LOGIN(CAP. MAIOR)
POV: MOON BITTENCOURT
O hall de entrada estava na penumbra, quebrando a claridade da tarde que eu tinha deixado lá fora. Meu peito subia e descia rápido, o ar custando a entrar pelos meus pulmões de tanto nervoso. Dei um passo para trás por puro instinto, sentindo as minhas costas baterem contra a parede fria.
Ajustei as alç
POV/ SAKURAAlguns dias depois, tive outra consulta. Meus resultados continuavam preocupantes e a conversa sobre transplante deixou de parecer uma possibilidade distante.Precisávamos encontrar um doador compatível.Diego começou a fazer perguntas demais aos médicos. Queria saber de testes, prazos, riscos e possibilidades. Eu fiquei sentada ouvindo enquanto ele tentava controlar alguma coisa que nenhum de nós conseguia controlar.Na saída, ele recebeu uma ligação de Rocco e precisou resolver um problema do trabalho.Pela primeira vez, não reclamei.— Vai — falei. — Eu fico bem.— Tem certeza?— Diego, você não pode abandonar seu emprego toda vez que eu faço exame.— Rocco não vai me demitir.— Eu sei. Mas também não quero que ele comece a cobrar aluguel por você morar dentro da empresa.Meu irmão riu.— Engraçadinha.— Vai trabalhar.Diego me deixou em casa.Esperei aproximadamente uma hora.Depois fui até Nathan.Eu sabia que meu irmão ficaria furioso se descobrisse, mas estava cansad
POV/ SAKURAPouco tempo depois, Nathan perdeu os pais.A notícia chegou numa manhã em que eu estava sentada à mesa da cozinha, tentando terminar uma atividade enquanto Diego preparava café antes de sair para trabalhar. Meu irmão já estava vestido, com os óculos no rosto e o celular apoiado perto da cafeteira, reclamando de alguma alteração que Rocco tinha pedido no dia anterior.Eu prestava pouca atenção. Estava cansada, ainda tentando me acostumar com a quantidade de exames que tinha feito nas últimas semanas e, principalmente, tentando não pensar demais na noite da formatura.Nathan não tinha voltado a falar sobre aquilo.Eu também não.Ele continuava aparecendo em casa, mas nunca ficávamos sozinhos por muito tempo. Quando nossos olhos se encontravam, eu lembrava do primeiro beijo, dos nossos dentes batendo, da risada dele e de tudo que tinha acontecido depois. Então lembrava que Nathan tinha pedido segredo e que aquilo não podia se repetir.Naquela manhã, o celular de Diego tocou.
POV/ SAKURA— Tá tudo bem? — ele perguntou sussurrando junto à minha orelha.— Eu não sei — respondi com a voz fraca.— Não sabe?— Não. Meu corpo tá... sei lá.Ele soltou um riso abafado. Minhas pernas se contorceram de um jeito novo, e o ar sumiu dos meus pulmões.— Nathan...— Tô aqui, Sakura. Tô com você.A onda subiu de uma vez só, forte demais, tirando de mim qualquer capacidade de pensar em mais nada. Meu corpo estremeceu inteiro, as pernas perderam a força e eu fiquei ali por alguns segundos, flutuando no meio do nada, tentando entender o que tinha acabado de acontecer.— Meu Deus do céu — sussurrei.Nathan riu baixinho contra o meu peito.— Tudo bem?— Acho que eu morri e esqueceram de me avisar.O sorriso dele sumiu num segundo.— Não brinca com uma coisa dessas.— Não desse jeito! — falei depressa, abrindo os olhos. — Quis dizer... meu Deus, Nathan. É surreal.Fechei os olhos de novo, sem conseguir conter o sorriso bobo que abriu no meu rosto. Eu estava quente, tremendo e a
POV/ SAKURAEle passou o polegar de novo pela minha bochecha, num carinho que desarmou qualquer defesa que me restava.— Eu vou devagar. Prometo.Assenti de novo, fechando os olhos e esperando.Dessa vez, os lábios dele tocaram os meus. O mundo inteiro pareceu encolher até caber naquele espaço minúsculo. Meu coração disparou tanto que achei que ia desmaiar. Tentei acompanhar o movimento dele, mas fui desajeitada e acabei batendo meus dentes com força contra os dele.Afastei o rosto na mesma hora, arregalando os olhos.— Ai, meu Deus!Nathan começou a rir, balançando os ombros.— Não ri!— Desculpa, eu não aguentei.— Você tá rindo abertamente de mim!— Porque você quase arrancou meu dente, Sakura!— Eu avisei que era péssima nisso! — Cobri o rosto com as mãos, sentindo vergonha até na raiz do cabelo.Ele puxou meus pulsos com cuidado, afastando minhas mãos do meu rosto.— Ei. Olha pra mim.— Não. Acabou. Desisti. Vou morrer virgem, sem beijar e sem dignidade nenhuma.— Para com essa m
POV/ SAKURANathan parou de mexer a perna. O silêncio ficou pesado na sala, esticado entre nós de um jeito que me deu vontade de engolir as próprias palavras.— Sakura... — ele começou.— O quê? Por que você tá com essa cara?— Por que você tá me contando isso do nada?— Porque é verdade. Cansei de fingir que minha vida é normal.Ele passou a mão pelos cachos, soltando um suspiro curto.— Eu já imaginei que... quer dizer, você acabou de falar que nunca namorou, então não era difícil de deduzir.Baixe os olhos para minhas próprias mãos, sentindo o rosto esquentar.&m
POV/ SAKURAEles eram melhores amigos havia anos. Nathan entrava na nossa casa sem bater, e Diego fazia a mesma coisa na dele. Brigavam, discutiam, se xingavam e, cinco minutos depois, estavam conversando normalmente.Quando nossos pais morreram, Nathan foi uma das poucas pessoas diante de quem Diego chorou.Eu vi.Uma madrugada, acordei com sede e encontrei os dois sentados no chão da cozinha. Diego estava com o rosto escondido nas mãos, e Nathan permanecia ao lado dele.Não ouvi o que conversavam.Voltei para o quarto antes que percebessem que eu estava ali.Aquela lembrança passou a me incomodar depois que encontrei as pesquisas.Não porque houvesse alguma coisa errada em meu irmão gostar de homens.Eu não me importava.Diego continuaria sendo Diego.O problema era que eu amava Nathan.E comecei a me perguntar se meu irmão também amava







