INICIAR SESIÓNAlejandroA sede da Máfia Montoya costumava ser um templo de silêncio rigoroso, ordens sussurradas e decisões frias que definiam o destino de Bogotá. No entanto, naquele final de tarde, o segundo andar da fortaleza parecia um hospício a céu aberto.— Eu disse para chamarem a equipe médica completa, um helicóptero e três ambulâncias de prontidão! Por que diabos ela ainda está sentada naquele sofá?! — minha voz ecoava pelos corredores, grave, alterada e tinindo de um desespero que eu jamais havia demonstrado nem nos piores tiroteios da minha vida.— Chefe, calma. Se a gente trouxer um helicóptero para o pátio principal, os rivais vão achar que a base foi invadida! — argumentou o Erick, ajustando os óculos tortos no rosto enquanto tentava conter a ansiedade, andando em círculos ao lado do Miguel.O Miguel, meu subchefe de ombros largos que não temia a morte, suava frio encostado na parede de carvalho.— O Erick tem razão, chefe... E olha, com todo respeito, a Rosário está ali dentro c
Rosário Antes que eu pudesse rir da reação dele, Alejandro já estava de pé logo abaixo de mim, os braços firmes estendidos para me segurar caso eu despencasse. Mas eu não caí. Com um movimento controlado, desmanchei a posição e escorreguei pela barra direto para os braços dele, que me suspenderam no ar num piscar de olhos, colando meu corpo ao seu. Ele me apertou contra o peito, a respiração quente batendo no meu pescoço, o rosto marcado por uma mistura de alívio e loucura. — Você estava deliciosa, minha rainha... Você me mata do coração, sabia? — ele murmurou contra a minha pele, a voz rouca e trêmula, me carregando como se eu não pesasse nada até o sofá grande de couro. Deitei sobre ele, rindo baixinho enquanto ajustava meu corpo por cima do dele, sentindo o calor do seu tronco me envolver. Levei uma mão até o rosto dele, acariciando a barba por fazer com um sorriso vitorioso. — Eu treinei para dançar para você, meu amor. O que você achou? Ele fechou os olhos por um insta
Rosário silêncio do apartamento em Bogotá era o refúgio perfeito depois daquela maratona de viagens e despedidas. Mas o tempo, implacável e generoso, fez questão de acelerar o ponteiro. Três meses se passaram em um piscar de olhos, transformando a rotina, os ânimos e o formato do meu corpo. Agora, com sete meses de gravidez, a barriga avantajada exibia o milagre que crescia dentro de mim, me deixando com uma aura diferente, mais plena, embora a curiosidade e os caprichos típicos dessa fase estivessem a mil por hora.Numa tarde cinzenta e fria na capital colombiana, enquanto ele revisava alguns relatórios na sala de estar, decidi que a calmaria tinha durado tempo demais.— Marido — chamei, arrastando os passos até ele e me inclinando sobre o braço da poltrona. — Vamos sair. Quero ir à boate.Alejandro ergueu os olhos do papel, a expressão endurecendo na mesma hora. Ele fechou a pasta com um suspiro pesado, já sabendo exatamente de qual boate eu falava — a nossa, fechada ao público
Rosário Chegou o grande dia da nossa partida, e o coração apertou. Eu confesso que não queria ficar longe da minha mãe. Estávamos todos nos despedindo na sala, um clima gostoso de despedida em família, embora a Andréia ainda estivesse para chegar. Como tínhamos passado os dias todos juntinhos, a saudade antecipada já batia forte. Minha mãe me abraçou forte e se despediu dizendo que ia me ver em breve, afirmando que, se precisasse, iria me visitar sozinha mesmo sem a Rosa — elas ainda estavam decidindo se a Rosa ia junto ou não.Com o peito cheio de carinho, nos abraçamos mais uma vez e começamos a caminhar em direção à saída. Quando já passávamos pelo portão, o carro do Gustavo estacionou de repente. Achávamos que seriam apenas ele e a Andréia, mas, para a nossa surpresa, a porta de trás se abriu e o Henrique desceu correndo em minha direção, me abraçando com força:— Titia, que saudade de você! Eu vou sentir muita falta.O Alejandro que caminhava ao meu lado, parou de inopino, arr
AlejandroDeixamos a casa para trás sem prolongar as despedidas e seguimos direto para o hotel no centro da cidade. Itajubá tinha aquela atmosfera de refúgio, uma calma que parecia blindar a nossa pequena suíte elegante de qualquer tempestade externa.Assim que trancamos a porta do quarto, o silêncio aconchegante nos envolveu. Ela suspirou fundo, os ombros caídos pela exaustão da viagem e das emoções do dia.— Preciso de um banho, marido... tô tão cansada — murmurou, com a voz manhosa.Me aproximei sem pressa, passei os braços ao redor da sua cintura e a puxe para perto, colando o corpo dela no meu.— Vem, eu te ajudo — falei baixinho, beijando o topo da sua cabeça.Desnudei-a com gestos lentos e cuidadosos, tirando cada peça com a devoção de quem queria apagar qualquer vestígio de cansaço daquele dia. Tirei minha roupa em seguida e a levei pela mão para o interior do box. Girei o registro e deixei a água morna cair sobre nós, lavando o mundo lá fora.Ela encostou a cabeça no meu
Alejandro Enquanto as mulheres ficavam na sala entre risadas e embrulhos de presente, chamei o Gustavo para ir até a área da piscina. Pegamos duas garrafas de cerveja gelada e fomos para o lado de fora. O ar puro e o som suave da água pareciam o cenário perfeito para aquela conversa que nós dois sabíamos que precisava acontecer.Dei um gole na cerveja, observando o reflexo do sol na água, dando espaço para que ele se sentisse à vontade. Gustavo respirou fundo, me encarou de frente e decidiu abrir o jogo, com uma honestidade que eu soube respeitar no mesmo instante.— Olha, Alejandro, eu te respeito de verdade por você tratar a minha cunhada da melhor forma. É nítido para todo mundo o quanto a Rosário está feliz ao seu lado, e eu te agradeço do fundo do coração por isso. Mas tem algo que eu preciso falar com você... É sobre o Henrique.Ele fez uma pausa, pesando as palavras, e continuou com a voz tomada pela firmeza de um protetor:— Para mim, Alejandro, o Henrique é um filho. Ele







