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CAPÍTULO 3: IMPRESSIONADO

Author: Melami
last update publish date: 2026-09-04 14:39:05

 POV do Esteban

Sentado no outro lado da sala, uísque na mão, observo minha mãe bajular e dar atenção excessiva à Eliana. Eliana, no entanto, parecia estar de saco cheio do cuidado ostensivo tanto da minha mãe quanto do Scott. Havia algo diferente no Memo — Scott, como ele preferia ser chamado —, diferente de um jeito bom.

— Vocês dois sabem que eu estou bem, né? — disse ela, bocejando alto. — Desculpa…

Ela deu um pulo fora do sofá, os olhos fixos nas paredes. Parecia satisfeita — intrigada com os quadros e o design.

— Ei, cara! — chamou ela.

Estampando um sorriso no rosto, encontrei o olhar dela. — Sim?

— Você não me disse que gostava de arte. Sua casa é linda.

Dei de ombros com o elogio.

— Não acho que meu primo concorde, — fixando meu olhar em Scott, dei um sorriso sarcástico. — Concorda?

Ele nem me deu a honra de um olhar, muito menos de uma resposta. Eu não podia culpá-lo. Se dependesse dele, eles não estariam aqui. E foi exatamente por isso que tive que usar a esposa dele, Eliana. O "CEO implacável" mal conseguia dizer não à sua Eliana, dando-me a oportunidade de trazê-lo para casa.

Eles tinham chegado há poucos minutos, mas Scott estava mais do que pronto para cruzar aquela porta e dar o fora daqui.

— Bom ver você de novo, primo. — Minha voz era baixa, séria. Eu falava com toda a sinceridade.

— Eu gostaria de poder dizer o mesmo, — disparou ele contra mim, o franzir de testa se aprofundando.

Ele não queria saber de nada relacionado à máfia e isso nos incluía — seus parentes da máfia. Ainda mais depois do que aconteceu há alguns meses. Eu não ia pedir desculpas por querer vingança.

— Mal posso esperar para explorar Sinaloa, — Eliana suspirou.

— Estamos aqui apenas para a festa, amor, — Scott disse suavemente.

Com a condição dela, era improvável. No entanto, os dois discutiram um pouco sobre isso. Levantei do meu assento e saí da sala, deixando o casal e minha mãe imensamente satisfeita. Memo tinha acertado em algo. Ele se casou com a Eliana. Ao fazer isso, deu a todos nós algo de que precisávamos. Para minha mãe, mais família; mais uma pessoa para amar e logo duas com o bebê a caminho. Para mim, mais uma pessoa para me dar nos nervos, alguém para eu cuidar e, para o Memo, a chance de vivenciar o amor.

Gustavo estava parado bem na porta do meu escritório.

— O que foi? — perguntei impaciente.

— Tem um nome na lista…

— Gustavo… vá direto ao ponto.

— Sim, Don. — Limpando a garganta, ele continuou: — Tem uma tal de Caitlin Stevens na lista, acompanhante do Caspian Zuri. — Ele pausou.

— E? — perguntei, me perguntando onde aquilo ia dar.

— Não sabemos nada sobre ela. Ela não é de nenhuma…

— Você fez uma checagem de antecedentes?

Eu já estava de saco cheio daquela conversa inútil. Sim, eu tinha me certificado de que a segurança estivesse ainda mais reforçada. Não podia arriscar nada dar errado na festa da minha mãe. Especialmente com o Memo e a esposa dele aqui. Mas não era esse o caso.

— Sim, a ficha dela está limpa, mas…

— *Dios*, Gustavo! As pessoas trouxeram acompanhantes — muitos deles. Podemos conhecê-los, mas não sabemos suas intenções. Mantenha um olho nesse garoto Zuri e na mulher dele.

Girei a maçaneta e entrei no meu escritório. A porta bateu com força antes que eu pudesse ouvir o "sim, Don" dele.

