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Capítulo 7

last update publish date: 2026-09-12 09:13:01

Luna Smith

Acordo com um senhor que nunca vi antes me examinando. O susto é instantâneo. Afasto-me do toque dele e tento me levantar, mas a dor em minhas costelas, que vinha me incomodando desde os chutes que recebi do meu pai, faz meu corpo se retrair, e volto para a mesma posição imediatamente.

Dr. Reys — Fique calma, não vou te fazer mal. Sou médico, doutor Reys. Estou cuidando de você a pedido do senhor Callahan.

Fala tentando me tranquilizar.

Luna — Callahan?

Pergunto sem reconhecer o nome.

Dr. Reys — Sebastian Callahan.

Diz o nome completo.

Luna — Onde ele está?

Pergunto, ainda desconfiada do médico que não conheço. Quero a presença do Sebastian. É estranho eu me sentir um pouco mais tranquila sabendo que ele está por perto, afinal, acabamos de nos conhecer também, mas acho que é porque o Brandon confia nele.

Dr. Reys — Ele está na sala ao lado conversando com o senhor Foster.

Luna — Quem é o senhor Foster?

Dr. Reys — O senhor Brandon Foster é amigo do senhor Ca...

Luna — Meu irmão está aqui? Ele já chegou? Eu quero vê-lo!

Interrompo o médico, ansiosa para ver o meu irmão, e me pergunto por que ele não usa o mesmo sobrenome que eu, o sobrenome do nosso pai.

Dr. Reys — Então deixe-me terminar de examinar a senhorita e eu o chamo de volta.

Pede com calma, e eu relaxo o corpo. Se meu irmão está aqui, não preciso mais ter medo. Sebastian também está com ele, e isso me faz sentir um pouco mais segura, mesmo sem saber explicar o motivo.

O médico me pede para levantar a blusa e vê todos os hematomas que eu escondia ali.

Sinto-me envergonhada. Não queria que ninguém visse aquilo. Já bastava verem o meu rosto machucado.

Algumas marcas ainda são de surras passadas que não desapareceram completamente. Já as mais fortes são da noite anterior, e essas são as mais dolorosas, tanto que solto um gemido de dor quando ele as toca.

O doutor também examina o meu rosto e faz algumas perguntas sobre a minha alimentação.

Como eu poderia dizer a ele que, na maioria dos meus dias, eu era obrigada a jejuar como penitência por pecados que eu nem sabia que tinha cometido? Bastava eu olhar para o lado e já era acusada de estar agindo contra a minha religião.

E, quando eu podia comer, era sempre muito pouco, pois não podia cometer o pecado da gula.

Pedir para repetir, então, era uma das piores coisas que eu poderia fazer. Com o tempo, simplesmente aprendi a conviver com a fome. Só conseguia comer um pouco melhor quando papai viajava e tia Agnes me deixava comer o quanto aguentasse.

O engraçado é que o prato do papai sempre estava cheio, e eu nunca o via fazer jejum.

Dou respostas superficiais ao doutor, pois não poderia contar toda a verdade a ele. Isso também era algo de que eu tinha vergonha. Afinal, a culpa era minha por ser uma pecadora, e eu não queria que ninguém soubesse disso.

Quando ele termina, pede para eu esperar e vai chamar o meu irmão. Eu até queria me sentar enquanto espero por ele. Queria parecer mais apresentável e mais saudável diante dele, mas é impossível.

Não consigo me mover sem sentir uma dor insuportável nas costas. Dor essa que venho ignorando desde que fugi de casa e que piorou depois das horas de viagem e de espera na rodoviária. Agora estou no meu limite.

Brandon — Luninha!

Ouço a voz do meu irmão antes mesmo de ele aparecer em meu campo de visão.

Brandon entra correndo na sala e, quando chega ao sofá onde estou deitada, tenta me segurar em um abraço, mas o grito abafado que dou o faz se afastar imediatamente.

Brandon — O que aconteceu com você, Luninha? Foi aquele... desgraçado quem fez isso?

Pergunta, me encarando com uma mistura de desespero e raiva. Mas o que mais me choca é o fato de ele chamar o nosso pai por aquele nome horrível, como se não houvesse nada de errado.

