LOGINKALEL
23 anos ---------------- Estava chegando ao baile, passando pelo bar do Sr. Valtinho, quando vi uma galera se reunindo e ouvi uma voz feminina gritando e xingando alguém. Me aproximei mais rápido, já levando a mão à arma porque aquilo era sinal de problema, e eu não gostava de confusão dentro do meu morro. As pessoas notaram minha presença e se afastaram, então consegui ver a mulher de um dos meus homens de confiança com um revólver apontado para uma patricinha, uma garota que eu nunca tinha visto, mas que, com toda certeza, era inocente. E que mulher linda! — O que foi i, Jorge? Por que sua mulher está arrumando problema aqui? — perguntei, me aproximando. Antes que Jorge me respondesse, a mulher dele tomou a frente. — Essa aí estava se jogando pra cima do meu namorado com essa roupinha ridícula .— disse ela, batendo a mão na barra do vestido da garota e deixando-a ainda mais assustada. Num impulso, ela sacou a arma e, no exato momento em que estava prestes a atirar, empurrei a garota, que caiu com força no chão. O tiro disparou contra uma moto parada a dois metros de distância. Por muito pouco, ela não tinha sido baleada na barriga. Todos que estavam ali saíram correndo, assustados. Meu parceiro Túlio se aproximou ao perceber que a movimentação tinha ficado estranha. Me levantei e ajudei a garota a se erguer devagar. Ela estava pálida e trêmula. No exato momento em que segurei seus braços, nossos olhares se encontraram. Ela era tão linda e diferente... Seus olhos estavam arregalados e brilhantes. — Você está bem? Se machucou? — perguntei, analisando o corpo dela. Vi que tinha alguns arranhões nos joelhos e nos cotovelos, mas, mesmo assim, ela fez que não com a cabeça. — Vai defender essa estranha mesmo, Kalel? — perguntou Bel, enquanto Túlio e Jorge seguravam seus braços. — Escuta uma coisa: eu acho bom você se colocar no seu lugar e parar de agir como a nervosinha" aqui, tá entendendo? Pense muito bem antes de sacar uma arma pra matar alguém que você nem conhece. Isso pode ter consequências. Não é porque você é mulher do meu parceiro Jorge que vai sair ilesa daqui, não. Direitos e castigos são iguais pra todos dentro dessa quebrada! — falei, ainda segurando a garota trêmula. — Eu não queria causar problemas... Me desculpem! Não precisa brigar com ela... — choramingou, olhando para mim como se implorasse. Por que ela me olhava daquele jeito? Aquilo estava me deixando fraco, e meu coração, em vez de bater normalmente, parecia estar cavalgando dentro do peito. — Não preciso que você sinta pena de mim, pirralha! — gritou Bel, sendo indelicada. Respirei fundo, fazendo força para não dar um tapa na boca dela. — Jorge! Dá um jeito na sua namorada! Por causa dela, o baile de hoje virou uma bagunça! Juro que, se rolar mais um caso desses, as coisas vão ficar violentas. — Pode ficar sussa, Kalel! A Bel não vai fazer isso de novo, não é, Bel? — Ele a sacudiu de leve,fazendo o cabelo cair sobre o rosto dela. Bel apenas revirou os olhos. — Leva ela daqui! — ordenei. Jorge a levou, enquanto Túlio foi para o palco avisar sobre o imprevisto e dizer que o baile continuaria. Me virei para olhar a garota e percebi que ela parecia estar morrendo de frio. — Ei! — chamei, fazendo-a se assustar. — Você tá com frio, né? — Um pouco... — respondeu, sorrindo delicadamente e exibindo dentes perfeitos. — Você tá procurando alguém? Não me lembro de ter visto você por aqui. — Eu vim com uma amiga. Nós somos do Leblon. — Aaah, a gatinha é do asfalto. Bem que desconfiei! — comentei, tirando meu moletom. — Não sei onde ela se meteu... Você conhece esse tal de Th? — perguntou, mencionando o apelido do meu melhor amigo. Na mesma hora, entendi o que tinha acontecido. — Toma! Veste antes que você congele! — falei, estendendo o moletom para ela. — E você? — perguntou, pegando a peça e se preparando para vesti-la. — Relaxa! Não sinto frio fácil — respondi, observando-a vestir meu moletom. Tão pequena... Devia ter uns 1,57 de altura. — Você disse que tava procurando sua amiga, né? Olha... Se ela estiver com o Th, não tem com que se preocupar. Ele é meu mano, e pode confiar que é responsa. — Mesmo? Estou preocupada... — Tô vendo! Mas me diz seu nome, gata! — Mavi! — respondeu, um pouco constrangida. — E o seu é Kalel, né? — perguntou, me surpreendendo. — Eu prefiro que me chamem de Kalel, mas meu nome verdadeiro é bem diferente! — respondi, fazendo-a sorrir de novo. — Bom... Tá ficando tarde. Eu preciso ir! — disse, olhando para a saída do baile. — Tem certeza de que não quer ficar mais? — Melhor não... Já causei muitos problemas por hoje! — Então me deixa te acompanhar. Aqui não é um lugar apropriado pra andar sozinha, ainda mais sendo do asfalto. Ela fez que sim com a cabeça, e senti que a tinha deixado com medo. Começamos a andar, prontos para seguir para fora do baile, até que ela soltou um som baixinho, como se estivesse sentindo dor. — O que houve? — perguntei, parando. — Nada... Na verdade, acho que torci o pé, mas não é nada demais. — Você aceita uma carona até sua casa? — Bom... E o baile? Você não veio pra se divertir? — É, mas, se até o Th, que organizou tudo, não tá aqui, eu não me importo, contanto que mantenham a paz no meu morro. — Então quer dizer que... — começou ela, fazendo uma pequena pausa. — Você é mesmo dono do morro? — É... Meu pai era dono de tudo isso, e agora chegou minha vez. Famoso chefão! — respondi, fazendo charme. Ela riu de mim, mas eu sabia que não tinha sido por maldade. Andamos por uns cinco minutos e logo encontrei minha moto. Subi, e a mina subiu na garupa. Pude sentir suas mãos delicadas segurando meu corpo com firmeza. Descemos pelos becos e logo saímos do morro. Meu coração ainda batia de um jeito diferente, de uma forma que eu nunca tinha sentido antes.MAVI — Então a gente se fala mais tarde!— Digo finalizando a ligação em que estava com a Sam. Estou prestes a largar o celular em cima da mesa quando meu pai entra batendo a porta como se estivesse descontando algo nela. — Oi pai! — Digo tentando entender o motivo da raiva. — Ah! Que bom que você está ai! E o idiota do Jonas? Onde está? — Ele diz em tom alterado e sinto meu coração bater mais rápido. Concerteza o assunto é sério. — O-o Jonas está lá encima...—Digo. — Pois ele vai descer agora! — Ele solta a sua maleta sobre o sofá— JONAS! — Papai berra. Não passam nem vinte segundos e ouço os passos do Jonas descendo as escadas com pressa. — Eu não fiz nada! Nem botei o pé na rua esses dias e...—Jonas tenta se justificar de antemão mas é interrompido. — Cala boca! — Papai diz rígido. Jonas se cala e papai dá dois pequenos passos em nossa direção. — Qual dos dois vai começar a me explicar sobre fiança do dono do morro? No exato momento sinto minhas pernas ficarem bambas. Com
MAVI /SAMIRAJá se passou uma semana e que bom que as coisas deram certo. Por mais que o Kalel seja assim...Digamos que seja bagunceiro,ele não pode ficar preso.— Você é muito esperta! —Sam diz me olhando com olhos arregalados.— Nem tanto...— Digo dando de ombros.— Só quis retribuir a bondade,já que ele me defendeu de uma sem noção aquele dia ,ele salvou minha vida!— Fato! — Ela concorda.— Quando ele me mandou mensagem em agradecimento senti que fiz a coisa certa. Ele só ficou meio confuso já que sou a "riquinha" da história. Na cabeça dele,não tem porque eu defender um criminoso.— Vocês dariam um par perfeito!— Não! Nada haver uma coisa com a outra!—E por que não? — Ela cruza os braços na minha frente.— Por que eu não gosto dele, ué! Não confunda boas ações com sentimentos!— Tá bom!— Diz em expressão meio entediada.— Eu também queria aprender a não gostar do traste do Th!—O que ele fez ? — Encaro a .— A gente não está se falando, nós brigamos porque ele não sabe me respei
