MasukQue lógica absurda.O segurança reagiu imediatamente, soltando Pedro e se virando para detê-lo, mas já era tarde. A faca estava a menos de um metro dos meus olhos. Eu conseguia até sentir o cheiro ácido de dias sem banho vindo dele. Era realmente nojento.Naquele instante crítico, de repente, uma figura saltou do chão.Era Pedro, que quase engatinhando e cambaleando, com o corpo esquelético, se lançou horizontalmente à minha frente.Um som surdo de carne sendo perfurada fez ranger os dentes. Por um segundo, o tempo pareceu parar.Um líquido morno respingou no meu rosto.Ricardo foi imobilizado pelos seguranças que chegaram em seguida, ainda gritando e xingando.Pedro foi escorregando lentamente pelo meu corpo, até cair. Instintivamente, estendi a mão para ampará-lo. Ele era pesado de verdade.Ele caiu nos meus braços, com a faca cravada no peito, o sangue jorrando como uma torneira quebrada.Meu terno branco ficou imediatamente manchado de vermelho. Um Armani sob medida, único no mundo
Ao me ver, seus lábios começaram a tremer e, num instante, ele caiu de joelhos.— Letícia... — Disse ele, com a voz rouca. — Por favor, salve a minha mãe. Ela está com uma doença grave e precisa com urgência de uma quantia enorme para a cirurgia...Uma quantia enorme... O capital inicial que eu investi na empresa dele naquela época, eu nem sabia se aquilo poderia ser chamado de uma quantia realmente grande.Eu não disse nada. Apenas caminhei até o sofá e me sentei, cruzando as pernas.Ele se arrastou de joelhos até perto dos meus pés, tentou tocar a barra da minha calça, mas recuou de repente, como se temesse sujar o tecido caro com as próprias mãos imundas.— Eu sei que não sou um homem decente, eu te fiz mal. Você pode me mandar fazer qualquer coisa, posso ser o seu cachorro, desde que você me empreste o dinheiro...Lágrimas e ranho cobriam o seu rosto.Pedro, aquele que um dia foi cheio de orgulho, que zombava de mim por não conseguir viver sem ele, agora estava de joelhos diante de
— Não entendeu? — Minha voz ficou ainda mais fria. — Vá embora você também.O rosto de Pedro perdeu toda a cor no mesmo instante.Ele agarrou o saco plástico com o café da manhã, os nós dos dedos foram ficando esbranquiçados de tanto apertá-lo. Ainda assim, no fim, se virou de maneira mecânica e o jogou dentro do saco de lixo preto maior que segurava nas mãos, como se estivesse descartando a sua última e ridícula esperança.Alguns dias depois, o clima esfriou e eu peguei um resfriado. Durante a reunião, tossi algumas vezes, e Henrique ficou visivelmente nervoso, mandando a secretária providenciar balas importadas para garganta e vários tipos de medicamentos.Quando a reunião terminou e eu voltei para a minha sala.Vi Pedro do lado de fora da porta de vidro do meu escritório, segurando com força uma caixa de remédio para gripe. Ele não ousava bater. Apenas permanecia ali, me encarando através do vidro com um olhar quase suplicante, fixo e insistente.Franzi a testa e pressionei o interf
— Você quer saber qual foi a reação dele? Ele ficou encarando a capa da revista, com os olhos vermelhos, tremendo como se tivesse mal de Parkinson. No fim, não disse nada. Pegou aquela revista e foi embora, derrotado. Presidente Henrique, fique tranquilo, eu já avisei para ele não incomodar a Srta. Letícia, caso contrário eu mesmo acabo com ele!Henrique desligou o telefone, e o sorriso em seu rosto se apagou um pouco.Ele se virou para me olhar, com uma expressão um pouco complexa.— Letícia.Ele raramente me chamava assim na empresa.— Isso já passou. — Disse com calma, jogando a revista na lixeira.Ele assentiu, não disse mais nada. No fim do expediente, entramos juntos no elevador.No canto do elevador, um homem vestido com uniforme de limpeza estava de cabeça baixa, esfregando com dificuldade uma mancha. Seu corpo estava curvado, os cabelos já brancos, e ele exalava um cheiro de desinfetante barato.Parecia ter sentido o nosso olhar; baixou ainda mais a cabeça, quase a enterrando
— Naquela época, o Pedro ainda a elogiava por não ser cheia de formalidades, o que deixou toda aquela turma inútil de amigos dele bastante animada.Soltei um riso baixo, rindo da festa desses palhaços e, ao mesmo tempo, da minha própria cegueira anterior.Após desligar, esvaziei completamente a mente desse lixo emocional.Não demorou muitos dias para que um envelope vindo da prisão aparecesse sobre a minha mesa. Sem assinatura, com o endereço torto e irregular, carregando um ar de desespero.Abri com o estilete. Dentro não havia o longo discurso que eu esperava, apenas uma folha de papel amassada.Sobre ela, uma única frase escrita em vermelho, com um cheiro pesado de ferrugem.[Eu errei.]Era sangue. Fiquei encarando aquelas palavras por cerca de dez segundos.Então, com o papel na mão, caminhei lentamente até o triturador de documentos no escritório.A carta, carregada de um arrependimento tardio, se transformou em segundos em uma pilha de fragmentos sem qualquer valor.Henrique entr
— Ele não conseguia acreditar e repetia, insistentemente, que você certamente iria visitá-lo, que certamente o perdoaria.Eu ouvi aquilo e só consegui achar ridículo.O advogado fez uma pausa e acrescentou:— Ah, e mais uma coisa. A Srta. Sofia, para se livrar das acusações, colocou toda a responsabilidade nele. Ela apresentou à polícia várias provas, alegando ter sido enganada pelo Sr. Pedro, e ainda forjou conversas que supostamente comprovam que ela foi manipulada emocionalmente por ele durante muito tempo.Todos se voltaram contra ele. Era a derrota completa.Eu conseguia imaginar o rosto desesperado de Pedro ao ouvir tudo aquilo dentro da prisão.Ótimo. Era exatamente o que ele merecia.O relatório do advogado não me causou nenhuma onda emocional.Essa frase era a medalha que ele havia conquistado por mérito próprio.Desliguei o telefone e continuei analisando o relatório mais recente do "Projeto Cúpula".Não valia a pena desperdiçar nem um segundo com lixo.Bateram à porta, e meu







