LOGINLucanA voz de Elara cantou meu nome como se puxasse correntes. Não era uma canção inteira, apenas Lucan alongado em melodia ferida, uma sílaba presa entre dor e promessa. Avancei um passo. Vaela segurou meu braço. Não sozinho. Tentei puxar. Ezra ficou do outro lado, bloqueando sem tocar demais. Ela estava chamando. Vaela apertou os dedos. Ou a mina estava usando a voz dela. Olhei para Selene, porque ela havia ouvido Liora, porque caminhava com a mãe dentro da própria ferida. Disse que ela sabia a diferença. Selene ficou em silêncio por um segundo. Depois respondeu que nem sempre.Aquilo foi pior que negação.A parede à frente abriu uma fenda estreita, revelando um corredor lateral banhado por luz azul escura. O cheiro de Elara veio mais forte por ali. Tão forte que senti na língua. Lembranças de pele, cama, sonho, unhas em minhas costas. A mente se encheu da imagem dela na visão: presa à coluna, ainda selvagem, ainda minha e nunca posse de ninguém. A voz cantou novamente. Lucan… aqui
SeleneA mina começou a cantar mais baixo, e o corpo de Darius veio atrás de mim como muralha quente contra o frio azul. Ele não me puxou contra si. Não me envolveu demais. Apenas me sustentou, deixando que meus pés permanecessem nos degraus, deixando que a escolha continuasse minha. Mesmo assim, o contato explodiu. Senti a mão dele em minha cintura como se estivesse direto sobre a pele, embora houvesse tecido entre nós. Grande. Quente. Firme. O polegar não se moveu, mas a pressão bastou para que meu corpo lembrasse de tudo que não deveria: a boca dele em minha mão, a respiração quando me viu escolher prazer diante dele, a forma como meu nome ficava preso na garganta daquele homem.A mina percebeu. Claro que percebeu. As paredes brilharam, e o canto mudou de tom, mais íntimo, quase provocador. Darius prendeu o ar. Disse que ela estava usando o vínculo. A mina ou ele? A mina. Resposta segura. A boca dele ficou perto demais da minha nuca quando falou que, se fosse ele usando o vínculo,
SeleneA escada descia como uma garganta que aprendera a engolir mulheres em silêncio. Fui a primeira a pisar no azul, e o degrau sob minha bota sangrou luz. Não rachou, não cedeu, não gemeu. Apenas reconheceu meu peso com uma pulsação fria que subiu pela sola, atravessou minha perna e mordeu a palma recém-cortada. A bandagem feita por Darius já estava úmida. Cada gota que escapava parecia encontrar caminho próprio pelos meus dedos, como se a mina chamasse meu sangue pelo nome e eu tivesse passado a vida inteira sendo conduzida até aquela boca escondida sob a fortaleza.Atrás de mim, o grupo se movia em ordem tensa. Darius logo depois. Não à frente. Não tão perto que seu calor virasse interferência. Perto o bastante para que eu sentisse o lobo dele roçando a borda do vínculo, furioso, atento, acorrentado por uma palavra que eu não pronunciara, mas que ele respeitava mesmo assim. Espere. A palavra parecia ter se instalado nos ossos dele. Odiei isso. E senti meu corpo responder. Maldit
SeleneNo silêncio, eu ouvia o coração de Darius pelo vínculo. Batia rápido. Forte. Descontrolado. Por mim. A mão dele em minha cintura tremia, não de fraqueza, mas de contenção. Darius queria. Cada parte dele queria. O cheiro do desejo dele misturou-se ao frio mineral e transformou o corredor em uma prisão de sentidos. Senti meu próprio corpo responder, um calor baixo, involuntário, humilhante de tão vivo. A palma ferida pulsou. A marca lunar brilhou. Minha respiração falhou. Darius inclinou a cabeça, mas não tocou minha pele com a boca. A distância entre seus lábios e a curva do meu pescoço era uma tortura medida em misericórdias.A mina estava tentando usar aquilo, ele disse, a voz quase sem som. E ele? Ele estava tentando sobreviver àquilo. Fechei os olhos. Sobreviver a me tocar? A te tocar sem esquecer que não sou dono do alívio que sinto. Aquilo me golpeou. Porque havia alívio nele também. Não só desejo. Não só fome. Segurar-me, mesmo assim, mesmo por permissão mínima, completa
SeleneA mina começou a cantar mais baixo, e o corpo de Darius veio atrás de mim como muralha quente contra o frio azul. Ele não me puxou contra si. Não me envolveu demais. Apenas me sustentou, deixando que meus pés permanecessem nos degraus, deixando que a escolha continuasse minha. Mesmo assim, o contato explodiu. Senti a mão dele em minha cintura como se estivesse direto sobre a pele, embora houvesse tecido entre nós. Grande. Quente. Firme. O polegar não se moveu, mas a pressão bastou para que meu corpo lembrasse de tudo que não deveria: a boca dele em minha mão, a respiração quando me viu escolher prazer diante dele, a forma como meu nome ficava preso na garganta daquele homem.A mina percebeu. Claro que percebeu. As paredes brilharam, e o canto mudou de tom, mais íntimo, quase provocador. Darius prendeu o ar. Disse que ela estava usando o vínculo. A mina ou ele? A mina. Resposta segura. A boca dele ficou perto demais da minha nuca quando falou que, se fosse ele usando o vínculo,
SeleneA escada descia como uma garganta que aprendera a engolir mulheres em silêncio. Fui a primeira a pisar no azul, e o degrau sob minha bota sangrou luz. Não rachou, não cedeu, não gemeu. Apenas reconheceu meu peso com uma pulsação fria que subiu pela sola, atravessou minha perna e mordeu a palma recém-cortada. A bandagem feita por Darius já estava úmida. Cada gota que escapava parecia encontrar caminho próprio pelos meus dedos, como se a mina chamasse meu sangue pelo nome e eu tivesse passado a vida inteira sendo conduzida até aquela boca escondida sob a fortaleza.Atrás de mim, o grupo se movia em ordem tensa. Darius logo depois. Não à frente. Não tão perto que seu calor virasse interferência. Perto o bastante para que eu sentisse o lobo dele roçando a borda do vínculo, furioso, atento, acorrentado por uma palavra que eu não pronunciara, mas que ele respeitava mesmo assim. Espere. A palavra parecia ter se instalado nos ossos dele. Odiei isso. E senti meu corpo responder. Maldito







