INICIAR SESIÓNEscritaCapítulo 13 — O gosto do primeiro beijoEu precisava admitir uma coisa: aquela festa estava sendo muito melhor do que eu imaginava.No começo, fiquei meio deslocada. Não conhecia praticamente ninguém, não sabia direito como agir e ainda tinha aquela sensação de que todo mundo estava me observando para descobrir quem eu era.Mas, depois de alguns minutos, Luciana já tinha feito amizade com metade das mulheres da festa, e eu estava começando a me soltar também.Conheci Renata, a esposa de Marcelo, e Camila, prima de Tiago. As duas eram simpáticas, bonitas e tinham aquele jeito de mulher que não precisava ficar se esforçando para chamar atenção.Camila tinha cabelos compridos e escuros, usava um vestido vinho e um sorriso fácil.— Então você é a famosa Penélope? — perguntou, sentando ao meu lado.Suspirei.— Lá vem essa história de famosa.Ela riu.— Não se preocupe. Tiago não falou muita coisa. Mas minha tia comentou que você tem personalidade forte.— Minha mãe diz a mesma co
Tiago se afastou um pouco para falar com um homem e a safada da Luciana que me deixou sozinha voltou,ele ficou de longe observando a gente conversando e rindo parecia um idiota,depois se aproximou novamente.— Você está sempre tão feliz quando me vê— Depende. Você está sempre aparecendo quando eu estou tentando ter paz?Luciana começou a rir.— Vocês dois parecem um casal de velhos casados.— Luciana! — reclamei.Tiago deu uma risada discreta.— Pelo menos ela parece gostar da nossa conversa.— Ela gosta é de se meter onde não é chamada — respondi.Ele colocou as mãos nos bolsos e olhou de uma para outra.— Na verdade, vim fazer um convite.Luciana imediatamente se ajeitou no banco.— Convite? Gosto dessa palavra.Tiago sorriu.— Hoje à noite vai ter uma comemoração lá em casa. Uma coisa pequena, nada muito formal. — Comemoração de quê?— Um encontro entre algumas pessoas próximas. Ele fez uma pequena pausa antes de continuar:— Não vai muita gente. Acho que vocês vão gostar.Luc
Eu dormi.Quer dizer...Mais ou menos.Depois daquela noite maluca, eu tinha tomado banho, colocado uma roupa qualquer e me jogado na cama. Meu corpo estava pedindo descanso, mas minha cabeça parecia ter decidido abrir uma reunião extraordinária.E o assunto da reunião era um só.Tiago.Eu fechava os olhos e lembrava da varanda.Abriam-se na minha cabeça as luzes da cidade lá embaixo.O vento.A piscina.A conversa.Aquele homem falando do pai com uma expressão que eu nunca tinha visto nele.E depois vinha o maldito sanduíche.Eu ainda não acreditava que ele sabia fazer aquilo.— Que ódio — murmurei, enterrando o rosto no travesseiro.Virei para o outro lado.— Eu não tô gostando dele.Fiquei em silêncio.— Não tô.Mais alguns segundos.— Talvez um pouquinho.Levantei a cabeça de repente.— Não! Tá maluca, Penélope?Joguei o travesseiro para o outro lado da cama.— Eu não vou começar essa palhaçada.Foi nessa hora que ouvi minha mãe bater na porta.— Penélope?— Oi!— Você está acorda
Eu estava cansada.Muito cansada.Mas, ao mesmo tempo, parecia que minha cabeça tinha tomado umas três latas de energético.Eu não conseguia parar de pensar na noite.Na varanda.Na conversa com Tiago.No jeito que ele tinha falado do pai.No sanduíche.No sorriso.No maldito sorriso.— Para, Penélope — murmurei para mim mesma enquanto abria a porta de casa. — Você tá ficando doida.Entrei devagar, tentando não fazer barulho.Fechei a porta com o maior cuidado do mundo.Dei dois passos.Três.E, quando virei para entrar no corredor...— Bom dia.Eu quase pulei no teto.— CARALHO!Levei a mão ao peito.Minha mãe estava sentada na cadeira da cozinha, com os braços cruzados e uma expressão de quem estava esperando aquele momento fazia horas.— Mãe!Ela segurou o riso.— Que foi?— Você quer me matar?— Eu só falei bom dia.— Bom dia nada! Você ficou aí escondida igual uma assombração!Ela começou a rir.— Assombração?— É! Eu quase tive um negócio aqui.Minha mãe balançou a cabeça.— Voc
Quando Luciana finalmente decidiu ir embora, eu já estava quase dormindo em pé.— Eu vou nessa, Penélope — ela disse, ajeitando a bolsa no ombro. — Amanhã a gente se fala.— Vai com Deus.— Você também. E não faz merda.Olhei para ela, indignada.— Eu? Fazer merda?Gabriel, que estava ao nosso lado, soltou uma risada.— Você tem um histórico.— Cala a boca, Playboy.Ele levantou as mãos.— Tô quieto.Luciana riu.— Boa noite, vocês dois.— Boa noite — respondi.Gabriel também se despediu e tomou o caminho dele.Fiquei alguns segundos parada, olhando os dois se afastarem pela rua.O baile já tinha acabado de vez.As caixas de som estavam silenciosas. Algumas luzes ainda permaneciam acesas, iluminando a rua quase vazia. O chão estava cheio de marcas da noite, copos espalhados aqui e ali, e o cheiro de comida, bebida e fumaça ainda pairava no ar.O morro parecia outro depois que a música acabava.Mais quieto.Mais íntimo.Eu respirei fundo e comecei a caminhar para casa.Meu corpo estava
O baile foi diminuindo aos poucos.A música, que antes fazia o chão parecer tremer, começou a baixar. As luzes continuavam piscando, mas já tinha menos gente dançando. Alguns casais foram embora de mãos dadas, outros grupos ficaram espalhados pelas ruas, conversando, rindo e comentando tudo o que tinha acontecido durante a noite.Eu estava cansada pra caralho.Mas também não queria ir embora.Sentada num muro baixo perto da entrada do baile, eu tirei uma das botas e massageei o pé.— Nunca mais uso esse negócio — resmunguei.Luciana olhou para mim e começou a rir.— Você fala isso toda vez.— Porque toda vez eu sou idiota e uso de novo.Gabriel, que estava sentado do outro lado, olhou para minhas botas.— Mas ficou bonito.Levantei a cabeça devagar.— O quê?Ele apontou para meus pés.— A bota. Ficou bonita.— Ah.Coloquei a bota de volta.— Achei que você estivesse falando de mim.Ele arregalou os olhos.Luciana quase caiu do muro de tanto rir.— Meu Deus, Penélope! — ela conseguiu d







