LOGINLidar com a vida de prostituição e relacionamentos rasos era uma luta exaustiva, um peso que Isabella sentia cada vez mais difícil de carregar. Os encontros momentâneos, antes vistos como uma forma de sobrevivência, agora pareciam fragmentos de uma vida que ela mal reconhecia.
Com uma criança crescendo dentro dela, as decisões que se desenhavam no horizonte pareciam esmagadoras, cada uma repleta de incertezas e sombras do passado. Sentada em uma poltrona, com um pote de sorvete de chocolate nas mãos, ela chorava silenciosamente, sem saber qual caminho seguir.
No banheiro, o espelho manchado refletia uma imagem que a assombrava. A mulher que ela via, apesar de ainda jovem, já trazia no rosto as marcas de uma vida que a havia envelhecido antes do tempo. Cada linha e cada olheira contavam histórias de desilusões e encontros efêmeros, deixando uma sensação de perda profunda. Era como se, a cada cliente que cruzava sua porta, um pedaço de si fosse arrancado, ficando cada vez mais difícil se reconhecer.
Enquanto as luzes da cidade brilhavam lá fora, Isabella permanecia enclausurada em sua própria escuridão interna, dia após dia. Observando o sol brilhar e escurecer apenas por uma fresta em sua janela de tintura mal-acabada. Seu quarto era palco de uma solidão profunda, onde a garota de programa ansiava por encontrar um sentido perdido em meio aos desencontros de sua vida.
Uma frase dita em uma das séries que passava na TV, fez Isabella acordar para a vida e recuperar sua vontade de viver e continuar procurando uma saída para seu futuro incerto.
“Existem coisas que não queremos que aconteça, mas temos que aceitar. Coisas que não queremos saber, mas temos que aprender, e pessoas que achamos que não conseguimos viver sem, mas temos que deixá-las ir. A crença em uma fonte sobrenatural do mal não é necessária.”
- Criminal Minds
Isa jogou o pote de sorvete dentro da pia que já estava entulhada de louça suja, arrancou suas roupas com uma força voraz, entrou no banheiro para arrancar toda a “inhaca” que tinha encrostado em seu corpo por tanto tempo sem banho. Seus cabelos já não tinham mais movimento pela oleosidade gerada pelos hormônios da gravidez misturado com a sujeira. A jovem tomou um banho longo e restaurador. Ao se olhar no espelho, Isa viu sua imagem no futuro e o que poderia fazer para chegar lá. Ela precisava fazer algo por si, não existia ninguém em sua vida que faria isso no seu lugar.
Ela viu o quanto era linda, forte e poderosa, com essas qualidades, ela não poderia ficar ali, atolada em doces, esperando os dias passarem e as coisas acontecerem de forma desestruturada. Ela poderia organizar sua própria vida de forma lúcida e inteligente.
Vestiu-se com uma roupa elegante, porém confortável, colocou um scarpin salto 11, finalizou o cabelo com secador e chapinha, de forma a ficar uma modelo. Usou seu batom vermelho vinho e largou toda sua casa bagunçada para trás e foi atrás de resolver seus problemas.
Isa sabia que o que iria fazer era loucura, mas toda loucura resolve qualquer problema, seja para pior, ou para melhor. Isabella estava disposta a pagar para ver. Ela só precisava de uma solução.
Saindo de casa para o ponto de ônibus mais próximo, Isabella falava consigo mesma. “um dia eu terei meu carro e não enfrentarei essa dificuldade”. O ponto era a 850 metros da casa da garota, ela precisava caminhar e com isso estava ficando suada, a gravidez a deixava fatigada e com suor excessivo.
Ao longe, Isa vislumbrou uma nuvem negra cobrindo o céu, anunciando uma tempestade, ela apressou os passos, mas não dependia só dela, precisava que o ônibus passasse depressa. Antes de chegar no ponto, a chuva tomou Isabella encharcando sua roupa e desgrenhando seu cabelo que tanto tinha sido trabalhoso arrumar.
A atitude motivadora que Isa tinha vivenciado a poucos minutos se desfizera a cada gota de chuva que escorria pelo seu rosto. O que ela sentia agora era ódio e rancor.
“Maldita hora que considerei uma mudança em minha “sina”
A chuva caía incessantemente, como lágrimas do céu que pareciam refletir o tormento interior de Isabella. Sozinha, ela enfrentava o aguaceiro que transformava as ruas em rios tumultuados, um espelho perfeito para o turbilhão de emoções que a consumiam.
Isabella, com lágrimas mescladas à chuva em seu rosto, amaldiçoava em silêncio o destino que parecia tê-la guiado por um caminho obscuro. Seu coração, em conflito, ecoava o som dos trovões que rasgavam o céu, enquanto ela desabafava palavras de revolta em meio à tempestade. Parecia que até os céus choravam por ela.
