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CAPÍTULO 4: O CARINHO DO DIABO

Author: Melami
last update publish date: 2026-09-04 14:39:52

POV da Caitlin

Parada em frente ao espelho, o reflexo que olhava de volta para mim parecia ser de uma pessoa completamente diferente. Eu estava linda — e me sentia linda. Pela primeira vez na vida, não me preocupei com meu peso. O vestido abraçava minhas curvas com perfeição; não estava apertado demais, mas também não ficava largo. Revelava tanto do meu colo que tive vontade de pedir um xale.

— Caitlin! — meu sequestrador chamou impaciente, invadindo o quarto.

O rosto dele suavizou.

— Adorável. Você está deslumbrante, Caitlin. — Virando-se para a maquiadora, ele a encarou por um breve instante: — Eu te disse, menos é mais.

Uma estranha sensação de aquecimento me envolveu. Eu tinha sido literalmente capturada e ameaçada para fazer tudo aquilo, mas, de alguma forma, lá estava eu sorrindo com o elogio dele. Ainda assim, sem ele, eu provavelmente estaria jogada nas ruas de Los Angeles. Aqui estava eu em Sinaloa, a milhas de distância de LA, recebendo tratamento de princesa — embora não sem um preço.

— Use isto.

Ele me entregou uma caixa azul. Impressionada, peguei a caixa e abri a tampa, encontrando um lindo colar de diamantes. O design delicado em formato de gota, a prata cuidadosamente trabalhada… Era lindo. Provavelmente mais caro do que qualquer coisa que já possuí na vida — tudo somado.

— Isso é lindo. Eu… — Tentei recusar, mas me lembrei do nosso acordo.

*Ele não está fazendo isso por você, sua bobinha.*

— Obrigada, senhor, — respirei baixinho.

— Não me agradeça, faça a sua parte. Por favor, me chame de Caspian. — Ele me encarou de forma demorada e intensa, com um sorriso satisfeito no rosto. — Vamos, temos uma festa para ir.

Estendendo o braço dobrado para mim, entrelacei o meu no dele. Juntos, caminhamos até o carro estacionado bem em frente. Tudo ainda parecia um sonho. Eu tinha duzentos mil dólares descansando plenamente na minha conta e estava andando em um carro de luxo. Então veio a verdadeira missão.

O trajeto até a *casa* do Don foi predominantemente silencioso, com Caspian me lembrando de manter a calma não importava o que acontecesse, sorrir e tentar chamar a atenção do Don. O problema era que eu não tinha a menor ideia de como o Don se parecia. Perguntei-me se ele parecia o monstro que era em cada detalhe ou se na verdade não era tão difícil de encarar.

O toque do meu celular me tirou dos meus pensamentos. O nome da minha amiga Vivian apareceu na tela. Toquei no ícone de atender.

— Caity, onde porra você está? Cheguei faz poucas horas, tentei ligar, mas sua linha não dava sinal. — Ela soltou um suspiro trêmulo. — Fui ao seu apartamento, Caitlin… A Sra. Darcey me contou tudo. — A voz dela diminuiu para um tom baixo e triste.

Doía ouvi-la tão preocupada por minha causa.

— Viv, eu…

— Por que você não disse nada? Eu juro que poderia ter tentado ajudar — nós sempre damos um jeito. — A voz dela foi sumindo. Então a ouvi fungar.

A última coisa que eu queria era chorar e estragar minha maquiagem. Só Deus sabe o quanto a paciência do Caspian aguentaria ser testada.

— Você já fez tanto, Viv, eu…

— Bobagem! Sabe, tentei falar com o Colton e, quando não consegui, fui até a casa dele… Ah, Cait… como você está? Onde você está? — Vivian desabou no choro.

Minha melhor amiga doce e emotiva.

— Sinaloa, — respondi, ignorando a primeira pergunta.

— O quê?

A voz dela ecoou pelo alto-falante, alta e clara. Fez meu ouvido tinir.

— Tipo, no México? — perguntou desacreditada.

— Sim, nos falamos depois. — Desliguei, sabendo muito bem que não podia contar a verdade a ela.

Soltei um suspiro de alívio, colocando a mão sobre o peito.

— Você não gostaria de compartilhar o nosso segredinho.

Não era apenas uma afirmação; era um aviso. Eu não ia envolver a Vivian nessa bagunça.

— Sim, senhor… Caspian, — concordei, forçando um sorriso.

— Coloque sua máscara, — ele ordenou.

