Home / Romance / A gêmea errada do CEO / Capítulo 6 — Clima intenso

Share

Capítulo 6 — Clima intenso

Author: Lira
last update publish date: 2025-11-01 01:53:32

Milena deu um passo para trás, envergonhada. O calor subiu ao seu rosto, tingindo suas bochechas de um leve tom rosado. Ela passou uma das mãos pelos cabelos, tentando disfarçar o nervosismo, enrolando uma mecha entre os dedos como se aquilo pudesse lhe dar alguma segurança.

— Desculpa... — disse, com a voz baixa, quase engolida pelo som da água caindo. — Não foi a minha intenção... eu só queria um pouco de água.

Ela evitava olhar diretamente para ele, mantendo os olhos fixos no chão de mármore polido. Aquele lugar era grande demais, silencioso demais. Sentia-se pequena ali, como se estivesse invadindo um mundo que não lhe pertencia.

— Por isso vim até aqui... — continuou, hesitante. — Segui o barulho do chuveiro.

Alerrandro a observava em silêncio. Um sorriso inesperado se formou em seus lábios, não um sorriso de sarcasmo ou ironia, mas algo genuíno, quase doce. Era estranho. Lorena nunca o fizera sorrir assim. Nunca o desarmara com um simples gesto ou uma desculpa tímida. Mas aquela mulher, que ele acreditava ser sua esposa, parecia tocar algo dentro dele que ele não sabia que ainda existia.

— Água?... — murmurou, mais para si do que para ela. Sua voz saiu como um sussurro, carregada de surpresa e curiosidade.

Seus olhos verdes a percorreram lentamente, de cima a baixo, não com desejo, mas com uma atenção quase reverente. Ele queria entender o que havia mudado. Por que aquela mulher parecia tão diferente? Seus lábios se entreabriram, como se quisessem dizer algo, mas nenhuma palavra veio. Ficou apenas olhando, por longos segundos, como se tentasse gravar cada detalhe dela.

Alerrandro deslizou a mão sobre o sabonete, os cabelos já úmidos começando a grudar na testa. Com movimentos lentos, começou a desabotoar novamente a camisa branca, agora pesada pela água. Milena o observava em silêncio, a boca entreaberta, os olhos fixos nele como se estivesse hipnotizada.

— Me espera no quarto... — disse ele, com um tom mais suave. — Eu levo a água pra você assim que sair do banho. Já que você... esqueceu onde fica.

Milena tentou responder, mas as palavras se embaralharam.

— É que eu... Eu...

Alerrandro se aproximou, com um olhar mais intenso. Estendeu a mão e segurou levemente o braço dela, sem força, apenas o suficiente para fazê-la parar.

— Gosta de me provocar?... É isso? — perguntou, com um sorriso enviesado, mas sem malícia.

O toque dele a fez estremecer. Não pela força, mas pela confusão que aquilo causava. Milena se soltou com delicadeza, sem dizer mais nada, e voltou para o quarto com passos apressados. O coração batia forte, como se quisesse escapar do peito.

Ela se sentou na beirada da cama, os dedos apertando o lençol com força. A verdade pesava dentro dela, como uma pedra. Queria contar. Precisava contar. Mas toda vez que tentava, algo a impedia. O medo de não ser acreditada. O medo de perder aquele cuidado que, pela primeira vez, alguém lhe oferecia.

E então, o silêncio do quarto voltou a envolvê-la. Mas agora, não era apenas silêncio, era um segredo que crescia, esperando o momento certo para ser revelado.

Minutos depois, Alerrandro surgiu novamente no quarto. Seus cabelos ainda estavam úmidos, com pequenas gotas escorrendo pelas têmporas. Passou por Milena com um olhar breve, sem dizer nada, e entrou no banheiro do quarto. O som da porta se fechando foi suave, mas Milena sentiu como se tivesse prendido a respiração.

Quando ele saiu, vestia um pijama largo, listrado em tons sóbrios, que contrastava com a elegância habitual de seus trajes. Enxugava os cabelos com uma toalha branca, os movimentos lentos, quase distraídos. Caminhou até a mesa do lado esquerdo do quarto, onde repousava um vaso de vidro com água fresca. Com elegância e precisão, derramou o líquido num copo, sem pressa, como se cada gesto tivesse um propósito.

Depois, com o copo na mão, caminhou lentamente até Milena, que permanecia sentada na beirada da cama. Seus dedos apertavam o lençol, e seus olhos estavam fixos no chão, como se evitassem qualquer contato visual.

