INICIAR SESIÓNPOV da Caitlin
— Cai fora.
As palavras ecoavam na minha cabeça. Fiquei ali parada, de olhos arregalados, incapaz de acreditar que aquele era o Colton.
— Colton, você…
— O que você ainda está fazendo aqui? Que parte do "cai fora" você não entendeu, Caitlin? — Ele me encarava com as narinas infladas, como se eu fosse um estorvo, uma merda qualquer.
Abri a boca para falar, mas o que saiu foi um suspiro trêmulo. Cruzando os braços ao redor de mim mesma, busquei a coragem que eu sabia que não tinha.
— Acabou, Colton, — engasguei. Mantive a cabeça erguida; não ia deixar a atitude dele me quebrar.
— Como se ele algum dia tivesse querido uma vadia gorda e falida como você, — disse a mulher, Bella.
Meus olhos se voltaram para o Colton. Apesar da traição, eu de certa forma esperava que ele dissesse algo em minha defesa. Em vez disso, ele continuou deitado ali, sorrindo, com os olhos cheios de algo que eu não sabia explicar. Aquilo me mandou um calafrio pela espinha. Fechei os dedos ao lado do corpo, me segurando para não reagir.
— Então foi tudo uma mentira?
*Você nunca se importou de verdade, não é?* Não disse essas palavras em voz alta; não precisei. Os olhos dele escureceram e as sobrancelhas se juntaram com força — uma expressão que eu nunca tinha visto no rosto dele antes, especialmente direcionada a mim.
Colton levantou da cama, pegou a calça e a vestiu apressadamente. Tentei me mover, mas minhas pernas pareciam de gelatina. Ele encurtou a distância entre nós em um passo rápido. Seus dedos se cravaram nos meus braços enquanto ele me arrastava para fora do quarto, descendo toda a escada em direção à porta principal.
— Me solta! — gritei, tentando puxar a mão dele. — Eu consigo andar sozinha.
— Eu te dei tempo para sair por conta própria, e você saiu?
Ele tinha razão.
Logo antes de ele abrir a porta, fiz a única pergunta que queimava no meu peito:
— Por quê? — minha voz era suave — fraca, como se eu tivesse perdido todas as forças.
Ele pausou, o olhar suavizou por um instante e então um sorriso sarcástico surgiu em seu rosto.
— Porque você não é mais útil.
*Útil? Não estou entendendo.*
— O que você quer dizer?
— Não é óbvio, querida Caitlin? — A voz da Bella cortou o ar. O som de seus passos macios podia ser ouvido enquanto ela descia as escadas, vestida em uma lingerie vermelha.
— Você é boa em se desdobrar para conseguir as coisas, tenho que admitir, — ela parou bem na minha frente. — Obrigada por ajudá-lo a se manter até aqui.
Encarei diretamente os olhos do Colton, lembranças de todas as promessas que ele tinha feito enquanto eu dava tudo o que tinha para garantir que ele chegasse onde chegou. Agora ele tinha o suficiente e estava me jogando fora pela mesma mulher que tinha ido embora quando ele mais precisou.
Para ele, eu era apenas uma otária cega de amor que fez de tudo para segurar um homem que nunca me quis. Que maneira horrorosa de descobrir.
— Depois de tudo o que fiz por você, Colton, — sussurrei, segurando o choro. — Espero que você não se arrependa disso.
— Me arrepender de quê? De não ter um tora de madeira inchada na minha cama? — ele debochou.
Aquelas palavras doeram pra caralho.
— Não se preocupe, acabei de fechar um ótimo negócio. Vou te pagar tudo…
— Comece quitando seus empréstimos! — rebati, com o peito arfando de raiva.
Em um movimento rápido, ele me empurrou para fora. Perdi o equilíbrio e caí de bunda no chão duro.
— Você não consegue nem pagar o aluguel e quer me insultar na minha casa?
Sem esperar resposta, ele bateu a porta com força. Fiquei ali largada no chão, sozinha, de coração partido e sofrendo tanto fisicamente quanto emocionalmente.
Estava ficando escuro e eu ainda não tinha ideia para onde ir. O frio da noite tinha triplicado. Arrastei as pernas, caminhando sem rumo — sem ter a menor ideia de para onde estava indo.
Um SUV preto passou por mim e estacionou a alguns metros. Não pensei nada a respeito. Afundada em meus pensamentos, passei direto por ele. A porta se abriu abruptamente e, antes que eu pudesse me virar, um pano branco foi pressionado contra minha boca e nariz, me apagando na hora.