Nesse momento de fragilidade e desespero, uma presença conhecida emergiu das sombras. Uma figura feminina, com olhos carregados de compaixão e um passado compartilhado nos recantos mais sombrios da vida de Isabella, aproximou-se silenciosamente em seu belo carro vermelho de portas automáticas.
— Isabella? É você? — a mulher abaixou o vidro fumê do carro na frente de Isa sentada no banco do ponto de ônibus, na rua da amargura, toda encharcada com as águas da tempestade.
Era Paloma, uma amiga que conhecia as cicatrizes de seus segredos obscuros. Alguém que dividia as ruas com Isabella nos momentos de rebeldia e tormento.
— Paloma? — Isabella pressionou os olhos para reconhecê-la.
A mulher elegante e bem-vestida saiu do carro e estendeu um guarda-chuva, criando um abrigo improvisado contra a tormenta.
— Venha, vamos sair dessa chuva. — Paloma abriu a porta do carro e colocou Isabella para dentro.
— Seu carro vai ficar todo molhado. — Isa reclamou em hesitação.
— Tsh! Não se importe com isso.
Com gestos gentis, Paloma envolveu Isabella em um abraço que parecia carregar consigo a promessa de redenção. Naquele momento, na dança das gotas de chuva, uma amizade do passado obscuro se reacendia, oferecendo à Isabella a esperança de que, mesmo nas tempestades mais sombrias, a luz da amizade poderia guiá-la em um caminho incerto e desejado.
Seguiram um caminho sem saber exatamente para onde ia, as duas mulheres ficaram em silêncio por alguns minutos, tornando aquele momento constrangedor.
— Para onde você precisa ir? — Paloma iniciou — Não importa, vamos tomar um chocolate quente e pôr o papo em dia, depois te levo para onde quer que seja. — ela mesma concluiu, sem deixar Isa decidir.
A mulher distinta que parecia ter se saído bem nas escolhas da vida, parou em uma padaria famosa da cidade e abriu a porta do seu volvo para Isabella sair e ainda sem falar nada adentraram a padaria deslumbrante. Paloma parecia ser frequente no lugar, pois, já pediu o de sempre e um chocolate quente para Isabella.
As duas ficaram se encarando por um bom tempo até o garçom trazer seus pedidos.
— Parece que você se deu bem na vida! Parabéns. Você sempre dizia que conseguiria. — Isabella conseguiu dizer algo depois de aquecer seus lábios com o chocolate.
— Tsh! A vida é uma caixinha de surpresas amiga. Mas e você? Parecia tão angustiada naquele ponto de ônibus. O que aconteceu? Além da chuva torrencial, é claro.
Na ilustre padaria, aos poucos, clientes iam preenchendo os espaços vazios. Isabella e Paloma sentadas em um canto discreto, cada uma perdida em seus próprios pensamentos. O aroma reconfortante de pães recém-saídos do forno pairava no ar, criando uma atmosfera acolhedora que contrastava com a dureza de suas vidas passadas e uma nostalgia refletia nos olhares das garotas.
Isabella, mexia timidamente em sua xícara de chocolate quente, quebrava o silêncio ocasionalmente com suspiros pesados. Paloma, com um olhar atento, percebeu a agitação silenciosa de sua amiga. Um vácuo constrangedor começou a se formar entre elas, tornando o ambiente amigável da padaria quase opressivo.
— Paloma, lembra daquela vez em que encontramos aquele lugar abandonado para passar a noite? — Isabella começou tentando dissipar a tensão.
— Ah, sim. Aquele lugar tinha um cheiro horrível, mas era melhor do que o ambiente hostil das nossas casas. — respondeu Paloma, tentando sorrir, mas seus olhos entregavam uma melancolia compartilhada.
O silêncio retornou, tornando-se um elefante entre elas, um peso que nenhuma delas parecia capaz de dissipar. Os olhares se cruzavam e se esquivavam, como se ambas estivessem dançando ao redor de memórias desconfortáveis.
— Paloma, eu… eu não sei como dizer isso, mas… — começou Isabella, interrompida pelo som da campainha da porta da padaria, que indicava a entrada de novos clientes.
O instante foi quebrado, e o vácuo constrangedor pareceu se dissipar temporariamente. As duas mulheres se concentraram em suas bebidas, deixando as palavras não ditas pairando no ar, esperando um momento mais propício para serem reveladas.
E assim, naquele pedaço de padaria, a história de Isabella e Paloma permaneceu suspensa entre o que era dito e o que ficava para depois, num entendimento silencioso que transcendia as palavras.
