Esperem e vão ver, em no máximo três dias ela vai voltar chorando!

O sorriso no canto dos meus lábios ficou ainda mais frio.

"Pedro, aproveite bem sua última tentativa de se enganar, porque a partir de amanhã, você nem terá mais o direito de sustentar essa mentira."

Dentro do carro, o silêncio era quebrado apenas pelo ruído suave do ar-condicionado. Me encostei no banco de couro e fechei os olhos.

Depois de sete anos, eu finalmente estava de volta ao meu mundo.

A porta foi aberta novamente, e o mordomo Rafael continuava ali, com uma postura respeitosa.

Saí do carro. Meu pai já me esperava na entrada da mansão. Quando me viu, seus olhos ficaram imediatamente vermelhos.

— Minha filha... Foi humilhada por sete anos por um sujeito ingrato!

Meu irmão, Lucas Almeida, segurava um copo de leite morno e o colocou em minhas mãos frias, com um olhar afiado como lâmina.

— Letícia, me diga. Como você quer que ele morra?

Segurei o copo quente e balancei a cabeça.

Toda a poeira de humilhação acumulada nesses sete anos foi, naquele instante, substituída por um gelo absoluto.

— Irmão, não se preocupe. Vou fazer isso pessoalmente. Vou fazê-lo entender que tudo aquilo de que ele tanto se orgulha não passa, aos meus olhos, de um jogo de criança.

Tirei o casaco simples que usava havia três anos e o joguei no lixo. Vesti um vestido branco da Chanel, de corte impecável.

Fui até o espelho. Nele, se refletia uma mulher de maquiagem perfeita, olhar frio e uma presença que pertencia à herdeira de uma grande família.

A Letícia submissa, silenciosa, que vivia em função do marido e da cozinha durante sete anos, estava completamente enterrada.

Eu havia voltado.

...

Enquanto isso, a vida de Pedro sofria um pequeno terremoto. Meu advogado, acompanhado de dois seguranças, retirou ele da casa com eficiência.

Os amigos dele fugiram o mais rápido que conseguiram. Apenas Sofia permaneceu ao lado dele, chorando sem parar.

— Pedro, como eles podem fazer isso com você! Essa casa é sua!

Pedro, furioso, pegou a chave do carro e apertou o controle. As luzes de uma BMW piscaram ao longe.

Ele entrou no carro, planejando levar Sofia para um hotel, ainda praguejando sem parar:

— Merda... Mulher louca! Quando eu voltar, vou fazê-la pagar!

Mas assim que saiu com o carro do condomínio, a tela do painel apagou de repente.

O motor morreu logo em seguida, e o veículo parou como uma sucata abandonada no meio da avenida.

Ele tentou ligar de novo e de novo, sem sucesso. Poucos minutos depois, um guincho chegou e, sem qualquer explicação, começou a rebocar o carro.

Pedro desceu furioso:

— O que vocês estão fazendo? Esse carro é meu!

O funcionário do guincho, com um cigarro no canto da boca, olhou para ele de lado e mostrou o pedido no celular.

— Foi solicitado pela Srta. Letícia. Ela disse que não quer mais esse carro e mandou levá-lo direto para a sucata.

Pedro e Sofia ficaram ali, como dois cães abandonados à beira da estrada, cercados pelo fluxo incessante de carros.

O vento da noite tornava tudo ainda mais humilhante.

Sofia chorava alto:

— Pedro, minha bolsa ficou no carro! É a Hermès que você me deu no mês passado!

Pedro gritou, irritado:

— Cala a boca! Só sabe chorar! A culpa disso tudo é sua!

Ele ainda acreditava que aquilo era apenas um ataque de raiva da minha parte, mais uma das minhas "dramatizações" de sempre.

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