INICIAR SESIÓNNa noite do Grande Eclipse, Liz acreditava que assumiria seu lugar de direito como Luna ao lado de Dominic, o temido Supremo dos Lobos do Norte. Em vez disso, encontrou a traição mais vil: o homem destinado a ser seu parceiro dividia o leito e o prazer com outra loba e, diante de toda a alcateia reunida, pronunciou com desdém as palavras que destruíram a vida de Liz: “Eu, Dominic, o Supremo dos Lobos do Norte, rejeito você como minha companheira!” A dor dilacerante da quebra do vínculo místico a fez colapsar no altar de pedra. Mas na manhã seguinte, das cinzas do seu orgulho, nasceu uma decisão silenciosa. Liz fugiu para as terras selvagens, sem olhar para trás. Nos anos que se seguiram, longe da opressão de Dominic, ela aprendeu o significado da verdadeira liberdade, conheceu novos horizontes e moldou sua dor em uma força inabalável. Liz tornou-se uma mulher fria, respeitada e soberana do seu próprio destino. O que Dominic não previa era que a dor da rejeição cobraria um preço alto demais. Tarde demais, o reino do Norte começou a ruir sem sua verdadeira Luna, e o Supremo percebeu a dimensão devastadora do seu erro: ele não havia descartado apenas uma parceira, mas a única mulher destinada a sustentar sua alma e seu trono. Agora, obcecado em reparar o passado, Dominic finalmente a encontrou e usará todo o seu poder de Supremo para forçá-la a retornar ao Norte, e restabelecer o equilíbrio do seu reino. Ele pode arrastá-la de volta pelas correntes da autoridade, mas jamais poderá obrigá-la a confiar. Muito menos a amar. Desta vez, os papéis se inverteram: não é mais Liz quem curva a cabeça... é Dominic quem está totalmente à sua mercê.
Ver másO vento gélido da Cordilheira do Norte não soprava apenas pelas fendas do Salão de Pedra ou entre os galhos rígidos dos pinheiros-negros. Ele parecia atravessar as paredes de alvenaria e cortar, com lâminas invisíveis, as entranhas de Liz.
Deitada sobre o leito de peles de urso do quarto que lhe fora designado na ala leste da fortaleza, a jovem loba mantinha as pálpebras fechadas, a respiração presa na garganta e os dedos cravados na madeira da penteadeira. As garras emergiam sutilmente das pontas das unhas, perfurando o carvalho antigo em um gesto reflexo de pura agonia.
A pulsação frenética que martelava dentro do seu peito não era a sua.
Ela podia sentir o calor tórrido de outra pele. Sentia o odor enjoativo e adocicado de feromônios em saturação, o ritmo acelerado e pesado de uma respiração masculina arfante, e o atrito bruto de músculos que não lhe pertenciam. Através do vínculo místico de companheiros — a linha invisível tecida pela Mãe Lua para entrelaçar duas almas lupinas —, a mente de Liz estava sendo brutalmente invadida.
E, naquele exato momento, o que seus sentidos percebiam era pura podridão.
Não havia amor na conexão daquele instante. Não havia reverência, carinho ou o sagrado calor do acasalamento destinado. O que se derramava pela ponte empática de Liz era a sensualidade crua, desprovida de alma, da carne exercida sem pudor.
Dominic, o Supremo dos Lobos do Norte, o homem a quem ela deveria se ajoelhar e coroar como Luna naquela mesma noite durante o Grande Eclipse, estava compartilhando o leito e o prazer com outra fêmea.
A poucas horas da cerimônia mais sagrada da alcateia, o alfa satisfazia seus instintos nos braços de Valeska.
Uma onda de náusea subiu pela garganta de Liz. Ela abriu os olhos. Suas pupilas, normalmente de um tom castanho-avelã profundo, faiscaram em um tom prateado e felino na penumbra do quarto. Ela levou a mão ao pescoço, sentindo a pele queimar onde a cicatriz invisível do elo pulsava como ferro em brasa.
Anatomicamente, Liz era a representação perfeita da loba fêmea de sua linhagem. Com pouco mais de um metro de comprimento em sua forma lupina e pesando cerca de quarenta e cinco quilos de musculatura magra e esguia, ela possuía uma estrutura óssea leve, projetada para a agilidade, a caça de rastreio e a resistência nas longas travessias da neve. Sua garupa era sutilmente mais larga e seus quadris mais firmes, moldados pela biologia ancestral para abrigar e proteger a futura prole nas tocas do inverno.
