INICIAR SESIÓNPOV do Esteban
Sentado no outro lado da sala, uísque na mão, observo minha mãe bajular e dar atenção excessiva à Eliana. Eliana, no entanto, parecia estar de saco cheio do cuidado ostensivo tanto da minha mãe quanto do Scott. Havia algo diferente no Memo — Scott, como ele preferia ser chamado —, diferente de um jeito bom.
— Vocês dois sabem que eu estou bem, né? — disse ela, bocejando alto. — Desculpa…
Ela deu um pulo fora do sofá, os olhos fixos nas paredes. Parecia satisfeita — intrigada com os quadros e o design.
— Ei, cara! — chamou ela.
Estampando um sorriso no rosto, encontrei o olhar dela. — Sim?
— Você não me disse que gostava de arte. Sua casa é linda.
Dei de ombros com o elogio.
— Não acho que meu primo concorde, — fixando meu olhar em Scott, dei um sorriso sarcástico. — Concorda?
Ele nem me deu a honra de um olhar, muito menos de uma resposta. Eu não podia culpá-lo. Se dependesse dele, eles não estariam aqui. E foi exatamente por isso que tive que usar a esposa dele, Eliana. O "CEO implacável" mal conseguia dizer não à sua Eliana, dando-me a oportunidade de trazê-lo para casa.
Eles tinham chegado há poucos minutos, mas Scott estava mais do que pronto para cruzar aquela porta e dar o fora daqui.
— Bom ver você de novo, primo. — Minha voz era baixa, séria. Eu falava com toda a sinceridade.
— Eu gostaria de poder dizer o mesmo, — disparou ele contra mim, o franzir de testa se aprofundando.
Ele não queria saber de nada relacionado à máfia e isso nos incluía — seus parentes da máfia. Ainda mais depois do que aconteceu há alguns meses. Eu não ia pedir desculpas por querer vingança.
— Mal posso esperar para explorar Sinaloa, — Eliana suspirou.
— Estamos aqui apenas para a festa, amor, — Scott disse suavemente.
Com a condição dela, era improvável. No entanto, os dois discutiram um pouco sobre isso. Levantei do meu assento e saí da sala, deixando o casal e minha mãe imensamente satisfeita. Memo tinha acertado em algo. Ele se casou com a Eliana. Ao fazer isso, deu a todos nós algo de que precisávamos. Para minha mãe, mais família; mais uma pessoa para amar e logo duas com o bebê a caminho. Para mim, mais uma pessoa para me dar nos nervos, alguém para eu cuidar e, para o Memo, a chance de vivenciar o amor.
Gustavo estava parado bem na porta do meu escritório.
— O que foi? — perguntei impaciente.
— Tem um nome na lista…
— Gustavo… vá direto ao ponto.
— Sim, Don. — Limpando a garganta, ele continuou: — Tem uma tal de Caitlin Stevens na lista, acompanhante do Caspian Zuri. — Ele pausou.
— E? — perguntei, me perguntando onde aquilo ia dar.
— Não sabemos nada sobre ela. Ela não é de nenhuma…
— Você fez uma checagem de antecedentes?
Eu já estava de saco cheio daquela conversa inútil. Sim, eu tinha me certificado de que a segurança estivesse ainda mais reforçada. Não podia arriscar nada dar errado na festa da minha mãe. Especialmente com o Memo e a esposa dele aqui. Mas não era esse o caso.
— Sim, a ficha dela está limpa, mas…
— *Dios*, Gustavo! As pessoas trouxeram acompanhantes — muitos deles. Podemos conhecê-los, mas não sabemos suas intenções. Mantenha um olho nesse garoto Zuri e na mulher dele.
Girei a maçaneta e entrei no meu escritório. A porta bateu com força antes que eu pudesse ouvir o "sim, Don" dele.
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*Horas depois*
Houve uma batida suave na porta, me sobressaltando e me despertando. Eu tinha cochilado com o cigarro na mão e uma pilha de papéis intocados.
— Gustavo…
— Memo.
