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Capítulo 2

Autor: I. S. S
last update Data de publicação: 2026-09-04 14:09:27

Enquanto Nala construía seu império tecnológico sob as luzes frias e estéreis de telas de LED, Breno vivia em um universo completamente oposto, feito de sombras táticas, silêncio absoluto e vigilância constante.

Em um galpão industrial antigo e isolado nos arredores da cidade, que funcionava como o centro de treinamento privado e base de operações da Titan Security, o clima era de concentração máxima. O lugar parecia um bunker moderno. Breno estava de pé no centro do tatame principal, com os braços cruzados sobre o peito largo, observando atentamente dois de seus melhores homens praticarem uma técnica avançada de defesa pessoal e imobilização rápida em um ambiente com quase nenhuma iluminação.

Breno era um homem de poucos gestos e de menos palavras ainda. Medindo 1,88m de altura, ele possuía uma estrutura física imponente, com ombros largos que pareciam desenhados para suportar o peso do mundo e marcas de cicatrizes antigas pelo corpo que ele nunca se dava ao trabalho de esconder ou disfarçar. Ele emanava uma autoridade bruta, quase primitiva, que fazia qualquer pessoa ao redor redobrar a atenção.

Diferente de Nala, que dominava o mundo através de códigos, dados e algoritmos frios, Breno dominava o ambiente através da presença física implacável e da capacidade de antecipar o perigo antes mesmo que ele acontecesse. Ele era um ex-operador de forças especiais altamente treinado. Após passar anos vivendo em zonas de conflito real, onde a lealdade dos companheiros era a única moeda de troca para continuar vivo, ele decidiu trazer toda aquela carga de conhecimento prático para comandar a elite da segurança privada corporativa.

— Mais rápido no bote — ordenou Breno com a sua voz naturalmente grave, fazendo o ar ao redor parecer vibrar no galpão silencioso. — Se o alvo demorar sequer um segundo a mais para reagir a esse ponto, você já perdeu o controle total da situação. Pensem sempre no pior cenário possível e estejam prontos para agir antes que o problema aconteça.

Dizendo isso, ele deu alguns passos à frente, abaixou-se levemente e corrigiu a postura de um dos subordinados com um toque firme e certeiro no ombro. Breno nunca foi o tipo de chefe que apenas ficava sentado na sala com ar-condicionado dando ordens aos outros; ele fazia questão de ser o primeiro a entrar em campo e o último a sair.

Sua rotina diária era espartana e regrada ao extremo: treino físico pesado logo cedo, análise minuciosa de riscos, checagem repetida de protocolos de segurança e uma busca incessante por qualquer brecha que pudesse colocar vidas em risco. Ele simplesmente detestava o elemento surpresa. Para ele, o inesperado era apenas sinônimo de falta de planejamento.

No meio daquela atmosfera pesada de treino, o celular grosso de trabalho vibrou no bolso da calça cargo. Ele puxou o aparelho com calma e viu que era uma notificação urgente enviada diretamente pela diretoria financeira de uma das maiores e mais importantes empresas de tecnologia do país: a Alencar Tech.

Breno franziu a testa de imediato, lendo o resumo do briefing que aparecia na tela. A empresa estava passando por um momento crítico, sofrendo tentativas graves de espionagem industrial internacional e recebendo ameaças físicas diretas direcionadas aos executivos de alto escalão. Eles precisavam de alguém com pulso firme, capacidade de liderança e experiência de combate para reestruturar completamente todo o protocolo de segurança da sede em São Paulo e, principalmente, da figura central e intocável daquele império: a enigmática Nala Alencar.

— Interessante... — murmurou Breno para si mesmo, balançando levemente a cabeça enquanto guardava o aparelho de volta no bolso.

Ele sabia exatamente quem era Nala. Todo mundo no mercado corporativo de alto risco conhecia a fama dela. Nala era tratada quase como um mito moderno, uma mulher extremamente reservada que nunca permitia que ninguém chegasse perto o suficiente para protegê-la de verdade — ou para tentar controlá-la de alguma forma. Breno já havia lidado ao longo da carreira com centenas de clientes arrogantes, herdeiros mimados e diretores medrosos, mas o dossiê de Nala Alencar era totalmente diferente de tudo o que ele já tinha visto.

Não havia registros de amigos íntimos na vida dela, não havia namorados constantes circulando por aí, nem tampouco falhas de comportamento ou escândalos na imprensa. Era uma vida assustadoramente limpa, completamente vazia de laços afetivos reais, mas carregada de uma barreira defensiva tão pesada que, para os instintos aguçados de Breno, gritava perigo por todos os lados.

Ele não sabia explicar o motivo exato, mas o nome daquela mulher despertou em seu peito algo que estava adormecido havia muito tempo: uma curiosidade intensa misturada com o desejo quase irrecusável de desafiar algo que parecia absolutamente impossível de ser domado.

Breno olhou para o relógio de pulso analógico, um modelo robusto, militar e totalmente funcional que resistia a qualquer impacto. Ele tinha uma reunião marcada com os sócios da Titan Security logo cedo na manhã seguinte para discutir os detalhes daquela contratação milionária. Ele não estava buscando um novo emprego apenas por dinheiro — afinal, sua conta bancária estava muito bem recheada —, ele buscava um desafio real, algo que exigisse o ápice de suas habilidades mentais e físicas.

E, se a mulher misteriosa por trás da Alencar Tech realmente fosse tão fria e intocável quanto diziam nos corredores do poder, ele estava prestes a descobrir que, por mais alta que fosse a muralha que alguém construísse ao redor do próprio coração, sempre existia uma brecha, um ponto exato de entrada para quem soubesse procurar direito.

Enquanto Nala, a quilômetros de distância, terminava o dia em sua cobertura luxuosa brindando sozinha ao próprio sucesso e à sua falsa sensação de invulnerabilidade, Breno continuava ali na base, ajustando o coldre com gestos mecânicos e se preparando mentalmente para o que o seu instinto dizia ser a missão mais imprevisível, perigosa e fascinante de toda a sua carreira.

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Último capítulo

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