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A Paciente Insaciável
A Paciente Insaciável
Author: Mangonel

Capítulo 1

Author: Mangonel
Meu nome é Júlia. Desde muito nova, eu convivia com uma condição que nunca tivera coragem de revelar a ninguém.

Para todos ao meu redor, eu era uma garota comportada, discreta, praticamente exemplar. Só eu sabia o esforço que fazia para controlar as reações do meu próprio corpo, sobretudo quando me via diante de um homem forte e atraente.

Depois que entrei na faculdade, tudo piorou.

Às vezes, bastava o atrito da roupa enquanto eu caminhava para meu corpo reagir de forma incontrolável, a ponto de eu me molhar de repente.

Quem via de fora chegava a pensar que eu tinha feito xixi na roupa.

Aquela condição já interferia seriamente na minha rotina.

Sem saber a quem mais recorrer, acabei contando tudo a um dos meus professores. Ele me ouviu com atenção e recomendou que eu procurasse ajuda médica e fizesse alguns exames.

Foi assim que, naquele dia, cheguei a uma clínica de ginecologia.

Depois de preencher a ficha e esperar que me chamassem, entrei no consultório e me deitei na maca. O ambiente estava vazio e silencioso, mas ainda havia no ar um perfume masculino marcante, provavelmente deixado pelo médico que estivera ali pouco antes.

Meu corpo voltou a ficar inquieto.

Uma aflição incômoda se espalhou por mim, como se milhares de formigas corressem sob minha pele. Fechei os olhos e respirei fundo, tentando recuperar o controle.

"Por que isso está acontecendo de novo?"

Como ainda estava sozinha, levei a mão até a barra da saia, mas me detive antes de fazer algo de que pudesse me arrepender.

Eu sempre soubera que chamava atenção.

Tinha um rosto bonito, pernas longas e curvas difíceis de esconder, mesmo sob roupas discretas. Deitada naquela maca, sentia o tecido justo realçar meu corpo e me tornar ainda mais consciente de cada detalhe.

Era uma ironia cruel.

Eu possuía a aparência que muitas mulheres desejavam, mas também carregava uma condição que fazia do meu próprio corpo uma fonte constante de angústia.

A porta do consultório se abriu.

Um médico de jaleco branco entrou com a cabeça baixa, impedindo que eu visse seu rosto com clareza.

Afastei a mão depressa e ajeitei a saia, apavorada com a possibilidade de ele ter percebido o que eu estivera prestes a fazer.

A simples ideia de alguém descobrir meu problema já me enchia de vergonha. Mesmo diante de um profissional, eu não conseguia falar sobre aquilo com naturalidade.

— Deite-se de bruços e mantenha o quadril um pouco elevado. Preciso examiná-la.

Fiz o que ele pediu e me virei sobre a maca.

A posição me deixou ainda mais constrangida. Eu nunca havia ficado daquele jeito diante de um homem, e meu corpo parecia reagir ao nervosismo sem se importar com a minha vontade.

Então senti os dedos dele tocarem o cós da minha roupa.

— Vou precisar abaixá-la um pouco para realizar o exame.

Antes que eu pudesse responder, ele puxou o tecido para baixo, expondo a região que pretendia avaliar.

— Ah... Isso é mesmo necessário?

Ouvi uma risada breve atrás de mim.

— Como espera que eu faça o exame sem ter acesso à região afetada?

— É que...

As palavras morreram na minha garganta.

A sensação de estar tão vulnerável diante de um homem provocou um arrepio em meu corpo inteiro. Eu queria desaparecer dentro daquela maca, mas sabia que, para descobrir o que havia de errado comigo, teria de suportar o constrangimento.

Como se não bastasse, a crise retornou com uma intensidade assustadora.

A inquietação se espalhou por todo o meu corpo, deixando meus músculos tensos. Eu temia perder completamente o controle a qualquer momento.

— Não precisa ficar nervosa. Médicos seguem princípios profissionais. Lidamos com situações assim todos os dias e não enxergamos nossas pacientes dessa maneira.

Aquelas palavras me acalmaram um pouco.

Ele era médico. Talvez eu estivesse apenas sensível demais por causa da minha condição.

Respirei fundo e permaneci de bruços, com o quadril elevado, esperando que ele concluísse o exame.

Duas mãos grandes e ásperas pousaram sobre a minha pele.

Meu corpo se enrijeceu.

Ele não estava usando luvas.

Até onde eu sabia, qualquer médico deveria utilizar luvas descartáveis durante um exame tão íntimo. No entanto, aquelas mãos quentes tocavam diretamente minha pele, intensificando as reações que eu lutava para conter.

— Doutor... Por que o senhor não está usando luvas?

— Dessa forma, consigo avaliar melhor sua sensibilidade e identificar o que desencadeia as crises. É necessário para o tratamento.

Ao ouvir que aquilo fazia parte do procedimento, tentei me convencer a suportar mais um pouco.

"É apenas um exame. Quando terminar, talvez eu finalmente me livre desse problema."

Cerrei os dentes e me esforcei para permanecer imóvel.

Mesmo assim, a cada segundo, aquela situação se tornava mais estranha.

Os movimentos dele não se pareciam com nenhum procedimento médico que eu conhecesse. Havia algo deliberado na maneira como suas mãos percorriam meu corpo, demorando-se muito além do necessário.

Ele estava realmente me examinando?

Ou apenas se aproveitava de mim?

Ele fez uma leve pressão com as mãos, massageando minhas nádegas em movimentos circulares.

O contato das palmas ásperas contra minha pele delicada despertou em mim uma sensação inesperadamente agradável.

— Hm... Ah...

Não consegui conter um gemido baixo. O desejo dentro de mim se tornava cada vez mais intenso.

Como se aquilo ainda não bastasse, o médico começou a apertar minhas nádegas com mais força. Sob a pressão de seus dedos, a pele macia cedia e mudava de forma a cada movimento.

Ele chegou a soltar murmúrios de admiração.

— Que pele macia... Tão suave e gostosa de tocar.

Na mesma hora, senti o corpo inteiro amolecer sob aquela onda de prazer, e meus quadris se ergueram ainda mais sem que eu conseguisse evitar.

Um calor úmido escapou de mim.

"Por que isso não está me curando? Por que, em vez disso, só está me deixando ainda pior?"

— Doutor, esse procedimento está tão estranho... Parece até que o senhor está me acariciando.

Só então ele percebeu que eu começava a desconfiar e tratou de se explicar.

— Esta é apenas a primeira etapa do tratamento. Estou despertando o desejo reprimido dentro do seu corpo. Depois que toda essa tensão for liberada, poderei tratar o problema pela raiz.

A explicação soava bastante estranha. Ainda assim, ele era médico e eu não entendia nada daquele tipo de procedimento. Por enquanto, só me restava confiar nele.

Em seguida, o médico curvou um dos dedos e o deslizou lentamente pelo sulco entre minhas nádegas.

Uma descarga intensa pareceu partir do meu cóccix, espalhando um formigamento prazeroso por toda a extensão da minha coluna.

No segundo seguinte, o dedo dele já havia alcançado...

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