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Finalmente chegamos ao condomínio. — Obrigada pela carona! — agradeci, entregando o capacete. — Não precisa agradecer, gatinha! — Ele sorriu enquanto pegava o capacete de volta. — Bom... Eu vou entrar agora, tá bom? — Não vai se despedir? — perguntou, abrindo os braços como se quisesse um abraço. Me aproximei dele e o abracei com vontade, e ele fez o mesmo, me apertando gentilmente contra seu corpo. Antes que o abraço se encerrasse totalmente, fui surpreendida com um beijo roubado. — Espero muito que possamos nos ver de novo, baixinha! — disse ele, me olhando com cara de bobo. Apenas dei um sorriso e entrei, passando pelo portão da portaria. Ele esperou que eu entrasse e, em seguida, deu partida, seguindo na mesma direção de onde tínhamos vindo. Não sabia como explicar, mas ele tinha despertado sentimentos muito bons em mim, apesar de ser um completo estranho. Não totalmente estranho, porque agora eu sabia que ele não era ruim. Afinal de contas, não tinha me sequestrado nem nada do tipo. Entrei em casa e acabei dando de cara com meus pais sentados na sala. Parecia que estavam justamente esperando por mim. — Isso são horas de uma moça de família estar chegando em casa? — perguntou meu pai, me questionando com os olhos. — Desculpa... Eu me empolguei! — respondi, sentindo meus olhos ficarem enormes. — E esse moletom? Que coisa horrível! — comentou mamãe, me fazendo olhar para meu corpo. Essa não... Eu tinha me esquecido de devolver o moletom do Kalel. Nem sequer havia notado a estampa ousada. — Deve ser da pessoa que acabou de trazer nossa filhinha de moto, Antonella! — completou meu pai, encarando diretamente meus olhos. — Essa blusa é de um amigo. Ele me ofereceu carona, já que não é confiável andar de Uber à noite, concordam? — respondi, sentindo meu olho tremer. — Da próxima vez que sair, avise! Já são quase duas da manhã! A gente esperava isso do Jonas, mas até ele está em casa a essa hora! — Desculpa... Não vai se repetir! — respondi, tentando ser simpática. — Espero que não tenha acontecido nada de errado nessa sua saidinha. Estamos criando uma filha para se casar, e não para se perder no mundo. — Falando assim, até parece que sou uma qualquer! Não se preocupem, continuo sendo a mesma. Não falta nada aqui. Não sou uma "mulher fácil", se é isso que estão querendo insinuar! — Olha bem como fala! Estamos querendo o seu bem e nada além disso! Agora vá se trocar e dormir! — ordenou minha mãe, me olhando de um jeito que me fez reconhecer que ela tinha razão. — Ah, e só para vocês saberem, eu ia avisar que estava saindo, mas vocês estavam muito ocupados, como sempre! — finalizei, saindo da sala antes que eles dissessem qualquer coisa. Entrei no quarto e me tranquei ali. Não estava nem um pouco arrependida ou triste. Comecei a me trocar e senti o cheirinho do garoto do morro ainda no moletom. Nem conseguia acreditar no que tinha acontecido naquela noite. Se meus pais descobrissem sobre essa aventura, eu nem sabia do que seriam capazes. Fui para o banho e senti meus arranhões arderem assim que a água com sabonete escorreu sobre eles. Se não fosse pelo "Chefão do morro", eu estaria no beleléu a essa altura. Falando nisso, tive um choque mental naquele momento. Tinha me esquecido de falar com a Sam! Me apressei para sair do banho e me vesti rapidamente para pegar o celular. A primeira coisa que vi ao desbloquear a tela foi uma solicitação no I*******m. Quando abri a notificação, senti borboletas no estômago. A notificação dizia: "@Falcão_01 começou a seguir você". Por que Falcão? Bom, não sabia. Mas reconheci o Kalel pela foto de perfil e logo fui segui-lo de volta. Com tanta