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Capítulo 4

Author: Luna_Loh
last update publish date: 2023-03-02 10:30:58

Casa Noturna Lux, 16:50 PM...

Eu havia chegado bem antes do que o meu horário de costume e decidi ir até a gerência entregar minha carta de "demissão".

Fui até o quarto das "funcionárias" esperar Belina chegar, eu precisava contar à ela sobre a proposta que havia recebido que mudaria a minha vida. A questão é que, antes mesmo que ela chegasse, o telefone no quarto tocou.

—"Todas estão atendendo." - Respondi assim que tirei o telefone do gancho.

—"Angel? Alguém quer te ver." - Disse o cara que trabalhava na recepção da entrada.

—Eu? Mas eu sou exclusiva e na verdade, não está no dia de ...- Antes mesmo que eu terminasse de falar, fui interrompida.

—"Ele está aqui e pediu para vê-la." - Respondeu o funcionário, desligando a chamada em seguida. Coloquei o telefone no gancho e guardei minha bolsa, indo até ele sem nem mesmo me trocar.

Se eu tivesse que me despedir, aquele seria o momento; na verdade, foi estranho porque parecia até que ele estava adivinhando que eu queria vê-lo.

Caminhei em direção ao quarto VIP, prendendo meus cabelos com um coque, enquanto fazia o percurso. Assim que me aproximei da porta hesitei antes de entrar, mas respirei fundo e dei três batidas, esperando que ele me autorizasse.

—Entre! -Disse ele com a voz firme. Assim que girei a maçaneta e a porta foi aberta, toquei meu rosto percebendo estar sem a máscara.

—Você não vai entrar? -Perguntou ele parecendo estar irritado.

—Me-Desculpe Senhor, esqueci de uma coisa. - Falei notando a porta ser aberta em seguida. Assim que vi o braço dele a abrindo, virei de costas para que ele não visse meu rosto. —Me desculpa, eu já volto.

Antes que eu me afastasse, "X" segurou meu braço e tampou meus olhos me puxando para dentro.

—O seu problema seria eu te ver ou você me reconhecer? - Perguntou ele com a voz tranquila.

—Ambos. -Respondi respirando fundo. Instantes depois, escutei um barulho se algo se rasgando e então, "X" vendou a metade do meu rosto, me virando em seguida para ele.

—Senhor, a sua roupa...- Falei espantada ouvindo-o sorrir.

—Isso é mesmo importante para você? - Perguntou ainda em meio ao sorriso.

—Me desculpa Senhor, mas eu não posso permitir que sofra avarias por minha causa. - Respondi fraca, tendo minha mão segurada.

Ele me guiou até a cama e me sentou, saindo em seguida. Entendi o que ele havia ído fazer quando ouvi o barulho da lata se abrindo.

Estranhei porquê, ele sempre bebia whisky e aquela era a primeira vez que o ouvia abrir uma lata.

Instantes depois, ele estendeu a minha mão e me entregou a bebida me causando espanto.

—E-Eu não bebo! -Respondi o estendendo de volta, ouvindo-o respirar fundo.

—Ao menos encostou na boca para saber o que é? - Perguntou se sentando ao meu lado.

Levei a lata até meus lábios, notando se tratar de uma bebida doce que eu tanto gostava. Sorri e continuei a beber o refrigerante, escutando um sorriso tomar todo o lugar.

—Por quê veio hoje? Não é o seu dia. - Perguntei, dando uma pausa na bebida.

—Seria dia de outro? Até onde sei, você é a minha exclusiva e não tem permissão para encontrar mais ninguém. - Disse ele com um timbre frio. Eu poderia sentir minha pele refrigerar de medo.

—Não foi o que eu quis dizer! -Respondi baixo, com medo de ser repreendida novamente.

—Estou interessado em alguém! -Disse ele me fazendo engasgar. Senti "X" se levantar da cama e instantes depois, ele voltou e secou minha boca. —Você sempre é assim? Parece uma criança quando bebe as coisas.

Aquela frase me deixou confusa, como ele poderia dizer aquilo se era a primeira vez que eu aceitava algo dele?

—Desculpa, apenas fui pega de surpresa. - Respondi tomando o guardanapo das mãos dele e me secando sozinha. —E então? Ela é legal?

