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Caoítulo 3: O alfa e a humana

Penulis: Evy
last update Tanggal publikasi: 2025-12-08 06:53:58

lareira e pelo rosnado contido de Dante enquanto encarava o mapa estendido na mesa de madeira maciça. Os anciãos observavam com olhares tensos, e Mason, seu beta, mantinha os braços cruzados, atento como um predador prestes a atacar.

— Ele foi visto em Silverpine ontem à noite — Mason disse, tocando com o dedo o ponto marcado no mapa. — Três testemunhas confirmam. Anton estava em sua forma de lobo e parecia estar farejando algo.

Um peso invisível caiu sobre a sala.

Anton.

O irmão mais velho de Dante.

E seu pior inimigo.

— Ele está planejando alguma coisa — sussurrou um dos anciãos, a voz rouca. — Sempre está.

— A questão é: atacamos primeiro? — perguntou outro. — Ou esperamos para ver o que ele quer desta vez?

Dante respirou fundo, todos poderiam estar em dúvida, mas ele já sabia a resposta.

— Nós não esperamos — disse, firme. — Esperar é dar a ele vantagem, e eu não dou vantagem ao inimigo.

Seu olhar era afiado como uma lâmina. A presença dele pesava tanto que os anciãos automaticamente baixaram o olhar em respeito.

Mason assentiu.

— Concordo. Mas antes precisamos entender por que ele estava tão perto de nossas fronteiras. Anton não faz movimentos à toa.

Antes que Dante pudesse responder, um som estridente atravessou a sala como uma punhalada.

O celular vibrava no bolso do alfa, mas ele ignorou e continuou analisando o mapa, mesmo quando o toque irritante parecia ficar cada vez mais alto.

Os anciãos franziram o cenho.

— Alfa… — um deles murmurou.

Dante ignorou de novo.

Mas o toque não parou.

Persistente.

Mason ergueu uma sobrancelha.

— Talvez seja importante…

Dante rosnou baixa, irritado, e finalmente atendeu.

— O que é? — esbravejou, sem sequer olhar o número.

Do outro lado, uma voz trêmula.

— D-Dante? É… é a Sandra…

o alfa rosnou, passando a mão livre pelos cabelos escuros.

— Onde está Kian? — perguntou imediatamente, a voz se tornando um grunhido.

— Eu… eu perdi ele — ela soluçou do outro lado. — Ele fugiu, alfa, eu juro que…

— VOCÊ O QUÊ? — o rugido dele sacudiu o cômodo. — Você deixou meu filho fugir?!

Sandra tremia do outro lado, olhando ao redor, sentindo um nó na garganta.

— Ele ficou bravo comigo, tentei correr atrás, mas ele é tão rápido, Dante, ele sumiu e eu…

— Cale a boca — cortou, seco. — Deixo você responsável por ele uma manhã e ele desaparece? É assim que diz que será a luna perfeita para a pporra da minha alcateia? Perdendo meu filho? 

Sem esperar resposta, desligou, deixando suas palavras duras pairarem no ar junto com o silêncio da mulher que, possivelmente, em breve seria sua companheira escolhida.

Quando ergueu os olhos, Mason já tinha entendido.

— Anton — o beta disse. — Se Anton está por perto e Kian está sozinho…

— Ele pode usá-lo contra mim — Dante completou, a mandíbula travada. — Ou pior.

A sala inteira sentiu o peso daquelas palavras.

Anton não hesitava, nunca hesitou, nem quando matou Celeste um ano atrás, e não o faria agora com o filho de Dante.

— Mobilizem todos — Dante ordenou. — Cada guerreiro, cada patrulheiro. Procurem em Storm City inteira. Se ele estiver com Anton…

Ele não terminou a frase.

Nem precisava.

Os lobos se levantaram às pressas, já enviando mensagens mentais à alcateia. Mason se aproximou.

— Onde você vai?

— Perto da escola — Dante respondeu, já caminhando. — Ele deve estar por ali.