empolgação, quase me esqueci da Sam. Entrei no W******p e liguei para ela, que logo atendeu. — Samira! Você me deve satisfações! — comecei a dizer antes que ela pudesse falar qualquer coisa. — Desculpa, Mavi! Eu sou muito boba. Onde você está? — perguntou ela. — Estou em casa, é óbvio! Quase fui de arrasta pra cima te procurando! — respondi, quase beliscando-a pelo celular. — Ah... Então foi você... — disse ela, como se estivesse chocada. — Pois é! E você se acertou com o tal Th? — perguntei. — Bom… Digamos que sim! Segunda te conto detalhadamente! — Não só os seus! — respondi, me lembrando de algo. — O Kalel também me trouxe em casa! — contei, empolgada. — Amigaaa, me conta tudo! — pediu ela, curiosa. — Amanhã te ligo, senão meus pais vão brigar comigo de novo! Encerramos a conversa, e me joguei na cama, ainda pensando em tudo o que tinha acontecido até aquele momento. Lembrei-me de ter planejado um dia de diversão na praia, mas algo totalmente diferente tinha acontecido. E eu não estava decepcionada, até porque tinha me divertido, apesar de ter vivido uma aventura completamente recheada de adrenalina. Kalel aceitou minha solicitação e, claramente, estava me stalkeando, pois já tinha curtido algumas publicações minhas em plena 2h56 da manhã. As borboletas voltaram para meu estômago. Nunca imaginei que pudesse ser tratada assim por um cara que, além de dono do morro, também era considerado perigoso, mas... Eu tinha me sentido completamente bem.MAVI — Então a gente se fala mais tarde!— Digo finalizando a ligação em que estava com a Sam. Estou prestes a largar o celular em cima da mesa quando meu pai entra batendo a porta como se estivesse descontando algo nela. — Oi pai! — Digo tentando entender o motivo da raiva. — Ah! Que bom que você está ai! E o idiota do Jonas? Onde está? — Ele diz em tom alterado e sinto meu coração bater mais rápido. Concerteza o assunto é sério. — O-o Jonas está lá encima...—Digo. — Pois ele vai descer agora! — Ele solta a sua maleta sobre o sofá— JONAS! — Papai berra. Não passam nem vinte segundos e ouço os passos do Jonas descendo as escadas com pressa. — Eu não fiz nada! Nem botei o pé na rua esses dias e...—Jonas tenta se justificar de antemão mas é interrompido. — Cala boca! — Papai diz rígido. Jonas se cala e papai dá dois pequenos passos em nossa direção. — Qual dos dois vai começar a me explicar sobre fiança do dono do morro? No exato momento sinto minhas pernas ficarem bambas. Com
MAVI /SAMIRAJá se passou uma semana e que bom que as coisas deram certo. Por mais que o Kalel seja assim...Digamos que seja bagunceiro,ele não pode ficar preso.— Você é muito esperta! —Sam diz me olhando com olhos arregalados.— Nem tanto...— Digo dando de ombros.— Só quis retribuir a bondade,já que ele me defendeu de uma sem noção aquele dia ,ele salvou minha vida!— Fato! — Ela concorda.— Quando ele me mandou mensagem em agradecimento senti que fiz a coisa certa. Ele só ficou meio confuso já que sou a "riquinha" da história. Na cabeça dele,não tem porque eu defender um criminoso.— Vocês dariam um par perfeito!— Não! Nada haver uma coisa com a outra!—E por que não? — Ela cruza os braços na minha frente.— Por que eu não gosto dele, ué! Não confunda boas ações com sentimentos!— Tá bom!— Diz em expressão meio entediada.— Eu também queria aprender a não gostar do traste do Th!—O que ele fez ? — Encaro a .— A gente não está se falando, nós brigamos porque ele não sabe me respei
