O REI LICANTROPOS E A HERDEIRA DE SANGUE

O REI LICANTROPOS E A HERDEIRA DE SANGUE

last updateLast Updated : 2026-10-14
By:  Tônia Fernandes Updated just now
Language: Portuguese
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“Quando achei que minha vida se resumiria a cuidar de lobos, um armário ambulante apareceu e literalmente me derrubou no chão.” Há 350 anos, Roderick Likaius Wolf mantém o controle absoluto sobre tudo: clãs, territórios, guerras prestes a eclodir e seus próprios demônios internos. Bilionário, magnata internacional e Supremo Alpha de dez grandes alcateias, ele é temido no mundo sobrenatural como o lendário Rei dos Lobos Negros. Com a aparência de trinta e cinco anos, uma presença intimidadora e um passado sombrio, ele não tem a menor intenção de voltar a ter uma rainha. O problema? A Deusa da Lua não aceita recusas. Para manter o equilíbrio entre o mundo humano e o sobrenatural, Roderick administra um império de resorts de luxo espalhados por regiões selvagens — oficialmente, ecoturismo de elite; extraoficialmente, refúgios seguros para criaturas da noite. É por isso que ele está na Austrália, supervisionando a construção de sua mais nova propriedade. O que ele não esperava era colidir com Liara MacDougall Campbell. Veterinária, escocesa e afiada como uma lâmina, Liara é infinitamente mais confortável entre animais do que entre pessoas.

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Chapter 1

####CAPÍTULO 01

O silêncio sempre foi uma constante na minha vida, contudo, esse silêncio nunca se pareceu com um copo vazio esperando ser preenchido; ele sempre foi um espaço denso, impregnado de respeito e temor, onde certas presenças jamais precisaram elevar a voz para impor obediência.

— Aos meus trezentos e cinquenta anos, aprendi que o verdadeiro poder se assemelha a uma árvore cujas raízes se alastram silenciosamente pelo solo, fincando-se de maneira sutil, porém inabalável.

— Observando a cidade a partir do meu heliponto envidraçado na cobertura, com as mãos recolhidas nos bolsos do meu terno sob medida, eu contemplava a noite desdobrando-se como um manto familiar aos meus pés. — Os arranha-céus iluminados e o movimento frenético da vida urbana traçavam uma narrativa que os humanos jamais poderiam conceber a história daqueles que realmente caminhavam no comando entre eles, e era exatamente dessa forma que eu preferia governar.

— Prepare o jato , ordenei em um tom baixo, firme e decisivo, sem me dar ao trabalho de virar o rosto.

O homem que me acompanhava permaneceu imóvel por um segundo, não por hesitação, mas em um gesto imposto pela lealdade absoluta, como um fiel escudeiro postado ao lado do seu soberano.

— Ele era o meu Beta, o único indivíduo com audácia e direito suficientes para encarar o meu olhar sem desviar a vista.

— O jato está pronto, senhor, partiremos em quarenta minutos, ele me avisou , pronto para cumprir meu comando.

Mantive os olhos fixos em meu próprio reflexo no vidro, analisando a mim mesmo como um general que estuda o campo de batalha antes da investida final.

— Eu sabia o impacto da minha imagem: um homem alto, tocando os dois metros de altura, cuja presença se impunha com a mesma solidez de um edifício de concreto.

— Embora meus ombros largos parecessem relaxados, eles ocultam um controle excepcional, similar ao de um maestro que, em meio a uma pausa dramática, aguarda pacientemente pelo segundo exato de reger a sinfonia.

— Meus cabelos negros, levemente desgrenhados, mantinham um comprimento equilibrado entre o desalinho e o rigor corporativo, o suficiente para me adaptar ao ambiente empresarial sem esconder o lobo que sou.

— A barba aparada e o cavanhaque bem definido moldavam um rosto que, apesar de sustentar a aparência de uma juventude eterna, exibia a gravidade inconfundível de séculos de experiências acumuladas.

Quero ver o resort pessoalmente antes da inauguração — declarei com convicção, pois não confio em relatórios no papel quando o assunto é a segurança do meu próprio território.

— O Beta deu um passo à frente, mantendo-se alerta e atento ao menor sinal de tensão no ar.

— Tudo está conforme o planejado, a obra foi concluída antes do prazo e a segurança foi reforçada, sem qualquer registro de movimentação suspeita nas redondezas.

Virei-me lentamente, deixando que meus olhos tomados por um tom de âmbar fechado encontrassem os dele.

— E os guardiões, perguntei, tocando no ponto crucial que garantia a estabilidade do lugar.

— Estão posicionados adequadamente, assegurou meu Beta.

— A alcateia local já reconheceu este território como parte de seu domínio soberano, sem contestação.

Assenti, satisfeito com a eficiência da estrutura, mas prossegui com o interrogatório:— E quanto aos lobos selvagens, como estão?

— Houve uma breve pausa antes da resposta, um sutil detalhe que não passou despercebido pela minha percepção aguçada.

— Eles estão, diferentes admitiu o Beta, medindo as palavras com cautela extra.

— Diferentes em que sentido? — questionei, sentindo a minha curiosidade ser despertada.

— Eles estão mais tranquilos e obedientes, sem qualquer sinal de estresse ou hostilidade, não agridem ninguém, impressionante o que está acontecendo com os selvagens.

Uma das minhas sobrancelhas se ergueu levemente, sinalizando o meu interesse crescente por aquele comportamento anômalo.

— Isso é extremamente incomum comentei, direcionando toda a minha atenção para o assunto.

