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A Outra Mulher na Minha Cama
A Outra Mulher na Minha Cama
Author: Bacalhau

Capítulo 1

Author: Bacalhau
No instante em que a ligação foi encerrada, a sala de estar mergulhou em um silêncio mortal.

Alguns segundos depois, Thiago Ferreira, amigo de Pedro, soltou uma risada exagerada e explosiva.

— Herdeira? Pedro, essa sua mulher está desperdiçando talento, ela deveria estar no teatro! O pai dela não é um agricultor lá do interior? Que herança ela teria? Algumas poucas terras? Ou um trator de fazenda?

O grupo inteiro caiu na gargalhada, alguns quase chorando de tanto rir.

Pedro também riu, mas o sorriso trazia um leve incômodo, como se ele tivesse sido desafiado.

Ele caminhou até mim e parou à minha frente, me encarando.

— Letícia, pare de encenar. Você acha que está enganando quem? Não sente vergonha?

Eu não respondi. Apenas me abaixei e peguei na bolsa o que eu precisava.

Joguei uma pilha de documentos sobre a mesa. O som seco fez todas as risadas desaparecerem na mesma hora.

No topo estavam dois papéis: um acordo de divórcio e um termo de revogação de doação de bens.

Olhei para Pedro com frieza.

— Assine. Esta casa foi paga à vista antes do casamento e está no meu nome. A BMW que você dirige foi comprada pelo meu pai, o contrato de compra está aqui. Você tem vinte e quatro horas para sair daqui, junto com seus amigos e essa sua "bagagem" inútil.

Meu olhar recaiu sobre Sofia. Era óbvio quem era a "bagagem" a que eu me referia.

O sorriso no rosto de Pedro congelou completamente.

Incrédulo, ele pegou a cópia do registro do imóvel. O nome da proprietária estava lá, claro como a luz do dia: o meu.

Em seguida, pegou o contrato do carro. O nome do comprador era desconhecido para ele, mas havia registros de transações vinculados a um cartão adicional assinado pelo meu pai.

Pela primeira vez, ele sentiu a situação sair do controle. Mas o orgulho frágil ainda o obrigava a reagir com arrogância.

— Letícia, você está falando sério? Tudo isso por causa de uma bobagem? Você esqueceu que implorou para casar comigo?

Antes que ele terminasse, Sofia avançou.

— Letícia! O que você está fazendo? Não pode simplesmente conversar direito? Precisa chegar a esse ponto? Eu e o Pedro não temos nada, somos só amigos! Se for preciso, eu paro de vir aqui! — Ela falava enquanto agarrava o braço de Pedro com força, quase se pendurando nele. — Pedro, não discuta com ela! A culpa é minha, pronto!

E ainda deu um leve soco no ombro dele, como se estivesse sendo justa.

— Está vendo? Eu que vim morar aqui! Vou embora agora mesmo! Não deixem que eu estrague tudo!

Mas, apesar de dizer que iria embora imediatamente, seus pés não se moviam. Pelo contrário, ela se agarrava ainda mais a Pedro.

Ela já repetia essa encenação de vítima e inocente há sete anos. Eu assistia a isso esse tempo todo, e já estava farta.

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