*O dia poderia ficar ainda pior?*
Minutos depois, senti líquido ser jogado no meu rosto. A água estava gelada, me trazendo de volta à consciência. Abri os olhos em um quarto escuro, iluminado apenas por uma pequena luz no centro. Ouvi passos se afastando. Minha visão estava um pouco embaçada. Fechei os olhos e os abri novamente, lutando contra o sono induzido pela droga. Lembrando do que tinha acontecido antes — o sequestro —, entendi que estava em perigo. Tentei me mover, mas minhas mãos estavam amarradas com força nos braços da cadeira onde eu estava sentada.
— Onde eu estou? — perguntei em voz alta, puxando as cordas com força até que queimassem meus pulsos. Elas estavam cortando minha pele.
— Essa é uma pergunta irrelevante, — uma voz grave ecoou do canto do quarto. Soava um pouco abafada na minha cabeça, mas familiar. — O que você deveria estar perguntando é o porquê. Por que você está aqui e como vai sair?
— Por… por que você me trouxe aqui? — gaguejei.
— Bom, eu não trouxe você aqui exatamente… Pedi para meus homens trazerem você.
*Que diferença faz?*
Eu conseguia ouvir os passos dele se aproximando. Meu coração começou a bater forte no peito. As palavras dele "como vai sair" começaram a soar como uma ameaça. Ele era perigoso, eu conseguia sentir o cheiro do perigo, mas por que eu?
De repente, o rosto dele apareceu bem na minha frente — coberto até a metade por uma máscara. Meu coração pulou na garganta. Tudo o que pude fazer foi gritar.
— Cala a boca!
Foi uma ordem, e era melhor eu obedecer. Pressionei os lábios com força, segurando os gritos. Eu ainda queria gritar por socorro, mas que certeza eu tinha de que realmente receberia ajuda?
— Perdoe meus modos, — ele murmurou suavemente. Seus dedos enluvados contornaram a lateral do meu rosto, colocando meu cabelo atrás da orelha. Uma sensação nauseante se instalou no fundo do meu estômago, mas não ousei me mexer. Seus lábios se curvaram em um sorriso: — Perfeita.
— O que você quer? — sussurrei, fechando os olhos para o caso de minha pergunta trazer consequências.
Ele se afastou:
— Tenho um trabalho para você.
— Que… que trabalho?
— Seduza alguém para mim.
Encarei-o por um longo tempo. Incapaz de me conter, caí na gargalhada, esquecendo completamente da minha segurança. Mas sério, seduzir? Ri ainda mais, arfando enquanto lágrimas escorriam pelos cantos dos meus olhos.
— Desculpe perguntar, mas seus olhos estão com defeito?
Ele não podia realmente achar que eu era a pessoa certa para esse tipo de trabalho.
— Eu enxergo muito bem e é por isso que escolhi você, — a voz dele era rouca e arranhada. Foi então que me lembrei de onde tinha ouvido aquela voz. — É você, não é? O homem do hospital.
— Boa memória, exatamente o que preciso, — ele limpou a garganta e continuou. — Confie em mim, você faz exatamente o tipo dele. Ele tem uma queda por loiras encorpadas.
Ele deu um sorriso sarcástico. Algo nos olhos dele, o jeito como disse aquelas palavras, mostrava que ele estava mentindo ou não estava contando a verdade inteira.
Não disse nada. Nem recusa, nem acordo. Ele tomou meu silêncio como interesse.
— Tudo o que você tem a fazer é seduzi-lo. Chegar perto o suficiente para saber o bastante e reportar de volta para mim. Você ganha dois milhões como recompensa.
*Dois milhões de dólares, porra?*
Não, soava bom demais para ser verdade.
— Quem é esse "ele" de quem você está falando? — perguntei, encarando o rosto dele fixamente, esperando captar cada sinal e expressão.
— Don Diablo, — ele sorriu.
À menção daquele nome, meu corpo enrijeceu. Forcei meus pulsos, tentando me libertar.
— Se você quer me matar, prefiro que faça isso agora, aqui e rápido.
Ele deu uma risadinha, apoiando os braços em cada lado da minha cadeira.
— Se você aceitar, tem uma chance muito alta de ter sucesso, ser mimada por um Don da máfia e depois pegar 2 milhões de dólares extras comigo, fora os 200.000 dólares adiantados. Mas…
Ele deslizou a mão no bolso, tirou uma arma e arrastou o aço frio ao longo do meu rosto. Prendi a respiração, com medo até de respirar, o coração martelando nos meus ouvidos.
— Se você recusar, Caitlin, o único resultado é a morte. Me ajude a derrubar o Don ou morra. Escolha sua.
Eu já sabia qual era minha escolha. Ele sabia também. Os olhos dele brilharam. De repente, meu medo foi desaparecendo lentamente. Um inimigo do Diablo era um amigo — tecnicamente.