---

*Horas depois*

Houve uma batida suave na porta, me sobressaltando e me despertando. Eu tinha cochilado com o cigarro na mão e uma pilha de papéis intocados.

— Gustavo…

— Memo.

Aquela única palavra, aquela voz. Aquilo me impressionou. Uma parte de mim esperou pelo impossível.

— Entre.

A porta rangeu ao se abrir. Sua figura alta e imponente entrou e então ele fechou a porta sem dizer uma palavra. Seus olhos se fixaram na enorme pintura na minha parede por um breve momento.

— *Tsk, tsk, tsk*… você ainda não desapegou. — Ele me encarou com uma expressão que eu não conseguia decifrar.

— É por isso que você está aqui? — perguntei sem nenhum traço do humor que eu tinha horas atrás.

— Vejo que é uma festa à fantasia, afinal, — Scott disse suavemente.

— Claro. Não estou prestes a te jogar à força em um mundo do qual você não quer fazer parte. — Levando o cigarro aos lábios, traguei um pouco de fumaça. Sorri com a atenção com que ele me observava — e observava o cigarro. — Então você veio aqui para me agradecer?

— Por que eu faria isso? Se não fosse por você e seus jogos idiotas, nem estaríamos aqui em primeiro lugar.

Verdade.

— Então você veio se desculpar? — Debochei.

Ele me olhou como se eu tivesse enlouquecido de vez.

Puxando uma cadeira, sentou-se, olhou para o cigarro e balançou a cabeça levemente, como se quisesse se livrar de um pensamento indesejado.

— Toma. — Ofereci um cigarro a ele.

— Não, obrigado. É tentador, mas não.

Os olhos dele diziam o contrário.

— Por quê?

Ele balançou a cabeça, mas eu já sabia a resposta.

— Quão segura vai ser a festa para a Eliana?

Tão típico do Scott Blackwell.

— Muito segura, eu garanti isso. Não vou colocar minha priminha grávida e meu sobrinho em perigo.

Ele assentiu em aprovação, levantou-se e foi em direção à porta.

— Obrigado.

O som do obrigado do Memo parecia ter sido arrancado dele à força.

— Espera, o quê? Repete aí que eu não…

A porta bateu antes que eu pudesse completar a frase.

Os convidados já tinham começado a chegar para a festa. Saí do escritório e fui para o meu quarto tomar um banho bem necessário e trocar de roupa.

Antes de ir para o salão, passei os detalhes da segurança mais uma vez com a equipe.

— Eles chegaram, — relatou Gustavo.

Eu não precisei perguntar quem. Sabia que era o Zuri. Por causa da reação do Gustavo, eles receberam atenção extra. Eu me certifiquei disso. A câmera deu um zoom nos dois. A mulher era loira, vestida com um vestido verde de veludo que revelava muita pele e uma pequena máscara preta. Caspian Zuri parecia estar sussurrando algo no ouvido dela, com a mão apoiada firmemente na parte inferior das costas dela.

Ela olhou para cima, direto para a câmera, revelando olhos verdes hipnotizantes. Por alguma razão, eles pareciam familiares.

*Você está aqui para uma checagem de segurança, não para ficar cobiçando uma mulher totalmente alheia ao fato de você estar olhando.*

— Prosiga.

Com isso, fui para o salão. Quem melhor para ficar de olho nos meus primos do que eu? Protegê-los significava estar perto deles — estar na festa enquanto eles estivessem lá. O som de música, risadas e taças tilintando preenchia meus ouvidos. Memo e a esposa estavam no centro do salão, dançando. Eles pareciam ter conseguido chamar a atenção da multidão. Especialmente da loira ao lado do Zuri.

Fiquei roubando olhares para ela, dizendo a mim mesmo que era por razões de segurança. Maldita segurança… Havia algo nela. Ela captou meu olhar e sorriu para mim. Eu me forcei a olhar para o outro lado.

