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Capítulo 6

last update publish date: 2026-09-12 09:12:22

Sebastian Callahan

Seguro a garota em meus braços e caminho apressado para dentro da casa.

Não sei exatamente o que estou fazendo.

Só sei que, no momento em que percebi o estado em que ela estava, meu corpo agiu antes que eu pudesse pensar.

Alguns homens responsáveis pela segurança da propriedade se aproximam, preocupados ao ver o que aconteceu, mas os afasto com apenas um gesto.

Não há nada que qualquer um deles possa fazer para ajudar.

Entro na sala e coloco Luna no sofá.

Pego o telefone e disco o número do médico que atende a minha família há anos.

Claro que os Callahan têm acesso direto à linha particular dele, por isso sou atendido pelo próprio doutor Reys.

Sebastian — Preciso que venha à minha casa imediatamente.

Falo sem esperar que ele diga qualquer coisa e encerro a ligação.

Em seguida, digito uma mensagem para Brandon, contando o que acabou de acontecer.

Ele estava no meio de uma reunião, mas aquilo era uma emergência e, com a minha autorização, a reunião poderia ser remarcada.

Brandon responde imediatamente, avisando que está a caminho.

Guardo o telefone e fico ali, observando a garota desmaiada no meu sofá.

Ela é tão pequena e delicada que, se não tivesse me falado a sua idade, eu poderia pensar que ainda era uma criança.

Mas isso provavelmente acontece porque ela está muito abaixo do peso.

Que tipo de vida essa menina levava?

Com certeza sofria demais nas mãos de quem deveria cuidar dela.

Aproximo-me e toco de leve a maçã do seu rosto, bem no local onde a marca dos dedos ainda está visível.

No mesmo instante, afasto a mão, evitando tocá-la novamente.

Tenho medo de machucá-la.

Ainda assim, continuo perto o suficiente para sentir o seu cheiro.

Não deveria prestar atenção nisso.

Mas é mais forte do que eu.

Estou curioso com essa garota.

Ela parece não conhecer nada do mundo.

Até o jeito com que segurou o telefone era o de alguém que nunca tinha feito aquilo antes.

Ela nunca sequer foi à escola.

Quanto mais penso no pouco que descobri sobre ela, mais perguntas surgem.

Quem a criou daquele jeito?

O que aconteceu dentro daquela casa?

E por que ninguém fez nada?

O médico chega justamente quando Luna começa a recuperar os sentidos.

Afasto-me para deixá-lo examiná-la.

Nesse instante, a porta da casa se abre com um estrondo e Brandon entra na sala correndo, claramente desesperado.

Brandon — Onde está a Luna? Ela acordou?

Pergunta assim que me vê.

Sebastian — Calma, cara. Ela acabou de acordar. O doutor Reys está examinando-a. Vem, vamos para outra sala conversar. Não podemos atrapalhar.

Puxo-o comigo para a sala de televisão e fecho a porta atrás de mim, para que ninguém ouça a nossa conversa.

Brandon — Não quero conversar agora. Quero ver a minha irmã!

Fala ansioso, e eu o entendo, mas ele precisa ficar calmo antes de ir falar com ela.

E eu preciso de algumas respostas.

Sebastian — Deixe o médico cuidar dela primeiro. Enquanto isso, nós conversamos.

Brandon percebe que estou certo e cede, sentando-se em uma das poltronas.

Brandon — Está bem. O que quer saber?

Sebastian — O que eu quero saber? Quero saber de tudo! Até esta manhã eu achava que você era filho único. Agora descubro que não só tem uma irmã, como ela vivia em cárcere privado, não tinha acesso a comida e era espancada. Como permitiu uma coisa dessas?

Brandon — Cárcere privado? Falta de comida? Espancamento? Do que está falando?

Sebastian — Porra, Brandon! Vai dizer que não sabia das condições em que sua irmã vivia? Estive com ela por menos de uma hora e percebi tudo isso. A garota está muito abaixo do peso ideal para alguém saudável, aparentemente nunca tinha pegado em um celular, vivia presa em casa a ponto de nunca ter ido a uma escola. E nem preciso falar dos espancamentos, já que você mesmo viu as marcas no rosto dela.

Brandon deixa um suspiro escapar e abaixa a cabeça.