Não possuía o porte massivo e a caixa torácica intimidadora dos machos alfas — aqueles gigantes de oitenta quilos cujos depósitos de gordura sobre o esterno serviam como escudos de carne em batalhas territoriais. Mas Liz possuia uma percepção sensorial e empática incomparavelmente mais refinada. E naquele instante, essa dádiva tornara-se a sua pior maldição.
Através do laço, Liz conseguia captar o exato momento em que o ritmo de Dominic mudava. Sentia a rigidez dos ombros largos do Supremo, a pressão que suas mãos pesadas faziam sobre a cintura de Valeska e a satisfação egocêntrica de um predador que se julgava intocável. Para Dominic, Liz era apenas uma formalidade diplomática, um vaso nobre exigido pelas anciãs para garantir a estabilidade do trono do Norte. Ela não passava de um detalhe incômodo em seu reino de força bruta.
Uma onda de vômito subiu pela garganta de Liz. Mas repulsa que queimava em suas entranhas e empurrou — Você me dá nojo, Dominic. — A voz mental de submissa, mas como uma lâmina congelada imersa.
A quilômetros dali, no aposento privado do Supremo, macho de mais de um metro e vinte de altura, cujo hierarquia do Norte estava subjulgada, congelou, instantaneamente, sobre o corpo da loba abaixo e o desejo ardente de outrara foi substituído por um jato de náusea e repulsa, sentido através da conexão mental.
Dominic rosnou alto, um som gutural de macho alfa fazendo a loba sob ele encolher os ombros, assustada com a mudança repentina de humor do alfa — Cale a boca, Liz! — Dominic rugiu de volta pela mente dela, tentando impor sua aura de comando. — Você não é nada. Apenas um vasilhame formal para garantir a linhagem da matilha. Não pense que esse laço lhe dá o direito de julgar o seu Supremo!
Dominic desprezava as antigas Tradições Místicas Lunares, sagradas para Liz, correntes místicas que afirmavam que o útero das lobas possuim uma “memória” capaz de registrar, alegria, satisfação, felicidade, e também traumas, dores e o histórico de relacionamentos passados. Sob a ótica da traição, acreditava-se que se houver uma quebra de confiança (uma traição sofrida ou cometida), essa quebra gerava um bloqueio energético, uma macula espiritual marcada diretamente no órgão. Sob o viés místico, o útero das femêas funcionaria como um portal que retém a energia sexual e espiritual de parceiros passados. A traição, portanto, significaria a introdução de uma “energia desalinhada” ou nociva dentro desse centro sagrado, gerando um emaranhamento espiritual difícil de romper, assim as decisões passadas, afetavam as relações presentes e ameaçava as futuras.
A voz mental de Liz não surgiu como um choramingar submisso ou o lamento de uma fêmea ferida. Ela projetou suas palavras pelo vínculo como uma lança de gelo lapidado, embebida no mais puro e concentrado elixir de desprezo.
A mais de quatrocentos metros dali, no topo do Torreão Imperial, o ritmo de Dominic travou abruptamente.
Liz abriu os olhos. Suas pupilas lupinas brilharam na penumbra do espelho. Ela enviou uma última sensação pelo laço a imagem mental do próprio Dominic reduzido a uma carcaça miserável e solitária —, antes de erguer suas barreiras tanto quanto conseguia.
O lobo alfa é considerado um símbolo de fidelidade, monogamia e trabalho em equipe, formando laços sociais fortes com a sua matilha e um único parceiro ao longo da vida. Quando um dos parceiros morre o outro permanece sozinho.
De modo que, a dinâmica tóxica entre eles estava selada. Ele tentaria quebrá-la pela força e pelo desdém, ela faria do desprezo a sua armadura. Ao a introduzir a “energia desalinhada” e nociva dentro do centro sagrado, Dominic repelia Liz, que ao mesmo tempo ganhava força para bloquear o elo místico que os unia.
Ameaça direta ao pilar da alcateia. Ou ao casal alfa, que representa lealdade, sabedoria comunitária e cooperação para a sobrevivência em ambientes difíceis. Os lobos formam casais alfa que geralmente acasalam e permanecem juntos por toda a vida. Todos os integrantes da família cooperam para caçar, defender o território e cuidar dos filhotes. Jovens lobos costumam auxiliar os pais idosos ou feridos, levando alimento até eles nas tocas. Uma tradição milenar que agora estava manchada.
