LOGINA tarde estava abafada, pesada, quase grudando na pele. O corredor da universidade fervilhava com vozes e passos apressados, mas, quando Sophia ajustou a calça de alfaiataria preta justa ao corpo e empurrou a porta da sala, o burburinho ficou para trás. O silêncio formal do ambiente a engoliu de imediato.O espaço exalava aquele cheiro de giz, papel e café já requentado. As persianas deixavam entrar a luz do sol em tiras diagonais, recortando o carpete gasto e refletindo no quadro branco ao fundo. Sophia ajeitou discretamente a blusa de seda clara, sentindo como o tecido úmido pela transpiração grudava em seus ombros nus. Quis acreditar que seria só mais uma aula. Que ninguém notaria nada.Mas ela sentiu o olhar. O peso dele caiu sobre sua pele como se fosse um toque. Christopher Palmer. O moreno de olhos escuros a acompanhou com o olhar desde o instante em que ela atravessou a porta até o momento em que se sentou, e não desviou mais. Não era o olhar de um professor avaliando postura
A porta da sala de reuniões fechou-se atrás dele com um estalo seco, abafado pelo corredor longo e silencioso. O som metálico ecoou como uma sentença, marcando o fim da reunião, mas não o fim da tormenta dentro dele. Pietro avançava com passos firmes, cada movimento era carregado de rigidez, como se as veias ainda pulsassem com a raiva que Christopher havia provocado.Por fora, ele era o professor Ferrara. O professor com a postura impecável, ombros retos, terno escuro sem um vinco fora do lugar. Um homem de respeito. Por dentro, no entanto, o sangue ainda fervia como lava em ebulição.Ele odiava perder tempo com gente como Christopher. Homens como ele, acreditavam que o poder lhes dava o direito de reduzir mulheres a meros objetos de piada, eram homens que se escondiam atrás da arrogância para mascarar a própria mediocridade. O que mais o corroía não era a grosseria explícita, mas o subtexto venenoso: aquela provocação indireta, quase escorregadia, sobre “alunas”. Como se uma sombra
A sala de reuniões da universidade parecia mais um palco armado para uma encenação perfeita. O carpete cinza impecável, a mesa comprida de madeira polida reluzindo sob a luz branca, as pastas organizadas em fileiras geométricas, as garrafas de água e café posicionadas como peças de um tabuleiro. Tudo transmitia ordem, disciplina e rigor, o mesmo rigor que Pietro Ferrara exibia ao entrar.Seu terno cinza-escuro estava impecável, sem um único vinco, os sapatos brilhavam, o cabelo levemente úmido penteado para trás. A pasta de couro sob o braço completava a imagem do professor inflexível, inacessível, dono de um autocontrole quase militar. Por fora, ele era esse homem. Por dentro, ainda queimava.As imagens da noite anterior se repetiam como uma tortura íntima: Sophia em seu colo, os cabelos ruivos desgrenhados, os gemidos abafados contra sua boca, a sensação dela se entregando inteira em seus braços. Ele respirou fundo, obrigando-se a soterrar cada memória. Ali, precisava ser o professo
Anne Marie estava agora sentada no sofá ao lado de Sophia. Ao perceber que as almofadas estavam no chão, Anne encarou a amiga com os seus olhos azuis e perguntou: — Ei…transou com o professor no sofá?Sophia ficou calada e corou. — ECA VOU SENTAR NO CHÃO!Anne Maria caiu no chão e deixou Sophia sem palavras. A loira deitou a cabeça nas almofadas e colocou as pernas sobre as coxas de Sophia e disse com um sorriso largo. — Você não faz ideia, ruiva… — disse, com os olhos brilhando. — O Paulo me pegou de um jeito ontem que até hoje minhas pernas estão bambas.Sophia arregalou os olhos.— Anne!— O quê? — ela riu, sem a menor vergonha. — Você acha que só você pode se divertir?Sophia cobriu o rosto com as mãos, balançando a cabeça.— Você é impossível…Anne se aproximou, baixando a voz num tom conspirador, quase malicioso.— Quer saber a melhor parte?Sophia tirou lentamente as mãos do rosto, meio receosa.— Eu não sei se quero…— Pois eu vou contar mesmo assim. — Anne mordeu o lábio,
A claridade suave do fim da manhã atravessava as cortinas do apartamento de Sophia, iluminando o rastro da noite anterior. As almofadas do sofá ainda estavam caídas no chão como se tivessem sido arrancadas às pressas, uma taça de vinho pela metade em cima da mesa de centro, o robe de seda abandonado próximo ao sofá, testemunha muda de tudo que acontecera ali.Ela suspirou fundo, com o corpo ainda deitado de lado, abraçado a uma almofada. Os músculos doíam, mas era uma dor boa, deliciosa, como se cada fibra carregasse a lembrança de Pietro. Cada marca em sua pele era um selo, uma prova de que não tinha sido um sonho, mas sim a realidade mais arrebatadora da sua vida.Fechou os olhos por um instante, um sorriso tímido escapou de seus lábios. Mas a paz durou pouco. A lembrança da campainha tocando insistentemente voltou, junto com a voz estridente da vizinha fofoqueira ecoando pela sua cabeça: "Sophia, minha querida, por favor, preciso falar com você!"O tom zombeteiro de Dona Lurdes pa
O corpo de Pietro ainda ardia. Cada músculo pulsava como se tivesse acabado de travar uma batalha contra si mesmo e perdido. Estava suado, ofegante, a toalha colada à cintura sem esconder a evidência de que Sophia o havia marcado de um jeito irreversível. A respiração vinha em ondas, os olhos fechados ainda trazendo à tona a imagem dela gemendo seu nome.Ele se recostou na poltrona da sala, as mãos passando pelos cabelos molhados, tentando retomar o controle. Mas o silêncio do apartamento era cruel. Era como se a ausência dela gritasse mais alto do que qualquer prazer momentâneo.O coração ainda acelerava, e, sem raciocinar direito, ele pegou o celular. Os dedos discaram quase por instinto, buscando a única pessoa com quem podia falar naquele instante. Levou o aparelho à orelha, e o som da linha chamou apenas uma vez antes de ser atendido.— Alô… Pietro? — Paulo murmurou, com a voz arrastada, ofegante, quase como se tivesse sido arrancado de um momento íntimo.Pietro arqueou a sobranc