Aquela única palavra, aquela voz. Aquilo me impressionou. Uma parte de mim esperou pelo impossível.
— Entre.
A porta rangeu ao se abrir. Sua figura alta e imponente entrou e então ele fechou a porta sem dizer uma palavra. Seus olhos se fixaram na enorme pintura na minha parede por um breve momento.
— *Tsk, tsk, tsk*… você ainda não desapegou. — Ele me encarou com uma expressão que eu não conseguia decifrar.
— É por isso que você está aqui? — perguntei sem nenhum traço do humor que eu tinha horas atrás.
— Vejo que é uma festa à fantasia, afinal, — Scott disse suavemente.
— Claro. Não estou prestes a te jogar à força em um mundo do qual você não quer fazer parte. — Levando o cigarro aos lábios, traguei um pouco de fumaça. Sorri com a atenção com que ele me observava — e observava o cigarro. — Então você veio aqui para me agradecer?
— Por que eu faria isso? Se não fosse por você e seus jogos idiotas, nem estaríamos aqui em primeiro lugar.
Verdade.
— Então você veio se desculpar? — Debochei.
Ele me olhou como se eu tivesse enlouquecido de vez.
Puxando uma cadeira, sentou-se, olhou para o cigarro e balançou a cabeça levemente, como se quisesse se livrar de um pensamento indesejado.
— Toma. — Ofereci um cigarro a ele.
— Não, obrigado. É tentador, mas não.
Os olhos dele diziam o contrário.
— Por quê?
Ele balançou a cabeça, mas eu já sabia a resposta.
— Quão segura vai ser a festa para a Eliana?
Tão típico do Scott Blackwell.
— Muito segura, eu garanti isso. Não vou colocar minha priminha grávida e meu sobrinho em perigo.
Ele assentiu em aprovação, levantou-se e foi em direção à porta.
— Obrigado.
O som do obrigado do Memo parecia ter sido arrancado dele à força.
— Espera, o quê? Repete aí que eu não…
A porta bateu antes que eu pudesse completar a frase.
Os convidados já tinham começado a chegar para a festa. Saí do escritório e fui para o meu quarto tomar um banho bem necessário e trocar de roupa.
Antes de ir para o salão, passei os detalhes da segurança mais uma vez com a equipe.
— Eles chegaram, — relatou Gustavo.
Eu não precisei perguntar quem. Sabia que era o Zuri. Por causa da reação do Gustavo, eles receberam atenção extra. Eu me certifiquei disso. A câmera deu um zoom nos dois. A mulher era loira, vestida com um vestido verde de veludo que revelava muita pele e uma pequena máscara preta. Caspian Zuri parecia estar sussurrando algo no ouvido dela, com a mão apoiada firmemente na parte inferior das costas dela.
Ela olhou para cima, direto para a câmera, revelando olhos verdes hipnotizantes. Por alguma razão, eles pareciam familiares.
*Você está aqui para uma checagem de segurança, não para ficar cobiçando uma mulher totalmente alheia ao fato de você estar olhando.*
— Prosiga.
Com isso, fui para o salão. Quem melhor para ficar de olho nos meus primos do que eu? Protegê-los significava estar perto deles — estar na festa enquanto eles estivessem lá. O som de música, risadas e taças tilintando preenchia meus ouvidos. Memo e a esposa estavam no centro do salão, dançando. Eles pareciam ter conseguido chamar a atenção da multidão. Especialmente da loira ao lado do Zuri.
Fiquei roubando olhares para ela, dizendo a mim mesmo que era por razões de segurança. Maldita segurança… Havia algo nela. Ela captou meu olhar e sorriu para mim. Eu me forcei a olhar para o outro lado.
*Porra, preciso de uma bebida.*
Fiz um sinal para um garçom me trazer algo. Pegando uma taça de champanhe da bandeja, deixei meus olhos vagarem, tentando encontrar minha mãe. Encontrei-a no meio das mulheres da cidade — como de costume.
— Imaginava que você fosse mais um homem de bebidas fortes. De preferência uísque… talvez.