Alerrandro se sentou ao lado dela, mantendo uma distância respeitosa, mas próxima o suficiente para sentir o calor do corpo dela.

— Aqui está. — murmurou, estendendo o copo com suavidade. — Agora você já sabe onde fica.

Milena ergueu os olhos devagar, como se estivesse saindo de um transe. Pegou o copo com mãos trêmulas, e ao se inclinar, seus longos cabelos caíram sobre o rosto de Alerrandro, roçando levemente sua pele. Ele fechou os olhos por um instante, inalando o perfume delicado que vinha dela, doce, fresco, diferente de tudo que já sentira com Lorena.

Milena também estava tensa. Sentia o coração bater forte, como se cada segundo ali fosse uma eternidade. Bebeu um pouco da água, tentando disfarçar o nervosismo, e em seguida devolveu o copo para Alerrandro, que terminou de beber sem tirar os olhos dela. A água descia por sua garganta, e Milena, sem perceber, observava o movimento de seu pescoço, mordendo levemente os lábios, tomada por uma mistura de ansiedade e confusão.

— Bem... — disse ele, levantando-se com naturalidade. — Vou ler um pouco e dormir.

Foi até a mesinha ao lado da cama, pegou seus óculos com armação escura e os colocou com um gesto tranquilo. Em seguida, escolheu um livro de capa dura, abriu-o e começou a folhear as páginas com calma, como se buscasse algo específico, ou talvez apenas uma distração.

— Você mudou um pouco, Lorena... — comentou, sem levantar os olhos, enquanto ajeitava os óculos no rosto. — O que tem em mente?...

Milena sentiu um arrepio. A frase ecoou dentro dela como um alerta. Ele estava começando a perceber. Mesmo que ainda chamasse pelo nome errado, algo nele já não encaixava com a imagem que tinha da esposa.

Ela permaneceu em silêncio, observando-o, tentando decidir se aquele seria o momento certo para revelar a verdade. Mas como dizer? Como explicar que não era Lorena, sem destruir o pouco de carinho que começava a surgir entre eles?

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • A gêmea errada do CEO    Capítulo 57 — A gêmea errada do CEO

    — Estou tão feliz, meu amor... — disse Milena, com um sorriso sereno, os dedos entrelaçados aos dele. — Já pensou se a Lorena...— Eu sei... — Alerrandro a interrompeu com suavidade, apertando levemente sua mão. — Mas não se preocupe. Ela está detida agora.— Agora ela não pode mais nos incomodar. — Milena suspirou, o olhar perdido por um instante. — E o Sr. Marcus... prefiro nem chamá-lo de pai.— Ele não é digno de ser seu pai, Milena. — respondeu Alerrandro, firme, os olhos fixos nos dela.Ela assentiu, mas a raiva ainda vibrava em sua voz.— Só espero que a Lorena e ele não saiam tão cedo. O que eles fizeram foi cruel demais. Manipularam, mentiram... mataram. — sua voz falhou por um instante, e ela desviou o olhar, tentando conter a emoção.Alerrandro se aproximou, acariciando os cabelos dela com delicadeza. Depositou um beijo leve em sua testa.— Eu vou pegar um vinho pra gente. Você precisa relaxar depois de tudo isso.Ela apenas assentiu, e ele se levantou, indo até a cozinha.

  • A gêmea errada do CEO    Capítulo 56 — Jogos de máscaras

    Victor caminhava com Katy nos braços, sentindo o calorzinho do corpo dela contra o peito. A menina o envolvia com os bracinhos finos, o rosto colado ao pescoço dele.— Como foi na escola, minha pequena? — perguntou ele, com a voz suave.— Foi muito bom, papai! — respondeu ela, sorrindo largo, antes de lhe dar um beijo estalado na bochecha.Victor sorriu, tocado. Ela já o havia chamado de pai antes, mas toda vez que ouvia, seu coração se aquecia como se fosse a primeira. Era mais do que um título — era um vínculo. E ele sabia que faria qualquer coisa para protegê-la.— Eu tô vendo pela sua carinha! — disse ele, fazendo cócegas na barriga dela, arrancando risadinhas gostosas.— E a mamãe? Cadê ela?— Ela já deve estar em casa, minha pequena. Mas a Milena está aqui com a gente. Só vamos esperar ela sair do salão pra gente ir embora, ok?— Tudo bem! — respondeu Katy, abraçando-o com força, o rostinho iluminado.Victor a acomodou com cuidado na cadeirinha no banco de trás, ajustando o cint