A luta de Isabella para encontrar seu filho que a sua ex futura sogra tinha sequestrado não estava no fim e ela não mediria esforços para conseguir. Sua vingança também estava marcada em cada célula do seu corpo. Sua jura por vingança estava veemente.Em uma das visitas a Aléssio na prisão, ela contou tudo o que sua mãe tinha feito, porém a megera o visitava e contava histórias completamente diferentes. Aprisionado e sem contato com a vida exterior, Aléssio não sabia em quem acreditar e nem nos guardas da prisão ele podia confiar.— Amor, Paloma me contou toda a trama que sua mãe armou para te prender aqui e assim te dar uma lição e me tirar da sua vida.— Amor, eu não duvido. Desde que minha mãe foi capaz de drogar Mônica e a matar para me fazer parecer culpado, eu não duvido do que ela é cap
O som suave das máquinas e o cheiro estéril do hospital ainda faziam Isabella sentir-se entorpecida. As horas desde o parto se misturavam como um borrão de lembranças desconexas. Ela acordara mais cedo do que o esperado, ansiosa para ver seu bebê pela primeira vez, mas a porta do quarto permanecia intransponível, com enfermeiras entrando e saindo, evitando olhá-la diretamente nos olhos.Quando o médico finalmente entrou, ela quase podia sentir a tensão pairando no ar, algo inquietante que parecia se esconder por trás de cada palavra dele.— Senhorita Isabella, pode comemorar. A senhora já está de alta — informou o médico com um sorriso discreto, mas Isabella notou uma tensão em seu olhar.— Como assim? Eu nem vi o meu bebê. — A preocupação se espalhou em sua voz — Doutor, por favor, quero ver meu bebê — El
Faltava apenas uma semana para o parto agendado de Isabella e ela percebia cada vez mais a tensão no rosto da sua amiga Paloma, mas mesmo que perguntasse, a amiga dizia que estava tudo bem, era só problemas casuais.— Se quiser, já pode voltar para sua vida, Paloma. Só falta uma semana para o bebê nascer e esse tempo eu consigo me virar. — Isa falou a Paloma e percebeu seu olhar preocupado.Paloma não tinha conseguido fazer o que Griselda tinha mandado ainda, pois, ela amava muito sua amiga e não queria magoá-la, mas a vida do seu irmão e toda a sua carreira estava em risco, ela não podia titubear agora. As mensagens no celular não paravam de chegar, com cobranças de Griselda. Então, Paloma precisava agir. Ela começou a pesar os pós e os contras da sua vida e colocou na balança a vida de Isabella.Isabella sempre teve tudo em casa, do bom e
Isabella se contorcia na cama, a ansiedade a consumindo enquanto contava as horas para o retorno de Aléssio. A ideia de que ele a deixaria sozinha por mais tempo a deixava inquieta, e sua necessidade de ir ao banheiro aumentava a cada minuto. Ela olhou para Paloma, que estava absorta no celular, e suspirou— Paloma, me ajuda ir ao banheiro, por favor? — Isa suplicou. Era quase de 30 em 30 minutos Isabella queria ir ao banheiro.Paloma estava ganhando muito bem para cuidar de Isabella. O trabalho dela era só cuidar para Isa não fazer esforço e fazer companhia, mas isso parecia estar incomodando Paloma. A barriga de Isabella estava enorme e ela tinha dificuldade para levantar-se.— Estou indo. — Paloma respondeu do ambiente ao lado, mas demorou mais que Isa esperava.— Paloma, vou fazer xixi na roupa.Em alguns minutos Paloma apareceu com o celular na mão, totalmente inerte à sit
Os incidentes deixaram Aléssio nervoso com sua mãe, ele fez questão de deixar claro que ela não tinha permissão de se aproximar da sua casa. Agora, por mais que fosse difícil, Aléssio carregava Isabella para todos os lugares, até os mais perigosos. Por mais que aquele acontecimento na festa de aniversário estivesse deixando uma ponta de insegurança, Aléssio decidiu ignorá-la, já que soube que tudo foi armação da sua mãe para destruir seu relacionamento.Isabella estava presenciando algumas das atividades de Aléssio no mundo do crime. Ele não queria que sua mulher visse, mas ele achou mais seguro Isabella estar ao seu lado, assim poderia protegê-la.A barriga já estava grande e Isa tinha mal-estar com frequência. A vontade de ir ao banheiro era constante, como se sua bexiga estivesse vazando. Ela seguiu a procura de um banheiro
Isabella respirava fundo, tentando acalmar o tumulto em seu coração enquanto as luzes da festa brilhavam ao seu redor, mas a alegria que antes a envolvia agora parecia distante, como um eco. A conversa que teve com JJ antes de chegar ali ainda a atormentava, e a presença dele na festa, mesmo que distante, fazia com que sua ansiedade crescesse.— JJ, não precisa disso. Solte essa faca, por favor — Isabella implorava por sua vida e para que JJ voltasse a si — somos amigos JJ, lembra?— Não… Não… Não… — o rapaz repetia freneticamente — Você é minha e esse bebê na sua barriga é meu.O rapaz apontou a barriga de Isabella com a ponta da faca e Aléssio correu para socorrer, mas os capangas o impediram.— O que estão esperando, atirem nesse cara e salve minha mulher. — Aléssio gritou para seus capanga