A voz veio de trás de mim. Virei-me e encontrei Caspian sorrindo suavemente, o braço da loira firmemente entrelaçado ao dele.
— Você também deveria saber que não aprecio pessoas falando atrás de mim, muito menos se aproximando sorrateiramente, — disse com um sorriso forçado, deixando meus olhos mostrarem mais do que eu tinha dito.
— Minhas desculpas, Don. A questão é que tenho algo para o senhor — algo que sei que seria do seu interesse, mas simplesmente não pude esperar pelo momento certo, já que isso é bastante difícil de determinar, — disse Caspian com uma leve inclinação de cabeça.
Os dedos da loira se apertaram ao redor do braço dele. Bom, ela estava assustada. Encarei-a fixamente, mantendo minha expressão o mais sombria possível. Por alguma razão, gostei de ver o quão desconfortável ela estava.
— O que é esse "algo" de que você fala? — murmurei, não mostrando nenhum sinal de interesse.
Pelo canto do olho, vi Gustavo espreitando em um canto. Seus olhos estavam fixos em mim ou, melhor dizendo, nos meus convidados — Caspian e sua mulher. Eu não podia culpá-lo. Eu também tinha uma sensação estranha sobre eles.
— O senhor se importa se conversarmos em particular ou pelo menos em um lugar um pouco mais calmo? — murmurou Caspian baixinho, inclinando-se para a frente.
Dando um passo para trás, encarei-o friamente. — É bom que seja algo realmente interessante.
Truque ou negócio. Tanto faz, mas era bom ser interessante pelo próprio bem dele. Não gosto de perder tempo.
— Siga-me, — ordenei.
Caminhei em direção à porta enquanto eles me seguiam. Gustavo juntou-se a nós sem dizer uma palavra. Levei-os até a sala de espera.
— Fale.
Sentei-me, alcançando meu cigarro no bolso do terno. A mulher deu um pulo no assento, apertando os braços do Caspian um pouco mais forte.
— Sua acompanhante não parece muito confortável, Zuri. — Dei um meio-sorriso a ela: — Relaxe, eu não mordo.
Ela pareceu relaxar um pouco. Caspian deu um leve toque nos dedos dela.
— Eu assassino — bala, lâmina… depende do meu humor.
A calma de segundos atrás desapareceu. O rosto dela perdeu a cor.
Limpando a garganta, Caspian endireitou-se na cadeira, pegou os dedos da loira na palma da mão e ergueu a mão dela. — Eu lhe trouxe algo — um presente que o senhor vai amar.
Sorri — um sorriso que não chegou aos meus olhos. Eu sabia onde aquilo ia dar.
— Onde está o presente de que você fala? — Minha voz era baixa, profunda e intimidadora.
— Ela é o presente, Don. — Ele sorriu como se estivesse me oferecendo algo inestimável.
Em um movimento rápido, tirei minha arma e a apuntei direto para a cabeça dele, meu sorriso nunca vacilando. Aquela tinha que ser a coisa mais estúpida que uma pessoa já tinha feito. Sim, eu amo mulheres. Não, eu não sou um mulherengo e com certeza não faço negócios usando mulheres como pagamento ou moeda de troca.
— Don, por favor, não atire. Pelo menos olhe bem para ela, por favor! — Os olhos dele estavam fortemente fechados, a voz tremendo: — Tira a porra da máscara! — ele esbravejou com a loira.
A mulher sobressaltou-se, as mãos alcançando imediatamente a máscara. No momento em que a máscara caiu do rosto dela, eu paralisei. Tudo pareceu parar.
— Inacreditável… — sussurrei, abaixando a arma lentamente.
Isso não pode ser… como? Laura?
