LOGIN“FT”, 16 de janeiro, sexta-feira.
Enquanto isso...
Vitorioso!
Naquela noite, trancado na biblioteca da mansão → concentrado na elaboração do discurso → sentia-se o mais vitorioso dos homens! Nunca estivera tão satisfeito.
Recapitulando os acontecimentos da semana, soubera da morte de Bruno no hotel, às oito da noite da terça-feira. Kleber → gerente de vendas da matriz → lhe dera a notícia. Estava realmente no norte do país. Portanto, bem distante das ações do assassino.
Viajara para a cidade de “FT” na manhã do dia seguinte, fingindo estar chocado com o fato.
Comparecera ao enterro. Claro!
Conversara com Tereza e lhe dera as condolências.
Atendera a polícia e a imprensa.
Um assaltante, a polícia informara. Invadiu a casa para roubar, pois pensava que a amante de Bruno estava sozinha. Aproveitou para estuprá-la. Levou, depois, a carteira e o celular de Bruno.
Lamentável!
Ninguém cogitou a hipótese de incluí-lo na lista de suspeitos. O tal de Macto fizera um excelente serviço, apesar da mancada de ter atacado sexualmente a Ana.
Na verdade, o estupro foi uma ação positiva, pois deu verossimilhança à teoria do assalto. Sem querer, o assassino acabara por melhorar as coisas. Perfeito!
Assim que concluísse o discurso, iria divulgá-lo na sexta-feira, daqui a oito dias.
Seria um discurso bombástico, pois anunciaria a demissão de pelo menos quarenta pessoas, algumas do alto escalão. Além disso, haveria mudanças no horário do expediente, o que desagradaria a muitos.
Danem-se!
Era o dono da empresa e todos teriam que obedecê-lo.
De repente, ouviu o toque do celular.
Olhou a “bina”. Não reconheceu o número. Quem seria?
→ Alô! → disse, curioso.
→ Paulo → uma voz estranha respondeu →. Aqui é o Macto.
O assassino!
Sentiu seus pelos se eriçarem! Por que estava ligando? O que teria acontecido de errado?
→ Macto? → decidiu fingir, para ver até onde ele iria.
→ Isso mesmo. O homem que matou o tal de Bruno e sua amante.
→ Desculpe, amigo, mas não sei do que você está falando.
→ Não se faça de desentendido, seu filho da puta! Preciso vê-lo esta noite. Aconteceu um imprevisto.
Respirou fundo.
Tenso!
Tentando buscar no fundo da mente um motivo. Seria chantagem? O miserável queria dinheiro? Ou estaria contando a verdade?
→ Que imprevisto?
→ Uma testemunha. Uma pessoa viu tudo.
→ Você está mentindo! Os jornais não falaram nada!
→ Fui seguido. O homem quer dinheiro, para se calar. Veio até minha casa e me ameaçou. Disse que contará tudo para a polícia, caso eu não dê a ele uma grana.
→ Você é um mentiroso!
→ Se eu cair, você também cairá. Além, disso, não iria perder meu tempo ligando, te incomodando, se a coisa não fosse séria. Ele quer falar com nós dois, hoje à noite. Pretende informar o preço de seu silêncio pessoalmente.
→ Você está me chantageando. Não gosto disso.
→ Não sou eu, seu desgraçado! Já disse que fui seguido! O cara apertou minha campainha hoje à noite. Disse que viu tudo, da janela de um dos prédios. Decidi não encarar essa porra sozinho. Contei que foi você que mandou matar os dois.
→ Miserável! Por que me dedurou?
→ Você disse que o plano era infalível. Invadiu minha casa e me convenceu. Mas o plano não era infalível. Fui visto! Não vou assumir essa merda sozinho. O sujeito quer conversar com você hoje à noite. Sem falta. Senão, contará tudo para os tiras.
→ Se for chantagem, mandarei matá-lo. Não brinque comigo!
→ Hoje à noite, depois das dez, na frente do Ginásio Fred Xinder. Sabe onde fica?
→ Sei.
→ Não falte. Ou será tarde demais.
→ Não irei!
→ Problema seu.
→ Escute! Você tem que... Alô! Alô!
O celular ficou mudo. Tentou ligar de volta, sem sucesso.
Trêmulo, foi até a geladeira e pegou uma garrafa de vinho. Encheu uma taça. Bebeu o vinho, para controlar os nervos.
Sua mente fervilhava!
Não sabia o que pensar.
Testemunha. Uma mentira, isso sim!
