LOGINPOV: Cecilia HernándezAcordei com um leve zumbido nos ouvidos e um cheiro penetrante que revirou meu estômago. Cloro, detergente… aquele aroma estéril e frio que eu sempre detestara. A primeira coisa que vi foi o teto branco, imóvel, sem vida, como se estivesse olhando de volta para mim. Por um momento, não soube onde estava, nem por que todo o meu corpo parecia tão pesado.Tentei me mover, mas uma dor aguda atravessou meu flanco. Um gemido escapou dos meus lábios antes que eu pudesse contê-lo. Então me lembrei: o tiro. Rayner. Seu rosto tomado pela raiva. A confusão, os gritos, o caos. Tudo voltou à minha mente de uma só vez, como um pesadelo que se recusava a desaparecer.— Acalme-se, Cecilia — murmurei baixinho, sentindo minha própria voz falhar.Quis virar a cabeça, mas o movimento me deixou tonta. Minhas pálpebras estavam pesadas, o ar cheirava demais a desinfetante e, naquele instante, senti algo quente sobre minha mão. Uma carícia suave, como se alguém quisesse me trazer de vo
POV: Cecilia HernándezO grito de Rayner ainda ecoava em meus ouvidos quando senti que ele se lançava sobre mim, sua mão tentando agarrar meu braço com força. Meu coração acelerou até atingir um ritmo quase insuportável. Instintivamente, tentei recuar, mas Liam estava ali, como um muro impenetrável, colocando-se entre nós.— AONDE DIABOS VOCÊ PENSA QUE VAI COM A MINHA ESPOSA?! — rugiu Liam, sua voz rasgando o ar do jardim.Rayner não se intimidou. Sua expressão estava carregada de fúria e desespero.— Cecilia, você é minha! — gritou, com a voz embargada pela mistura de medo e raiva. — Você é minha mulher! Cecilia, juro que vai me pagar por isso!Eu mal conseguia respirar. Minhas pernas tremiam, e meu coração batia tão rápido que eu sentia como se fosse explodir dentro do meu peito. Tudo era um caos. Liam segurava firmemente meu braço, protegendo-me e, ao mesmo tempo, lembrando-me da força de sua presença. Rayner e Liam se enfrentavam, dois mundos distintos colidindo em um instante que
POV: Terceira pessoaAslin apareceu imediatamente, avançando com passos firmes em direção a Liam, carregando consigo uma mistura de autoridade e doçura. Parou diante dele, sorrindo com aquela calma que parecia controlar qualquer situação.—Você não acha que ela está linda, Liam? —perguntou, deixando seu olhar percorrer Cecilia com a sutileza de quem inspeciona uma obra de arte.Liam sorriu de lado, com um gesto tão natural quanto perigoso, e respondeu em voz baixa, mas firme:—Sim, mãe… bastante linda.Aslin assentiu satisfeita, e seu sorriso se ampliou, carregado de cumplicidade e autoridade.—Não será apenas você que a verá assim hoje —disse ela. —Noah, Isabella e Kaoru também virão ao casamento. Eles estarão aqui muito em breve.O cenho de Liam se franziu levemente. Não lhe agradava a ideia de que seus irmãos presenciassem a cerimônia, muito menos uma confrontação que ele esperava ser inevitável. No entanto, sabia que não podia fazer nada para impedi-lo; o destino parecia estar jog
Sorri. Foi um sorriso frio, afiado como uma lâmina, o tipo de sorriso que não se oferece por cortesia, mas por cálculo. A verdade — aquela peça que até poucos momentos atrás estivera escondida entre papéis e fotos — finalmente se encaixou em seu lugar e, com ela, tive uma ideia magnífica, perfeita em sua crueldade e eficácia.Por baixo daquela satisfação, senti uma coceira que não soube nomear: ciúmes. Não fazia sentido; ela não era minha e, ainda assim, uma imagem — a de Rayner segurando-a, reivindicando-a, a de seu passado pairando sobre ela como uma sombra — queimava dentro de mim. Talvez fosse raiva de ver outro homem tocar aquilo que eu começava a querer, ou talvez algo ainda mais sombrio: a suspeita de que ninguém deveria reivindicá-la sem pagar por isso.—Convide-o —disse, deixando que a ordem caísse como uma pedra sobre a mesa—. Convide Rayner para o casamento.Fabián me encarou, a testa franzida, como se tentasse calcular probabilidades no ar.—Rayner? —sua voz saiu como um f
Não me lembro de como terminei diante da porta de seu escritório. Tudo aconteceu tão rápido que mal percebi que estava ali, com o coração golpeando meu peito e os punhos cerrados. A voz de Aslin continuava ecoando em minha cabeça: “O casamento será daqui a dois dias”.Dois dias. Eu sequer tivera tempo de entender o que sentia por aquele homem, e ele já pretendia me transformar em sua esposa. Fosse fingido ou não, aquele casamento estava me arrastando para algo que eu não podia controlar.Bati à porta uma vez. Depois outra. E, quando não obtive resposta, abri sem permissão.Liam ergueu os olhos dos documentos, surpreso com a minha invasão. Sua expressão mudou imediatamente, tornando-se fria e impenetrável, como sempre.— Cecilia — disse simplesmente, apoiando a caneta sobre a mesa. — O que está fazendo aqui?Fechei a porta atrás de mim e cruzei os braços, tentando manter a calma, embora sentisse minha voz tremer de pura raiva.— Poderia começar me explicando por que decidiu antecipar o
Quando a porta se abriu e Liam apareceu, senti o ar abandonar meus pulmões. Seu olhar era uma mistura perigosa de surpresa, raiva e algo mais… algo que eu não ousei nomear. Hermant soltou lentamente minha mão e se levantou imediatamente, com a serenidade de quem sabia lidar com os silêncios.—Não era nada, senhor Azacel —disse com a voz firme, mas cortês.— Cecilia e eu já havíamos terminado de conversar.Ele fez uma pausa e sorriu levemente, com uma calma que contrastava com a tensão que pairava no ambiente.—O senhor tem uma noiva muito bonita. Peço desculpas pelo incômodo.Liam o olhou de cima a baixo, sem esconder sua desconfiança. Seus olhos eram frios, duros, como se tentassem perfurar as verdadeiras intenções de Hermant. Eu não conseguia me mover. Sentia minhas pernas fracas, o coração descompassado e a garganta seca. Quando Hermant foi embora, sua figura desaparecendo atrás da porta, senti uma estranha pontada… como se uma parte de mim quisesse segui-lo.O clique suave da porta