Tenho medo de que o chão se abra sob os pés dele e ele seja sugado para o inferno. Afinal, xingar os pais daquela maneira era considerado uma blasfêmia muito grave.

No entanto, nada acontece.

É estranho ver que tudo continua igual.

Seguro a mão dele e a aperto, esperando que ele entenda que não quero falar sobre aquilo.

Luna — Estou bem, Brandon.

Solto com a voz fraca, mesmo tentando disfarçar.

Sebastian também entra na sala.

É impossível não notar sua presença. Era como se ele dominasse todo o ambiente.

Acho-o tão bonito que simplesmente não consigo parar de olhar para ele. É vergonhoso quando ele percebe meu olhar, e por isso volto minha atenção para Brandon, tentando ignorar a presença de Sebastian encostado no batente da porta, com as mãos nos bolsos.

Luna — É sério, Brandon.

Insisto quando vejo a cara incrédula dele.

Dr. Reys — Na verdade, a senhorita não está nada bem. Já conversei com o seu irmão. Precisaremos levá-la para o hospital. Suspeito que esteja com algumas costelas quebradas. Temos que fazer um raio-X. A senhorita também aparenta estar com uma desnutrição severa, talvez até anêmica. Teremos que deixá-la internada por alguns dias para tratar disso também.

Declara o médico.

Olho para Brandon, apavorada. Tudo o que tenho são alguns trocados que tia Agnes me deu para fugir. Não tenho como pagar uma conta hospitalar.

Luna — Não, não precisa!

Brandon — É claro que precisa. Você ouviu o médico. Tem que ser internada.

Puxo a barra da camisa dele para que se abaixe e, quando ele o faz, falo baixinho em seu ouvido.

Luna — Não tenho dinheiro para pagar a conta do hospital. Eu... me cuido sozinha.

Meu irmão me dá um sorriso triste, mas determinado.

Brandon — Não se preocupe, Luninha. Eu cuido de tudo. Nunca mais estará sozinha.

As palavras dele me dão vontade de chorar. Não de medo ou de tristeza, mas de felicidade, porque naquele momento entendo que Brandon nunca tinha me abandonado, nem me esquecido como o meu pai me disse tantos anos atrás, quando perguntei por ele.

Brandon — Vem, vou te carregar no colo. Nós vamos para o hospital.

Brandon tenta me pegar, mas não consegue me acomodar em seu colo de um jeito que não me cause dor.

Sebastian — Deixa que eu levo ela.

O amigo do meu irmão fala com aquela voz grave que, por algum motivo que eu não sei explicar, me dá um frio na barriga.

Brandon dá espaço para ele, que se aproxima e, com cuidado, me pega no colo como se eu não pesasse nada, sem encostar em nenhum dos meus machucados.

Sebastian — Você dirige. Eu vou no banco de trás carregando ela. Sua irmã não vai conseguir se mover para sentar.

Brandon — Tudo bem, então vamos logo.

O doutor Reys já tinha ido na frente, no próprio carro, e nós o seguimos do jeito que Sebastian sugeriu.

Ele entra no banco de trás comigo sem nenhuma dificuldade e me mantém confortável durante todo o percurso, sem que eu sinta qualquer dor.

Ali, encostada nele, posso sentir o seu perfume. Não é nada que eu consiga identificar, mas é bom... muito bom.

Então me permito fechar os olhos para senti-lo melhor. A presença dele me deixa calma, mas talvez seja porque meu irmão está ali, tão perto, cuidando de mim como deveria ter feito desde o começo.

Ainda assim, há alguma coisa em Sebastian que me faz sentir segura.

Não sei o que é.

Talvez seja a maneira cuidadosa como ele me segura, ou a forma como não faz perguntas que não estou pronta para responder.

Só sei que, pela primeira vez em muito tempo, consigo fechar os olhos sem medo.

E isso é uma sensação boa.

Mas, enquanto o carro segue em direção ao hospital, uma pergunta surge em minha mente, tão silenciosa quanto inesperada: por que eu me sinto segura justamente nos braços de um homem que conheci há tão pouco tempo?

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