Dia seguinte.... KALEL E vamos para mais um dia enjaulado nesse lugar.Acabei de comer um prato de lavagem mesmo porque meu estômago estava deserto. Estou deitado olhando para cima já que não tem mais nada para fazer e novamente sou surpreendido pelo policial ignorante batendo na grade. —É...Não sei como podem existir pessoas que se importem com um projeto mal feito igual a você!—Ele diz debochando. — O que você quer dizer com isso? — Pagaram sua fiança, imprestável! Infelizmente mais um lixo humano solto! Como assim pagaram minha fiança? Minha mente para pra raciocinar ignorando o que o maldito acabou de falar. —Vamos! Se mexa! já deu sua hora de cair fora! Me levanto pedindo forças para não quebrar o nariz desse carcereiro ali mesmo. Ele abre a cela e me conduz até a portaria do presídio. —Aproveite sua liberdade!—Pisca em deboche. Eu apenas ignoro e aproveito o telefone para realizar uma ligação. Preciso que alguém me busque aqui bem rápido porque estou
MAVI — Que bom que você veio! Sem você eu não conseguiria resolver muita coisa por aqui. —Tá! Mas o que você quer em um cartório? Quem tá preso?— Jonas diz com preguiça. — Vem comigo e você vai entender! Entramos depressa no cartório e precisávamos ser rápidos . —Mavi, dá para me explicar o que está havendo? —Affs! Que coisa,Jonas!— Digo balançando os braços com força demostrando impaciência. —É que um amigo meu,foi preso injustamente e eu quero ajudar ué! Tá satisfeito? —Ué... é por que os pais dele não fazem isso? —Simplismente pelo fato de não saberem e se souberem não vai dar bom. Agora pare de me perguntar as coisas e me ajuda logo! Depois de alguns instantes esperando fomos chamados para conversar com o juiz. —Boa tarde. O que desejam? — Boa tarde senhor! Viemos pois queremos quitar a fiança de um certo indivíduo o qual foi confinado recentemente.—Meu irmão diz todo formal. —Sentem -se por favor! —Ele diz apontando para as cadeiras a frente de sua mesa.
KALEL Não tô nem acreditando que conseguiram me prender. Que ódio! E o morro,como fica? Os meus parceiros estão tentando arrnjar um plano para me tirar desse muquifo mas está difícil. Não é a primeira vez que venho parar aqui. Das outras vezes eu sempre consegui fugir porém dessa vez,estou em uma cela de segurança máxima sozinho. Pelo que observei sou vigiado 24h por dia por doze policiais tirando que não posso sair para tomar sol no pátio como os outros . Não sabia que eu era tão perigoso assim. Estou a exatamente meia hora andando de um lado para o outro tentando pensar no que fazer. De todos os parceiros do morro,o único a ser pego foi eu. Bom... E eu até entendo eles. Sei que para os problemas acabarem, o chefe precisa estar preso ou morto. Passo a mão na cabeça voltando a me sentar nesse pedaço de pedra o qual ousam chamar de cama quando o carcereiro chega batendo na grade com o cacitete. —Ei,coisa ! Você tem visita!—Ele diz me olhando com receio e superioridade. —Hum...—
MAVI Era manhã de segunda-feira. Eu tinha acabado de acordar, e a primeira coisa que fiz foi pegar meu celular. Para meu desencanto, ainda estava no vácuo... No dia anterior, eu e o Kalel estávamos conversando, e estava muito bom, só que, de repente, ele desapareceu do chat no direct. Não sabia o que tinha acontecido, mas acreditava que talvez tivesse sido apenas uma brincadeira para se distrair comigo, e eu acabei achando que ele realmente queria conversar. Deixei o celular em cima da cama e parti para minha higiene pessoal. Logo em seguida, me aprontei para a escola. Desci para o café da manhã, e meus pais estavam prestando mais atenção no telejornal do que no próprio café. Estava preparando uma fatia de pão quando meu pai falou algo em um tom meio satisfeito. — Até que enfim eles fizeram alguma coisa, né? Tanto ser desprezível solto por aí... Nosso Rio acaba se tornando um lugar tóxico! Não sabia do que se tratava, mas decidi ignorar. Preparei meu lanche e esperei pelo motori







