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A Parede do Silêncio

Autor: Batistad
last update Fecha de publicación: 2026-08-06 22:09:51

POV: Selene

O uivo de Darius atravessou a floresta como uma mão fechando em minha nuca.

Eu estava de pé no centro das ruínas lunares, descalça sobre pedra fria, a lâmina deixada por minha mãe presa à cintura e o sangue ainda sensível sob a pele recém-desperta. A noite havia caído sem pedir licença. A lua, enorme e branca, derramava luz sobre os arcos quebrados, acendendo as inscrições antigas em prata fraca, como se cada símbolo respirasse comigo.

Então veio o chamado.

Longe.

Negro.

Ferido.

Dar
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Último capítulo

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   A Prova do Desejo Selene

    A mina escolheu o instante em que compreendi que Darius me deixaria partir para mostrar o quanto eu ainda desejava ficar. O chão se abriu em círculos de prata sob nossos pés, e uma onda de calor atravessou a câmara. Kaian recuou imediatamente. Darius tentou levantar, mas a ferida sob suas costelas o obrigou a apoiar a mão na parede. Fui até ele por instinto, antes que meu orgulho pudesse protestar. Quando meus dedos tocaram seu braço, a marca lunar em meu peito acendeu com tanta violência que todos os círculos responderam. — Selene, afaste-se — ele disse, rouco. — Você está em posição de dar ordens? — Não. Estou pedindo. A diferença quase me fez sorrir. Quase. Então as paredes desapareceram, substituídas por espelhos de água suspensos no ar. Neles, vi Darius me olhando de maneiras que nunca permitira diante de outras pessoas. Não havia desprezo, nem frieza. Havia desejo, arrependimento e uma fome tão silenciosa que minha garganta apertou. Uma inscrição surgiu na pedra: TERCEIRA

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   Selene Entre Dois Lobos Selene

    Kaian apareceu diante de mim com sangue seco na camisa e a expressão de um homem que acabara de perder alguma coisa, mas ainda acreditava poder conquistar o mundo.A projeção de minha mãe havia desaparecido minutos antes, deixando na água negra três círculos incompletos. Morvan. A mina. O trono. Eu ainda sentia a voz de Liora atravessando meus ossos quando Kaian saiu do corredor lateral, sozinho, com os olhos escuros presos em Darius.Meu Alfa rejeitador estava sentado contra a parede, recuperando-se da prata ritual. A ferida permanecia aberta sob a faixa improvisada, e cada respiração exigia esforço. Mesmo assim, quando Kaian se aproximou, Darius ergueu a cabeça sem baixar os olhos.Dois Varek.Dois lobos acostumados a disputar o mesmo território.E eu, mais uma vez, tratada como se fosse a parte mais valiosa da guerra.— Precisamos conversar — Kaian disse.— Então comece explicando por que está vivo e onde deixou Mirella.Ele soltou uma risada amarga.— Sua preocupação comigo é como

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   Mirella e Kaian, Veneno e Coroa Mirella

    A mão de Kaian ainda tremia quando se afastou do meu pescoço, e eu compreendi que um homem podia desejar uma mulher desesperadamente sem jamais escolher ficar ao lado dela.A marca de Seraphine ardia no chão da cela, espalhando veios vermelhos pela pedra azul. Minha garganta conservava o calor dos dedos dele. Não havia marcas, mas a lembrança daquele gesto me enojava mais do que qualquer ferimento. Kaian estivera perto demais de atravessar uma fronteira sem retorno. O pior era saber que uma parte de mim ainda queria a boca dele. Desejo, descobri, não tinha a menor obrigação de possuir dignidade.— Afaste-se — ordenei.Ele obedeceu.O gesto deveria ter me satisfeito. Em vez disso, deixou entre nós um vazio quente, quase ofensivo.Seraphine se apoiou na parede da cela, respirando com dificuldade.— Se terminaram de tentar destruir um ao outro, Morvan continua ouvindo.A voz dele respondeu das pedras:— E aprendendo.A marca vermelha avançou pelo chão. Kaian encontrou uma fenda na parede

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   Kaian Não Perdoa Fraqueza

    MirellaMorvan disse que agora sabia exatamente onde cortar, e Kaian olhou para mim como se eu tivesse acabado de entregar a lâmina.A cela de Seraphine tremia atrás da grade, metade aberta, metade faminta. As correntes caídas nos pulsos dela ainda fumegavam, mas a marca no chão continuava segurando seu corpo como raiz de ferro. O ar cheirava a prata queimada, sangue Varek e minha própria pele ferida. Meus dedos ardiam onde eu tocara o fecho. A dor era limpa demais para me assustar. O olhar de Kaian, não.Ele estava parado a um passo de mim, uma mão na própria ferida, a outra fechada com tanta força que os nós dos dedos haviam perdido a cor. O homem que segundos antes pediu permissão para ficar atrás de mim agora voltava a ser algo mais antigo. Mais treinado. O filho de Aldar Ren Varek, criado para esmagar qualquer coisa que parecesse fraqueza antes que o mundo usasse contra ele.— Você abriu uma porta para Morvan — ele disse.A voz veio baixa.Perigosa.— Eu abri uma corrente.— Você

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar    A Primeira Escolha Certa de Mirella

    MirellaSeraphine me pediu ajuda com a mão estendida através da grade, e eu senti a parte mais feia de mim procurar vantagem antes de encontrar compaixão.Foi rápido. Quase imperceptível. Um cálculo antigo, elegante, treinado em salões onde sobreviver significava sorrir enquanto alguém decidia meu valor. A irmã secreta de Kaian era uma chave. Uma garantia de sangue. Uma arma contra Morvan, contra Aldar, contra a Coroa Partida e, talvez, contra o próprio homem que me olhava como se eu fosse o erro mais bonito e perigoso de sua vida. Se eu a libertasse, poderia negociar. Poderia cobrar. Poderia fazer Kaian ajoelhar, pedir, sangrar orgulho diante de mim.A velha Mirella teria amado essa ideia.A nova, se é que eu podia chamar aquela rachadura de novidade, olhou para a menina acorrentada e viu outra peça usada por homens que escreviam destinos com tinta de sangue feminino.Aquilo me enojou.Principalmente porque reconheci o tabuleiro.— Não toque nela — Kaian disse.O tom dele era baixo,

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   A Irmã de Kaian

    MirellaA irmã morta de Kaian respirava atrás de uma parede de prata lunar, e eu odiei perceber que a primeira coisa que senti não foi medo.Foi reconhecimento.Seraphine Varek estava sentada no chão de uma cela estreita, os joelhos dobrados, os pulsos marcados por correntes finas que desapareciam dentro da pedra azul. Tinha os olhos de Kaian, aquela mesma escuridão arrogante de quem nasceu perto demais do poder, mas nela a arrogância havia sido raspada até sobrar osso. Era jovem. Jovem demais para carregar aquele silêncio nos ombros. A marca da Coroa Partida no pulso brilhava fraca, como brasa sufocada. Uma moeda de sangue, pensei, e senti o pergaminho escondido contra meu peito pesar como uma segunda pele suja.Kaian deu um passo em direção à cela.— Seraphine.A menina sorriu sem doçura.— Ainda lembra meu nome. Que tocante. Pai teria ficado desapontado.A voz dela era seca, fina de desuso, mas havia uma lâmina ali. Família Varek, sem dúvida. Até quebrados, eles encontravam um mod

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