Ouvi um silêncio logo depois de perguntar e então, percebi ter passado dos limites.

—Desculpa, acho que quer apenas ser ouvido. - Disse baixo, mas o suficiente para que ele ouvisse.

—Eu não sei! Estou apostando tudo para que ela seja. Na verdade, eu quero que ela tenha uma vida melhor a partir de agora. - Falou ele me provando o contrário.

Ele parecia querer conversar para relaxar um pouco.

Toquei as mãos dele sentindo-o tirá-las de mim imediatamente se desfazendo do contato.

—Não está bebendo? Essa é a primeira vez que o vejo assim! - Falei voltando a segurar a lata de refrigerante com as duas mãos.

—Hoje eu quero apenas...a sua companhia! -Disse ele direto.

—Desculpa, mas já que estamos sendo sinceros eu gostaria de te dizer uma coisa. Sei que não temos intimidade para isso, mas...Assim que for acertar a noite de hoje, por favor escolha outra companhia. - Falei firme, agradecendo por não conseguir encará-lo.

Agradeci aos céus naquele instante por estar com os olhos vendados.

—Ah é? E por quê? - Perguntou se aproximando um pouco mais de mim. Eu pude sentir a fragrância do perfume encorpado de "X" me alcançar e logo as pontas dos dedos dele, tocaram os meus. —Está me abandonando?

—Não. Quero dizer...Sim! Eu disse aquele dia que, meu corpo não estava a venda e por isso, não quero mais permanecer aqui! -Falei me explicando.

—Então é por minha causa? -Perguntou ele, brincando com meus dedos.

—Não, mas acho que aqui n]ao é para mim. Não estou te menosprezando, só não quero ter esse tipo de vida! - Respondi me levantando em seguida.

—Pare! - Falou ele me ordenando e eu o obedeci. Me lembrei que quando eu havia entrado no quarto dessa vez, ele não me "revistou" e aquilo foi um pouco estranho.

A julgar que, "X" era muito exigente.

—O que devo fazer então? - Perguntou ele se colocando atrás de mim.

—Eu já te orientei a trocar sua companhia e...- Fui interrompida.

—Me referi ao conselho sobre a pessoa que gosto..."anjinha". - Falou ele me causando arrepios.

Naquele momento, senti um misto de alegria e medo percorrer a minha pele e istantes depois, as mãos de "X" tocou meus ombros, descendo pelos meus braços. Assim que ele tocou minhas mãos, "X" foi ousado o bastante para segurar minhas mãos e me virar para ele.

—Vá atrás dela! Você deveria estar com ela agora e não em um lugar como esse. - Respondi baixo, sentindo-o voltar o caminho até meus ombros me tocando com a ponta dos dedos.

—Na verdade eu vim até aqui para me despedir "Angel". - Falou cessando os toques de minha pele em seguida. —Posso te pedir uma coisa?

—Depende! -Respondi levantando o rosto para o ouvir melhor. Ele falava baixo, mesmo estando tão próximo de mim.

Em seguida, "X" passou a mão no meu pescoço me acariciando, subindo até o meu maxilar alisando minha bochecha e atrás da minha orelha em seguida.

—Me deixa te beijar? - Perguntou me fazendo gelar. Engoli seco e parece que ele percebeu, porque logo me soltou.

—Senhor "X". - Chamei passando a mão atrás do pescoço dele o puxando para mim. Com a outra mão livre, toquei o peito dele que estava exposto pela camisa aberta e então, mantive nossos lábios bem próximos.

Mas ao invés de o beijar, apenas o respondi da forma em que achei mais correta.

—Se algum dia nos encontrarmos lá fora, eu mesma o beijarei. - Falei o soltando, dando um passo para trás. Assim que dei de costas para ele, desfiz a venda de meus olhos e ao invés de jogar no lixo, olhei para o tecido rasgado na minha mão e apertando entre meus dedos.

Saí daquele quarto decidida a não me virar para matar a minha curiosidade em vê-lo, mas ao menos levei o tecido comigo como uma recordação.

...

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Comments (1)
goodnovel comment avatar
Elba Costa Crochê
Misericórdia, que capítulo foi esse! Tremendo aqui.
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