POV da CaitlinParada em frente ao espelho, o reflexo que olhava de volta para mim parecia ser de uma pessoa completamente diferente. Eu estava linda — e me sentia linda. Pela primeira vez na vida, não me preocupei com meu peso. O vestido abraçava minhas curvas com perfeição; não estava apertado demais, mas também não ficava largo. Revelava tanto do meu colo que tive vontade de pedir um xale.— Caitlin! — meu sequestrador chamou impaciente, invadindo o quarto.O rosto dele suavizou.— Adorável. Você está deslumbrante, Caitlin. — Virando-se para a maquiadora, ele a encarou por um breve instante: — Eu te disse, menos é mais.Uma estranha sensação de aquecimento me envolveu. Eu tinha sido literalmente capturada e ameaçada para fazer tudo aquilo, mas, de alguma forma, lá estava eu sorrindo com o elogio dele. Ainda assim, sem ele, eu provavelmente estaria jogada nas ruas de Los Angeles. Aqui estava eu em Sinaloa, a milhas de distância de LA, recebendo tratamento de princesa — embora não se
POV do EstebanSentado no outro lado da sala, uísque na mão, observo minha mãe bajular e dar atenção excessiva à Eliana. Eliana, no entanto, parecia estar de saco cheio do cuidado ostensivo tanto da minha mãe quanto do Scott. Havia algo diferente no Memo — Scott, como ele preferia ser chamado —, diferente de um jeito bom.— Vocês dois sabem que eu estou bem, né? — disse ela, bocejando alto. — Desculpa…Ela deu um pulo fora do sofá, os olhos fixos nas paredes. Parecia satisfeita — intrigada com os quadros e o design.— Ei, cara! — chamou ela.Estampando um sorriso no rosto, encontrei o olhar dela. — Sim?— Você não me disse que gostava de arte. Sua casa é linda.Dei de ombros com o elogio.— Não acho que meu primo concorde, — fixando meu olhar em Scott, dei um sorriso sarcástico. — Concorda?Ele nem me deu a honra de um olhar, muito menos de uma resposta. Eu não podia culpá-lo. Se dependesse dele, eles não estariam aqui. E foi exatamente por isso que tive que usar a esposa dele, Elian
POV da Caitlin— Cai fora.As palavras ecoavam na minha cabeça. Fiquei ali parada, de olhos arregalados, incapaz de acreditar que aquele era o Colton.— Colton, você…— O que você ainda está fazendo aqui? Que parte do "cai fora" você não entendeu, Caitlin? — Ele me encarava com as narinas infladas, como se eu fosse um estorvo, uma merda qualquer.Abri a boca para falar, mas o que saiu foi um suspiro trêmulo. Cruzando os braços ao redor de mim mesma, busquei a coragem que eu sabia que não tinha.— Acabou, Colton, — engasguei. Mantive a cabeça erguida; não ia deixar a atitude dele me quebrar.— Como se ele algum dia tivesse querido uma vadia gorda e falida como você, — disse a mulher, Bella.Meus olhos se voltaram para o Colton. Apesar da traição, eu de certa forma esperava que ele dissesse algo em minha defesa. Em vez disso, ele continuou deitado ali, sorrindo, com os olhos cheios de algo que eu não sabia explicar. Aquilo me mandou um calafrio pela espinha. Fechei os dedos ao lado do c
POV da Caitlin— Me desculpa…As palavras zombaram pelo alto-falante do celular. Não, não eram aquelas as palavras que eu queria ouvir. Meu peito apertou; eu não conseguia respirar.— Por favor, me dê mais tempo. Eu juro que vou…— Eu já te dei tanto tempo, Cait. Entendo que você esteja passando por um momento difícil, mas eu também preciso de dinheiro, — disse a Sra. Darcey suavemente, com a voz um pouco trêmula. — Se eu não recebo o aluguel, não tenho dinheiro. Sinto muito mesmo.Ela estava certa. Havia um limite de tempo que uma senhoria poderia dar a uma inquilina. Pelo menos ela não estava me processando. Deus a abençoe. Encarando a carta de despejo em minhas mãos, eu sabia que era inútil implorar. Sem emprego, como eu pagaria o aluguel? Apenas um mês depois de conseguir o trabalho no hospital, eu já o tinha perdido.— Eu entendo. Obrigada, Sra. Darcey, agradeço de verdade pela sua ajuda… — minha voz quebrou. — Vou mudar minhas coisas hoje à tarde.Ainda bem que eu tinha o Colto







