LOGINPARTE TRÊS - A VINGANÇA DO MORTO
“FT”, 15 de janeiro, quinta-feira.
Ao despertar, sentiu uma incômoda dor de cabeça.
Dor chata! Como se agulhas perfurassem seu cérebro!
Tentou se mexer, mas não conseguiu. Percebeu que estava amarrado a uma cadeira de aço → extremamente pesada → de espaldar alto. Cordas poderosas o prendiam por trás.
Tentou de desenvencilhar, sem sucesso.
→ Merda! → vociferou, sem forças.
Suava. O suor descia → lentamente → por seu rosto.
Calculou ser quase meio-dia, com a temperatura na casa dos trinta e poucos graus. Quente! Um inferno em brasa! Sentiu sede... e vontade de urinar.
Notou que usava apenas a bermuda jeans, com o calção de banho por baixo. Nu da cintura para cima. E sem relógio. Uma lástima!
Encontrava-se num quarto.
Avistou a janela → com baluscante → do lado direito. Aberta, por onde entrava um vento brando. A porta fechada diante de si. O teto de telhas de zinco. A cadeira. As paredes sujas. E mais nada.
Sozinho. Ouvindo apenas o barulho do vento.
Lembrou-se da pancada na cabeça. As hipóteses brotaram em sua mente: teria sido atacado por ordem do desgraçado do Paulo? Pelo parente de uma de suas vítimas? Ou por algum louco, que pensava estar sequestrando um milionário?
Teria que esperar. Teria que esperar!
Olhando para a janela, teve uma ideia.
→ SOCORRO! SOCORRO! → gritou, olhando para o basculante →. SOCORRO!!! ALGUÉM ME AJUDE! SOCORRO!!!
Gritou por cerca de cinco minutos.
Calou-se.
Aguardou... ansioso.
Nenhuma resposta. Ninguém abriu aquela maldita porta. Gritou de novo. Nada.
→ Tô fodido → murmurou, entre temeroso e irritado.
Executou mais uma tentativa de se soltar. Não deu. A cadeira era pesada demais. Além disso, os nós estavam bem firmes.
O quarto exalava um cheiro estranho, que não conseguiu identificar. Seria o cheiro da morte? Percebeu uma teia de aranha, no teto. A solidão o deixava angustiado!
Foi obrigado a urinar na bermuda.
→ Merda!
Meia hora depois, a porta, finalmente, se abriu.
Morosamente... emitindo um rangido sinistro.
Levou um susto, ao ver quem entrava na sala!
PARTE QUATRO - O FIM DO MISTÉRIO “FT”, 17 de janeiro, sábado. Encontraram-se no restaurante “Hutt Levidt Paladar”, naquela manhã ensolarada. Beijaram-se nas faces. Ocuparam uma mesa discreta, nos fundos do recinto. → Tudo bem? → ela quis saber. → Tudo. → O dia está lindo. → Realmente O sol está maravilhoso. → Vamos almoçar? Comeram lagosta, com arroz, macarrão, salada, feijão e farofa. E vinho branco, como acompanhamento. Em silêncio, cada um imerso em seus próprios pensam
“FT”, 16 de janeiro, sexta-feira. Estacionou a BMW a duzentos metros do ginásio. Havia dito para a esposa que precisava resolver um assunto urgente, de trabalho. Ela → acostumada a essas ausências → não questionou nem quis saber do que se tratava. Era uma excelente esposa! Vinte e tantos anos de casamento e continuava compreensiva, fiel e meiga! Fingia, inclusive, ignorar as diversas amantes que arrumava. A mulher perfeita! Olhou o relógio: 23h10min. Saiu da BMW. Usava terno preto, com gravata azul. A pistola se encontrava no coldre axilar, este oculto pelo terno. Adorava usar esse tipo de roupa.
“FT”, 16 de janeiro, sexta-feira. Contou tudo! Desde a abordagem pelo contato, o roubo do Corsa, o treinamento, os tiros, o estupro, a fuga, até a chegada na casa, já tarde da noite. → É isso aí → disse, para finalizar a conversa →. É... isso... aí. Cara, preciso de um remédio. Tô com u-uma fodida dor no c-cérebro, entende? O tal de Bruno → após ouvir o bizarro relato → não proferiu uma palavra sequer. Parecia um robô sem alma, como que perdido em sua própria loucura. Guardou o maçarico na maleta e tirou um celular e uma pistola, preta, com silenciador. Destravou a arma. Ergueu a mão armada. Virou-se. → Ca
“FT”, 16 de janeiro, sexta-feira. Enquanto isso... Vitorioso! Naquela noite, trancado na biblioteca da mansão → concentrado na elaboração do discurso → sentia-se o mais vitorioso dos homens! Nunca estivera tão satisfeito. Recapitulando os acontecimentos da semana, soubera da morte de Bruno no hotel, às oito da noite da terça-feira. Kleber → gerente de vendas da matriz → lhe dera a notícia. Estava realmente no norte do país. Portanto, bem distante das ações do assassino. Viajara para a cidade de “FT” na manhã do dia seguinte, fingindo estar chocado com o fato. Comparecera ao enterro. Claro!
“FT”, 15 de janeiro, quinta-feira. Arregalou os olhos. Viu-se diante de um... “fantasma”??? O sujeito teria entre quarenta e cinco e cinquenta anos. Alto, branco e loiro. Olhos azuis. Cultivava um bigode fino, no estilo dos mexicanos. Apesar do intenso calor, usava um terno preto, com gravata lilás. Na mão direita, uma pasta marrom. → Te matei! → gritou, surpreso → TE MATEI!!! Não pode ser! Não pode ser!!! → Você checou se eu estava realmente morto? → o homem falou e sua voz era extremamente parecida com a do Bruno Handel. → Tu morreu, cara! Puta que pariu!!! O homem depositou a maleta no c
PARTE TRÊS - A VINGANÇA DO MORTO “FT”, 15 de janeiro, quinta-feira. Ao despertar, sentiu uma incômoda dor de cabeça. Dor chata! Como se agulhas perfurassem seu cérebro! Tentou se mexer, mas não conseguiu. Percebeu que estava amarrado a uma cadeira de aço → extremamente pesada → de espaldar alto. Cordas poderosas o prendiam por trás. Tentou de desenvencilhar, sem sucesso. → Merda! → vociferou, sem forças. Suava. O suor descia → lentamente → por seu rosto. Calculou ser quase meio-dia, com a temperatura na casa dos trinta e poucos