*Porra, preciso de uma bebida.*

Fiz um sinal para um garçom me trazer algo. Pegando uma taça de champanhe da bandeja, deixei meus olhos vagarem, tentando encontrar minha mãe. Encontrei-a no meio das mulheres da cidade — como de costume.

— Imaginava que você fosse mais um homem de bebidas fortes. De preferência uísque… talvez.

A voz veio de trás de mim. Virei-me e encontrei Caspian sorrindo suavemente, o braço da loira firmemente entrelaçado ao dele.

— Você também deveria saber que não aprecio pessoas falando atrás de mim, muito menos se aproximando sorrateiramente, — disse com um sorriso forçado, deixando meus olhos mostrarem mais do que eu tinha dito.

— Minhas desculpas, Don. A questão é que tenho algo para o senhor — algo que sei que seria do seu interesse, mas simplesmente não pude esperar pelo momento certo, já que isso é bastante difícil de determinar, — disse Caspian com uma leve inclinação de cabeça.

Os dedos da loira se apertaram ao redor do braço dele. Bom, ela estava assustada. Encarei-a fixamente, mantendo minha expressão o mais sombria possível. Por alguma razão, gostei de ver o quão desconfortável ela estava.

— O que é esse "algo" de que você fala? — murmurei, não mostrando nenhum sinal de interesse.

Pelo canto do olho, vi Gustavo espreitando em um canto. Seus olhos estavam fixos em mim ou, melhor dizendo, nos meus convidados — Caspian e sua mulher. Eu não podia culpá-lo. Eu também tinha uma sensação estranha sobre eles.

— O senhor se importa se conversarmos em particular ou pelo menos em um lugar um pouco mais calmo? — murmurou Caspian baixinho, inclinando-se para a frente.

Dando um passo para trás, encarei-o friamente. — É bom que seja algo realmente interessante.

Truque ou negócio. Tanto faz, mas era bom ser interessante pelo próprio bem dele. Não gosto de perder tempo.

— Siga-me, — ordenei.

Caminhei em direção à porta enquanto eles me seguiam. Gustavo juntou-se a nós sem dizer uma palavra. Levei-os até a sala de espera.

— Fale.

Sentei-me, alcançando meu cigarro no bolso do terno. A mulher deu um pulo no assento, apertando os braços do Caspian um pouco mais forte.

— Sua acompanhante não parece muito confortável, Zuri. — Dei um meio-sorriso a ela: — Relaxe, eu não mordo.

Ela pareceu relaxar um pouco. Caspian deu um leve toque nos dedos dela.

— Eu assassino — bala, lâmina… depende do meu humor.

A calma de segundos atrás desapareceu. O rosto dela perdeu a cor.

Limpando a garganta, Caspian endireitou-se na cadeira, pegou os dedos da loira na palma da mão e ergueu a mão dela. — Eu lhe trouxe algo — um presente que o senhor vai amar.

Sorri — um sorriso que não chegou aos meus olhos. Eu sabia onde aquilo ia dar.

— Onde está o presente de que você fala? — Minha voz era baixa, profunda e intimidadora.

— Ela é o presente, Don. — Ele sorriu como se estivesse me oferecendo algo inestimável.

Em um movimento rápido, tirei minha arma e a apuntei direto para a cabeça dele, meu sorriso nunca vacilando. Aquela tinha que ser a coisa mais estúpida que uma pessoa já tinha feito. Sim, eu amo mulheres. Não, eu não sou um mulherengo e com certeza não faço negócios usando mulheres como pagamento ou moeda de troca.

— Don, por favor, não atire. Pelo menos olhe bem para ela, por favor! — Os olhos dele estavam fortemente fechados, a voz tremendo: — Tira a porra da máscara! — ele esbravejou com a loira.

A mulher sobressaltou-se, as mãos alcançando imediatamente a máscara. No momento em que a máscara caiu do rosto dela, eu paralisei. Tudo pareceu parar.

— Inacreditável… — sussurrei, abaixando a arma lentamente.

Isso não pode ser… como? Laura?

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