— De fato, concordou o Beta, assumindo um olhar sóbrio. — Considerando que são guardiões territoriais brutos, eles não reagem bem a estranhos e, normalmente, mostram-se letais ou indiferentes.

Cruzei os braços, sentindo uma ponta de mistério instigar a minha mente.— O que causou essa mudança radical?

— O Beta respirou fundo, preparando-se para revelar a peça central daquela equação inesperada.

— Contratamos a veterinária, como o senhor ordenou, ela está fazendo bem aos selvagens.

— E o que isso quer dizer?Exigi, querendo ir direto ao ponto.

— Eles a tratam como se fossem, cachorrinhos meu Beta respondeu, deixando escapar uma clara incredulidade na voz.

A palavra ressoou de forma tão deslocada dentro da minha realidade que cheguei a duvidar do que ouvia.

—Como assim Cachorrinhos, o que ela tem de especial? — Perguntei sem esconder o ceticismo.

— Exatamente o Beta confirmou, ela se relaciona com eles de maneira destemida, com uma autoridade natural que não exige subserviência nem agressividade.

Os animais se aproximam, obedecem aos seus comandos e até permitem que ela os toque.

— Alguns chegam a se deitar aos pés dela em busca de afeto.

— Um sentimento totalmente desconhecido começou a emergir no meu peito, embora eu tenha tratado de reprimir essa sensação imediatamente, empurrando-a para as sombras da minha mente disciplinada.

— E quanto ao contato com outras pessoas ? — Perguntei, curioso.

— Ah, com os humanos eles agem, diferente ao contrário de como agem com ela, disse o Beta, permitindo-se um leve sorriso de canto.

— Ela é arisca, reservada e não demonstra a menor paciência para interações sociais humanas.

É como uma ave selvagem que prefere o galho mais alto a se aproximar de um estranho.

Passei a caminhar a passos lentos pelo salão, absorvido por aquela informação.

— Talvez isso explique a conexão, murmurei para mim mesmo.

— Os animais possuem uma sensibilidade única para perceber exatamente o que os humanos tentam ocultar.

— Quando chegarmos, o senhor poderá conhecê-la, informou o Beta, e eu apenas assenti, compenetrado nos meus próprios pensamentos antes de concluir:

— Vamos ver, agora eu quero ver o trabalho dessa mulher.

Pouco depois, nosso jato cortava a escuridão do céu com a precisão da minha própria vontade.

— Durante a travessia transoceânica, debrucei-me sobre mapas digitais, relatórios de segurança e dados meteorológicos, mas minha mente insistia em vagar para longe das telas.

— Lembrei-me das constantes pressões dos clãs exigindo uma rainha ao meu lado, da minha própria história cravada por um casamento de conveniência que não deixou herdeiros, da companheira que nunca foi uma escolha do meu coração e da solidão inevitável que acompanha o topo do poder.

—Eu era um homem viúvo há cem anos, habituado ao árido terreno emocional que me restou desde a morte da minha antiga luz.

Ainda assim, eu encontrava minha verdadeira realização nos impérios que construía.

— Os resorts sob o meu comando não eram meros empreendimentos hoteleiros de alto padrão, mas sim autênticos santuários estrategicamente projetados.

— Nesses espaços velados, vampiros, e os licantropos ou outras criaturas podiam coexistir, negociar e descansar sem a ameaça dos olhares inquisidores do mundo mortal.

— Para a humanidade cega, tratava-se apenas de um refúgio de extremo luxo e beleza exuberante; para nós, era o único abrigo seguro no meio da tempestade.

Austrália, com sua floresta primitiva e energia ancestral vibrante, oferecia uma posição tática impecável.

— Uma das alcateias mais antigas e poderosas da região guardava aquelas terras há gerações, e o novo resort seria inaugurado oficialmente naquela mesma noite.

—Eu precisava pisar naquela terra e sentir a sua pulsação antes de receber qualquer convidado, como um estrategista que inspeciona o terreno antes da grande assembleia.

Assim que as portas do jato se abriram após o pouso, uma onda de calor denso e úmido me envolveu de imediato, como se a própria natureza estivesse reconhecendo a minha chegada.

— Respirei fundo, deixando que o ar carregado da mata me reativa os sentidos.

— Tudo está apostos para na recepção informou o Beta, alinhando-se ao meu lado enquanto desembarcamos.

Contemplei o horizonte dominado pela vegetação nativa e pelo silêncio denso que pulsava vida por todos os lados.

— Vamos para o resort, ordenei, agora eu vou ver de perto, o trabalho dessa mulher.

À medida que inspecionava a propriedade, absorvia cada detalhe com olhar clínico:— a arquitetura grandiosa integrada à fauna local, as rotas de fuga dissimuladas, os postos de observação elevados e o posicionamento dos guardas da alcateia, e a harmonia do complexo era impecável.

— A recepção começa esta noite? — questionei, confirmando o cronograma.

— Sim, com presença confirmada das lideranças vampíricas e licantrópicas e alguns híbridos de alto escalão, meu Beta respondeu..

— E os humanos, eles não terão passagem no resort?

— Apenas a elite civil que não faz a menor ideia da verdadeira natureza do evento.

Um sorriso contido e gélido surgiu no canto dos meus lábios.

— Bom trabalho, espero que seja um evento que nos renda muito lucro.

— Derrubei o peso do meu corpo a passos lentos sobre o solo, sentindo a vibração da terra sob minhas botas, perfeitamente em sintonia com a energia do lugar.

— Quero visitar o canil dos lobos selvagens agora mesmo.

— Como desejar, consentiu o Beta sem hesitar, indicando o caminho, enquanto o destino finalmente começava a desenrolar suas cartas.

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