  • A gêmea errada do CEO    Capítulo 55 — A gêmea errada

    — Milena, por favor... sai do carro. Eu não quero problemas — disse Victor, com a voz firme, mas contida. Suas mãos ainda estavam no volante, mas os olhos estavam nela, sérios, decepcionados.Milena não se moveu. Em vez disso, levou os dedos aos próprios lábios, como se ainda sentisse o gosto do beijo que não deveria ter acontecido. Depois, lentamente, passou o dedo pelo queixo dele, traçando a linha da mandíbula com uma suavidade que contrastava com a tensão no ar.— Eu também não quero problemas pra mim, Victor — disse ela, com um sorriso frio. — Por isso é melhor você não contar nada. Se contar... o Alerrandro não vai acreditar. E além disso... — Ela soltou uma risada curta, quase debochada. — A Mery iria acreditar que fui eu quem te beijou? Claro que não. O seu casamento iria por água abaixo.Victor se afastou, virando o rosto, como se o toque dela queimasse. Respirou fundo, tentando manter o controle.— Por que essa chantagem? Qual é o seu problema, Milena? Você parece pior do qu

  • A gêmea errada do CEO    Capítulo 54 — A pele que sinto saudade

    Victor abriu a porta do carro com um sorriso largo, os olhos brilhando de entusiasmo.— Nunca estive tão feliz. — disse ele, com a voz carregada de emoção. — Mery é a mulher que sempre sonhei em casar.Entrou no carro ainda sorrindo, mas ao olhar para Milena, o sorriso vacilou. Ela estava rígida, os punhos cerrados sobre as coxas, o maxilar tenso. O olhar fixo no para-brisa, como se tentasse conter algo que fervia por dentro.— Milena?... Está tudo bem?Ela virou o rosto devagar, forçando um sorriso.— Sim. Estou ótima. Podemos ir.Mas Victor notou. Ela não tinha colocado o cinto. E Milena sempre colocava o cinto antes mesmo de ele dar partida.— Você esqueceu o cinto... É perigoso. Deixa que eu te ajudo.Ele se inclinou, esticando o braço por sobre ela. O rosto dele se aproximou do dela, e seus cabelos roçaram de leve sua bochecha. O perfume amadeirado e quente de Victor invadiu o espaço entre eles, e Milena fechou os olhos por um instante, inspirando fundo.O cinto estava travado. V

  • A gêmea errada do CEO    Capítulo 53 — Um momento de desconfiança

    Milena estava na sala de Alerrandro, os olhos percorrendo cada detalhe com encantamento. O ambiente exalava sofisticação e ordem, estantes de madeira escura repletas de livros bem alinhados, com pilhas de papéis dispostas com precisão quase matemática. Ela deslizou os dedos com delicadeza pelas lombadas dos livros, como se pudesse absorver um pouco da essência daquele lugar só pelo toque.— Seu escritório é lindo... — disse, com um sorriso suave, virando-se para ele com os olhos brilhando de admiração.Alerrandro, que a observava com ternura da porta, respondeu com a voz baixa e envolvente:— Fique à vontade, amor.Milena caminhou até ele com passos leves, como se não quisesse perturbar a harmonia do ambiente.— Obrigada... Alê — murmurou, pousando a mão em seu peito, sentindo o calor que emanava dali.Para Alerrandro, Milena era como um sopro de ar fresco. Nela, encontrara tudo o que Lorena jamais lhe oferecera: integridade, doçura, um carinho genuíno que não exigia nada em troca. E

  • A gêmea errada do CEO    Capítulo 52 — Essa é a minha futura esposa

    Um mês se passou desde aquela noite que mudaria tudo. A vida parecia ter encontrado um novo ritmo, mais calmo, mais promissor. Mery agora era oficialmente noiva de Victor, e ele, impaciente para torná-la sua esposa de fato, já havia marcado a data do casamento. Faltavam apenas duas semanas. Depois da cerimônia, ele cogitava voltar a morar com ela na mansão Alencar, onde tudo havia começado.Alerrandro, por sua vez, estava recuperado. A saúde, antes frágil, agora era estável. O brilho havia voltado aos seus olhos, e com ele, a vontade de retomar o controle da empresa e da própria vida.Milena, que esteve ao seu lado durante os dias mais difíceis, agora era sua noiva. E naquele dia, ela seria oficialmente apresentada à empresa, não apenas como acompanhante, mas como parte da família Vasconcellos. — Vamos, Milena. Não podemos nos atrasar hoje — chamou Alerrandro da sala, ajeitando os punhos da camisa branca recém-passada. — É o dia de apresentar você à empresa.No quarto, Milena escova

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status