Sorri para ele, assentindo levemente. Acho que o universo estava do meu lado. Eu poderia destruir o Diablo ou morrer tentando.
— Boa garota.
POV da CaitlinParada em frente ao espelho, o reflexo que olhava de volta para mim parecia ser de uma pessoa completamente diferente. Eu estava linda — e me sentia linda. Pela primeira vez na vida, não me preocupei com meu peso. O vestido abraçava minhas curvas com perfeição; não estava apertado demais, mas também não ficava largo. Revelava tanto do meu colo que tive vontade de pedir um xale.— Caitlin! — meu sequestrador chamou impaciente, invadindo o quarto.O rosto dele suavizou.— Adorável. Você está deslumbrante, Caitlin. — Virando-se para a maquiadora, ele a encarou por um breve instante: — Eu te disse, menos é mais.Uma estranha sensação de aquecimento me envolveu. Eu tinha sido literalmente capturada e ameaçada para fazer tudo aquilo, mas, de alguma forma, lá estava eu sorrindo com o elogio dele. Ainda assim, sem ele, eu provavelmente estaria jogada nas ruas de Los Angeles. Aqui estava eu em Sinaloa, a milhas de distância de LA, recebendo tratamento de princesa — embora não se
POV do EstebanSentado no outro lado da sala, uísque na mão, observo minha mãe bajular e dar atenção excessiva à Eliana. Eliana, no entanto, parecia estar de saco cheio do cuidado ostensivo tanto da minha mãe quanto do Scott. Havia algo diferente no Memo — Scott, como ele preferia ser chamado —, diferente de um jeito bom.— Vocês dois sabem que eu estou bem, né? — disse ela, bocejando alto. — Desculpa…Ela deu um pulo fora do sofá, os olhos fixos nas paredes. Parecia satisfeita — intrigada com os quadros e o design.— Ei, cara! — chamou ela.Estampando um sorriso no rosto, encontrei o olhar dela. — Sim?— Você não me disse que gostava de arte. Sua casa é linda.Dei de ombros com o elogio.— Não acho que meu primo concorde, — fixando meu olhar em Scott, dei um sorriso sarcástico. — Concorda?Ele nem me deu a honra de um olhar, muito menos de uma resposta. Eu não podia culpá-lo. Se dependesse dele, eles não estariam aqui. E foi exatamente por isso que tive que usar a esposa dele, Elian
POV da Caitlin— Cai fora.As palavras ecoavam na minha cabeça. Fiquei ali parada, de olhos arregalados, incapaz de acreditar que aquele era o Colton.— Colton, você…— O que você ainda está fazendo aqui? Que parte do "cai fora" você não entendeu, Caitlin? — Ele me encarava com as narinas infladas, como se eu fosse um estorvo, uma merda qualquer.Abri a boca para falar, mas o que saiu foi um suspiro trêmulo. Cruzando os braços ao redor de mim mesma, busquei a coragem que eu sabia que não tinha.— Acabou, Colton, — engasguei. Mantive a cabeça erguida; não ia deixar a atitude dele me quebrar.— Como se ele algum dia tivesse querido uma vadia gorda e falida como você, — disse a mulher, Bella.Meus olhos se voltaram para o Colton. Apesar da traição, eu de certa forma esperava que ele dissesse algo em minha defesa. Em vez disso, ele continuou deitado ali, sorrindo, com os olhos cheios de algo que eu não sabia explicar. Aquilo me mandou um calafrio pela espinha. Fechei os dedos ao lado do c
POV da Caitlin— Me desculpa…As palavras zombaram pelo alto-falante do celular. Não, não eram aquelas as palavras que eu queria ouvir. Meu peito apertou; eu não conseguia respirar.— Por favor, me dê mais tempo. Eu juro que vou…— Eu já te dei tanto tempo, Cait. Entendo que você esteja passando por um momento difícil, mas eu também preciso de dinheiro, — disse a Sra. Darcey suavemente, com a voz um pouco trêmula. — Se eu não recebo o aluguel, não tenho dinheiro. Sinto muito mesmo.Ela estava certa. Havia um limite de tempo que uma senhoria poderia dar a uma inquilina. Pelo menos ela não estava me processando. Deus a abençoe. Encarando a carta de despejo em minhas mãos, eu sabia que era inútil implorar. Sem emprego, como eu pagaria o aluguel? Apenas um mês depois de conseguir o trabalho no hospital, eu já o tinha perdido.— Eu entendo. Obrigada, Sra. Darcey, agradeço de verdade pela sua ajuda… — minha voz quebrou. — Vou mudar minhas coisas hoje à tarde.Ainda bem que eu tinha o Colto







