Share

Capítulo 3

Author: Kely G.
last update publish date: 2025-04-10 20:40:38

— Não Acredito que a Ana está me fazendo ir nessa festa, eu não gosto desses lugares — reclamei, enquanto terminava de me arrumar.

Ouvi o muxoxo do meu pai, que estava parado no meio da porta do meu quarto, ele não estava satisfeito com a falta de ânimo que eu fazia questão de mostrar.

— Minha filha, você precisa se divertir, a Ana só quer animar você — falou, tentando mudar meu humor.

Fui até ele e beijei sua bochecha.

— Eu realmente não sei porque vocês acham que ter uma vida sossegada, no conforto de casa é ruim. Eu gosto da minha paz, isso não é anormal, é ótimo! — continuei com seu posicionamento, fazendo-o rir, enquanto fechava a porta.

Eu joguei o hobby na cadeira da penteadeira e fui até o guarda-roupas no canto direito do quarto, escolhi uma calça jeans azul e uma camiseta branca, o look iria combinar perfeitamente com meus tênis all star pretos; para finalizar um colar simples com o pingente de fênix que o Luigi me deu de presente, eu amo. Ah, e não podia esquecer dos óculos, sem eles eu não enxergava nada.

— Uau, que filha gata eu tenho! Você, como sempre, está linda minha princesa — meu pai falou orgulhoso, é assim todas as vezes que olha para mim.

— Bela, está pronta? — A voz da Ana soou, vindo da porta.

— Estou sim. E vamos logo antes que eu desista — peguei minha bolsa, o telefone e saí.

— Nossa, que gata, olhos azuis, hoje você vai arrumar um boy! — Ana me abraçou, rindo. Ela usava um vestido vermelho, curto e saltos altos, maquiagem bem feita e seus cabelos loiros presos de lado.

— Que isso, hein! Com duas mulheres tão gatas, eu vou arrasar na festa — Luigi, sempre com suas pérolas.

O Luigi é como um irmão para mim, sempre me protegia, desde criança nós estamos sempre juntos, a mãe dele ajudou muito o meu pai quando fomos abandonados, ele não sabia como cuidar direito de mim e foi a tia Cíntia, que era nossa vizinha, quem ensinou, no final viramos uma grande família.

Seguimos para a área da festa, muito animados e ouvindo música alta. Após quarenta minutos, passamos pelos portões do clube da mineradora. O estacionamento estava lotado e o lugar cheio de pessoas bem vestidas, e alguns com carros importados.

— Olha isso! Caramba, isso aqui está lindo, olha só o nipe dos carros, só carrão — Luigi falou empolgado, avaliando os carros, ele tem uma pequena oficina e é apaixonado por automobilismo.

— Luigi, já pensou você com um camaro ou um audi desse, ia chover mulher pra você — Ana provocou.

— Eu não preciso disso para chover mulher pra mim, eu sou gato e tenho uma pegada inesquecível — ele respondeu, passando a mão no rosto, convencido. Ele tinha razão, era realmente muito gato, é moreno, tem descendência indígena, alto, forte e com um belo sorriso, ele realmente fez sucesso na cidade, principalmente porque é o campeão invicto das corridas de alta velocidade que acontece aqui e nas cidades vizinhas.

— Vocês dois parecem duas crianças, vamos logo — saí puxando os dois, um em cada braço.

A mineradora organizava festas anuais para comemorar os lucros e animar os funcionários e a população. Contratava cantores famosos, promovia jogos, montava espaço com brinquedos para as crianças e oferecia brindes para todos que participavam. Quando ela chegou aqui vinte e cinco anos atrás, os moradores não gostaram, pois essa exploração de solo em busca de minerais sempre trazia danos ao solo e à população, mas foi diferente, eles fizeram um projeto de limpeza de resíduos, tratamento do solo, também fizeram reflorestamento em áreas desmatadas e trouxeram grandes mudanças para o povoado. Investiram no crescimento e melhorias aqui, conquistando assim aqueles que eram contrários à sua chegada.

