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capítulo 5

last update Data de publicação: 2026-09-12 09:10:58

Sebastian Callahan

Assisto à garota pequena, de aparência frágil e que se veste como uma senhora de setenta anos, me observar, parecendo impressionada com alguma coisa. Em seguida, ela fecha os olhos por alguns segundos antes de abri-los novamente e só então parece acreditar que eu estou realmente ali.

Luna — Quem é você?

A voz soa tão angelical quanto acredito que o seu rosto jovem seja por trás de todos aqueles hematomas.

Quem seria tão covarde a ponto de machucá-la assim?

Minhas mãos se fecham com força quando vejo o roxo e o inchaço em seu olho esquerdo. Mesmo sem querer, noto que a íris é de um tom dourado, bastante incomum e bonito, tenho que admitir.

Não bastasse isso, há a marca de uma mão bem na sua bochecha, além de um corte significativo em seu lábio inferior.

Quando Brandon me pediu, ou melhor, me implorou para buscar a irmã que eu nunca soube que existia na rodoviária, não imaginei encontrar nada parecido com o que estou vendo.

Essa garota parece estar fugindo do inferno.

Sebastian — Meu nome é Sebastian. Sou um amigo do seu irmão. Ele tinha uma reunião da qual não poderia faltar esta manhã e me pediu para vir te buscar.

Respondo finalmente, percebendo que meu silêncio estava começando a parecer estranho. Eu a analisei por tanto tempo que já estava começando a parecer um maluco.

Luna — Não posso ir com você.

Franzo a testa, confuso.

Sebastian — Por quê?

Luna — Tia Agnes me falou para sair da rodoviária somente com o Brandon e disse que eu não podia confiar em mais ninguém.

Sebastian — Justo. Você não me conhece.

Concordo com ela. Afinal, a garota parece nunca ter viajado sozinha antes.

Enfio a mão no bolso e retiro meu celular.

Faço uma chamada de vídeo para Brandon, que rapidamente atende.

Brandon — Achou a minha irmã? Ela está aí com você?

A imagem dele surge acompanhada da voz aflita.

Sebastian — Sim, eu a encontrei. Estou de frente para ela neste momento, mas preciso provar que te conheço ou ela não vai aceitar vir comigo.

Ele parece entender a situação e balança a cabeça em concordância.

Brandon — Deixa eu falar com ela.

Assinto e entrego o telefone para Luna.

Até o nome dela parece combinar com a inocência que existe em seu rosto.

Luna.

É um nome muito bonito. Combina com ela.

Observo quando ela pega o aparelho como se nunca tivesse tocado em um antes, e seus olhos dourados se arregalam ao ver a imagem de Brandon na tela.

Luna — Brandon! É você?

Pergunta, abrindo um sorriso admirado.

Brandon — Sou eu, Luninha. O que aconteceu com o seu rosto?

Luna — Ah, isso não foi nada. Eu só me machuquei quando caí da escada.

Até eu, que não sei nada sobre ela, consigo perceber que está mentindo.

Brandon — Não minta para mim, Luninha.

Luna — Não quero falar sobre isso. Você não vem me buscar?

Tenta desconversar e muda de assunto.

Brandon — O Sebastian é como um irmão para mim. Eu confio nele e você também pode confiar. Ele vai te levar para casa e, assim que essa reunião terminar, eu vou te encontrar.

Luna — Tudo bem. Só não quero incomodar.

Brandon — Você não incomoda em nada. E, quando eu chegar, nós vamos conversar. Quero saber direitinho o que aconteceu e depois vou te levar a um hospital para ver esses machucados.

Luna — Não precisa. Eu estou bem.

Brandon — Com esse rosto todo machucado? Duvido muito. Nós vamos ao médico, sim.

Luna — Está bem.

Ela finalmente cede.

Brandon — Eu preciso desligar agora. Estou entrando na sala de reuniões. Logo estaremos juntos.

Vejo-a balançar a cabeça em concordância e dar um pequeno sorriso para ele, mas parece se arrepender no mesmo segundo, pois faz uma careta e leva a mão ao corte na boca depois que me entrega o celular.

Brandon — Obrigado por isso, irmão. Prometo te explicar tudo depois.

Fala comigo antes de desligar.

Vai ter que se explicar mesmo.

Brandon nunca me contou que tinha uma irmã.

Na verdade, ele nunca falou muita coisa sobre a família. Eu só conhecia a mãe e o padrasto dele e, durante todo esse tempo, achei que ele fosse filho único.

E olha que, de nós dois, ele sempre foi o mais comunicativo. Era sempre o cara carismático que fazia amizades por onde passava e que pegava garotas aos montes na faculdade.

Não que eu não pegasse também, mas sempre fui mais discreto, cauteloso e desconfiado. Algo que se aprende desde cedo quando se nasce herdeiro de um império.

