Masuk
—Você precisa se casar com ele no lugar da sua irmã. É a única forma de salvar a nossa família! — a mulher praticamente implorava para a filha.
Serafina olhou para a mãe, incrédula. —Do que a senhora está falando? Casar com o noivo da Josefina? Nós mal acabamos de enterrá-la! Como pode pensar em algo assim? A senhora enlouqueceu?! —Já chega! — o homem gritou, silenciando as duas. Ele se levantou da cadeira e se virou para a filha com o olhar severo de um patriarca. —Você irá assumir o lugar da sua irmã. Esse é o seu dever como filha desta família! Serafina deu um passo para trás, incapaz de assimilar toda aquela loucura. —Vocês perderam a cabeça? A Josefina era minha irmã! O corpo dela nem esfriou no caixão, e vocês estão me dizendo que devo me casar com o noivo dela? O homem que ela amava? Que tipo de pessoas fazem uma coisa dessas? — Serafina sentiu os olhos arderem, e as lágrimas ameaçaram cair. —Isso envolve muito mais do que amor e essas idiotices sentimentais! — Frederico retrucou. Ele suspirou pesadamente, passando a mão pelo rosto numa tentativa inútil de se controlar. —O noivado da Josefina com o Damian não era apenas romance. Eles foram prometidos desde crianças para selar uma aliança entre as famílias... e pagar uma dívida de sangue que os Moretti têm com os Falconi. E agora... você deve assumir o lugar dela e pagar essa dívida! Serafina cerrou os punhos, sentindo o estômago embrulhar. —Eu disse isso quando saí desta casa há nove anos, e vou repetir agora: eu não tenho nada a ver com os negócios sujos de vocês! Ela respirou fundo, tentando conter a revolta. —Eu voltei apenas para enterrar a minha irmã. Não voltei para fazer parte desse vosso mundo de armas, mortes, pactos e sangue! Frederico bateu a mão contra a mesa, fazendo um estrondo ecoar pelo escritório. —Garota insolente! Nós demos a vida a você! Criamos você, alimentamos você, pagamos seus estudos com esse dinheiro que chama de sujo! O mínimo que deveria fazer é cumprir seu dever para com a família! Amélia aproximou-se da filha com os olhos cheios de lágrimas e segurou sua mão. —Querida... você é nossa única filha agora. Se não se casar no lugar da sua irmã, os Falconi vão destruir toda a nossa família. Por favor... eu imploro. Serafina olhou para a mãe e sentiu um aperto doloroso no peito. A mãe sempre a amou. Mesmo depois de ela praticamente ter sido expulsa daquela casa e cortado laços com a família, sua mãe continuava ligando toda semana para saber se ela estava bem. Mas, ainda assim... Serafina tinha fugido justamente para não pertencer àquele mundo. E agora queriam que ela se casasse justamente com Damian Falconi?! Aquele homem cruel, frio, impiedoso. Um monstro que matava sem piscar. Tudo isso apenas para pagar uma dívida que não tinha nada a ver com ela? Não. Jamais se casaria com aquele homem. Ela soltou lentamente a mão da mãe e a encarou com tristeza. —Me desculpe, mãe... mas eu não posso fazer isso. Ela se voltou para o pai, vendo os olhos dele vermelhos de raiva e desespero. —Você não pode fazer isso! — ele explodiu. — Se não se casar, vai matar todos nós! É isso que você quer?! Serafina sentiu o peito apertar. Sabia que o desespero deles era real, que toda aquela história de dívida e vingança era real. Mas, mesmo conhecendo pouco daquele mundo, também sabia que os Moretti não eram tão inferiores aos Falconi. Eles poderiam resolver aquela situação sem arrastá-la para aquilo. Ela lançou um último olhar para a mãe, quase como um pedido silencioso de desculpas, e se virou, saindo do escritório. —Serafina! — Frederico gritou atrás dela. Mas ela não parou. Apenas acelerou os passos, segurando as lágrimas. Serafina entrou no quarto, pegou a mala já pronta e saiu da mansão, caminhando apressada pela estrada de pedras em direção ao portão principal. —Serafina! — a voz do pai ecoou novamente atrás dela. Mas ela ignorou. —Querida, por favor! — a mãe implorou. Mesmo assim, Serafina continuou andando sem olhar para trás. Só queria ir embora dali. Voltar para sua