O Supremo os Lobos do Norte — um macho alfa de um metro e vinte e cinco de altura em sua forma lupina, de ombros maciços, peitoral projetado para fora e músculos densos temperados por dezenas de batalhas sangrentas — congelou sobre o corpo de Valeska.
A descarga súbita que atingiu seu cérebro foi como um banho de água congelada em meio à fogueira do prazer. A sensação gostosa do orgasmo iminente foi cortada instantaneamente, substituída por um jato amargo de náusea puríssima, um escárnio frio e um repúdio tão visceral que fez o estômago de Dominic dar um nó doloroso.
Abaixo dele, Valeska soltou um arfar de surpresa quando o alfa se afastou bruscamente, rosnando. O som que saiu da garganta de Dominic foi um rugido gutural de animal acuado, fazendo as chamas das velas da câmara oscilarem violentamente.
— Dominic? O que houve, meu alfa? — murmurou Valeska, estendendo a mão de unhas compridas e tentando tocar o peitoral largo do Supremo, exalando mais de seu perfume para reconquistá-lo.
— Cale a boca! — rosnou Dominic, empurrando a mão dela para longe sem qualquer delicadeza.
O Supremo sentou-se na borda da cama de dossel, os punhos fechados sobre os joelhos com tanta força que as articulações dos seus dedos ficaram brancas. Seus olhos dourados brilhavam na escuridão, tomados por uma fúria incandescente. Ele levou as mãos às fontes, tentando expulsar o eco repulsivo que continuava a vibrar em sua mente.
—Cale a boca, Liz! — Dominic rugiu de volta pela ponte mental, invocando toda a sua aura de comando de Supremo. O peso de sua autoridade caiu sobre o laço como uma prensa de ferro, tentando subjugar a mente da fêmea. — Você não é nada! Não passa de um dever que sou obrigado a cumprir para acalmar o conselho! Não pense, nem por um segundo, que este laço miserável lhe dá o direito de subjulgar o seu alfa!
A resposta de Liz não foi o silêncio amedrontado que ele esperava.
Através do canal empático, Liz enviou uma imagem límpida e cristalina: a visão do próprio Dominic, despido de sua armadura e de seu título, reduzido a uma carcaça decadente e sarnenta, devorada por vermes sob a neve do inverno. Junto com a imagem, veio uma gargalhada mental fria, desprovida de qualquer vestígio de dor ou desespero — apenas um escárnio calmo e absoluto.
Em seguida, com um esforço de vontade que fez suas têmporas latejarem, Liz ergueu uma barreira mental, trancando o vínculo pelo seu lado, novamente.
No Torreão Imperial, Dominic inspirou o ar com violência, o peito largo subindo e descendo descontroladamente. A sensação de ter sido rejeitado mentalmente por uma fêmea de porte leve — uma loba que ele julgava fraca e insignificante — feriu seu orgulho de uma forma que nenhuma lâmina jamais conseguira.
— Dominic? — insistiu Valeska, cobrindo os seios com o lençol de seda e aproximando-se com olhar manhoso. — O eclipse será em duas horas. Você precisa se vestir... a alcateia já está se reunindo no Great Hall.
Dominic levantou-se da cama, ignorando a loba. Ele caminhou até a grande janela de arco corrido e olhou para o pátio congelado lá embaixo. Lá na frente, nos alojamentos da ala leste, ele sabia que Liz se preparava.
Uma raiva cega e territorialista queimava em suas veias. O instinto de macho alfa, inflado pelo dimorfismo biológico e por séculos de dominação patriarcal na alcateia, bradava que ele deveria descer até lá, agarrá-la pelo pescoço e dobrá-la até que ela admitisse sua superioridade.
— Ela vai aprender — rosnou Dominic para a noite gélida, o hálito condensando-se no ar frio da janela. — Diante de toda a alcateia, diante da lua e dos anciãos... eu vou mostrar a ela qual é o seu verdadeiro lugar.
