MasukUma centelha de alívio finalmente se acendeu dentro de mim.O tempo que consegui ganhar…tinha valido a pena.— Executores da Alcateia!A voz ecoou pela floresta como um trovão.— Traidores e renegados! Larguem as armas e rendam-se!A luz das tochas brilhou entre as árvores.Guerreiros de elite vestindo cotas de malha prateadas surgiram de todas as direções, cercando completamente a floresta.Os assassinos entraram em pânico imediatamente.Alguns tentaram fugir.Mas os Executores já haviam fechado todas as rotas de saída, empurrando-os de volta como presas encurraladas.O líder inimigo percebeu naquele instante que estava acabado.Os olhos dele enlouqueceram.Então abandonou toda cautela.Com um rugido selvagem, lançou-se diretamente contra mim, a lâmina descendo em direção ao meu rosto.Ele sabia que não sairia vivo dali.Então pretendia me arrastar para a morte junto com ele.— Ayla, cuidado!Kael gritou em puro terror, ignorando o próprio ferimento enquanto corria
O próprio vento parecia ter parado.Todos me encaravam em choque, os olhos carregados de incredulidade.— C-como pode ser você?! — a voz de Elara tremeu.Kael me observava fixamente, esquecendo até mesmo o ferimento aberto em seu braço.— Ayla… o que é isso…Sustentei o olhar dele.Então, lentamente, retirei algo escondido dentro da manga.Um símbolo.Pequeno.Pouco maior do que metade da minha palma.As bordas estavam gastas e lisas pelo tempo.Nele havia um selo de clã idêntico ao que pendia da cintura do líder assassino.Ergui o amuleto diante deles.— Reconhece isto?Minha voz saiu quase inaudível.O rosto do líder inimigo mudou imediatamente.— Isso… isso é…— Este é o símbolo de vocês.Interrompi-o calmamente, passando os dedos pela superfície áspera da gravação.— Seis anos atrás, em uma cabana a centenas de quilômetros da capital, numa noite congelante de inverno… você invadiu uma casa.Minha garganta começou a apertar.— Uma velha senhora estava sentada so
Elara vestia peles brancas.Sem qualquer pintura no rosto.Ajoelhada nos degraus da praça central da capital, chorava de maneira tão comovente que atraía cada vez mais membros da alcateia ao redor.— Pessoal… por favor, me escutem!Sua voz tremia perfeitamente.Frágil.Dolorida.— Eu só queria voltar para casa… queria rever meus pais. Nunca tive intenções ruins!As lágrimas escorriam continuamente por seu rosto.— Mas Ayla não consegue me aceitar! Ela me expulsou do território! Quer que eu desapareça!A multidão começou a se aproximar.Elara ergueu os olhos marejados para todos ao redor.— Ela roubou meu destino!A voz aumentou dramaticamente.— Tomou meu lugar durante seis anos e agora quer me ver morta porque voltei!As pessoas começaram a murmurar imediatamente.Elara aproveitou o momento.— Ela é a verdadeira impostora!As lágrimas continuavam descendo enquanto sua voz se tornava cada vez mais convincente.— Naquela época, ela usou truques para enfeitiçar Kael e
Kael estava parado no pátio, coberto pela poeira da estrada.A capa de pele de lobo cinza-prateada havia endurecido com o gelo da viagem.Ele devia ter cavalgado a noite inteira sem parar.Seu olhar passou rapidamente por Lyra antes de se fixar em mim.— Ayla.A voz dele estava rouca.Eu não me movi.Apenas o observei como se fosse um completo estranho.Kael atravessou lentamente o pátio.Lyra já havia recuado em silêncio.— Vim levar você de volta.Ele parou a poucos passos de mim.Seu olhar caiu sobre o embrulho repousando na mesa, e uma dor evidente atravessou seu rosto.— Essas coisas… não são uma moeda de troca.A voz falhou levemente.— São apenas o que você merece.Ergui os olhos lentamente.— Kael… o vínculo de companheiros já foi rompido.Minha voz saiu baixa e calma.— O que exatamente você pretende levar de volta?Ele deu mais um passo, quase desesperado.— Ayla, tudo o que Elara escreveu era mentira.Respirou fundo.— Eu nunca chamei você de substitut
Nos instalamos em uma pequena cabana à beira da água, em uma cidade de passagem nos arredores da capital.Lyra chegou alguns dias depois de mim.Ela precisou permanecer para resolver assuntos urgentes da família.No dia em que abriu a porta, carregava um enorme embrulho nos braços, enquanto o rosto brilhava com uma excitação quase impossível de conter.— Senhorita!Ela colocou o pacote cuidadosamente sobre a mesa, os olhos iluminados.— Adivinha? Aquelas mulheres horríveis que cercaram a senhorita nos portões da capital… finalmente receberam o que mereciam!Eu aparava um vaso de ervas silvestres próximo à janela.Minhas mãos pararam imediatamente.— Ouvi dizer que arrancaram as línguas delas.Lyra aproximou-se depressa.— Foi o próprio Rei quem deu a ordem.Não respondi.Apenas reuni as folhas cortadas dentro de uma tigela de barro.Lyra observou cuidadosamente minha expressão antes de continuar:— E…— Conte tudo. Agora.Ela começou a falar rapidamente:— O Rei orden
Parei abruptamente e me virei para a criada.— O que aconteceu?Os olhos dela estavam vermelhos, e a voz saiu embargada:— Senhorita… alguém espalhou rumores pela capital. Estão dizendo que a mulher que o Rei ama desde a juventude voltou… e que ele pretende romper o vínculo de companheiros para se casar com ela.Ela abaixou ainda mais a voz.— Agora… toda a capital está dizendo que a senhora foi rejeitada. As palavras são horríveis…Meu peito pareceu ser esmagado por algo pesado.Uma dor surda.Sufocante.Naquele instante, percebi que havia esquecido de comprar mantimentos.Precisava voltar à capital.Cobri o rosto com um véu e retornei para a cidade ao lado da criada.Enquanto esperava na loja de grãos, meu olhar desviou involuntariamente para o outro lado da rua.Os portões do Salão da Alcateia permaneciam silenciosos.Mas, na boutique luxuosa ao lado…duas figuras familiares moviam-se atrás da vitrine.Kael.E Elara.Kael estava diante do balcão.Elara permanecia