vida normal. Ela estava prestes a alcançar o portão, quando viu o mesmo se abrir lentamente, e vários carros pretos entraram por ele, estacionando na frente dela. Homens armados, vestidos com ternos escuros, desceram dos veículos. Um deles abriu a porta do carro da frente. De dentro saiu um homem de meia-idade, de cabelos grisalhos, mas ainda carregando uma presença esmagadora de autoridade. Os olhos azul-acinzentados recaíram sobre os três. Impassíveis e frios. Instantaneamente, Frederico e Amélia baixaram o olhar. —Don Falconi... — Frederico cumprimentou, hesitante, sabendo que aquela não era uma visita cortês. — Seja bem-vindo. O homem não respondeu. Seu olhar se fixou diretamente na jovem à frente. —É ela? Frederico aproximou-se rapidamente da filha, tentando manter um sorriso nervoso no rosto. —Sim... esta é Serafina, minha filha mais nova. O olhar avaliativo do velho percorreu a jovem da cabeça aos pés. —Certo. Nós a levaremos agora. O casamento acontecerá em dois dias. —O quê?! — Serafina apertou a alça da mala, incrédula. — Do que o senhor está falando? Eu não vou a lugar nenhum com vocês! Frederico empalideceu imediatamente. —Serafina... — ele murmurou em desespero. Mas ela não se calou. —Vocês não podem me forçar a casar com ninguém! Isso é ilegal! E se tentarem me levar à força, eu denuncio todos vocês! No instante em que aquelas palavras saíram de sua boca, vários cliques metálicos ecoaram ao redor. Em um piscar de olhos, dezenas de armas estavam apontadas para eles. Amélia segurou a filha imediatamente em um gesto de proteção, enquanto Frederico permanecia imóvel, vendo seus próprios homens recuarem, cercados e encurralados. O homem de cabelos grisalhos caminhou lentamente até Serafina, parando bem diante dela. Mesmo tremendo por dentro, ela sustentou o olhar dele sem recuar. —Você irá conosco. Se casará com o meu neto, dará um herdeiro à família Falconi e, então, a dívida estará paga. Ele inclinou-se levemente, e sua voz caiu para um tom frio e perigosamente baixo. —Ou então... toda a sua família pagará pelo que nos deve. Vida por vida.A expressão de Damian se fechou lentamente.— Mal se recuperou e já está preocupada com ele?— Me responda! Ele... Ele está vivo?Damian continuou a encará-la, sentindo um nó se formar em sua garganta.Ela havia fugido, o abandonado, e a primeira coisa que fazia ao acordar era demonstrar preocupação por aquele homem bem na sua frente?— Damian! — insistiu Serafina, e seu medo aumentava a cada segundo do silêncio dele. — Por favor, me diga que você não o matou.Damian jogou o guardanapo sobre a mesa.— E se eu tiver o matado?Serafina sentiu o peito apertar e o chão desaparecer sob seus pés.— Você vai chorar por ele na minha frente?Uma lágrima escorreu pelo rosto dela.— Não... Isso... Isso não pode ser.— É isso que acontece quando alguém se mete com a mulher de outro homem neste mundo. Eu o avisei mais de uma vez, mas ele ignorou todos os meus avisos. Ele é o único culpado pelo que aconteceu.— Não, não! — Serafina apoiou as mãos na mesa, sentindo as pernas falharem.Damian se move
O médico terminou de examinar Serafina e virou-se para Damian, que aguardava a alguns passos da cama, com o olhar fixo na mulher inconsciente.— A senhora está bem. Apenas teve uma queda súbita de pressão. Seu corpo ainda está muito fraco, por isso, precisa repousar e evitar emoções fortes.Damian assentiu.O médico logo saiu, mas Damian continuou ali, observando Serafina enquanto organizava os próprios pensamentos.Seu celular tocou. Ele olhou para a tela, depois voltou a olhar para Serafina e saiu do quarto para atender à ligação.— Damian — a voz de Caetano soou assim que ele atendeu. — Onde você está?Damian olhou pela grande vidraça do segundo andar da mansão, de onde podia contemplar o extenso jardim da propriedade.— Voltei para minha casa.Um breve silêncio se fez do outro lado da linha.— Esse não foi o combinado.— Avô...— Eu disse que vocês só poderiam sair quando tivessem um filho.— E nós tivemos.— Mas ele se foi. Então, agora vocês dois devem...— Avô... — Damian torno