Cuidadosamente, ele colocou a dele. A gravidade da minha situação estava me atingindo toda de uma vez. Um calafrio percorreu minha espinha, fazendo-me tremer. Suor frio brotou nas palmas das minhas mãos e nos meus pés. Tentei me distrair com pensamentos melhores, mas de alguma forma continuei piorando tudo.

Uma mão quente se fechou sobre a minha.

— Tudo vai dar perfeitamente certo, confie em mim.

Caspian deu um leve tapinha na minha mão e a retirou.

*Confiar? Confiar, sério? Preciso te lembrar que você me sequestrou? Não há nada de confiável nisso.*

Apesar dos meus pensamentos conflitantes, assenti. O carro parou em uma linda mansão branca. Saímos do veículo. Ele estendeu o braço para mim novamente.

— Não importa o que faça, não deixe seus olhos mostrarem culpa, — Caspian murmurou enquanto me guiava até as enormes portas da mansão.

— Identificação? — o homem da porta, com uma cara assustadora, perguntou.

Se aquele era o homem da porta, como diabos eram os capangas do Diablo? O franzir de testa dele era intenso. Engoli o caroço que crescia na minha garganta. Caspian apresentou sua identificação, fazendo um sinal para eu fazer o mesmo. Quando viu minha identidade, o franzir de testa dele se intensificou. Como isso era possível?

Havia algo nos olhos dele quando olhou para mim, algo que eu não consegui captar direito. Ele então acenou para entrarmos. No momento em que entramos, suspirei, sentindo que tinha acabado de escapar da morte — provavelmente. Fomos levados a um salão enorme. Todos usavam máscara. Ninguém sem importância conhecia o rosto dele. Mesmo a maioria daqueles que importavam não tinha ideia de como ele era; não que ninguém tivesse tentado, simplesmente não chegaram ao ponto de conseguir.

O salão estava iluminado com luzes brilhantes. O cheiro de perfumes caros impregnava o ar. As decorações eram coloridas, não sombrias. A maioria dos rostos parecia feliz, não aterrorizante como eu esperava. Violinos tocavam suavemente.

*Quem diria que o Diabo gostava de música — de violino?*

Passando meu olhar pelo salão, avistei um casal perdido nos olhos um do outro, dançando ao som da música suave. Basta um olhar para saber que é amor. Meu coração doeu enquanto os observava. Forcei-me a olhar para o outro lado. Eu não estava ali para ansiar por algo que não podia ter.

— Qual deles é o Diablo? — sussurrei baixinho para Caspian.

— Calma, linda. Quando o Diablo chega, você sente. Você não precisa procurar para encontrá-lo.

Assenti. Ele provavelmente era um monstro — uma fera. Se um entra no salão, com certeza vou notar. Meus olhos voltaram para o casal no centro do salão. Olhando melhor, eu conseguia perceber que ele era bem mais velho do que ela, mas o jeito como ela sorria para ele, o jeito como ele a olhava como se ela fosse a única coisa que importava… Caspian parecia olhar para o casal com admiração.

— Quem são eles? — A pergunta saiu antes que eu pudesse me conter.

— Não sei.

Havia um tom de surpresa na voz dele, como se ele não conseguisse entender o fato de não saber. Provavelmente era por causa da máscara. Acontece que não eramos os únicos observando o casal. Um homem alto, de cabelos escuros, parecia focado neles. O olhar dele girou lentamente e nossos olhos se cruzaram em um encarar constrangedor. Mas, meu Deus, como ele era lindo! Havia algo sombrio nele, e ainda assim cativante. Sorri suavemente para ele, tentando diminuir o constrangimento.

O franzir de testa dele se aprofundou; a desculpa de máscara dele escondia muito pouco. Ele olhou para o outro lado como se nem tivesse me visto. Se essa era a reação dele, como diabos eu deveria "seduzir" o Diablo? Caspian provavelmente tinha um fetiche por levar mulheres para a morte.

— Ótimo, você o encontrou. — A voz de Caspian me trouxe de volta à realidade.

Minha espinha se ergueu em choque. Não! Não, não, não. Eu estou morta.

O homem que Caspian disse ter uma queda por loiras encorpadas tinha olhado para mim com nojo! Como porra eu deveria seduzir alguém que não suportava olhar para mim? Apenas fechei os olhos e desejei uma morte rápida. Caspian segurou minha mão e me guiou em direção ao Diablo. Esqueci como se andava.

— Respire, Caitlin, — Caspian sussurrou.

