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Capítulo 3

Autor: I. S. S
last update Data de publicação: 2026-09-04 14:11:40

A sala de reuniões principal da Alencar Tech parecia menor do que o habitual, o ar carregado de uma eletricidade tensa que quase podia ser tocada. Nala estava posicionada na ponta da mesa de vidro escuro, com as mãos perfeitamente paradas sobre a superfície reflexiva. Vestia um conjunto de alfaiataria impecável e justo, combinado com uma lace curta em estilo chanel que emoldurava seu rosto com uma perfeição fria. Ela estava ali para encerrar qualquer discussão e mostrar quem mandava.

O vice-presidente de Operações limpou a garganta, claramente desconfortável. Ele remexeu-se na cadeira de couro, evitando ao máximo cruzar o olhar com os olhos afiados da patroa.

— A diretoria votou ontem à noite, Nala... Quer dizer, Sra. Alencar — corrigiu-se depressa ao ver o vinco se formar na testa dela. — A maioria acha que nossa segurança atual está falha diante das novas ameaças do mercado. Por isso, contratamos uma consultoria externa para avaliar o caso. A Titan Security. O líder deles está aqui agora para a apresentação.

Nala não respondeu de imediato. O silêncio na sala se estendeu, sufocante. Ela odiava perder o controle de qualquer situação que envolvesse o seu império. Ter estranhos metendo o bedelho em suas tecnologias e rondando seu espaço de trabalho era algo que simplesmente não tolerava.

— Que entre — ela ordenou finalmente. A voz saiu gélida, cortante e sem espaço para perguntas ou recuos.

A porta pesada de correr se abriu lentamente.

Breno entrou.

Ele não caminhava como os executivos engravatados e bajuladores que Nala estava acostumada a ver e a mandar calar a boca com uma única frase. Breno se movia com uma calma calculada, mas com passos firmes que pareciam ditar o ritmo do ambiente. Ele vestia um terno cinza escuro, perfeitamente ajustado aos ombros largos, destacando sua compleição física imponente. O rosto era sério, marcado por cicatrizes discretas que ele nem tentava esconder.

Quando os olhos de Nala cruzaram com os dele, o mundo ao redor pareceu desacelerar por um segundo. Ela esperava sentir o mesmo desdém de sempre por consultores arrogantes, mas, em vez disso, sentiu um baque forte, quase físico, bem no meio do estômago.

Breno não baixou o olhar. Pelo contrário. Ele a encarou com uma calma irritante e profunda, como se estivesse conseguindo ler através de toda a sua fachada de empresária intocável e poderosa.

— Sra. Alencar — ele cumprimentou. A voz era grossa, grave e direta, sem formalidades exageradas.

Nala respirou fundo, recuperando a postura de ferro, e olhou para a pasta de apresentação aberta sobre a mesa.

— Sr... Breno, correto? — ela disse, arqueando uma sobrancelha. — A Titan tem fama de resolver problemas a qualquer preço. Quero saber exatamente qual é o seu preço, porque aqui na minha empresa eu não aceito erros, muito menos amadorismo.

Sem pedir licença, Breno deu mais um passo à frente e jogou um relatório pesado diretamente sobre a mesa de vidro. Ele parou perto o suficiente para que Nala pudesse notar os detalhes: o corte firme do maxilar, o modo como ele ocupava o espaço e, inevitavelmente, o cheiro dele. Era uma mistura marcante de madeira e suor limpo, o aroma bruto de um homem que não passava os dias sentado atrás de uma mesa de escritório.

— O meu preço, Sra. Alencar, é a sua obediência total aos protocolos de segurança — respondeu Breno, sem pestanejar. O olhar escuro brilhava com um desafio claro, quase insolente. — Se a senhora realmente quer proteção de verdade, vai ter que entender uma única regra: a partir de agora, quando o perigo bater à porta, quem dá as ordens não é a CEO. Sou eu e a minha equipe. É assim, seguindo ordens, que a senhora continua viva.

Um frio repentino percorreu a espinha de Nala. Mas aquilo não era medo. Era uma sensação muito mais perigosa: uma raiva intensa misturada a uma atração que a queimava por dentro. Ninguém jamais havia falado com ela daquele jeito em toda a sua vida. Ninguém ousava desafiar sua autoridade dentro daquele prédio.

— Você é muito corajoso ou excessivamente burro, Breno — ela rebateu entre os dentes, a fúria faiscando em seu olhar.

Nala levantou-se devagar da cadeira, o som do seu salto alto batendo seco e rítmico contra o chão. Ela caminhou até parar a poucos centímetros dele, erguendo o queixo para fixar os olhos furiosos diretamente nos dele.

— Mas vamos ver se você consegue cumprir a primeira e mais importante regra aqui dentro: não me atrapalhar.

Breno não recuou um centímetro sequer. Ele inclinou levemente o corpo em direção a ela, diminuindo ainda mais a distância entre os dois, e respondeu em um tom baixo, quase um sussurro que apenas ela podia ouvir:

— O "atrapalhar" é só o começo de tudo, Sra. Alencar.

Naquela sala abafada, sob o olhar tenso e boquiaberto dos diretores que acompanhavam a cena, a faísca definitiva estava acesa. Nala percebeu, com um susto silencioso, que o muro de concreto que ela havia construído ao redor de si mesma durante anos tinha acabado de sofrer sua primeira grande trinca. E, pela primeira vez na vida, olhando para os lábios sérios de Breno, ela percebeu que não fazia a menor ideia se queria consertar aquilo.

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