— E se Anton já o pegou?

— Então o mundo inteiro vai ouvir quando eu arrancar a garganta do meu irmão.

***

Dante estacionou seu carro com uma freada brusca ao lado do parque de diversões e saiu do carro antes mesmo de desligá-lo, olhos percorrendo todo o espaço.

O cheiro estava fraco, mas ele conseguia sentir, o cheiro de seu filho era, para ele, inconfundível, mesmo entre tantas pessoas.

Mas não foi a única coisa que sentiu. 

Quando puxou o ar com força seus olhos ficaram automaticamente vermelhos vivo ao sentir um cheiro que ele nunca esqueceria.

Seu corpo inteiro ficou tenso.

Anton.

Era o cheiro do seu irmão, misturado ao cheiro de seu filho. 

O pânico tomou conta dele.

Se Anton tinha tocado seu filho…

Mas quando seus olhos encontraram a cena, o coração pareceu desacelerar um segundo.

Kian estava sentado num banco com sorvete na boca, que estava toda suja e exibindo um sorrisinho com bochechas inchadas de tanto sorvete.

E ao lado dele…

Uma humana.

O cheiro de Anton ficava cada vez mais forte conforme ele se aproximava, empurrando as pessoas para fora do camino, e ele percebeu que aquela humana tinha o cheiro de seu irmão, ela era a fonte, não Anton. 

— Solte meu filho, AGORA!

A mulher se assustou tanto que quase caiu do banco. Kian arregalou os olhos, largando o sorvete e pulando imediatamente, ficando na frente de Liana estendendo os bracinhos para abraçá-la.

— Papi, não briga com minha amiguinha!

Mas Dante não conseguia ouvir, o cheiro de Anton queimava suas narinas como fogo, era como se ele visse tudo vermelho, completamente dominado pelo ódio. Seu irmão trabalhava com humanos agora? Ela era uma capanga de Anton? Queria sequestrar seu filho?

Liana se levantou rapidamente.

— N-não! Eu não fiz nada! Só estava ajudando ele!

— Ele não precisa da sua ajuda — Dante rosnou. — LARGUE MEU FILHO!

Ele puxou Kian pelo braço, mas o pequeno lobo se retorceu como se sua vida dependesse disso, continuando preso a Liana, mesmo que ela mesmo tentasse empurrá-lo para o colo do pai raivoso. 

— NÃO! — Kian gritou, batendo no braço do pai. — Não quero ir com você! Você nem foi no meu recital!

Dante congelou.

O recital.

Droga.

Sandra havia prometido mandar fotos, ele estava em reunião, era importante, precisava parar Anton e proteger a alcateia.

Mas para Kian… Nada disso importava.

— Kian… Filho… — Dante começou, mas a voz dele saiu mais baixa do que esperava.

— EU NÃO QUERO FICAR COM VOCÊ! — o menino chorava descontrolado, soluçando e berrando, chamando atenção de todos no parque. — E MUITO MENOS COM A BRUXA!

Foi nesse momento que Sandra chegou correndo, completamente descabelada.

— KIAN! — ela gritou, vindo direto em direção ao menino. — COMO VOCÊ OUSA FUGIR DE MIM, SEU… — por um minuto, ela quase perdeu a compostura voltando a máscara passiva. — Eu fiquei preocupada, bebezinho! — tentou deixar a voz doce.

— Não se meta — Dante cortou, sério.— Você já fez demais!

Sandra recuou, ofendida.

Enquanto isso, Liana tentava se afastar, tremendo de medo, sem saber o que fazer.

— Eu… eu já vou… Vai com seu pai, menininho… — ela gaguejou. — Eu não quero problemas, só ajudei porque ele estava chorando, e sozinho, só isso…

Mas quando ela deu um passo para trás, Kian soltou um grito desesperado.

— NÃO VAI EMBORA! — o menino agarrou a mão dela com força. — Você é minha amiga! Não pode deixar Kian! Não quero ir com eles!