É preciso saber identificar quando alguém se aproxima por puro interesse, o que acontece na maioria dos casos.

Eu não me importo quando são mulheres dispostas a abrir as pernas para mim. Só as uso e descarto, embora a maioria também curta a minha aparência e os orgasmos que lhes proporciono.

No fim das contas, acho que falar sobre o resto da família era um assunto sensível para ele e, a julgar pelo estado da sua irmã, eu entendo o porquê.

Sebastian — Podemos ir?

Pergunto.

Luna — Sim.

Ela me responde sem graça.

Pego sua bagagem e faço sinal para que me siga.

Vejo quando se levanta e, mais uma vez, faz uma careta de dor. Ao que parece, os machucados não estão apenas em seu rosto.

Dá para perceber, pelo modo meio encurvado como anda, que existe muito mais além do que se pode ver.

Brandon tem razão de querer levá-la ao médico.

Luna — Me desculpe.

Fala quando alcançamos o estacionamento.

Sebastian — Pelo quê?

Luna — Por não ter acreditado em você e ter te feito ligar para o meu irmão.

Sebastian — Tudo bem. Sei que agiu por cautela. Foi o certo a se fazer.

Luna — É que... foi a primeira vez que viajei e, antes disso, nunca tinha ido nem ao jardim da minha casa sem alguém me acompanhando.

Fala como se aquilo fosse algo completamente normal.

Olho para ela e não seguro a pergunta.

Sebastian — Quantos anos tem?

Luna — Tenho dezoito. Daqui a alguns dias faço dezenove.

Sebastian — E nunca saiu sozinha?

Luna — Não.

Sua voz, que já é baixa, sai ainda mais baixa, e percebo que está envergonhada. Mas estou chocado demais para parar de perguntar.

Sebastian — Nem para ir à escola?

Luna — Meu pai não me permitiu ir à escola. Fui educada em casa.

Finalmente entendo que o drama é muito maior e mais complicado do que imaginei e decido não fazer mais nenhuma pergunta.

Paramos em frente ao meu carro e ela fica me olhando enquanto guardo sua mala no banco de trás.

Sebastian — Está tudo bem?

Questiono, sem entender o que tanto chama a atenção dela na minha figura.

O rosto dela fica vermelho e ela desvia o olhar imediatamente.

Luna — Tudo.

É só o que diz.

Abro a porta do passageiro para ela e coloco o cinto de segurança quando percebo que está com dificuldade para se mover.

Mas me arrependo na mesma hora ao sentir o cheiro dela.

E que Brandon me perdoe, mas é bom para caralho.

Não sei bem identificar o que é, mas me lembra as flores do campo, iguais às da fazenda do meu avô, onde costumava passar os verões quando era moleque. Lá era o único lugar em que eu podia ser livre, sem a vigilância constante dos seguranças que sempre andavam comigo.

É um cheiro que me remete à infância e, ao mesmo tempo, é feminino e doce. Nunca tinha sentido esse perfume antes.

Me afasto rápido demais, e ela percebe, pois franze o cenho.

Para a minha sorte, ela não faz nenhum comentário.

Não posso achar a irmãzinha do meu melhor amigo cheirosa.

Dou a volta e entro no lado do motorista.

O caminho até a minha casa não é longo. Levamos exatos vinte e cinco minutos para chegar à mansão onde Brandon e eu moramos.

O lugar é grande, e cada um de nós tem a sua própria ala, embora, tirando algumas festas com pessoas do nosso círculo de amizades, ninguém mais venha até aqui.

Sebastian — Chegamos.

Anuncio, já retirando meu cinto e olhando para ela.

Luna — É aqui que o Brandon mora?

Sebastian — Sim. E eu também.

Luna — Parece muito grande só para duas pessoas.

Comenta sem parecer impressionada.

Sebastian — Gostamos de espaço.

Luna — Estou vendo.

É só o que diz.

Então saio do carro e dou a volta, abrindo a porta para ela e retirando seu cinto.

Luna desce, fingindo que não precisa da minha ajuda, mas é nítido o quanto isso lhe causa dor.

E, no momento em que dá o primeiro passo, percebo que algo está errado.

Ela parece ficar tonta.

Seus olhos se fecham e, no segundo seguinte, seu corpo perde a força.

Seguro-a antes que atinja o chão.

Sebastian — Luna!

Meu coração dispara enquanto olho para o seu rosto machucado.

Ela está inconsciente em meus braços, leve demais para uma garota da sua idade.

Aperto-a contra o meu peito, sem saber o que fazer por alguns segundos.

Quem faria uma coisa dessas com uma garota tão indefesa?

Que tipo de monstro seria capaz de olhar para alguém como Luna e enxergar nela um alvo para tanta crueldade?

A pergunta permanece na minha cabeça enquanto a carrego para dentro.

E, pela primeira vez, sinto uma necessidade que não consigo explicar.

Preciso protegê-la.

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