LOGINAproximo-me do armário e introduzo a chave com mãos mais trémulas do que gostaria de admitir. A fechadura roda sem dificuldade e, quando abro a porta, encontro a pasta exatamente onde a deixei. Solto o ar lentamente, sentindo um breve alívio percorrer-me o corpo, mas a sensação dura apenas alguns segundos, porque a pasta continuar ali não responde à pergunta mais importante. Ainda me pergunto, como é que Diane soube da reunião? O conteúdo daquele encontro é confidencial e apenas um número reduzido de pessoas tem acesso às informações da operação. Eu, Aubrey, os agentes federais e alguns superiores diretamente envolvidos na investigação. Mesmo assim, Diane sabia que eu tinha participado naquela reunião e sabia que tinha sido chamada para integrar a equipa. Fecho a porta do armário e permaneço imóvel durante alguns instantes, a olhar para o vazio. Quanto mais penso nisso, mais desconfortável me sinto, não parece uma mera coincidência. Diane não está habilitada para ter acesso
Passei a noite inteira acordada a pensar no meu próximo passo e ainda não decidi o que fazer para me livrar desta situação. Ryan é um Westie. Um mafioso. Sou muito grata por ele ter saído da minha vida. Não acredito que alguma vez tenha questionado o motivo. Regressar ao trabalho hoje tem uma sensação diferente. O meu corpo parece mais pesado a cada passo que dou e, quanto mais me aproximo do gabinete, mais o meu coração acelera. Hoje não sou recebida pela Aubrey. A secretária dela está vazia. Provavelmente anda a distribuir processos. Ao aproximar-me da minha porta, percebo que está aberta. Alguém entrou e não a fechou. Apresso imediatamente o passo. Será que alguém mexeu nas minhas coisas? Será que guardei a pasta secreta ontem? Ou o embate que sofri foi suficiente para me fazer esquecer? Empurro a porta com pressa e, para minha surpresa, encontro uma mulher sentada na minha cadeira. Diane. Está calmamente a remexer nos papéis em cima da minha secretária, como
Como é que ele me diz uma coisa dessas? Como ele sabe disso? Eu tenho tantas perguntas, mas não sei em que ordem começar. Então a minha saída na vida da Kallie teve mais estragos que eu pensava. — Desde quando você sabe? Como? — Eu conheci ele. Eu deixo meu corpo deslizar e sentar no sofá, enquanto meu corpo segura um turbilhão de emoções e minha cabeça é inundada por pensamentos. — Mas tá, como você sabe que ele é meu? — Eu vi ela grávida quando você saiu da vida dela. — Mas porque você nunca me disse nada? — Sinceramente eu não sabia que era teu filho até ter conhecido ele. Foi só olhar para ele e eu soube. — Mas você devia ter me dito alguma coisa! — Ryan, me entenda vocês ficaram juntos seis meses, eu nem sabia a importância que ela teve na tua vida. — Ela foi importante sim eu que escondi e evitei falar dela ou reconhecer o impacto que ela teve na minha vida — digo — mas ter um filho meu muda tudo, eu me encontrei com ela ontem, tudo o que eu sentia por
Não acredito que estou tão ansioso por saber mais sobre o que aconteceu na vida dela desde que saí da dela. Devia ser indiferente. Dez anos são suficientes para apagar qualquer expectativa, para aceitar que duas pessoas seguiram caminhos diferentes. Mas basta ouvir o nome de Kallie para perceber que algumas coisas nunca desapareceram verdadeiramente.Eddie ergue uma sobrancelha e pergunta:— É sobre aquela garota?Tony acena afirmativamente.Tony abriu a pasta e retirou dela várias folhas soltas e anotações cuidadosamente organizadas. Durante alguns segundos, limitou-se a alinhá-las sobre a mesa, como se procurasse a melhor forma de apresentar a informação. Havia uma hesitação invulgar nos seus movimentos, uma cautela que raramente demonstrava.Mas acabou por reparar na forma como eu o observava, na impaciência que já não me esforçava por esconder.— Chega. Fale logo.Nem sequer tento esconder a curiosidade.Tony consulta as notas.— Kalliope Shinoda. Trinta anos. Atualmente trabalha
Mal consegui pregar olho esta noite. Sempre que fecho os olhos, a minha cabeça volta aos mesmos lugares, aos mesmos erros, às mesmas decisões que devia ter tomado anos atrás. Passei horas deitado a encarar o teto do quarto, perguntando-me quantas tragédias poderiam ter sido evitadas se eu tivesse tirado os meus irmãos daquela casa mais cedo. Durante muito tempo convenço-me de que estou a protegê-los, de que preciso esperar pelo momento certo. Agora já não tenho tanta certeza.Penso em Arya, imagino ela sentada naquela maldita cadeira há dois dias, a pagar por um crime que não cometeu, quando eu descobrir quem foi que fez isso, vou matá-lo com as minhas próprias mãos.A imagem dela não sai da minha cabeça, conheço a minha irmã melhor do que ninguém. Por trás da personalidade teimosa e da necessidade constante de desafiar a autoridade, existe uma mulher que só queria construir uma vida fora da sombra do nosso pai, o único pecado dela foi recusar viver segundo as regras dele.Mas eu não
Em pouco tempo, Eric conseguiu fazer a minha cabeça aliviar parte do peso que venho carregando. Não completamente, porque alguns medos são profundos demais para desaparecerem em apenas algumas horas, mas o suficiente para que eu conseguisse respirar sem sentir que o mundo inteiro estava prestes a desabar sobre mim. Pelo que consigo ver nos seus olhos, ele pode ser um aliado poderoso, alguém capaz de me ajudar a sair da confusão monstruosa em que a minha vida pode se transformar se toda a verdade vier à superfície. Além de perder o emprego que acabei de conseguir, vou perder a minha reputação. Ninguém mais vai querer trabalhar comigo e, pior do que isso, posso perder os meus filhos.Só de pensar nessa possibilidade, sinto um aperto cruel no peito. Foram anos tomando decisões difíceis para protegê-los. Anos carregando segredos, suportando culpas e convivendo com medos que ninguém imagina. Se Eric souber da verdade, talvez possa interceder a meu favor, tal como fez para conseguir me colo