“Eles.”

A palavra atingiu Dante como uma facada.

Kian estava magoado com ele, magoado de verdade.

E por mais que Dante fosse duro, cruel, protegido por camadas de raiva e dever… A dor do filho sempre atravessava tudo, e hoje ele mesmo havia feito o pequenino sofrer. 

Kian o olhou, soluçando, com os olhos mais honestos do mundo.

— Ela cuidou de mim como a mami cuidava… — o garotinho murmurou,  rosto todo sujo de lágrimas e sorvete. — E você não veio.

Sandra fez um som indignado.

— Dante, você não vai permitir isso! Uma humana? Com seu filho? Isso é…

— Sandra — Dante disse, devagar, virando o rosto para ela. — Saia daqui. Agora.

Ela empalideceu.

— M-mas…

— Agora, antes que eu perca a paciência de verdade.

Sandra ficou séria mas não disse nada encarou a humana com puro ódio e então abaixou a cabeça se virando e saindo, entrando no carro que havia estacionado há alguns metros..

Mas o problema real estava parado bem na frente dele.

A humana com cheiro de Anton.

Dante encarou Liana de cima a baixo, os olhos analisando tudo, a respiração acelerada, a postura tensa, o medo.

E algo mais.

Ele sentiu.

Sentiu algo nela, algo que não deveria estar ali, algo que não pertencia a humanos, mas que ele não sabia como nomear.

O cheiro de Anton era muito forte para ser coincidência.

— Qual o seu nome? — Dante perguntou, a voz baixa, perigosa.

— Li… Liana — ela respondeu, tremendo.

— Tem onde ficar? — perguntou, vendo a bolsa jogada no chão ao lado do banco como ela tinha as palmas arranhadas e alguns rasgos na calça, além da maquiagem nos olhos meio borrada.

— Eu… eu me viro — ela disse rápido. — Não precisa se incomodar, eu já vou…

— NÃO! — Kian gritou de novo, agarrando a cintura dela como se quisesse fundir-se a ela. — Eu quero ficar com ela! Papi, por favor!

Dante fechou os olhos por um breve segundo.

Se Anton havia tocado naquela humana… Se ela era uma ameaça… Se estava infiltrada…

Ele precisava mantê-la perto, precisava saber quem ela era e porque tinha o cheiro do sue irmão.

E havia outra verdade, a mais importante:

Kian só pararia de chorar se ela fosse junto.

O alfa abriu os olhos devagar.

— Você vem — ele disse, firme. — Agora.

Liana piscou, surpresa.

— O quê? Não! Eu… Eu nem te conheço!

— Você vai entrar no carro — ele repetiu, a voz descendo para um timbre que não aceitava recusa. — Agora. Ou eu vou te jogar lá dentro e, acredite, se eu quiser ninguém nessa cidade vai me impedir. 

Kian olhou para ela, esperançoso, com os olhos marejados e o coração partido em cada batida.

Liana hesitou, e então o menino estendeu os bracinhos.

— Por favor… fica comigo…

O coração dela se partiu pela milésima vez naquele dia.

Ela suspirou.

— Tá… eu vou. Só… só por hoje.

Kian sorriu com toda felicidade do mundo, e Dante fez um gesto para o carro.

Liana caminhou com o garotinho nos braços, entrando no veículo chique, se sentando, desconfiada se aquele era um plano elaborado para traficar seus órgãos, ou se aquele cara era mesmo um ricaço e o menino seu filho.

Dante deu a volta no carro, mas antes de entrar, Mason se aproximou, sério.

“Dante” o beta disse, pelo link mental que tinha com seu alfa. “Isso é um erro. Essa humana tem cheiro do seu irmão. Isso pode ser uma armadilha.”

Dante respondeu apenas com um rosnado mental:

“ Eu sei o que estou fazendo você é meu beta, curve a porra da cabeça e me obedeça!”

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