Damian moveu sua cadeira entre os homens, e parou diante do carro na frente.Seu olhar atravessou até o banco traseiro, fixando-se nela.Os olhos azul cravaram-se nos olhos castanhos da mulher dentro do carro, que o encarava de volta.Seus olhares se intensificaram, esquecendo-se de tudo ao seu redor.Os dois ficaram se encarando por longos segundos, até Serafina desviar o olhar primeiro.Damian então olhou para Dorian, que permanecia dentro do carro, encarando o loiro com um olhar que gelaria a espinha de qualquer um, e depois olhou para o chefe dos soldados.— Curioso. Acabei de conversar com o Don Castellano, e ele me garantiu que não tinha envolvimento no desaparecimento da minha mulher. E agora vejo os homens dele apontando armas para mim e escoltando o carro do homem que sequestrou a minha esposa.O homem imediatamente percebeu a implicação e sentiu suas palmas suarem, sabendo que um comando em falso seu provocaria uma guerra, e sua cabeça seria a primeira a rolar.Ele fez um g
Serafina se preparava para dormir quando ouviu batidas urgentes na porta. Ela foi abrir e viu Dorian com a expressão séria e apreensiva.— Precisamos sair.— O quê?— Conseguiram nos rastrear, precisamos ir embora agora.Serafina ficou parada por um instante.— O Damian... nos encontrou?Dorian viu aquele lampejo de esperança nos olhos dela, como se estivesse ponderando se deveria ir embora ou ficar e deixar que ele a encontrasse.— O que houve? — Alessandra saiu do quarto ao lado após ouvir as batidas urgentes e olhou para os dois.Dorian se virou para ela.— Vamos partir agora.— Agora? Por quê?... Espera, eles nos encontraram? — Alessandra perguntou em pânico.Serafina viu o pânico no olhar da amiga e seu peito apertou. Em seguida, olhou para o professor. Se Damian os encontrasse, certamente apenas a levaria de volta para casa, mas ela não podia garantir o que ele faria com Alessandra que a ajudara a fugir, e muito menos com Dorian.Dorian voltou a olhar para ela.Serafina assenti
Damian viu a fisionomia no olhar do mais velho mudar, mas não recuou, e insistiu.— O senhor esteve envolvido no sequestro da minha esposa?Domenico relaxou os braços sobre o encosto da cadeira e ajeitou a postura sobre a poltrona.— Isso é uma acusação muito grave, Damian.— Por isso estou aqui conversando com o senhor e perguntando, antes de decidir como agir.— Eu conheço as regras do nosso meio. Eu estive lá quando elas foram escritas, antes mesmo de você segurar uma arma. E eu, melhor que ninguém, sei que não se deve tocar na mulher de outro homem. Então, por que entra em minha casa a essa hora, e me faz uma pergunta dessas?— Dorian Lowen. Esse é o nome do homem que levou a minha esposa.Damian viu a linha do maxilar de Domenico tensionar.— O senhor conhece esse homem.Não foi uma pergunta.— Caso contrário, não teria como o seu número pessoal estar no registro de chamadas dele desde que ele chegou à Itália.Damian inclinou-se ligeiramente para a frente.— Então me diga, Don Ca
Na mansão Falconi, à mesa do jantar estava o Don, sua esposa, Riccardo e Bianca.A mesa estava em silêncio, preenchida apenas pelo tilintar dos talheres, até que Delara decidiu deliberadamente fazer aquela pergunta.— Bianca, há alguma notícia da Serafina?Bianca ergueu os olhos do prato e encarou a mulher. — Por que está perguntando isso a mim?— Vocês eram tão próximas, praticamente amigas. Pensei que talvez, ela tivesse dito algo a você.Bianca franziu o cenho imediatamente, perdendo a pouca paciência que ainda tinha para aquelas insinuações. — Ainda não sabemos se ela foi sequestrada ou se foi embora por vontade própria. E, se quer tanto saber o que aconteceu, talvez devesse perguntar a si mesma. Afinal, você é quem deveria saber.O sorriso discreto de Delara desapareceu. Ela endireitou as costas e estreitou os olhos para a jovem.— O que quer dizer com isso?— Você sabe exatamente o que eu quis dizer.— Já chega! — Caetano interrompeu antes que a discussão se intensificasse. O Do







