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Capítulo 3

Author: Bacalhau
Ele pegou o celular de Sofia e, na agenda de contatos, encontrou meu número, então enviou uma mensagem em seguida.

[Letícia, já chega! Você ainda não se cansou de fazer essa cena?]

[Vou te dar três dias para se acalmar. Volte sozinha para me pedir desculpas, e isso fica por isso mesmo!]

Enquanto isso, eu estava com meu irmão na adega, ouvindo o relatório sobre os avanços contra Pedro, enquanto provávamos uma garrafa de Lafite Rothschild de 1982.

O celular vibrou, peguei e, ao ver aquela mensagem, eu ri.

Respondi apenas uma frase.

[Suma.]

Em seguida, tirei uma foto minha brindando com meu irmão e a enviei.

Na foto, atrás de mim, nas prateleiras da adega, havia incontáveis rótulos de vinhos de altíssimo padrão.

O cenário luxuoso feria os olhos de Pedro como uma punhalada.

Ele segurava o celular, sua expressão de confiança cega finalmente começou a rachar.

Em seu lugar surgiu uma confusão e uma inquietação sem precedentes.

Com tranquilidade, meu irmão Lucas girou o vinho na taça, como se falasse do clima.

— Quanto tempo leva para bloquear todos os cartões de crédito dele?

Tomei um gole de vinho e respondi com indiferença:

— Três minutos são suficientes. Vamos mostrar a ele o que é cortar o mal pela raiz. Os maiores clientes dele só fecharam contrato por causa da família Almeida. Cancele tudo.

Lucas estalou os dedos, e um dos assistentes ao lado imediatamente assentiu e foi cuidar disso.

Ele sorriu para mim:

— Letícia, essa sua frieza decisiva... Você realmente tem o mesmo estilo do nosso pai.

Eu não sorri. Isso era apenas o começo.

Pedro levou Sofia e reservou uma suíte executiva em um hotel cinco estrelas. Ele queria demonstrar que, sem mim, ainda conseguia viver muito bem.

A recepcionista pegou seu cartão de crédito e passou na máquina.

— Senhor, desculpe, seu cartão foi bloqueado.

Pedro ficou surpreso e tentou outro.

— Este também está bloqueado, senhor. Este outro também.

Ele testou todos os cartões que tinha na carteira, enquanto o sorriso da recepcionista se tornava cada vez mais profissional e frio.

Os olhares dos clientes ao redor eram como agulhas cravando nele.

O rosto de Sofia já demonstrava incômodo, ela recuou discretamente um passo, criando uma distância entre eles.

— Impossível! O limite dos meus cartões é alto!

A testa de Pedro estava coberta de suor.

Ele ligou para o atendimento do banco na frente de todos, colocando no viva-voz.

— Desculpe, Sr. Pedro, sua conta entrou em análise de risco. Sua classificação de crédito foi rebaixada ao nível mais baixo, e todos os seus serviços de crédito foram suspensos.

A ligação foi encerrada, e o saguão mergulhou em um silêncio mortal.

Sofia o olhou com uma expressão de nojo pela primeira vez.

Enquanto ele tentava lidar com o caos, seu telefone tocou. Era o presidente da empresa, com a voz tomada por uma fúria sem precedentes.

— Pedro! O que diabos você fez? Universo Global, EstrelaTech Brasil e Oceano Azul Soluções cancelaram todos os pedidos unilateralmente! Você tem ideia de quanto a empresa vai perder? Volte agora! Se não recuperar esses clientes, você está fora!

Pedro ficou completamente atordoado.

Aqueles eram seus clientes mais importantes, mais sólidos, a base de tudo o que sustentava sua posição como diretor de vendas.

"Como podem ter virado as costas da noite para o dia?"

Enquanto isso, os olhos de Sofia se moviam rapidamente.

Ela fingia acalmar Pedro:

— Pedro, não se desespere, com certeza deve haver algum mal-entendido...

Ao mesmo tempo, discretamente pegou o celular e digitou meu nome na barra de busca.

Ela finalmente percebeu que a "filha do interior" talvez não fosse tão simples assim.

Enquanto isso, eu estava, sob a identidade de uma misteriosa investidora do exterior, sentada com Henrique Teixeira, um parceiro que meu irmão havia arranjado, no restaurante francês que costumávamos frequentar.

Eu havia feito minha equipe entrar em contato com os principais concorrentes da empresa de Pedro. Eu queria adquiri-la e, depois, jogar devagar.

Pedro realmente apareceu. Provavelmente havia deixado todo o orgulho de lado, tentando me encurralar ali, acreditando que, se pedisse humildemente, eu o perdoaria.

Ele me viu, e também viu Henrique ao meu lado.

Eu sorria enquanto brindava com Henrique, sem direcionar a Pedro sequer um olhar.

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