O amanhecer sobre a Fortaleza de Pedra não trouxe a claridade suave de um dia comum, irrompeu através das fendas das altas muralhas em tons de cinza metálico e âmbar gélido, cortado por rajadas de vento que pareciam arrancar as pedras seculares de seus alicerces.Nos aposentos da Soberana, o calor da lareira ainda combatia o bafo congelante da madrugada. Liz estava de pé diante da janela alta, vestindo uma cota de malha leve sob uma veste de lã negra. Suas mãos repousavam sobre o parapeito de pedra, os dedos longos crispados de leve. A sensação do semen de Dominic correndo por suas entranhas na noite anterior ainda pulsava em sua consciência, não mais como uma toxina, mas como um eco indelével, um lembrete físico e espiritual de que as muralhas que ela erguera ao redor de seu coração haviam sido implodidas por um ato de pura e absoluta rendição.A porta abriu-se com um rangido abafado. Maeve, a Anciã Mestra, entrou curvada sobre o seu cajado, trazendo nas rugas do rosto a gravidade de
A tempestade ártica uivava contra as muralhas de basalto da Fortaleza de Pedra, transformando o mundo exterior em um abismo de neve e vento cortante. No entanto, dentro dos aposentos privados da Soberana, o único som que preenchia o ambiente era o estalar suave e rítmico das toras de bétula consumidas pelas chamas na lareira.A pesada armadura de campanha de Liz havia sido deposta sobre o arcaz de carvalho, restando apenas a túnica leve de linho escuro. Sentada à beira da cama coberta com espessas peles de lobo branco, ela massageava as têmporas, sentindo o cansaço residual de semanas de vigílias militares e manobras políticas dissipar-se lentamente sob o calor do fogo.A porta girou com um silêncio absoluto. Dominic entrou, trazendo nas mãos uma pequena bilha de cerâmica com infusão fumegante e duas taças de metal escovado. Ele havia deixado para trás a cota de malha e o peitoral de combate, vestia apenas uma camisa escura de mangas largas, que deixava parcialmente à mostra a cicatri
A noite que seguiu à invasão fracassada na Fortaleza de Pedra desabou sobre a Cordilheira do Norte com o peso sufocante de uma tempestade ártica. A queda brusca de temperatura, ventos fortes, nevascas e chuva congelante, despencaram dezenas de graus abaixo da média, gerando sensação térmica negativa extrema.Lá fora, os ventos polares uivavam contra as muralhas de basalto milenar, chicoteando a neve em redemoinhos cegantes. Nos aposentos privados da Soberana, no entanto, o ambiente deveria ser de triunfo estratégico, em vez disso, o silêncio guardava uma densidade quase palpável, cortada apenas pelo crepitar abafado e melancólico das brasas na lareira.Liz estava sentada à pesada escrivaninha de carvalho negro, iluminada pela luz trêmula de velas de cera de abelha. À sua frente jaziam os relatórios de patrulha das fronteiras do Sul e os despachos dos novos enclaves comerciais. Seus olhos prateados percorriam as linhas de texto com a precisão analítica de sempre, mas havia uma exaustão
As semanas que se seguiram à solene assembleia no Salão do Grande Eclipse trouxeram a confirmação de que a ordem no continente mudara para sempre. As notícias sobre o desmantelamento da aliança do Leste e a rendição voluntária do ex-Supremo espalharam-se pelas províncias como um raio, calando qualquer voz dissidente que ainda alimentasse a ilusão de derrubar o governo da Loba de Prata.A Fortaleza de Pedra transformara-se no centro diplomático e comercial de todo o Norte. Com os canais do rio Gelo-Morto totalmente pacificados e sob fiscalização rigorosa, caravanas vindas dos quatro cantos do continente chegavam diariamente, trazendo minérios, tecidos nobres, especiarias e grãos para abastecer os grandes depósitos da cidadela.No topo do Torreão Imperial, o antigo salão de guerra de Dominic fora inteiramente remodelado. As paredes de basalto escuro agora exibiam tapeçarias claras tecidas pelas fêmeas do Sul, e a imensa mesa de nogueira abrigava pergaminhos organizados de leis, registro






Bem-vindo ao Goodnovel mundo de ficção. Se você gosta desta novela, ou você é um idealista que espera explorar um mundo perfeito, e também quer se tornar um autor de novela original online para aumentar a renda, você pode se juntar à nossa família para ler ou criar vários tipos de livros, como romance, leitura épica, novela de lobisomem, novela de fantasia, história e assim por diante. Se você é um leitor, novelas de alta qualidade podem ser selecionados aqui. Se você é um autor, pode obter mais inspiração de outras pessoas para criar obras mais brilhantes, além disso, suas obras em nossa plataforma chamarão mais atenção e conquistarão mais admiração dos leitores.