Posso ver que está triste.

Eu o conheço bem.

Brandon — Não sabia que as coisas tinham chegado a esse ponto. Agnes nunca me contou nada quando eu ligava para ter notícias da Luna. Ela sempre dizia que ela estava bem. Acho que só não queria me preocupar, porque sabia que não havia nada que eu pudesse fazer. Não enquanto minha irmã não fosse maior de idade. Foi por isso que ela mandou Luna para mim agora.

Sebastian — Do que está falando?

Brandon — Tem um motivo pelo qual eu nunca falo do meu pai. Ele é um desgraçado, um miserável que, perante a sociedade, age como um homem de Deus, o pastor a quem todos admiram. Mas, em casa, é um verdadeiro monstro. Foi por isso que minha mãe se separou dele quando eu ainda era muito pequeno.

Minha mãe teve a sorte de ser acolhida pelos meus avós e conseguiu reconstruir a vida longe dele.

Pouco tempo depois, soubemos que ele havia se casado novamente com uma garota de dezoito anos que tirou do orfanato que a igreja dele administra.

Sebastian — A mãe da Luna.

Concluo, e ele faz que sim com a cabeça.

Sebastian — E o que aconteceu com ela?

Pergunto, ainda sem acreditar que uma mãe seria capaz de ser conivente com os maus-tratos à própria filha.

Brandon — Ela morreu no parto da Luna. Eu tinha oito anos quando tudo aconteceu. Não lembro muito bem dos acontecimentos em detalhes, só sei que, a partir daí, a Justiça obrigou a minha mãe a deixar meu pai me ver. Dois finais de semana por mês, eu era mandado para a casa dele.

Sebastian — Foi quando passou a conviver com a Luna?

Brandon — Sim. Ela era o bebê mais lindo que eu já tinha visto. Lembro que adorava o sorriso banguela dela e aqueles olhinhos dourados. Ela era o único motivo que me fazia querer ir para a casa do meu pai. Ele nunca tentou se aproximar de mim de verdade. Só queria me arrastar para a igreja e me obrigar a seguir os passos dele.

Não consigo segurar a risada incrédula que escapa.

Sebastian — Não, espera. O seu pai queria que você fosse... pastor?

Brandon — Dá para acreditar?

Fala e solta uma risada sem humor.

Brandon — O fato é que eu nunca aceitei fazer a vontade dele. E, na vez em que bati o pé e disse que não iria à igreja, ele me deu uma surra tão grande que fui parar no hospital. Minha mãe, é claro, ficou furiosa e entrou na Justiça com um pedido de revogação das visitas. Foi assim que todo o meu contato com o meu pai foi cortado.

Lembro de ter dito à minha mãe que precisava voltar lá, que tinha que proteger minha irmãzinha, mas ela foi irredutível.

Até pedi que ela tentasse pegar a guarda da Luna. Ela tentou, mas, como não tinha nenhum laço familiar com ela, a Justiça negou o pedido.

Meu pai ficou furioso quando soube daquilo e cortou todo o meu contato com a Luna.

Todas as notícias que eu tinha dela eram dadas pela Agnes, a governanta da casa. Ela me mandava fotos da minha irmã e sempre dizia que ela estava bem.

E eu sempre deixei claro que estaria aqui quando a Luna precisasse.

Sebastian — Caralho!

Exclamo, embasbacado com tudo o que acabei de ouvir.

Sebastian — E a sua irmã está realmente precisando de você.

Comento, sem saber mais o que dizer.

Antes que ele consiga responder, ouvimos batidas na porta.

Brandon se apressa em abri-la e dá de cara com o médico, que nem sequer se dá ao trabalho de entrar.

Ele apenas nos encara com preocupação.

Dr. Reys — Já terminei de examinar a senhorita Smith.

Brandon — E como ela está?

O médico olha para ele por alguns segundos antes de responder.

Dr. Reys — Ela está muito pior do que aparenta.

Sinto meu corpo ficar tenso.

Dr. Reys — E vocês precisam levá-la para o hospital imediatamente.

Olho na direção da sala onde Luna está.

Que inferno aquela garota tinha vivido para chegar àquele estado?

Eu não sabia a resposta, mas sabia de uma coisa: enquanto estivesse sob o meu teto, ninguém mais faria mal a ela.

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