— Bela, aqui tem fotografias, vamos, vamos lá tirar fotos — Ana saiu puxando-me assim que viu uma cabine de tirar fotos.

— Tudo bem, vamos, vamos sim, nós três — puxei o Luigi para ir junto.

Colocamos as moedas e fizemos poses, uma mais engraçada que a outra. Confesso que estava realmente me divertindo.

— Oi, posso tirar uma foto de vocês para os registros da empresa? — Um fotógrafo, que passava por nós, pediu assim que nos viu sair da cabine.

— Olha, que chique, nós vamos sair nas revistas da empresa — Ana estava muito empolgada, sua alegria em aparecer na revista da empresa era exagerada, o que arrancou um sorriso genuíno do fotógrafo — pode tirar mais uma foto, moço — completou, fazendo o Luigi revirar os olhos.

O fotógrafo tirou uma repetição de fotos.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • A noiva substituta    Capítulo 41

    ALEX MONTENEGRO Eu saí da delegacia e segui direto para a clínica, eu precisava ver com meus próprios olhos o estado da Isadora. Assim que atravessei a porta do quarto revestido de branco, o cheiro de desinfetante e medicamentos me fez ter vontade de ir atrás daquela impostora desgraçada e enganá-la. O som dos aparelhos apitando era estranho, nada naquele cenário tinha a ver com a mulher imóvel naquela maca. Ela era altiva, barulhenta, não conseguia ficar sossegada por muito tempo e dizia detestar precisar de ajuda. Agora estava ali, sendo cuidada e sem noção nenhuma do caos à sua volta. Enquanto acariciava o rosto impassível, neutro a ponto de incomodar quem o encarasse por alguns segundos a mais. A pele estava um pouco fria, o toque estranho me fez querer desligar o ar-condicionado, Isadora não era assim, sua pele sempre foi agradável, quente, bem ao seu estilo fogoso… afastei os dedos e desisti de tocá-la. Um médico entrou e explicou detalhadamente seu quadro clínico. Fique

  • A noiva substituta    Capítulo 40

    ISABELA SILVA Quando voltei para casa, encontrei Maryeva, esperando por mim. É, realmente parecia que meus dias tranquilos tinham chegado ao fim, primeiro a visita à empresa e enfrentar aquele homem assustador e agora tenho que lidar com essa mulher, que conseguia ser igual ou pior que ele. — O que você quer aqui? — indaguei, encarando-a com a mesma “simpatia” que percebi nos olhos gelados. — Quem permitiu que você fosse à empresa — proferiu, sua raiva era tamanha que sua voz tremia. — O Alex me chamou e eu fui. — O que você pretende com isso, conquistar espaço e roubar o lugar da sua irmã? Você não deve se misturar mais que o necessário, entendeu! — caminhou até mim e segurou meu braço. Sacudi meu pulso com força, fazendo-a cambalear para trás. — Você está louca! Preste atenção, garota! — bradou, ainda com os dedos firmes em volta do meu pulso. — Pode ficar tranquila, eu não tenho interesse em roubar nada de ninguém. Muito menos conviver com ela ou com vocês — dei um solavan

  • A noiva substituta    Capítulo 39

    ALEX MONTENEGRO — Sinto muito, eu só achei os desenhos bonitos, por favor, me perdoe! — respondeu, recolhendo os papéis do chão. De onde eu estava, pude notar suas mãos trêmulas, tremiam tanto que uma tarefa tão fácil levou alguns minutos para ser concluída. — Deixa! — eu exigi com a voz fria, pelo olhar, ela surpreendeu-se demasiado com minha reação — Você pode ir pra casa, o motorista vem te buscar! — Avisei, enquanto ela me encarava como se estivesse me estudando.— Tudo bem, eu sinto muito por isso! — Levantou-se e deixou os papéis na mesa, depois seguiu em direção à porta. Como podia ser tão cínica? A cabeça baixa, os ombros tensos, a respiração acelerada, tudo nela era ensaiado para parecer frágil e sua mentira passar despercebida. Maldita mentirosa. Quando eu lhe avisei sobre a empresa, ela logo ligou para o Josias. Pelas câmeras, eu os vi conversando, e ele ajudou a interagir com todos no escritório. A desgraçada conseguiu se portar bem — muito bem. Mas agora está agindo