Provavelmente o imbecil do Macto → subjugado pela ambição → bolou esse plano besta, para extorquir dinheiro. Devia ter combinado tudo com um cúmplice! O idiota não sabia com quem estava lidando!
Retirou uma chave da carteira. Destrancou e abriu uma das gavetas da imensa escrivaninha de mogno. Extraiu → da gaveta → uma pistola TAURUS, com silenciador. Municiada. Igual à que dera ao sujeito.
Segurou a coronha.
Tomou o vinho.
Preparou-se para o combate. Nos olhos, um brilho homicida.
PARTE QUATRO - O FIM DO MISTÉRIO “FT”, 17 de janeiro, sábado. Encontraram-se no restaurante “Hutt Levidt Paladar”, naquela manhã ensolarada. Beijaram-se nas faces. Ocuparam uma mesa discreta, nos fundos do recinto. → Tudo bem? → ela quis saber. → Tudo. → O dia está lindo. → Realmente O sol está maravilhoso. → Vamos almoçar? Comeram lagosta, com arroz, macarrão, salada, feijão e farofa. E vinho branco, como acompanhamento. Em silêncio, cada um imerso em seus próprios pensam
“FT”, 16 de janeiro, sexta-feira. Estacionou a BMW a duzentos metros do ginásio. Havia dito para a esposa que precisava resolver um assunto urgente, de trabalho. Ela → acostumada a essas ausências → não questionou nem quis saber do que se tratava. Era uma excelente esposa! Vinte e tantos anos de casamento e continuava compreensiva, fiel e meiga! Fingia, inclusive, ignorar as diversas amantes que arrumava. A mulher perfeita! Olhou o relógio: 23h10min. Saiu da BMW. Usava terno preto, com gravata azul. A pistola se encontrava no coldre axilar, este oculto pelo terno. Adorava usar esse tipo de roupa.
“FT”, 16 de janeiro, sexta-feira. Contou tudo! Desde a abordagem pelo contato, o roubo do Corsa, o treinamento, os tiros, o estupro, a fuga, até a chegada na casa, já tarde da noite. → É isso aí → disse, para finalizar a conversa →. É... isso... aí. Cara, preciso de um remédio. Tô com u-uma fodida dor no c-cérebro, entende? O tal de Bruno → após ouvir o bizarro relato → não proferiu uma palavra sequer. Parecia um robô sem alma, como que perdido em sua própria loucura. Guardou o maçarico na maleta e tirou um celular e uma pistola, preta, com silenciador. Destravou a arma. Ergueu a mão armada. Virou-se. → Ca
“FT”, 16 de janeiro, sexta-feira. Enquanto isso... Vitorioso! Naquela noite, trancado na biblioteca da mansão → concentrado na elaboração do discurso → sentia-se o mais vitorioso dos homens! Nunca estivera tão satisfeito. Recapitulando os acontecimentos da semana, soubera da morte de Bruno no hotel, às oito da noite da terça-feira. Kleber → gerente de vendas da matriz → lhe dera a notícia. Estava realmente no norte do país. Portanto, bem distante das ações do assassino. Viajara para a cidade de “FT” na manhã do dia seguinte, fingindo estar chocado com o fato. Comparecera ao enterro. Claro!
“FT”, 15 de janeiro, quinta-feira. Arregalou os olhos. Viu-se diante de um... “fantasma”??? O sujeito teria entre quarenta e cinco e cinquenta anos. Alto, branco e loiro. Olhos azuis. Cultivava um bigode fino, no estilo dos mexicanos. Apesar do intenso calor, usava um terno preto, com gravata lilás. Na mão direita, uma pasta marrom. → Te matei! → gritou, surpreso → TE MATEI!!! Não pode ser! Não pode ser!!! → Você checou se eu estava realmente morto? → o homem falou e sua voz era extremamente parecida com a do Bruno Handel. → Tu morreu, cara! Puta que pariu!!! O homem depositou a maleta no c
PARTE TRÊS - A VINGANÇA DO MORTO “FT”, 15 de janeiro, quinta-feira. Ao despertar, sentiu uma incômoda dor de cabeça. Dor chata! Como se agulhas perfurassem seu cérebro! Tentou se mexer, mas não conseguiu. Percebeu que estava amarrado a uma cadeira de aço → extremamente pesada → de espaldar alto. Cordas poderosas o prendiam por trás. Tentou de desenvencilhar, sem sucesso. → Merda! → vociferou, sem forças. Suava. O suor descia → lentamente → por seu rosto. Calculou ser quase meio-dia, com a temperatura na casa dos trinta e poucos