Soltei o ar que nem sabia que estava segurando. Paramos bem atrás dele. A aura que ele exalava era aterrorizante. Perguntei-me se Caspian se sentia intimidado. O leve subir e descer do pomo de Adão dele e o pulsar de suas têmporas eram suficientes para responder. Como se estivesse se recompondo, ele balançou a cabeça e limpou a garganta.

— Imaginava que você fosse um homem de bebidas fortes, de preferência uísque, — disse Caspian, com a cabeça levemente inclinada.

Talvez eu estivesse imaginando coisas, mas o jeito como ele disse "bebidas fortes" me fez sentir que ele não estava falando apenas de álcool. Ou seria meu medo falando?

— Você parece ser conhecedor, — disse Diablo, ainda de costas para nós.

Até a voz dele gritava autoridade. *Não pareça assustada. Respire.* Fiquei repetindo as palavras na minha cabeça até que tudo em que eu conseguia pensar era em quão desregulada estava minha respiração e em quanto medo estava visível no meu rosto.

Diablo virou-se lentamente, um sorriso que não chegava aos olhos tocando seus lábios. Não parecia um incentivo para continuar; era um aviso.

— Acredito que você também saiba que odeio ser interrompido, odeio pessoas falando atrás de mim, muito menos se aproximando sorrateiramente.

*Estamos mortos pra caralho. Ele vai nos matar, bem aqui, agora mesmo.*

— Minhas desculpas, Don. A questão é que tenho algo para o senhor. É algo que sei que seria do seu interesse…

Se ele soubesse. Eu não conseguia ouvir nada além do som do meu próprio coração batendo. A próxima coisa que percebi foi que estávamos sendo levados para longe da multidão. Claro, ele não ia nos assassinar na frente de tanta gente — não que isso fosse impossível.

Um homem de terno escuro juntou-se a nós. Ele não disse nada, quase tão intimidador quanto o chefe — não exatamente, mas intimidador mesmo assim. Então, ele ia mandar seu cão de guarda fazer o serviço sujo? O homem moveu-se um pouco mais rápido, abrindo a porta de uma sala para Diablo.

A sala parecia ser uma sala de espera. Ele ou não confiava em Caspian ou estava desconfiado. Dons da máfia não discutem negócios em salas de espera, certo? Sentando-se, ele acenou com a mão para nós.

— Fale.

Nos olhos dele havia um aviso: diga algo estúpido e você está morto. Diablo olhou fixamente para Caspian e depois para mim. Não consegui me conter e reagi. Inconscientemente, apertei o braço do Caspian, mordendo a língua para me impedir de implorar por misericórdia ou, pior, chorar.

— Sua acompanhante não parece muito confortável, Zuri. — A voz de Diablo cortou meu medo, forçando-me a ficar parada.

Parecia que meu desconforto o divertia. Ele sorriu, dessa vez realmente atingindo os olhos — orbes cinzentas e belas repletas de mistério. Olhos de demônio, com certeza.

— Relaxe, eu não mordo.

Os olhos dele desceram para o meu peito por um breve — muito breve — instante, mas eu percebi. Suas palavras e a esperança de realmente chamar sua atenção me acalmaram um pouco.

— Mas eu assassino — bala, lâmina… depende do meu humor. — Ele deu uma risadinha suave, seus olhos ficando sérios.

O monstro estava se divertindo em me torturar. Meu coração martelava nos meus ouvidos; meus medos me isolaram da realidade por um momento. Então ouvi Caspian dizer:

— Ela é o presente, Don.

Levei o tempo de um piscar de olhos para ver Diablo apontar uma arma direto para a cabeça do Caspian. Era isso, o fim.

— Don, por favor, não atire! Pelo menos, olhe para ela. — Com as mãos ao alto em rendição, ele se virou para mim: — Tira a porra da máscara!

Que diferença aquilo deveria fazer? Ainda assim, eu tentaria qualquer coisa para continuar viva — qualquer coisa. Ergui a mão e puxei a máscara; o elástico puxou meu cabelo, mas isso não importava. A dor não era nada comparada a um tiro na cabeça.

No momento em que a máscara caiu, Diablo deu um pulo da cadeira. Seus olhos se arregalaram, a boca ficou entreaberta. Havia um olhar de reconhecimento, surpresa, descrença e dor. Ele deixou a arma cair e correu até mim — não para me matar ou me estrangular. Ele segurou meu rosto delicadamente com as mãos, sua expressão indecifrável.

— Laura? — ele engasgou.

Ok, o que diabos estava acontecendo e quem porra era Laura?

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