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O Segredo do Cofre de Prata

Author: Vilenir Reed
last update publish date: 2026-08-22 02:37:01

Anne segurou o castiçal com força enquanto o som dos passos apressados de Edmund sumia na escuridão da ala oeste. O ar gélido e o som da chuva batendo contra as vidraças velhas pareciam aconselhá-la a obedecer e recuar para a segurança de seu quarto.

Mas a curiosidade e o instinto de preservação falaram mais alto. Se havia um perigo real sob aquele teto — ou um segredo oculto —, ela precisava saber onde pisava.

Em vez de retornar à ala leste, Anne caminhou silenciosamente nas pontas dos pés, seguindo o corredor sombrio na direção em que Edmund havia desaparecido. As paredes eram adornadas por tapetes antigos e portas pesadas trancadas a chave.

Ao dobrar a última esquina da galeria, viu uma réstia de luz amarelada saindo por debaixo da porta no fim do corredor.

A porta estava apenas encostada.Quem estiverá naquele recinto não preocupo-se  em trancar a porta.

Isso instigou ainda mais a curiosidade de Anne

Anne prendeu a respiração e espreitou pela fresta. O cômodo parecia um antigo escritório de estudos botânicos, repleto de frascos de vidro, livros encadernados em couro e maços de ervas secas pendurados no teto. Edmund estava de pé junto a uma escrivaninha de carvalho, segurando uma pequena caixa de madeira escura com entalhes em prata.

Diante dele, de costas para a porta, estava uma figura idosa usando uma capa preta encharcada pela chuva.

— Você não deveria ter vindo aqui esta noite, Martha — a voz de Edmund era um sussurro contido, transbordando tensão. — Os servos poderiam ter visto você. Minha nova esposa está na casa.

— Ela precisa saber a verdade antes que seja tarde demais, milorde — respondeu a mulher, cuja voz rouca denunciava a idade. — A doença de Lady Beatrice não veio do ar e nem de uma febre comum. As plantas que encontrei no jardim do fundo da ala oeste na época... foram cultivadas com veneno de beladona.

O coração de Anne deu um salto violento contra as costelas. Veneno.

Edmund fechou os olhos por um segundo, a dor estampada em cada linha do seu rosto. Ele abriu a caixinha de prata, revelando um diário antigo com capas gastas e um frasco de vidro fosco contendo um líquido escuro.

— Eu sei, Martha — disse ele, a voz embargada por um sentimento sufocado. — Beatrice não morreu de uma fatalidade. Ela foi assassinada. E a pessoa que colocou aquele extrato no chá dela ainda está associada à minha família... aguardando o momento de reivindicar este título.

Anne deu um passo involuntário para trás, chocada com a revelação. A sola de seu sapato rangeu suavemente contra o assoalho de madeira antiga.

O som mínimo foi o suficiente. Dentro do quarto, Edmund virou a cabeça bruscamente em direção à porta.

— Quem está aí? — esbravejou ele, sacando uma pequena pistola da gaveta da escrivaninha e avançando a passos largos em direção à entrada.

Anne congelou no corredor escuro, com a vela tremeluzindo entre as mãos, enquanto a porta do escritório se escancarava.

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