LOGINCaio Silva RochaEstávamos nós três jogados nos sofás do centro da sala, destruídos, derrotados. Eu mantinha a cabeça afundada entre as mãos, os cotovelos apoiados nos joelhos, encarando o nada no tapete enquanto tentava assimilar o golpe. A imagem da Bruna descendo as escadas com a mala na mão e os olhos cheios de repulsa não saía da minha mente.Luan foi o primeiro a quebrar aquele transe maldito. Ele estava sentado no sofá oposto, com a cabeça tombada para trás contra o encosto, respirando fundo como se o ar faltasse nos seus pulmões. De repente, levou as duas mãos ao rosto, esfregando a pele com força.— Não... não, caralho! — murmurou, a voz falhando — A gente perdeu ela... Nós perdemos a nossa Coelhinha...Ele levantou a cabeça devagar, e o olhar dele, antes abatido, foi se transformando numa tempestade de puro ódio à medida que se fixava em Patrick. Patrick estava no outro canto do sofá, encolhido, pálido, com o olhar perdido no chão.— Tudo isso é culpa sua! — Luan esbravejou,
Bruna Marques Quando abri os olhos na manhã seguinte, levei alguns segundos para me situar. Por um brevíssimo instante, cheguei a pensar que tudo não passava de um pesadelo terrível, ou uma alucinação. Mas bastou um piscar de olhos mais atento para que a realidade voltasse como um soco no estômago. Bastou girar o rosto no travesseiro e encarar a mala cinza e grande, num canto do quarto, para que a dor da noite anterior voltasse rasgando meu peito de fora a fora. Não era um sonho. A marca roxa no pescoço do Patrick, o hálito de bebida, as desculpas esfarrapadas, tudo tinha sido dolorosamente real. Levantei da cama com o corpo pesado e a alma despedaçada. Caminhei até o banheiro, liguei o chuveiro no mais quente e me deixei ficar sob a água, tentando em vão lavar a sensação de traição que queimava na minha pele. Cada toque, cada palavra de carinho do Patrick agora parecia uma piada de mal gosto. Voltei para o quarto, vesti uma calça jeans s
Luan Silva Rocha A madrugada na mansão parecia ter congelado no tempo depois daquela ligação maldita. Nós três, eu, Caio e Bruna, ficamos na sala de estar esperando o maldito do Patrick aparecer. Assim que a porta da frente abriu e ele pisou em casa, com aquela cara de quem tava devendo e cobrado, Bruna não esperou nem dois segundos. Ela foi pra cima dele igual a um furacão, apontando o dedo na cara do infeliz e soltando os cachorros. — Onde você estava, Patrick? — disparou, a voz trêmula de ódio. — Eu só fui beber, Bruna. Relaxa — respondeu, tentando passar reto, mas foi o pior erro que poderia cometer. Bruna bateu o olho no pescoço dele e viu aquela marca roxa, um chupão bem evidente. Ela não pensou duas vezes. Avançou, empurrando o peito dele com força, descarregando toda a fúria. — Acha que sou otária? Eu sei que você tava com aquela piranha da Bianca! Você conseguiu o que queria, finalmente comeu ela, seu desgraçado! — Eu não fiz nada, Bruna! Juro que não fiquei com a Bian
Quando finalmente nos aquietamos, exaustos e suados, estava deitada entre os dois, a cabeça apoiada no peito de Luan enquanto a mão de Caio descansava sobre minha barriga. — Eu tô tão feliz que você nos perdoou, amor. — Luan sussurrou, a voz rouca roçando meus cabelos. Ele suspirou fundo, um som carregado de alívio. — Estava morrendo por dentro achando que tinha te perdido para sempre. — Eu também — admitiu Caio, levantando-se um pouco no cotovelo para olhar para mim. Um sorriso leve e sincero iluminava seus olhos. — Ter você aqui, assim... não tem preço, Coelhinha. Estou tão feliz agora que parece que meu peito vai explodir. Você não tem ideia do que é te ter de volta. Do que é te ouvir dizer que nos perdoa. — Vocês foram idiotas. Muito idiotas. Mas eu amo vocês. — respondi, estendendo a mão para tocar o rosto dele. Luan riu baixinho, beijando meu ombro. — A gente vai compensar cada segundo que te fez chorar. Cada lágrima. Eu prometo. — Prometo também — Caio completou, e então
Bruna Marques Estava no meu quarto, tentando me concentrar no livro que tinha em mãos. Mas as palavras dançavam diante dos meus olhos, sem fazer sentido algum. A discussão com Patrick ainda ecoava na minha mente, e aquela dor no peito parecia não querer diminuir. Alguém bateu na porta. Levantei os olhos e vi Luan parado na entrada, hesitante. Ele vestia apenas um samba-canção preto. — Posso entrar? — ele perguntou, a voz baixa. Assenti e voltei a atenção para o livro, fingindo que ele não estava ali. Luan entrou lentamente, se sentou na beira da cama e, com um gesto suave, tirou o livro das minhas mãos. — Bruna — começou, a voz carregada de angústia. — O que preciso fazer para você me perdoar? Eu o encarei em silêncio, o coração acelerado. Luan desceu da cama e, para minha surpresa, se ajoelhou diante de mim. Ele começou a beijar minhas coxas, os lábios macios subindo lentamente
Patrick Silva Rocha O som da batida grave da música eletrônica parecia fazer as paredes da casa nocturna vibrarem, mas nada naquela pista de dança conseguia desacelerar o turbilhão de pensamentos que queimava dentro da minha cabeça. Precisava anestesiar a raiva, o remorso e a sensação sufocante de estar perdendo o controle de tudo. Pedi mais um copo de uísque puro ao barman, virando a bebida ardida de uma vez só. — Você devia ir com mais calma, meu amor... — a voz aveludada e carregada de malícia de Bianca surgiu bem ao lado ao meu ouvido. Antes que pudesse afastá-la, ela se acomodou no banco ao meu lado. Estava usando um vestido vermelho ridiculamente curto, colado ao corpo, desenhando cada curva de forma apelativa. — O que você quer, Bianca? — murmurei, a voz já arrastada pelo excesso de álcool, mantendo os olhos fixos no copo sobre o balcão. — Eu só quero cuidar de você, Patrick. Você parece tão estressado... — disse, deslizando as unhas bem feitas pelo meu ombro, aproximando







