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Capítulo 2

Author: Chu
Voltei para casa sozinha.

A solidão me engoliu por completo.

Sobre a mesa, o leite que Nikolai havia aquecido para mim ainda soltava vapor.

Tomei um gole.

Queimei a língua e soltei um chiado de dor.

Velhos instintos despertaram.

Vire-se.

Faça um biquinho.

Espere que alguém a puxe para perto, beije seu cabelo e a acalme.

Cassian.

Orion.

Nikolai.

Qualquer um deles.

Mas ninguém veio.

Enterrei as unhas na palma da mão até a dor atravessar a pele.

Então me levantei de um salto e saí correndo.

Para fora de casa.

Pela trilha enquanto o crepúsculo caía.

Através da lama.

Contra um vento tão cortante que parecia rasgar a pele.

Caí repetidas vezes.

Mas não parei.

Quando finalmente cheguei...

Estava um desastre.

Soquei a porta com toda a força.

Mas quem abriu não foi Nikolai.

Foi Cassian.

Seu olhar desceu para meus joelhos ralados, minha saia rasgada e o sangue escorrendo pela minha panturrilha.

Algo passou rapidamente por seu rosto.

E desapareceu no instante seguinte.

— O que você está fazendo aqui?

Cassian foi o primeiro lobo que entrou na minha vida.

Tinha uma língua afiada.

Era impossível agradá-lo.

E protegia quem amava com todas as forças.

Quando ainda gostava de mim...

Vivia brigando porque eu saía correndo sozinha.

— Você é imprudente demais, Elara.

— Sempre age antes de pensar.

...

Cada repreensão era dura o bastante para deixar marcas.

Mas ele sempre vinha atrás de mim.

Antes mesmo que eu percebesse que tinha criado um problema...

Cassian já estava lá para resolvê-lo.

Às vezes, depois de me dar uma bronca, eu corria para casa e chorava escondida debaixo das cobertas.

Ele entrava silenciosamente no meu quarto.

Enxugava minhas lágrimas com os dedos ásperos.

Depois depositava um beijo desajeitado na minha testa...

Como se odiasse a si mesmo por cada palavra dura que havia dito.

Olhei por cima do ombro dele para dentro da cabana.

No instante em que Cassian percebeu que eu não tinha ido procurá-lo...

Seu maxilar se contraiu.

A mão que segurava a porta apertou com força.

Então ele riu.

Um riso frio.

Cruel.

— Nikolai.

Ele o chamou sem sequer olhar para trás.

— Você não lavou o cheiro dela de você, foi?

— Elara seguiu o seu rastro e veio correndo até aqui.

Sua voz ficou ainda mais venenosa.

— O que vai acontecer quando Dana descobrir?

O vento gelado atravessou meu corpo.

Eu havia saído correndo sem nem pegar um manto.

Quando Nikolai apareceu...

Eu tremia tanto que meus dentes batiam.

A camisa dele estava apenas parcialmente abotoada.

O cabelo estava completamente bagunçado.

E, na base do pescoço...

Havia uma marca recente de batom.

Meu estômago afundou.

Nikolai lançou um olhar irritado para Cassian.

Só então voltou os olhos para mim.

Por um breve instante...

Vi impaciência em seu rosto.

Um frio tomou conta do meu peito.

Sem perceber, dei um passo para trás.

Logo em seguida...

Algo quente pousou sobre meus ombros.

Levantei a cabeça.

Cassian havia colocado seu manto sobre mim.

Sem dizer uma única palavra.

Nikolai caminhou até mim.

Sua expressão suavizou, voltando àquela gentileza familiar...

A mesma em que eu costumava me afogar.

Era tão gentil...

Que por um momento quase duvidei do que tinha acabado de ver.

— Elara...

Sua voz era baixa.

— O que aconteceu?

Minha garganta se fechou.

— Nikolai... eu...

— Eu não vou mais reclamar.

— Eu prometo.

— Não vou mais pedir frutas silvestres da floresta profunda.

— Não vou mais reclamar que a cama é dura.

— Quando você estiver cansado, não vou mais ficar falando sem parar.

— Eu...

As palavras saíam rápidas demais.

Confusas.

Desesperadas.

Nem percebi que Cassian havia ficado completamente imóvel ao meu lado.

— Eu só quero você.

— Só você.

— Por favor, Nikolai...

— Não me deixe sozinha.

Nikolai não respondeu.

Seu olhar caiu sobre meus joelhos machucados e ensanguentados.

O pânico tomou conta de mim.

Estendi a mão para segurar a dele.

Minha voz falhou.

— Você disse que sempre ficaria ao meu lado.

— Você não pode mentir para mim...

Meus dedos agarraram apenas o vazio.

Ele recuou a mão.

Com naturalidade.

Com delicadeza.

Com crueldade.

— Está congelando aqui fora — disse ele, ainda calmo. — Entre primeiro. Vamos conversar lá dentro, onde está quente. Está bem?

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