Dia seguinte.... KALEL E vamos para mais um dia enjaulado nesse lugar.Acabei de comer um prato de lavagem mesmo porque meu estômago estava deserto. Estou deitado olhando para cima já que não tem mais nada para fazer e novamente sou surpreendido pelo policial ignorante batendo na grade. —É...Não sei como podem existir pessoas que se importem com um projeto mal feito igual a você!—Ele diz debochando. — O que você quer dizer com isso? — Pagaram sua fiança, imprestável! Infelizmente mais um lixo humano solto! Como assim pagaram minha fiança? Minha mente para pra raciocinar ignorando o que o maldito acabou de falar. —Vamos! Se mexa! já deu sua hora de cair fora! Me levanto pedindo forças para não quebrar o nariz desse carcereiro ali mesmo. Ele abre a cela e me conduz até a portaria do presídio. —Aproveite sua liberdade!—Pisca em deboche. Eu apenas ignoro e aproveito o telefone para realizar uma ligação. Preciso que alguém me busque aqui bem rápido porque estou
MAVI — Que bom que você veio! Sem você eu não conseguiria resolver muita coisa por aqui. —Tá! Mas o que você quer em um cartório? Quem tá preso?— Jonas diz com preguiça. — Vem comigo e você vai entender! Entramos depressa no cartório e precisávamos ser rápidos . —Mavi, dá para me explicar o que está havendo? —Affs! Que coisa,Jonas!— Digo balançando os braços com força demostrando impaciência. —É que um amigo meu,foi preso injustamente e eu quero ajudar ué! Tá satisfeito? —Ué... é por que os pais dele não fazem isso? —Simplismente pelo fato de não saberem e se souberem não vai dar bom. Agora pare de me perguntar as coisas e me ajuda logo! Depois de alguns instantes esperando fomos chamados para conversar com o juiz. —Boa tarde. O que desejam? — Boa tarde senhor! Viemos pois queremos quitar a fiança de um certo indivíduo o qual foi confinado recentemente.—Meu irmão diz todo formal. —Sentem -se por favor! —Ele diz apontando para as cadeiras a frente de sua mesa.
KALEL Não tô nem acreditando que conseguiram me prender. Que ódio! E o morro,como fica? Os meus parceiros estão tentando arrnjar um plano para me tirar desse muquifo mas está difícil. Não é a primeira vez que venho parar aqui. Das outras vezes eu sempre consegui fugir porém dessa vez,estou em uma cela de segurança máxima sozinho. Pelo que observei sou vigiado 24h por dia por doze policiais tirando que não posso sair para tomar sol no pátio como os outros . Não sabia que eu era tão perigoso assim. Estou a exatamente meia hora andando de um lado para o outro tentando pensar no que fazer. De todos os parceiros do morro,o único a ser pego foi eu. Bom... E eu até entendo eles. Sei que para os problemas acabarem, o chefe precisa estar preso ou morto. Passo a mão na cabeça voltando a me sentar nesse pedaço de pedra o qual ousam chamar de cama quando o carcereiro chega batendo na grade com o cacitete. —Ei,coisa ! Você tem visita!—Ele diz me olhando com receio e superioridade. —Hum...—
MAVI Era manhã de segunda-feira. Eu tinha acabado de acordar, e a primeira coisa que fiz foi pegar meu celular. Para meu desencanto, ainda estava no vácuo... No dia anterior, eu e o Kalel estávamos conversando, e estava muito bom, só que, de repente, ele desapareceu do chat no direct. Não sabia o que tinha acontecido, mas acreditava que talvez tivesse sido apenas uma brincadeira para se distrair comigo, e eu acabei achando que ele realmente queria conversar. Deixei o celular em cima da cama e parti para minha higiene pessoal. Logo em seguida, me aprontei para a escola. Desci para o café da manhã, e meus pais estavam prestando mais atenção no telejornal do que no próprio café. Estava preparando uma fatia de pão quando meu pai falou algo em um tom meio satisfeito. — Até que enfim eles fizeram alguma coisa, né? Tanto ser desprezível solto por aí... Nosso Rio acaba se tornando um lugar tóxico! Não sabia do que se tratava, mas decidi ignorar. Preparei meu lanche e esperei pelo motori