  • A noiva substituta    Capítulo 38

    O homem não tinha mesmo boa intenção vindo até mim — ou até Isadora — seja lá o que ele queria, sua atitude ao agarrar meu braço, deixava claro que não era nada bom. — O que você pensa que está fazendo? — bradei, tentando sair do seu agarre. — Você não vai me deixar esperando, não é mesmo, Isadora? Anda, vamos ao meu escritório, será uma conversa rápida.Eu pretendia negar, sair de perto dele, mas, ele tinha capacidade de fazer um escândalo caso eu recusasse. Seja lá que tipo de amizade minha irmã tinha com esse cara, não parecia ser nada simples, ele agia com arrogância demais para um simples colega de trabalho. — Ponto, estamos aqui, o que você tem pra me falar? — indaguei, erguendo o queixo, assim que ele fechou a porta atrás de nós. Afastei-me o máximo possível dele, esse homem não era nada agradável e até seu perfume, com cheiro tão forte que chegava a ardido, irritava meu olfato. — Tem certeza que você não sabe, Isadora? — perguntou, aproximando-se e tocando meu rosto. Eu

  • A noiva substituta    Capítulo 37

    “Chegamos.” — Enviei a mensagem, enquanto Alex estava distraído com a secretária, eu segui para o banheiro. “Tudo bem, só me diz onde você está que vou até vocês.”“Eu estou no escritório dele, no banheiro.””Neste caso, diga que vai até seu escritório e eu te encontro na recepção.” Depois de ouvir as instruções de Josias, eu desliguei o telefone e saí do banheiro. Alex já estava sozinho, sentado atrás da mesa, com os braços cruzados e olhando para mim. — Você está bem? — indagou, eu senti uma pitada de ironia, mas optei por acreditar que estava vendo coisas demais. — Sim, estou muito bem! Eu não imaginei que estava sentindo tanta falta desse lugar, foi só chegar aqui e a saudade bateu forte — forcei um sorriso. — Eu vou visitar meus amigos, tudo bem pra você? — perguntei, aproximando-me dele. Seu sorriso se alargou com minha aproximação e o olhar intenso parecia querer me atravessar. Eu senti um frio na barriga, enquanto continuava a encenação. Quando atravessei a porta e me vi

  • A noiva substituta    Capítulo 36

    Eu fiquei nervosa, muito nervosa, ele queria me levar à empresa com qual objetivo? Esforcei-me para sorrir, enquanto tentava achar uma desculpa para não ir. Mas, se eu não fosse, iria levantar suspeitas. Eu precisava ir. Tinha que avisar ao Josias também, ele iria me ajudar a não cometer gafes enquanto estivesse lá. — Seus amigos estão com saudades — suas resposta veio acompanhada de um sorriso. Alex não parecia insatisfeito, até deixou um beijo nos meus lábios antes de sair do quarto. Estava tão nervosa que quase me esqueci de colocar as lentes, felizmente esbarrei na cômoda por não enxergar direito sem meus óculos e então lembrei das lentes. Quando aproximei-me da sala de jantar, ouvi parte da conversa entre a Senhora Serena e o Alex, parei. — O que aconteceu, meu querido? Você está quieto desde que voltou de viagem — indagou ela, enquanto servia sua xícara com o café. Ela também tinha notado a mudança dele. — Nada, Vovó, é que a viagem foi muito cansativa, só isso — res

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status